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sábado, setembro 07, 2019

Eu não consigo largar o celular.

Há uns 10 anos, li uma notícia que dizia que olhar o celular era a primeira coisa que mais de 50% dos norte-americanos de 18 a 25 anos faziam ao acordar. Na época, os smartphones não eram tão comuns, e fiquei em choque com a notícia: mas como é possível que uma pessoa, antes mesmo de terminar de acordar, olhe o celular?


Sei que, com o passar do tempo e com a chegada de novas tecnologias quase que diariamente, é comum que nossos hábitos mudem. Chamar um táxi acenando na rua, por exemplo, é raro. Mandar um email pra saber notícias de alguém, nossa, já virou coisa do passado com tantas ferramentas de comunicação. 

Sendo assim, não é de se assustar que, 10 anos depois, eu também tenha me tornado essa pessoa que olha o celular quase que instantaneamente ao abrir os olhos pela manhã. E não é só isso: o celular também é a última coisa que olho antes de dormir, é o que vou olhando no caminho que faço a pé pro trabalho, é o que me distrai enquanto não chega o metrô... O celular consegue ser minha fuga quando não quero pensar em nada mais, e ao mesmo tempo é o que enche a minha cabeça de informação e pensamentos diversos. Tenho consciência de que estou perdendo tempo e sei o quanto isso tem me impedido de refletir sobre diversos temas. 

Outro dia, deixei o aparelho na bolsa por alguns minutos, enquanto caminhava para o trabalho. Refleti sobre a quantidade de coisas que estão acontecendo ao nosso redor e como estamos deixando de percebê-las. Vi uma senhora passeando com SEIS cachorros. Prestei atenção às primeiras mudanças que chegarão com o outono - as folhas amareladas, algumas até caindo - e me dei conta de que o sol da manhã batia lindo entre as árvores. 

Parece besteira, mas todas essas pequenas cenas que aconteceram em um intervalo tão pequeno encheram a minha manhã de significado. Me trouxeram mais consciência sobre o que estava passando ao meu redor e me deram uma melhor noção sobre a passagem do tempo. Me fizeram valorizar os meses de verão em que pude sair caminhando pela manhã fresquinha sem me preocupar com o vento. Valorizar a natureza que, farta, enchia meu caminho de verde e de aromas. Agradecer por mais um dia.

As coisas estão aí: temos que prestar atenção.

Ao relembrar essa notícia de 2009 e me dar conta de que me tornei essa pessoa que tanto criticava, entrei em um conflito de sensações: afinal, não dá pra se opor ao que vem de novo, deixar de usar o celular ou os aplicativos preferidos, ou mesmo as redes sociais, principalmente para quem, como eu, vive longe da família e dos amigos mais antigos. Isso tudo tá aí, em teoria, para facilitar a nossa vida. Pra fazer a gente ganhar tempo. Mas como pode ser que algo feito para otimizar o nosso tempo acabe tomando muito mais tempo do que deveria? Não é um paradoxo?


No fim das contas, a chave, como tudo na vida, é o equilíbrio. Não tem problema em dar aquela escapada e ficar um tempo nas redes sociais. Ou ficar de papo no WhatsApp vendo gifs e memes sem pensar em mais nada. Mas os limites saudáveis estão aí para ajudar a gente a não se desprender tanto da realidade.

Sabemos que o equilíbrio não vem assim fácil. Não é simplesmente dizer pra você mesma: hoje eu não fico pendurada no celular. Assim não vai funcionar, já existe uma relação viciosa que é mais forte do que a gente pensa. É preciso disciplinar-se pouco a pouco para tomar distância do celular. Estipular que ele não dorme do lado da cama (que tal colocá-lo do outro lado do quarto?). Colocar limite de tempo diário para redes sociais (os sistemas operacionais têm isso) e não ficar se boicotando e colocando os "sonecas" porque "eu mereço esvaziar a cabeça depois desse dia tão cheio".

Procure ter sempre um livro de cabeceira e trocar o celular por ele antes de dormir. A qualidade do sono muda muito. Experimente deixar o celular no modo avião ou dentro da bolsa enquanto janta entre amigos ou caminha pro trabalho. Além de prestar mais atenção no que está ao seu redor, você pode evitar acidentes. Quem nunca tropeçou, esbarrou em algo ou em alguém por estar olhando o celular na rua? 

A tecnologia não é um problema ou não deveria. O problema está em se deixar levar por ela e, com isso, fugir dos nossos valores mais essenciais. Pedir taxi pelo aplicativo? Ótimo! Mais seguro, mais rápido, mais barato. Enviar aquela mensagem pra família logo cedo dizendo que ama? Lindo! Aproxima, acalenta, preenche.

Agora, andar pela rua como um zumbi pendurado no celular, corcunda de tanto olhar pra baixo, aí não, né. Deixar de ter uma conversa profunda com alguém em um jantar porque o celular não para de apitar, não me parece coerente com quem valoriza as relações sociais. Visitar uma paisagem impressionante e isso gerar ansiedade sobre qual vai ser o melhor ângulo pra foto, bem, sugiro que antes disso você respire fundo 10 vezes enquanto olha pra paisagem. A foto você tira depois, mas a retina já registrou :)


Tudo isso pra dizer que, sim, é difícil e cada vez mais difícil largar o celular. Eu mesma resolvi escrever sobre isso para ver se organizo meus pensamentos e interiorizo essas sugestões que coloquei aí em cima. Meu pai sempre me diz que "tomar consciência de um problema é 50% do problema resolvido". Acho que a primeira parte eu alcancei. Agora vem a segunda, a mais difícil. E meu filtro para identificar se estou passando dos limites vai ser: de que parte de mim ou dos meus valores estou me afastando com essa atitude?

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Ilustrações de Jean Jullien - https://www.jeanjullien.com 

quinta-feira, abril 23, 2009

Seleção de coisas legais na web (sem critério algum)

Terror, o tipo da coisa que não é pra mim
O site Hotel 626 foi eleito o melhor de 2008 pelo público do FWA. É um site de terror que só funciona das 18h às 6h, suposto horário de funcionamento do hotel. Entrando à noite, dá mais medo ainda de percorrer os sombrios corredores... Ok, você pode burlar o sistema mudando a hora no seu computador ;)

Com produção de vídeos e 3D de alta qualidade, o site te desafia a sair vivo do hotel. Quando postei esse link no blog da Neotix, há um tempinho, teve nego reclamando que não conseguia usar. Atenção ao horário de funcionamento do site! Outra coisa: no início, é um pouco difícil de se localizar mesmo. Assim, ao entrar no corredor, saia clicando em tudo pra poder entrar em uma das salas e iniciar os desafios...

Tente sair vivo dessa!
http://www.hotel626.com/

Vídeo de outros tempos
Em sua primeira viagem ao Brasil, Pato Donald encontra Zé Carioca. Ao som de Aquarela do Brasil, desbravam a natureza, os costumes e muito do que o país tem a oferecer.



Bem legaus
O blog http://www.bemlegaus.com/ mostra dicas interessantes de decoração, artigos divertidos e modernos e peças de design pra ninguém botar defeito! Este saleiro e esta pimenteira abaixo, por exemplo, foram retirados de lá. Eles são feitos em cerâmica, têm rodinhas em aço inox e pneus de borracha. Foram criados pelo designer de Israel Iris Zohar. Imagina a diversão: passa o sal!


A cada dia, um post diferente.

terça-feira, abril 21, 2009

História, interatividade e muita bola na rede

Sala das Copas

Logo na entrada, um saguão com fotografias e lembranças de colecionadores de todas as torcidas anuncia que a emoção não vai ser pouca. Flâmulas, miniaturas, bandeiras... Tudo é memória na chegada ao Museu do Futebol.

Suba a primeira escada rolante, e você vai se deparar com a imagem do Rei Pelé, em vídeo e tamanho pouco maior que o real, saudando os visitantes em português, inglês e espanhol. Um corredor escuro te levará ao salão dos anjos barrocos, em que grandes ícones do futebol de todos os tempos pairam no ar em projeções e tecidos que rodeiam os visitantes até a chegada da primeira área sobre gols.

De um lado, algumas personalidades como Galvão Bueno e Nelson Motta falam sobre seus gols prediletos, permeados por imagens marcantes; do outro, cabines com estações de rádio permitem que você escolha narrações de gols desde 1900 e as escute bem de perto, como num radinho de pilha, enquanto o que está sendo narrado passa numa tela à sua frente em legendas frenéticas.

Quando você já está achando tudo aquilo uma experiência super divertida, é levado para outra sala escura: a parte de baixo da arquibancada do Pacaembu, com perfis cravados na terra e um clima misterioso. De repente, um jogo de painéis, projeções e caixas de som criam uma sinfonia de gritos de guerra e comemorações de gols de várias torcidas, permitindo que os visitantes se sintam totalmente inseridos naquele ambiente e envolvidos na emoção daqueles apaixonados. É de arrepiar.

A partir daí, começa a parte mais histórica do museu. Quadros com imagens que associam a história do país à chegada do futebol me fizeram lembrar meu avô, que iria adorar tudo aquilo (ainda vou levá-lo). Um corredor mostra grandes heróis de nossa história, das artes à política, passando pela música, arquitetura e, é claro, futebol. Uma verdadeira aula em grandes painéis também com projeções.

Mais um corredor, dessa vez com Arnaldo Antunes narrando a fatídica final da copa de 1950, no Maracanã, em que o Brasil perdeu para o Uruguai por 2 a 1. Uma narração sofrida, acompanhada pelas batidas aflitas de um coração brasileiro. Este é o chamado “Rito de passagem”, que leva os visitantes à super colorida Sala das Copas. São vários totens, representando diversas copas e seus respectivos momentos históricos, políticos, econômicos e artísticos. Dá pra passar horas só olhando as fotos e assistindo aos vídeos.

Após uma breve passagem por dois monumentos, que homenageiam as histórias de Pelé e Garrincha, chega-se ao grande almanaque interativo do futebol. Tudo o que você pode imaginar está ali. São regras, curiosidades, números, recordes, chuteiras e bolas desde a chegada do esporte ao Brasil até os dias de hoje, frases e apelidos famosos, réplicas do cartão e apito do juiz, e até as divertidíssimas mesas de pebolim, trazendo diferentes esquemas táticos!

Para finalizar, um pouco mais de diversão em outro andar. Primeiro, alguns campinhos de futebol projetados no chão são a alegria da criançada, que disputa a bola virtual. Em seguida, uma salinha em que, com óculos 3D, você confere de pertinho a habilidade de um grande jogador. E, por fim, teste a velocidade do seu chute com o goleiro virtual, e ainda tire uma foto que poderá ser encontrada no site do museu.

Não é à toa que o Museu do Futebol já está entre os 5 mais visitados da cidade (segundo levantamento da Revista da Folha), mesmo tendo sido inaugurado em setembro do ano passado. A tecnologia é usada de uma forma muito inteligente, atraindo a atenção de pessoas de todas as idades, e permitindo que elas aprendam sem perceber sobre a história do nosso país e este esporte, incorporado de forma tão natural à nossa cultura.

Reserve um dia todo e se entregue a essa paixão. Garanto que vai valer a pena.

Museu do Futebol
Estádio do Pacaembu – Praça Charles Miller, s/nº
Ingressos: R$ 6,00 (estudantes pagam R$ 3,00)
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 17h
Não funciona em dias de jogo no Pacaembu. Confira agenda em: http://museudofutebol.org.br/

sexta-feira, março 20, 2009

Descoberta bacanuda na web

Eu sou péssima para lembrar nomes de músicas. Muitas vezes, me pego procurando no Google por trechos de canções que gosto, para conhecer o nome delas. Foi aí que descobri o Just hear it, um site que promete encontrar todas as músicas disponíveis na web com a palavra que você digitar.

Muito simples de navegar, o site encontra todas as músicas que tenham no título, letra ou artista a palavra procurada. E o melhor: você pode escutá-las na íntegra.


E viva a internerd!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Chega de boas festas!


Ano passado a gente teve uma idéia: e se parássemos com essa história de todo ano desejar boas festas para os clientes e criássemos algo que lembrasse as pessoas, no final de cada ano, dos desejos que ela pretende realizar, como uma forma de pensamento positivo para o novo ano?

Dessa idéia nasceu o Natal dos Desejos Neotix, em que a gente pede que você não deseje boas festas, porque isso todo mundo faz todo ano e é um saco. Ao invés disso, faça com que seus desejos se realizem de fato. Anote-os em algum lugar visível e ande sempre com eles, saiba da prioridade que eles têm pra você e lute por eles.

Se você não quiser andar com os desejos escritos pra lá e pra cá, use a nossa árvore dos desejos. A gente lembra você todo ano até que os realize! A novidade este ano é que todos os que enviaram desejos no ano passado vão receber um e-mail perguntando se o desejo se realizou. Os realizados vão aparecer de uma forma diferente no site para todos os usuários.
Se você não usou nossa árvore o ano passado, pode enviar seu desejo agora mesmo e ser lembrado sobre os seus sonhos durante todo o ano, até que eles se realizem :)

Agora contamos com a sua ajuda esse ano para que nossa árvore EXPLODA de desejos.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Neo-Neotix

A Neotix mudou MUITO nos últimos meses. O novo escritório ganhou mais mesas, mais funcionários e até uma nova - e corintianíssima - sócia. A empresa comprou um Wii, a Aninha comprou um R2D2 que projeta DVDs na parede, e isso tem gerado noites mais que divertidas ao pessoal.

Profissionalmente, a agência mudou muito também. Deixamos de ser uma "empresa que faz sites" e nos tornamos uma verdadeira agência interativa, com especialização em estratégias online, criação de campanhas, além de importantes parcerias com outras empresas.

Como a Humex, que promove formatos diferenciados de mídia (tela e chão interativos e até o divertido ad-walker), e a Real Media, com expertise em track-it - para os leigos, basicamente é inserir códigos que permitam rastrear o comportamento dos usuários na internet, verificando quais as páginas visitadas e o caminho percorrido por cada usuário depois de clicar em um banner... enfim, fornecer resultados reais das campanhas realizadas. Nas palavras de um cliente nosso, "colocar o sininho no pescoço dos bichanos".

Por essas e outras mudanças, o nosso site estava ultrapassado, recebíamos muitos contatos de pessoas interessadas nos serviços que oferecíamos lá atrás, mas que agora já não eram mais interessantes. Por isso, resolvemos substitui-lo temporariamente por um blog. Mudamos o formato, a linguagem e, principalmente, o conteúdo.

Agora todo mundo colabora, escrevemos sobre os assuntos mais recentes de tecnologia e, é claro, divulgamos tudo de mais legal que acontece por aqui. Se você se interessa por tecnologia, design ou ainda quer saber de todas as baboseiras que aprontamos, clique aqui.

terça-feira, maio 06, 2008

Quase duas semanas depois...

Os leitores mais assíduos devem estar se perguntando: mas que diabos aconteceu com essa menina? É, eu realmente fiquei um bom tempo sem postar, mas espero que vocês não tenham desistido de mim hehe.

Fiquei devendo um retorno sobre o final de semana mais cultural de todos os tempos, certo? Pois, de início, saibam que eu não consegui fazer tudo o que queria. Acabou não sendo o final de semana mais cultural de todos os tempos. Hunf.

Bom, comecemos pela sexta-feira:

Estivemos no Sky Live Multimídia, um evento patrocinado pela TV por assinatura Sky que tinha como objetivo mostrar diversas formas de interação entre música e imagem. Por isso, o Espaço das Américas foi equipado com diversas instalações, como um totem que mesclava imagens de celebridades e partes do corpo de pessoas que se deixavam filmar; um lounge (foto), em que se podia interagir com as projeções que desciam nos tecidos; e a oficina de VJ, onde pessoas aprendiam os princípios de um software de mixagem de imagens.

As atrações musicais foram o coletivo Embolex, formado por 5 integrantes (entre produtores musicais e VJs) e que contou com a participação do MC Gaspar. Não se pode negar a qualidade musical do grupo, mas confesso que não me surpreendeu. Eu sabia que o melhor ainda estava por vir.

Em seguida, tocou durante apenas meia hora o brasileiro Nepz, que despertou diferentes sensações ao mixar batidas do hip hop e elementos do jazz, além, é claro, da fusão entre imagem e som.

Pontualmente às 23h30, conforme o line-up, os britânicos do Addictive TV (que eu já tinha visto no Skol Beats do ano passado e foi fantástico) subiram ao palco. Macaquinhos levantavam placas no telão, dizendo: "Olá, São Paulo! Somos o Addictive TV", e os poucos presentes se animaram ainda mais. Poucos mesmo.

Apesar de o som ter falhado algumas vezes (para indignação de Graham Daniels e Nick Clark), a apresentação fez bastante sucesso entre os presentes, com mixagens de filmes como "O Gordo e o Magro" e "Cães de Aluguel", além de clipes do Queen e imagens de Vinícius de Moraes. Tudo isso regado a muita batida eletrônica. Não é à toa que são considerados os mestres na modalidade DVJ (disco and video jockey).

(Foto: Paulo Henrique Schneider. Mais aqui)

quarta-feira, junho 06, 2007

Enquanto isso, no barbeiro...

Acabo de conhecer e escutar o virtual barbershop, arquivo de som que reproduz fielmente a sensação de se estar sentado numa cadeira de barbeiro.

Descobri que isso se chama sonorização em 3D, e que é muito utilizada em cinema há alguns anos. Vi também que a técnica chama-se binatural recording, uma forma diferente de se capturar e reproduzir o áudio.

É só colocar um fone de ouvido que tenha um mínimo de potência (para que o som fique mais limpo e próximo do real) e fechar bem os olhos.

Ah! antes disso clique aqui.

Divirta-se!