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domingo, julho 27, 2014

#27: Participar de uma festa dos Bálcãs

De todos os que conheci em São Paulo, o Sesc mais bonito é certamente o da Pompeia. Aquelas paredes de tijolinhos que remetem à época em que era uma fábrica, o café super charmoso com aquela árvore sempre decorada…


Este ambiente só consegue tornar ainda mais especiais as várias atrações que sempre acontecem por ali. Já fui em festival de cinema alternativo, shows de artistas novos e clássicos que adoro… mas, dessa vez, tive a oportunidade de participar de um evento muito diferente: a Festa dos Bálcãs.

Pra quem não sabe, a região dos Bálcãs é a parte sudeste da Europa - Grécia, Bulgária, Sérvia, entre outros países - conhecida tanto pelos conflitos que já aconteceram ali, como a Guerra dos Bálcãs, como também pela cultura tão rica e diversificada.

Fiquemos com a segunda. A Festa dos Bálcãs no Sesc Pompeia durou uma semana e contou com workshops, comidas típicas e muitos shows de artistas internacionais. Fiquei sabendo pela minha mãe, que pratica danças circulares e iria no domingo, com suas amigas, pra formar uma grande roda de dança no salão da choperia do Sesc.


O lugar estava decorado com grandes bolas coloridas. À meia-luz, vestidos em trajes típicos, a dupla de DJs Venga, Venga! tocava músicas da região, com uma levada eletrônica deliciosa.


Ao longo da noite, bandas de diferentes nacionalidades passaram pelo palco, fazendo todo mundo levantar das cadeiras e formar grandes rodas de dança. Até o jornalista Zeca Camargo, grande amigo de Betty Gervitz (curadora do evento), entrou na roda e dançou conosco.


Terminamos a noite comendo uma banitsa, pãozinho de massa folheada recheado de queijo, típico da Bulgária, que estava delicioso.

A energia de uma roda de dança, normalmente, já é muito especial. Seja pelos movimentos repetidos ou pela energia trocada nas mãos dadas, é sempre uma experiência deliciosa participar de uma roda como essas. Nesta Festa dos Bálcãs, com aquele cenário colorido e ao som de instrumentos gregos, búlgaros e sérvios, não tinha como não ser ainda mais especial.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

#8: Assistir a um musical da Broadway (ou dois :-)

Desde que assisti "Miss Saigon" aqui em São Paulo, há alguns anos, sempre fiquei imaginando como seria assistir a um musical da Broadway NA BROADWAY. Porque é claro que as adaptações são maravilhosas e super fieis, mas os espetáculos originais deveriam ser ainda melhores. Imaginava as mega produções, as vozes impecáveis de arrepiar o corpo todo…


Quando soube que ia pra NY, a primeira coisa que fiz foi comprar ingressos com antecedência. Decidi que iria assistir a um clássico e outro de rock e, depois de pesquisar entre amigos e sites, resolvi assistir "The Phantom of the Opera", o mais antigo de todos, e "A night with Janis Joplin", que me atraiu mais do que o "Rock of Ages". Não peguei os melhores lugares, mas comprei no mezanino e paguei US$ 90 em cada.


Primeiro foi o da Janis, numa segunda-feira. O Lyceum Theatre estava relativamente cheio e o palco não parecia trazer grandes inovações tecnológicas. Sentei entre um senhor muito alinhado, de gravata borboleta, e uma senhora gordinha que logo puxou papo. Eu disse que estava amando a cidade e que o único problema era o frio: "não me dá vontade de fazer nada!" E ela então me disse aos risos que era por isso mesmo que gostava tanto do frio: "o que eu mais gosto na vida é ficar sem fazer nada, querida."


Quando o espetáculo começou, vi que não teria grandes cenários. Era um ambiente como uma sala, com móveis antigos, um palco no centro e outro no fundo, onde ficava a banda. Era relativamente pequeno e todo iluminado com abajures espalhados. Muito simples e muito bonito.


Não precisou de 5 minutos pra eu entender que o forte ali não seria mesmo o cenário. Após uma breve introdução, chamou-se ao palco Janis Joplin, que além de parecida, estava impecavelmente caracterizada como a cantora. E, quando ela começou a cantar, desabei a chorar sem o menor controle, sem pensar em absolutamente nada, apenas tocada pela música e por aquela voz tão parecida com a original.

O espetáculo inteiro é muito emocionante. Janis conta a história de sua vida e repassa todas as suas principais influências no blues. Subiram ao palco Aretha Franklin e Nina Simone, também muito bem caracterizadas e com vozes arrepiantes. E Janis tocou todos os seus principais sucessos, convidando a todos a se levantarem pra dançar. E eu viajei com ela e chorei do início ao fim, copiosamente. 

Depois de tanta emoção, imaginei que dificilmente "O Fantasma da Ópera" poderia superar o que havia passado ali. E estava certa.


Nessa segunda vez, tinha mega produção, cenário, figurinos maravilhosos. Os ambientes eram trocados rapidamente e em segundos iam de uma casa a um pântano (cujo gelo seco dava mesmo a impressão de que eles estavam navegando). Os efeitos, o elenco, tudo muito mais grandioso e performático do que o espetáculo anterior. As interpretações são perfeitas e é até difícil de acreditar que aquelas vozes sejam deles mesmo. E é uma bonita história de amor, acima de tudo.


Ambas as experiências foram lindas e muito válidas, mas percebi que não precisa de nenhum palco giratório ou lustres voadores pra gente se emocionar a noite inteira.

Tudo depende de como cada som toca você.

quinta-feira, agosto 22, 2013

#2: Aula de Zouk

Todas as quintas-feiras, a partir das 20h30, há aulas de Zouk no Carioca Club, em Pinheiros, São Paulo. Duas amigas fazem aula lá e sempre me convidam. Eu, por preguiça ou vergonha, nunca aceitei. Afinal de contas, nunca fui lá uma grande dançarina.

Massss, como a ideia agora é se abrir para as oportunidades, resolvi topar e, nesta última quinta, participei de uma aula experimental.


As aulas se dividem em básico e avançado e são coordenadas por Philip Miha - uma das maiores referências em Zouk no Brasil. Ele tem uma didática incrível e, entre outras coisas, orientou que eu me concentrasse ao máximo para coordenar corpo e mente ao mesmo tempo, enquanto jogava os quadris de um lado pro outro no aquecimento.

Começa-se com exercícios feitos individualmente, sempre marcando o ritmo de três tempos. Aos poucos, ele vai soltando a música e é impossível não se envolver… então começa-se a dançar aos pares e eles contam com uma equipe de ajudantes que, além de dançar muito, são orientados a deixar os alunos bem à vontade.


A aula é deliciosa e nem se vê o tempo passar. Os básicos começam às 20h30 e os avançados às 21h30, e vale a pena ficar pra assistir à aula dos mais experientes, até pra se inspirar e ver aonde se pode chegar. São muitos giros, jogadas rápidas de cabelo e muita sensualidade.

Ao final das aulas, sempre acontece uma balada, em que se pode praticar tudo o que se aprendeu. O curso custa R$ 100 ao mês e já inclui as baladas de todas as quintas. Mais do que justo!

O Carioca Club fica na Rua Cardeal Arcoverde, 2899.

E essa sou eu, tentando dançar alguma coisa :)

terça-feira, maio 31, 2011

Toque-me, sou teu

Dica: Ligue o som para uma melhor ambientação.

Era uma manhã ensolarada de sábado. Sozinha, estava a caminho da Rua José Paulino - paraíso de mulheres em busca de roupas bonitas e baratas - e, obviamente, de metrô. O trajeto incluía sair da Estação Conceição, cruzar as linhas verde e vermelha e chegar até a Estação da Luz.

Recém-chegada da Europa, tinha trazido o costume de prestar mais atenção à arquitetura dos lugares, principalmente de São Paulo: "também temos igrejas e construções maravilhosas", pensava, conferindo detalhes que até então passavam despercebidos. Por isso, ao chegar à Estação da Luz, fiquei maravilhada com aquela enorme estrutura de ferro, os vitrais, os detalhes no teto e nas paredes, os grandes portões de madeira de onde já se via o belo Parque da Luz...

Foi quando me chamou a atenção um piano, bem no meio do salão central da estação. Ele tinha várias mãozinhas adesivadas e um aviso: "toque-me, sou teu". Fiquei rodeando o piano, meio sem jeito, até que por fim resolvi arriscar um dedilhado. Sentei-me e, puxando do fundo da memória, comecei a tocar a Sinfonia nº 40 de Mozart (essa música que, se você ligou o som do computador e aceitou a dica ali de cima, está tocando agora).

Aos poucos, fui me deixando envolver na melodia, e a música foi fluindo como se adormecesse de uma memória antiga e, agora, ressurgisse com a força e emoção a que lhe eram devidas. Olhava para cima e para os lados, toda aquela arquitetura histórica, aquele marco da cidade de São Paulo, e eu ali, no meio de centenas de pessoas que iam e vinham... Até que um senhor parou para me escutar. "Que bonito, isso, menina", foi a única coisa que ele disse, e se manteve ali, me ouvindo, se deixando levar pelo mesmo som e, quem sabe, pela mesma emoção que me tomava naquele momento.

Queria ter uma câmera naquela hora, ou que um destes "cinegrafistas de celular" tivesse documentado essa passagem. Mas tudo bem, ficou bastante marcado na memória e, principalmente, no coração.

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O projeto "Toque-me, sou teu" está espalhado por diversos pontos da cidade de São Paulo.
Mais informações: www.pianosderua.com.br

segunda-feira, novembro 22, 2010

Paul McCartney - Up and coming tour - eu fui!

Isqueiros ao alto para Let it be

Quando soube que o Paul viria fazer shows no Brasil, passei a usar a frase padrão para qualquer pessoa que perguntasse se eu iria: “nem que eu tenha que vender minhas calcinhas!” Baixarias à parte, fiz questão de acompanhar, ao lado de meu pai, as novidades sobre compra de ingressos e toda essa “burocracia protecionista” que temos por aqui. Começou a tentativa naquela madrugada em que teoricamente os ingressos começariam a ser vendidos para os reles mortais que não tinham conta no banco específico X. Meia-noite-e-um: nada feito, só a partir das 8h.

Dia seguinte, 7h da matina, voltamos pro computador em busca de um lugar ao sol naquela disputada noite no Morumbi. Nos primeiros 10 minutos, já não conseguimos comprar a arquibancada vermelha, que era a nossa primeira opção. Tentamos a azul, dessa vez com sucesso.

A partir de então, passamos a contar os dias para o tão esperado show do Paul. Já preparando as pernas para a maratona Planeta Terra no sábado + Paul no domingo; e preparando o coração para os momentos que estariam por vir.

Domingo, 21 de novembro. Pernas moídas de ficar em pé no dia anterior e corpo dolorido dos brinquedos do Playcenter, já começamos a pensar no caos que estaria na região do Morumbi. Por ir com meu pai, tinha a preocupação de que fosse um lugar confortável, que desse para ver bem o palco, mas ao mesmo tempo não me dispus a chegar com tantas horas de antecedência. Logo, já estava contando que não seria um lugar tão bom.

E não é que por fim, deu tudo certo? Meu irmão tirou da cartola um amigo que mora ao lado do Estádio – literalmente o anjo Gabriel – e paramos tranquilamente em sua casa. Pegamos fila, mas uma fila que andava sem parar, e em menos de 15 minutos já adentrávamos o palco de tantas glórias do meu tricolor, agora por outra boa causa.

De cara já comecei a perceber as vantagens de ter comprado na arquibancada: sentamos tranquilamente, com uma boa vista do palco, guardamos lugar para os amigos que chegariam em breve... Meu pai, emocionado, me olhou: “parece que agora é que está caindo a ficha!” Porque, numa boa: se para mim era uma emoção enorme só de pensar em ver o Paul ao vivo, imagina ele, que nasceu em 1960?

Marcado para as 21h30, Sir Paul deu início ao ritual às 21h35. E, a partir de então, a emoção ultrapassou qualquer limite do bom senso. Todos estavam tomados por uma só energia – era só olhar para o lado e ver os olhos cheios d´agua e as vozes embargadas cantando todas as letras – e Paul conseguiu ganhar ainda mais moral com cada um dos presentes.

A cada música cantada, a cada homenagem feita – a John, George, Linda e “a todos os namorados” – eu imaginava os momentos na vida de Paul em que aquelas letras tinham sido escritas. A cada acorde inicial, meu pai levava as mãos à cabeça, emocionado, extasiado.

Chorei feito criança em My Love, Yesterday, And I Love Her e Something. Pulei feito criança em Ob-la-di-Ob-la-da, Back In USSR e Helter Skelter. Gritei feito louca em Get Back, Day Tripper e Hey Jude (ah, como já caçoei desse coro de Na-Nana-Nanananaaa, falando que ele não se cansava nunca de fazer isso).

Fica difícil pontuar os melhores momentos de um show como este, mas, sem dúvida, dois momentos marcantes foram Live and Let Die, em que fomos surpreendidos por uma queima de fogos digna das melhores comemorações; e em Give Peace a Chance, em que foram lançados balões brancos que tomaram a pista do Morumbi, imagem inesquecível para quem via das arquibancadas, e coroada por uma lua cheia maravilhosa.

Saí de lá com a certeza de ter ido ao melhor show da minha vida. Certeza, na verdade, com a qual já havia entrado no estádio, e que só se confirmou. Resta, agora, agradecer a Sir Paul por ser esse querido, simpático, carismático, que encheu o coração de todas aquelas 64 mil pessoas durante quase três horas. Ah sim, e agradecer também ao meu pai, afinal, ele é o maior responsável pelo meu amor ao rock.

Paul se despediu com um “até logo”. Acho difícil, mas ainda assim espero. Por ele? Vale a pena.

terça-feira, agosto 18, 2009

Arte de rua - parte I

Uma das coisas com as quais mais fiquei impressionada durante esta passagem pela Europa foram os diversos grupos e artistas de rua. Começou com uma dupla no Vondelpark em Amsterdam, violino e violão, que me fez chorar logo de cara. Aquele parque lindo, um final de tarde ensolarado em uma das cidades mais charmosas pelas quais já passei, e o som do violino a me arrepiar a espinha.

A partir daí, foram inúmeras apresentações, passando por estátuas vivas, um flautista que tocava duas flautas doces de uma vez só - e com as narinas! -, sanfoneiros, cantores e até marionetes. É engraçado o quanto se aprende sobre a cultura de um país através de seus artistas de rua.

É comum aos passantes deixar uma moeda ou um punhado delas para os instrumentistas, ainda que não parem para assistir à apresentação. Essa não deixa de ser uma forma de manter a arte viva nas ruas, encher as vielas e praças de música e, consequentemente, de alegria.

Abaixo, um vídeo que fiz na Dam Square, em Amsterdam, onde fica o Palácio Real*. Um dos companheiros do grupo, que estava ao lado "gerenciando" a apresentação, me contou que eles eram russos, e fiquei encantada com o quanto eles viajavam na música, improvisavam e se divertiam, sempre liderados pela baixinha que tocava o instrumento mais exótico dos três.

Se alguém souber o nome destes instrumentos, me ajuda!



*Dias depois descobri que a família real não mora mais lá, mas sim em uma cidade menor, próxima à capital. Mas quem se importa?

terça-feira, maio 19, 2009

No chão, sem o chão.

Meu primeiro contato com o músico paulista Rômulo Fróes foi na Ilustrada, há algumas semanas. Ele ganhou uma reportagem de capa falando de seu terceiro CD, duplo, chamado “No chão sem o chão”. O destaque dizia que o álbum estava disponível para download na internet por iniciativa do próprio músico, que alegou querer “espalhar seu som”. Conseguiu, no meu caso.

Baixei os CDs a partir do blog indicado na matéria (de quebra, conheci o melhor blog do mundo para quem gosta de música brasileira) e de cara me identifiquei com o som do rapaz de 38 anos que sonha com o dia em que vai se ouvir no rádio. Não é um som facilmente digerível, mas, depois da segunda vez que se escuta o CD, é impossível não se encantar e cantar algumas das poesias densas que ficam na memória.

Não espere muito da voz de Rômulo. É grave, tem um tom bonito, mas não passa muito disso. Prefira se prender às letras dos artistas plásticos Clima e Nuno Ramos, que constroem cenas na nossa cabeça e estimulam o imaginário. Com certeza, é a “cereja do bolo”. Preste atenção também nos solos desconexos e na variedade de instrumentos, que vão da guitarra ao trompete, passando pelo bandolim, piano, contrabaixo e o que mais parecer fazer sentido pra ele.

Na verdade, Rômulo já foi classificado como “sambista” e “indie”, até por conta dessa diversidade. Mas não gosta de nenhum destes rótulos. Nada disso combina com ele, segundo o próprio. Aliás, o que combinou bastante foram algumas participações ilustres, como a de Mariana Aydar em “De Adão para Eva” e do trompetista Bocato, além de Andreia Dias e das pastoras da Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde, no samba "Manda chamar".

Lembrei um pouco do Otto pelo todo (letras bacanas + instrumentação de qualidade + voz fraca + parcerias legais), com a diferença que Rômulo é paulista e carrega consigo a melancolia da metrópole, enquanto o pernambucano representa mais a alegria e a festividade nordestinas.
Ambos são livres para não se prender a estilos; não seguem fórmulas de sucesso em suas músicas; costumam causar bastante estranheza a quem lhes ouve; e...

Têm a mim como fã! :)

Baixe os CDs de Rômulo Fróes e conheça o melhor blog de downloads de música brasileira: http://umquetenha.blogspot.com/2009/03/romulo-froes-no-chao-sem-o-chao-2009.html

Foto: Tatiana Blass

sexta-feira, abril 10, 2009

Placebo


Placebo está com música nova disponível para download :)

Battle For The Sun
http://placeboworld.co.uk/

A música faz parte do novo álbum do trio, que leva o mesmo nome e será lançado em junho. É o primeiro desde a entrada de Steve Forrest, no grupo desde 2008, que entrou para substituir o baterista Steve Hewitt.

Gosto muito do timbre e da afinação perfeita de Brian Molko, ainda que esteja menos "histérico" que de costume nesta faixa. Stefan Olsdal continua me emocionando com seus solos de guitarra, bem entrosados com as batidas do novo integrante. O refrão tem uma bela e melancólica melodia, no melhor estilo Placebo.

Pra ser sincera, só me incomoda um pouco a repetição excessiva das palavras no início e final de várias frases na letra. Acho que tornou a música um pouco maçante.

No link acima, você pode baixar o som e se cadastrar para receber mais informações. Nesta edição, será lançado um pacote com CD, DVD e LP, além de 500 boxes especiais assinados pela banda.

sexta-feira, março 20, 2009

Descoberta bacanuda na web

Eu sou péssima para lembrar nomes de músicas. Muitas vezes, me pego procurando no Google por trechos de canções que gosto, para conhecer o nome delas. Foi aí que descobri o Just hear it, um site que promete encontrar todas as músicas disponíveis na web com a palavra que você digitar.

Muito simples de navegar, o site encontra todas as músicas que tenham no título, letra ou artista a palavra procurada. E o melhor: você pode escutá-las na íntegra.


E viva a internerd!

terça-feira, março 17, 2009

Sala São Paulo

Na última segunda-feira, tive o prazer de conhecer a maravilhosa Sala São Paulo, espaço para concertos que fica na Praça Júlio Prestes, atrás da Estação da Luz.

Passear pela região não é lá das experiências mais agradáveis. Você encontra tanta miséria, tantos tipos esquisitos e tanta sujeira, que parece uma miragem quando se depara com aquela imensa construção que é o Complexo Cultural Júlio Prestes, onde está a Sala.

Construído onde antigamente era uma estação da Estrada de Ferro Sorocabana, o lugar consegue mesclar tradição e modernidade. A antiga construção mantém as colunas trabalhadas e o teto altíssimo e rebuscado. A modernidade aparece nos detalhes, como as cadeiras do café e o estrondoso forro móvel, responsável pela acústica da casa.

Estive lá para assistir, pela primeira vez na vida, a um concerto da Osesp. Em uma apresentação exclusiva para assinantes da Folha de São Paulo, o evento contou com a regência de Cláudio Cruz, que também é violinista, e teve em seu repertório “As Bodas de Figaro”, de Mozart; “Danças Eslavas”, de Dvorák; e “Sinfonia nº5 em mi menor”, de Tchaikovski.

Foi uma cena belíssima: todos entrando, elegantes, as mulheres de longo preto e os homens de fraque, e assumindo seus postos diante dos instrumentos. Com a entrada do maestro, as palmas enérgicas do público e o início de uma apresentação emocionante.

Parecia que estava passando um filme da minha vida. Talvez, em minha memória, a música clássica estivesse muito ligada a desenhos animados e filmes da Disney, não tenho certeza. Só sei que, de repente, me veio uma vontade de sair dançando, como num baile de princesas, a deslizar pelo enorme salão imaginário com lustres de cristal.

De repente, eu queria ser aquelas batutas do maestro, a correr pelo ar, ordenando quem tocaria a que momento, e com qual intensidade.

Eu queria ser aquelas melodias que saíam cantaroladas das bocas das pessoas após o espetáculo, e que certamente ficaram em suas mentes durante dias e dias, a contar suas histórias, assim como ficaram na minha.

Faça um tour virtual pela Sala São Paulo aqui.

Foto de Luiz Carlos Felizardo

quinta-feira, dezembro 18, 2008

És fascinação, amor.

“Liszt”, era como ele a chamava nos primeiros anos de casamento. Uma homenagem ao pianista húngaro, já que Iracema tocava piano lindamente. Estudou o instrumento durante toda a juventude, apesar de nunca ter tido um em casa e, mesmo após o nascimento de seus três filhos, não parou de se dedicar às melodias que saíam daquelas teclas pesadas.

Com o tempo, Iracema acabou se afastando naturalmente de sua paixão. Começou a trabalhar como professora em sua cidade natal, Campinas, e não tinha mais tempo suficiente para se dedicar ao instrumento.

E aí o destino quis que sua neta herdasse o interesse pelo piano.

No final de 1995, um grande pacote colorido anunciava o sonho realizado: a menina ganhara um teclado de presente. Ainda viria a estudar apaixonadamente por seis anos, até se distanciar das teclas. Tomaram seus lugares outras teclas por aí.

Em uma manhã de domingo, tempos depois, Mariana se pegou limpando seu velho Casio, deixando-o prontinho para receber sua nova fonte de alimentação. Sentia que era o momento de retomar o costume de chegar em casa e descarregar toda a energia acumulada em belíssimas músicas.

Luz acesa, tudo funcionando como há sete anos, quando da última vez que foi ligado.
Resgatou seus antigos livros, com partituras que narravam diferentes fases de sua vida. De Carruagens de Fogo a Tempo Perdido, passando por Penny Lane, sinfonia 9 de Beethoven...

##

Bom, mas o que realmente interessa nessa história toda é que, no último domingo, minha avó foi me visitar e, vendo que depois de tanto tempo o teclado estava armado, se adiantou para tocar “Fascinação”, sua maior especialidade.

E nada do que eu tocasse depois poderia ser tão bonito e emocionante.

quinta-feira, maio 08, 2008

Fordunço cultural

Eu era uma das espremidas aí no meio.

Eram muitos os locais em que iriam acontecer as apresentações da Virada Cultural, por isso optei pela região central, pois os principais shows seriam por lá. Vários palcos, cada um com um tema, traziam artistas de todo tipo e todo Brasil.

No primeiro horário, precisava escolher: Mariana Aydar ou Dona Inah? Confesso que a primeira faz mais o meu tipo, mas, como paramos perto do Largo de Santa Efigênia, acabei assistindo à apresentação da sambista, convidada da comunidade Samba da Vela. Como estava no início do evento, a pista ainda estava vazia, o que me permitiu sambar e cantar horrores... Adorei.

Eram mais de 19h quando deixei o Palco dos Bambas, em direção ao Pateo do Colégio. Talvez desse tempo de pegar alguma coisa do Mundo Livre S/A, não fosse a pouca noção do centro que tinha, somada à falta de orientação dos policiais que tentaram me auxiliar. Resultado: cheguei ao palco Bandas Independentes na contramão de centenas de pessoas, que deixavam o show. Mas peguei o Vanguart, grupo folk de Cuiabá, que estava animadíssimo e demonstrou muita qualidade musical.

Terminado o Vanguart, passei pela pista de reggae, onde o rastafári Sine Calmon começava sua apresentação. Centenas de regueiros se amontoavam para ver o músico, que já foi muito criticado por sua postura religiosa em relação à música. Arrumei um lugar bacana na lateral, e vi o show inteiro.

Depois disso, corri para tentar pegar alguma coisa do show da Gal, que acontecia no palco São João. Que sorte! Consegui escutar as duas últimas músicas, e senti que talvez não precisasse ter ouvido mais que isso. Foi lindo participar de um coro de milhares de pessoas cantando “Trem das Onze”, e do final emocionante com “Sampa”.

Daí, era escolher: assistir Marina De La Riva na Rio Branco, enfrentar uma fila para tentar assistir Sá, Rodrix e Guarabyra, ou ficar por lá mesmo e aguardar o Zé Ramalho. Como muitas pessoas saíam do local, preferi ficar por lá mesmo, e me posicionei perto do palco. Mal sabia eu que, em poucos minutos, o lugar se transformaria num inferno.

Se não foi o momento mais claustrofóbico da minha vida, foi um dos três mais. Faltando meia hora para o show, muitas e muitas pessoas queriam se aproximar do palco, causando um empurra-empurra que me fez sentir como uma porta giratória de banco. Está rindo? É porque você não sabe o que eu passei. De rasteirinha ainda, meu Deus! Será que eu não aprendo nunca?

Muitos pisões e empurrões depois, decidi sair dali. Caminhei muito lentamente, até que cheguei a um local em que pelo menos dava pra respirar com tranqüilidade. Ou melhor, mais ou menos, porque era próximo aos banheiros químicos e, por mais que se quisesse respirar, o odor não era dos melhores.

Enfim, assisti (ops, escutei) ao show do Zé Ramalho de lá mesmo, assustada com os moradores de rua que escalavam os banheiros químicos e quase os derrubavam. Medo, muito medo. Tanto que sequer cogitei esperar os Mutantes às 3h da matina, e fui embora assim que Zé Ramalho finalizou.

No domingão, mesmo com várias opções bacanésimas para assistir (não queria ter perdido Cachorro Grande e Arnaldo Antunes, buá), não tive ânimo pra voltar pro centro. A noite anterior fora extremamente desgastante. Preferi sentar no Bar do Peixe com as amigas e apreciar patinhas de camarão e porções de cação regadas a uma cerveja bem gelada. Juro que não me arrependi.

(Foto: Marcus Desimoni - Uol)

terça-feira, maio 06, 2008

Quase duas semanas depois...

Os leitores mais assíduos devem estar se perguntando: mas que diabos aconteceu com essa menina? É, eu realmente fiquei um bom tempo sem postar, mas espero que vocês não tenham desistido de mim hehe.

Fiquei devendo um retorno sobre o final de semana mais cultural de todos os tempos, certo? Pois, de início, saibam que eu não consegui fazer tudo o que queria. Acabou não sendo o final de semana mais cultural de todos os tempos. Hunf.

Bom, comecemos pela sexta-feira:

Estivemos no Sky Live Multimídia, um evento patrocinado pela TV por assinatura Sky que tinha como objetivo mostrar diversas formas de interação entre música e imagem. Por isso, o Espaço das Américas foi equipado com diversas instalações, como um totem que mesclava imagens de celebridades e partes do corpo de pessoas que se deixavam filmar; um lounge (foto), em que se podia interagir com as projeções que desciam nos tecidos; e a oficina de VJ, onde pessoas aprendiam os princípios de um software de mixagem de imagens.

As atrações musicais foram o coletivo Embolex, formado por 5 integrantes (entre produtores musicais e VJs) e que contou com a participação do MC Gaspar. Não se pode negar a qualidade musical do grupo, mas confesso que não me surpreendeu. Eu sabia que o melhor ainda estava por vir.

Em seguida, tocou durante apenas meia hora o brasileiro Nepz, que despertou diferentes sensações ao mixar batidas do hip hop e elementos do jazz, além, é claro, da fusão entre imagem e som.

Pontualmente às 23h30, conforme o line-up, os britânicos do Addictive TV (que eu já tinha visto no Skol Beats do ano passado e foi fantástico) subiram ao palco. Macaquinhos levantavam placas no telão, dizendo: "Olá, São Paulo! Somos o Addictive TV", e os poucos presentes se animaram ainda mais. Poucos mesmo.

Apesar de o som ter falhado algumas vezes (para indignação de Graham Daniels e Nick Clark), a apresentação fez bastante sucesso entre os presentes, com mixagens de filmes como "O Gordo e o Magro" e "Cães de Aluguel", além de clipes do Queen e imagens de Vinícius de Moraes. Tudo isso regado a muita batida eletrônica. Não é à toa que são considerados os mestres na modalidade DVJ (disco and video jockey).

(Foto: Paulo Henrique Schneider. Mais aqui)

quinta-feira, abril 24, 2008

Música até dizer chega (dicas para o final de semana cultural na metrópole)

Será que eu aguento? Um clone, por favor, que não quero perder nada.

SEXTA-FEIRA
Sky Live Multimídia
Com Embolex Live (X), Dj Nepz (Y) e ADDICTIVE TV (EXCELENTE!)

SÁBADO
Virada Cultural com:
Mariana Aydar
Dona Inah
Mundo Livre S/A (PE)
Vanguart (MT)
Gal Costa
Sine Calmon e Morrão Fumegante
Marina De La Riva
Zé Ramalho
Sá, Rodrix e Guarabyra – Passado, Presente, Futuro (1972)

DOMINGO
Virada Cultural com:
Hamilton de Holanda e Danilo Brito - Vibrações de Jacob do Bandolim (1967)
Jair Rodrigues, Fabiana Cozza & Zimbo Trio - O Fino da Bossa (1964)
Mutantes
Osvaldinho da Cuica e Sílvio Modesto
O Teatro Mágico
Overcoming trio: Mallu Magalhães, Helio Flanders e Zé Mazzei
Cachorro Grande
Bruna Caram
Arnaldo Antunes
Orquestra Imperial
Dona Ivone Lara e Nelson Sargento
Lobão
Inezita Barroso - Vamos Falar de Brasil (1958)
Jorge Ben Jor
Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia (1981)

Mais informações em: http://viradacultural.org/

(Quadro: Music Life, de Gockel)

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Os 10 melhores shows de 2007

10º lugar: The Egg
Único show que fui e sobre o qual não escrevi a respeito este ano. Foi no 1200 Festival que escutei pela primeira vez o The Egg, grupo londrino que mistura elementos eletrônicos e batidas pop. Com “Walking Away”, que recebeu um remix bacana de David Guetta, o The Egg ficou conhecido mundialmente, mas é uma pena que seu último CD, “Forwards”, de 2005, não tenha tido o reconhecimento merecido. Destaque para as faixas “Say you will” e “She’s terrific”. Melhor apresentação do festival.

9º lugar: Língua de Trapo e Premeditando o Breque
A apresentação dos dois grupos na Virada Cultural deste ano, em pleno Boulevard São Bento, com meu pai a tiracolo – ídolo – foi simplesmente o máximo. Lembrei-me de quando era pequena, e ficava sentadinha com o encarte enorme do vinil nas mãos, acompanhando as letras das músicas enquanto meu pai escutava. Pontos altos: Wandi chamando meu pai no microfone, pra mostrar o álbum que levava nas mãos, e os autógrafos que conseguimos pegar depois – de todos os integrantes.

8º lugar: Céu
Esta paulistana, que além de linda tem uma voz peculiar e um jeitinho único, conquistou o oitavo lugar no ranking deste ano. Conhecia um pouco de seu trabalho, mas fiquei surpresa ao vê-la pessoalmente. Destaque para “O ronco da cuíca” e “Valsa Para Biu Roque”.

7º lugar: The Killers
Mesmo tendo acontecido de uma forma cansativa – começando às 4 da matina de segunda-feira, e depois de mais de 10 horas de maratona de shows – não há como negar a qualidade musical dos integrantes do The Killers. Brandon Flowers tem uma voz linda, que por vezes lembra até o Freddie Mercury (não me batam). Apesar da demora na montagem do palco, a banda agradou e muito, principalmente com sucessos como “Smile Like You Mean It” e “Sam’s Town”.

6º lugar: Yamandú Costa e Dominguinhos
A dupla que veio de extremos opostos do Brasil ficou com a sexta posição da lista. Yamandú ao violão, Dominguinhos na sanfona. Harmonia inesperada. Qualidade impecável. Em determinado momento, Yamandú canta “Negrinho do Pastoreio”, e Dominguinhos responde com “Forró no Escuro”. Lindo, lindo.

5º lugar: LCD Soundsystem
A festinha privê que James Murphy e sua banda proporcionaram para os poucos presentes no Via Funchal, em novembro, foi o máximo. Pista deliciosa, disco-punk em seu melhor exemplo, finalização apoteótica com “New York, I Love You, But You’re Bringing Me Down”.

4º lugar: Scorpions
Nem a lotação claustrofóbica do Credicard Hall, nem o atraso de mais de meia hora, retiraram o posto dos Scorpions de quarto melhor show do ano. Mesmo com a idade avançada, os tiozinhos mostraram que ainda estão em plena forma, e arrebentaram com uma mistura de clássicos (“Hurricane 2001”, “Wind of Change” e outras) e sons do álbum novo, “Humanity Hour 1”.


3º lugar: Bjork
A inconfundível “esquimó” realizou um show lindo no último Tim Festival, e conquistou o terceiro lugar na minha lista. Mostrou uma potência vocal incrível (pra quem gosta do seu timbre estridente), estava acompanhada por instrumentos clássicos de sopro e ultramodernos, como o audio pad, além de um grupo de meninas instrumentistas islandesas. Efeitos visuais, cenários, tudo perfeito. Finalização com “Declare Independence” e chuva de papéis. Incrível!


2º lugar: Placebo
Sou suspeita para falar do Placebo, porque gosto muito. Neste ano, o baterista Steve Hewitt deixou o trio, uma baixa triste, mas parece que todos estão bem, não houve uma briga, somente vontade de seguir outros caminhos. Enfim, só sei que (EBA!) tive a oportunidade de vê-los ainda completos, em abril deste ano. Brian Molko, como sempre, provou que a vida junkie ainda não fez efeitos sobre sua voz, e o show foi o máximo, com músicas do álbum mais recente, “Meds”.

1º lugar: Arctic Monkeys
Os Arctic Monkeys fizeram não só o melhor show do Tim Festival, mas também o melhor do ano, na minha modesta opinião. Os rapazes são extremamente talentosos e imprimem personalidade em cada faixa. Músicas rápidas, bateria claramente influenciada pelo punk-rock, letras muito boas e pausas estratégicas nas músicas. Além disso, seu álbum mais recente, “Favourite Worst Nightmare”, também está entre os melhores do ano, e mostrou que o trabalho do grupo está se aprimorando cada vez mais.

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Este ano foi bem bacana em relação a shows e, ao que parece, o ano que vem promete.

Um excelente final de ano a todos e que 2008 seja fantasticamente musical!

A partir de hoje, me encontrem debaixo de algum coqueiro em Pratigi.

terça-feira, dezembro 11, 2007

O show de Diana Krall aconteceu há mais de uma semana mas ainda carrego marcas...

Continuo descascando depois de passar mais de três horas sob um sol impiedoso no Parque Villa Lobos, em Pinheiros, naquele domingo sem nuvens nem tréguas.

De um modo geral, pode-se dizer que foi bacana, vai. Não conhecia o trabalho da Banda Mantiqueira, que faz versões instrumentais de grandes sucessos da música brasileira. Também conhecia só de nome a Traditional Jazz Band, e valeu a pena ter conhecido o bom trabalho daqueles senhores tão bem humorados. "Nós vamos cantar, e vocês vão ver a merda que vai sair", brincou um deles. O som estava muito baixo, e a grande área VIP fez com que os "pobres mortais" tivessem que assistir de muito longe às apresentações.

Só sei que a Traditional entrou às 10h, a Banda Mantiqueira às 11h e a tão esperada canadense foi entrar somente ao meio-dia. As pessoas protegiam-se com os bonés estrategicamente distribuídos pela Telefonica, num mar de cabeças verde-limão, quando a loira sentou-se ao piano e entonou “I Love Being Here With You”. "Aumenta o som!", eu pensava, em vão.

Entre uma música e outra, Diana declarava amor ao Brasil, e cheguei a ficar com raiva quando falou: "em meu país é muito frio, então pra mim é maravilhoso tocar com este belo sol." Belo sol porque você está na sombra, né bonitona?

Infelizmente, o parque não permite a venda de alimentos e bebidas em seu interior, ou seja, as mais de 15 mil pessoas presentes tiveram que se organizar em filas para receber os copinhos de água distribuídos pela Sabesp. Condições precárias, som baixo, e infelizmente o show de Diana Krall não foi o que esperava.

Não por ela, que tem uma voz belíssima e estava acompanhada por músicos muito competentes (destaque para a guitarra, perfeita). Mas pelo contexto, insuportável, que só consegui aguentar até “I’ve Got You Under My Skin”. Fica pra próxima, Diana.

Foto: Globo.com

segunda-feira, novembro 19, 2007

LCD Soundsystem

O norte-americano James Murphy (foto) é um dos ícones da mistura rock-eletrônica que surgiu com força no início dos anos 2000. Além de ser cantor, multiinstrumentista, produtor e dono da gravadora DFA Records, Murphy é o grande nome por trás do sucesso do grupo LCD Soundsystem, representante do gênero, que tocou na semana passada em São Paulo.

A casa de shows Via Funchal estava praticamente vazia quando subiu ao palco o DJ e produtor Axel Willner, responsável pelo live de techno The Field, que abriria para o grupo. Um globo espelhado era o único elemento cenográfico, e anunciava que a noite seria de festa.

Willner consegue aliar as batidas secas do techno à melodias emocionantes, que preenchem o ambiente, e com isso confere uma linguagem muito interessante às músicas. O estilo não faz o meu gosto, mas não posso deixar de reconhecer a qualidade musical do sueco.

Com uma hora de apresentação, The Field recebeu os aplausos de uma pista modesta, porém mais numerosa. O Via Funchal não preenchera sequer 50% de sua capacidade, o que foi bom para dançar e circular com tranquilidade pela pista.

Em pouco tempo, o LCD Soundsystem começou a se posicionar. O grupo possui grandes talentos em sua composição, entre eles Nancy Whang, que além de cantar comanda os sintetizadores e teclados, e o guitarrista e percussionista Al Doyle, que também integra o Hot Chip.

Com uma disposição estrategicamente diferenciada (bateria na parte da frente, ao lado do vocalista, que conferiu mais força e destaque para as batidas punk), a banda começou o show às 23h15. Vestindo uma camiseta com as cores do arco-íris - a mesma que usou no Skol Beats do ano passado - James Murphy mostrou que sua voz não é das mais afinadas, mas as técnicas que trabalha na hora de cantar, juntamente com sua presença de palco e a harmonia arquitetada entre os membros da banda, proporcionou um dos melhores shows do ano.

Grande parte das músicas apresentadas compõem o último álbum do grupo, "Sound of Silver". A música de abertura, "Us v Them", foi uma delas, assim como a seqüência "Time To Get Away", "North American Scum" e "All My Friends", que teve ótima recepção do público. Mesmo assim, o LCD não deixou de tocar outros sucessos que marcaram sua carreira. "Daft Punk Is Playing At My House" e "Yeah", tocada no bis, foram alguns dos clássicos hits da banda.

Algumas faixas lembram os pioneiros do Kraftwerk, outras mostram clara influência do New Order, mas o importante é que o grupo imprime personalidade em cada canção. Murphy cantava de olhos fechados, com emoção exacerbada, e chegou a tocar alguns instrumentos de percussão para dar ainda mais força à bateria de Pat Mahoney.

Para acalmar os ânimos depois de quase uma hora e meia de apresentação, o grupo fechou com a belíssima "New York, I Love You, But You´re Bringing Me Down", música que possui altos e baixos até culminar em um final emocionante.

Foto: PH Schneider

quarta-feira, outubro 31, 2007

Tiiiim Festival!

O Tim Festival, realizado no último domingo no Anhembi, começou cedo pra mim. Por volta das 16h30, horário em que abriram a entrada de imprensa, lá estávamos nós. O local recebia as primeiras pessoas que, animadas, corriam para garantir seu lugar na grade. Tsc tsc tsc. Horas mais tarde (MUITAS horas mais tarde), eu as veria vermelhas de sol, com o cansaço estampado no rosto, esmagadas contra a grade e, em alguns casos, carregadas por bombeiros até o posto médico.

O evento começou com atraso - que se prolongaria como uma bola de neve de show em show. O Spank Rock, primeiro grupo a se apresentar, mostrou batidas e vocais de hip hop, unindo-os a percussionistas. “Aquele ali é que é o Olodum?", escutei de um amigo bem-humorado. Isso representou a reação do público em geral. Não se entendia muito bem o que o Spank Rock fazia lá. Pô, vem fazer percussão no Brasil? O Otto, da área VIP, que também é percussionista, devia estar dando risada.

Em seguida, entrou o Hot Chip, do qual eu conhecia apenas o hit “Over and Over”. Confesso que me surpreendi com a apresentação, apesar da pane no sistema de som que interrompeu o show por quase meia hora. O vocalista, Alexis Taylor, é daqueles caras que você olha e não dá nada. Baixinho, de óculos, carinha de nerd, o britânico surpreende quando começa a cantar. Uma voz limpa, afinadíssima, gostosa de ouvir. Gostei.

Mas era a Björk que eu estava esperando. Com um cenário formado por bandeiras fluorescentes com motivos orientais, o show da islandesa foi produzido para se ouvir e se ver. Logo entrou uma orquestra de garotas islandesas, com instrumentos de sopro e roupas coloridas. Ouviram-se os primeiros gritos, era ela.

Trajando um vestido com as cores do arco-íris e um chapéu exótico, Björk iniciou a apresentação com “Earth Intruders”, com a qual abre também seu último CD, “Volta”. A partir de então, foi uma mistura de músicas novas e grandes sucessos, como “Hyperballad” e “Hunter”. O Anhembi veio abaixo.

Com efeitos especiais, chuva de papéis picados e o potente e agudo vocal da mulher que parece menina (está para completar 42 anos), o show foi lindo, e uniu instrumentos clássicos e as mais modernas tecnologias. Foi utilizado inclusive um áudio pad, espécie de mesa em que são coordenados efeitos musicais com o toque da mão. Björk finalizou com “Declare Independence”, e anunciou em seu inglês mais que peculiar: “I’m very happy to be in Brasil”, agradecendo com um “opigato” charmosérrimo.

Pouco depois, entrou a hollywoodiana Juliette Lewis e a banda The Licks. Já havia escutado bastante coisa dela, e estava ansiosa para vê-la ao vivo. Desde o momento em que subiu no palco, com a pena na cabeça característica, parece que baixou um santo em Juliette, sem brincadeira. A moça se jogou no chão, se enrolou com a bandeira do Brasil, se debateu e gritou a cada música. Mostrou que, para fazer sucesso, é preciso atitude, antes até de uma boa voz (que ela não tem).

Com uma apresentação totalmente clichê, porém de qualidade, Juliette and the Licks agradaram, com músicas já conhecidas como “Sticky Honey” e “You’re Speaking my Language.” Peguei uma simpatia grande pela atriz, que é muito carismática.

Juro que, cansada, após o show, cheguei a pensar: “ainda tem o Arctic Monkeys. Quero logo o the Killers!” Me arrependi de pensar assim, acho que subestimei os meninos. O Arctic Monkeys fez, sem dúvida, o melhor show do festival.

Com batidas e vocais rápidos, o grupo conseguiu demonstrar criatividade e inovação. Suas músicas têm pausas estratégicas, voltam no contra-tempo, e fogem totalmente dos padrões, mesmo utilizando os instrumentos básicos guitarra + baixo + bateria.

Com canções como “Mardy Bum”, “Do Me a Favour” e “Fake Tales of San Francisco”, o Arctic Monkeys provocou histeria nos mais de 20 mil presentes. Eu era um deles.

Completamente tocada pelo show, e muito cansada (já que terminou por volta das 3 da manhã, horário que eu achei que fosse terminar o festival), aguardei sem paciência o show do The Killers, último da noite. O cenário, totalmente elaborado, com um tecido vermelho de veludo ao fundo, onde penduraram um letreiro luminoso escrito “Sam’s Town”, tinha muitas flores espalhadas e luzes que envolviam desde o órgão de Brandon Flowers, até os sintetizadores e a bateria.

Uma hora (e muito menos paciência) depois, os integrantes do Killers entraram. Brandon, com seu habitual bigodinho, demonstrou um carisma e um controle do público incríveis, além de ter uma voz linda.

Mesmo animada, principalmente com os sucessos “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It” e “Mr. Brightside” (que escutei do estacionamento, porque não tinha mais pernas), o show do Killers não surpreendeu. Eles cumpriram com seu papel, fizeram uma apresentação bacana, mas a impressão que eu tive era a de que nada poderia ter sido melhor do que o show anterior.

Saldo final: palmas para a Björk, com seu show impecável, e palmas para o Arctic Monkeys, que mostrou que músicas criativas e profissionalismo são mais importantes que se debater no palco ou armar um cenário espalhafatoso.

Foto: PH Schneider

terça-feira, outubro 30, 2007

Girl Talk just wanna have fun

A noite dedicada à música eletrônica no Tim Festival, batizada "Tim Festa", aconteceu na última sexta-feira.

O local escolhido foi a casa noturna gay The Week, que é enorme e muito bem decorada. Com piscina, deck, duas pistas, quatro bares e muitas luzes, a casa foi bem escolhida para a realização do evento.

As atrações não eram das mais chamativas, e por isso o público foi menor do que o esperado. A pista principal foi aberta pelo britânico Sinden, que faz dupla com Hervè no Count of Monte Cristal. Não sei se os participantes estavam muito preocupados com isso, mas Sinden não ia tocar sozinho, e acabou tocando. A produção não avisou, mas Hervè nem apareceu. Sinden abriu com uma mistura de funk carioca com batidas do house, e desenrolou sua apresentação com qualidade, mesclando tecno, house e hip hop.

Enquanto isso, na outra pista, Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo (alguém sabia que eles tocavam?) apresentaram um back to back de eletro e pop dos anos 90. Só que ninguém ficou sabendo que estava rolando esta outra pista (mais uma falha da organização, que deveria ter entregue uma programação com o line-up), então os dois tocaram para umas duas ou três pessoas. Sem exagero.

Depois deles, o alemão Daniel Haaksman mostrou por que é o maior disseminador do funk carioca na Europa (lançou dois álbuns dedicados ao estilo) e tocou todo tipo de ritmo africano. Muito groove, viradas de qualidade, e mais uma vez para meia dúzia de pessoas que sem querer passaram por ali.

Na pista principal, após Sinden, veio a apresentação mais esperada da noite: o norte-americano Gregg Gillis (foto), com seu projeto Girl Talk. O produtor utiliza uma técnica chamada mash-up, que consiste em colar diferentes músicas para formar uma só. E ele eleva este conceito ao máximo, pois chega a utilizar até vinte músicas em uma faixa. Mistura Nirvana, Avril Lavigne, Beyoncée e une tudo isso a batidas eletrônicas. O resultado é interessante.

Mesmo sem realizar estas mixagens ao vivo, Gregg fez muito sucesso entre os presentes por seu carisma, digamos, exagerado. Durante sua apresentação - que fez questão de realizar no chão, e não no palco, como os outros - o artista pulou, dançou, tirou a camisa e literalmente foi pra galera. Na última música, levou o microfone para o meio da pista, onde se jogou no chão, fez flexões e chegou a virar uma lata de cerveja em sua própria cabeça. Completamente maluco.

Depois de toda a fanfarrice, ficou pequeno pro norueguês Lindström, que, por sua formação musical, trouxe melodias mais sérias e estilo diferenciado. Com o ponto positivo de tocar todos os instrumentos presentes em suas músicas, Lindström agradou. Para finalizar a pista principal, a dupla de tecno Tok Tok apresentou seu live act. Detalhe: a dupla não havia sido anunciada no site do evento.

As falhas na organização deixaram os jornalistas um pouco confusos. Mas o saldo foi positivo: cobertura em tempo real e três inserções no Uol música. Orgulhinho!

Foto: PH Schneider

quinta-feira, outubro 11, 2007

EU VOU NO TIM FESTIVAL

E não quero nem saber se a cabeça dói há um mês, nem pensar que demoro duas horas pra voltar pra casa, nem me preocupar com as milhares de coisas minhas e dos outros que eu sempre me preocupo mesmo sem querer.

O que eu sei é que vou ver a Björk!
Ainda mais agora que viciei em "Volta" há dias...

E vou ver The Killers, Arctic Monkeys e Juliette and the Licks.
Fora os brindes de sexta na The Week.

AMO.