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segunda-feira, agosto 15, 2011

Às margens do Ipiranga

Sábado foi dia de levar meu carro para colocar acessórios. Sim, ele tem um ano e eu ainda tinha que abrir os vidros na “manivela” (o do banco do passageiro então, era aquela manobra) e conferir todos os dias se as quatro portas estavam fechadas, além de não ter alarme, o que não impede nada hoje em dia, mas pelo menos ajuda a dificultar o roubo.

Mas não é sobre isso que eu quero falar. Acontece que o fato de eu ter ficado sem carro durante um dia todo praticamente me obrigou a andar a pé pelo bairro do Ipiranga, onde fica não só a oficina, mas também alguns dos lugares mais interessantes da cidade. Sem que eu soubesse disso!



Logo ao lado da oficina, na Av. Nazaré, me deparei com um globo grande e prateado. Mostrava a posição do sol em relação à Terra e eu, curiosa que sou, fiquei lendo as explicações daquele globo até que, de repente, resolvi olhar pra dentro do local e avistei um grande esqueleto de dinossauro. Sim, isso mesmo! Sem saber, estava em frente ao Museu de Zoologia da USP, um casarão lindo e superinteressante que abriga milhares de exemplares de animais. Na entrada, fósseis e explicações sobre como eles se formam. Em seguida, diversos animais empalhados, aves, mamíferos e insetos. Me senti no filme “Uma noite no museu”, afinal era pouco mais de 8h da manhã e eu estava sozinha no local. Apesar de receber excursões de escolas todos os dias, era cedo demais e elas ainda não haviam chegado.

Quase duas horas de passeio pelos mais variados itens da nossa fauna, uma verdadeira viagem por todos os continentes, segui o passeio. Esqueci de comentar que, ao comprar o ingresso para o Museu de Zoologia (a inteira custa R$ 6,00), você ganha uma entrada para o Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga, e vice-versa. Logo, eu tinha agora um ingresso para conhecer um pouco mais sobre a história da nossa cidade neste outro museu.

Descendo um pouco pela própria Avenida Nazaré, chega-se ao Parque da Independência, onde fica o famoso Monumento ao Centenário da Independência, de 1922. O parque é maravilhoso, e mais ainda é o Museu Paulista, que fica bem no alto. Lá, podemos encontrar muito da história do Brasil e principalmente de São Paulo, uma linha do tempo que começa com os Bandeirantes e a formação da Vila de São Vicente, passando pela transformação dos serviços públicos e ofícios na cidade até os principais itens do cotidiano doméstico dos paulistanos no século XIX, como os utensílios para banho e até a curiosa escarradeira, usada nas casas das pessoas mais ricas para que os convidados pudessem – isso mesmo! – retirar o excesso de saliva e catarro do organismo.



Eu havia me esquecido do quanto gostava de história. Viajei pelos quadros, objetos, bustos de ex-presidentes e anúncios de lojas divulgando serviços e produtos que hoje não se vê mais. Bateu uma esperança gostosa ao ver algumas crianças realmente interessadas no que estava sendo mostrado ali, anotando em seus caderninhos para o trabalho de escola e discutindo entre si sobre como devia ser aquela época. Dava pra sentir a energia daquelas coisas antigas, que fazem a gente imaginar tudo o que já se passou nesse mundo antes de a gente existir.

Era hora de pegar o carrinho de volta. Voltei à loja e, para meu espanto, ainda levaria cerca de 2 horas a mais para ficar pronto. Isso me obrigou a seguir o passeio pelo bairro...

Vários quarteirões depois (debaixo do sol quente do meio-dia), me deparo com o Aquário de São Paulo. É simplesmente o maior aquário da América Latina, com cerca de 3 mil espécies de animais. Lá, encontra-se não só peixes, mas também cobras, jacarés, aves e até macacos! Alguns tanques são realmente grandes – como o do lobo marinho e do peixe-boi gigantesco que mora lá – e as crianças ficam absolutamente hipnotizadas com a performance dos animais, principalmente o tanque dos tubarões e raias. Curiosamente, lá também se encontram morcegos gigantes, pinguins, e até lontras, que oferecem um espetáculo de acrobacias.


Muitas horas de passeio depois, com as pernas já dormentes, retorno ao ponto inicial, tendo conhecido alguns dos principais pontos turísticos da cidade, praticamente sem querer. Um passeio incrível, sempre tão ao meu alcance e que nunca havia reservado um tempo para ir.

_______________________
Serviço
 
Museu de Zoologia da USP
Avenida Nazaré, 481 – Ipiranga
Ingressos: R$ 6,00
(11) 2065-8100

Museu Paulista
Parque da Independência, s/n – Ipiranga
Ingressos: R$ 6,00
(11) 6165-8000

Aquário de São Paulo
R. Huet Bacelar, 407 – Ipiranga
Ingressos: R$ 30,00 (adultos)
(11) 2273-5500

segunda-feira, novembro 22, 2010

Paul McCartney - Up and coming tour - eu fui!

Isqueiros ao alto para Let it be

Quando soube que o Paul viria fazer shows no Brasil, passei a usar a frase padrão para qualquer pessoa que perguntasse se eu iria: “nem que eu tenha que vender minhas calcinhas!” Baixarias à parte, fiz questão de acompanhar, ao lado de meu pai, as novidades sobre compra de ingressos e toda essa “burocracia protecionista” que temos por aqui. Começou a tentativa naquela madrugada em que teoricamente os ingressos começariam a ser vendidos para os reles mortais que não tinham conta no banco específico X. Meia-noite-e-um: nada feito, só a partir das 8h.

Dia seguinte, 7h da matina, voltamos pro computador em busca de um lugar ao sol naquela disputada noite no Morumbi. Nos primeiros 10 minutos, já não conseguimos comprar a arquibancada vermelha, que era a nossa primeira opção. Tentamos a azul, dessa vez com sucesso.

A partir de então, passamos a contar os dias para o tão esperado show do Paul. Já preparando as pernas para a maratona Planeta Terra no sábado + Paul no domingo; e preparando o coração para os momentos que estariam por vir.

Domingo, 21 de novembro. Pernas moídas de ficar em pé no dia anterior e corpo dolorido dos brinquedos do Playcenter, já começamos a pensar no caos que estaria na região do Morumbi. Por ir com meu pai, tinha a preocupação de que fosse um lugar confortável, que desse para ver bem o palco, mas ao mesmo tempo não me dispus a chegar com tantas horas de antecedência. Logo, já estava contando que não seria um lugar tão bom.

E não é que por fim, deu tudo certo? Meu irmão tirou da cartola um amigo que mora ao lado do Estádio – literalmente o anjo Gabriel – e paramos tranquilamente em sua casa. Pegamos fila, mas uma fila que andava sem parar, e em menos de 15 minutos já adentrávamos o palco de tantas glórias do meu tricolor, agora por outra boa causa.

De cara já comecei a perceber as vantagens de ter comprado na arquibancada: sentamos tranquilamente, com uma boa vista do palco, guardamos lugar para os amigos que chegariam em breve... Meu pai, emocionado, me olhou: “parece que agora é que está caindo a ficha!” Porque, numa boa: se para mim era uma emoção enorme só de pensar em ver o Paul ao vivo, imagina ele, que nasceu em 1960?

Marcado para as 21h30, Sir Paul deu início ao ritual às 21h35. E, a partir de então, a emoção ultrapassou qualquer limite do bom senso. Todos estavam tomados por uma só energia – era só olhar para o lado e ver os olhos cheios d´agua e as vozes embargadas cantando todas as letras – e Paul conseguiu ganhar ainda mais moral com cada um dos presentes.

A cada música cantada, a cada homenagem feita – a John, George, Linda e “a todos os namorados” – eu imaginava os momentos na vida de Paul em que aquelas letras tinham sido escritas. A cada acorde inicial, meu pai levava as mãos à cabeça, emocionado, extasiado.

Chorei feito criança em My Love, Yesterday, And I Love Her e Something. Pulei feito criança em Ob-la-di-Ob-la-da, Back In USSR e Helter Skelter. Gritei feito louca em Get Back, Day Tripper e Hey Jude (ah, como já caçoei desse coro de Na-Nana-Nanananaaa, falando que ele não se cansava nunca de fazer isso).

Fica difícil pontuar os melhores momentos de um show como este, mas, sem dúvida, dois momentos marcantes foram Live and Let Die, em que fomos surpreendidos por uma queima de fogos digna das melhores comemorações; e em Give Peace a Chance, em que foram lançados balões brancos que tomaram a pista do Morumbi, imagem inesquecível para quem via das arquibancadas, e coroada por uma lua cheia maravilhosa.

Saí de lá com a certeza de ter ido ao melhor show da minha vida. Certeza, na verdade, com a qual já havia entrado no estádio, e que só se confirmou. Resta, agora, agradecer a Sir Paul por ser esse querido, simpático, carismático, que encheu o coração de todas aquelas 64 mil pessoas durante quase três horas. Ah sim, e agradecer também ao meu pai, afinal, ele é o maior responsável pelo meu amor ao rock.

Paul se despediu com um “até logo”. Acho difícil, mas ainda assim espero. Por ele? Vale a pena.

domingo, novembro 29, 2009

Manaus 2009

O grupo animado aguardava o embarque no Aeroporto de Guarulhos. A maioria já se conhecia. Eu, no caso, não conhecia ninguém, com exceção das pessoas que me acompanhavam. Engraçado pensar que naquela hora, pessoas que se tornaram tão queridas eram apenas alguns dos integrantes da turma.

Três horas e meia de vôo depois, desembarcamos no aeroporto de Manaus. O bafo quente que aquele lugar possui é algo que jamais vou conseguir descrever por aqui, um calor e umidade incomparáveis. Mas a sensação não durou muito: logo entramos no ônibus com ar condicionado e com uma guia muito simpática de nome Isa, que foi nos explicando um pouco do que nos esperava.

Contou que o hotel ficava num canal, lá chamado de Igarapé, e que nesta época da seca era preciso pegar um barco menor pra chegar até lá. As chuvas duram de maio a setembro, mais ou menos, e nesta época o rio Amazonas chega a subir mais de 13 metros. O hotel, no caso, sobe junto.

Do ônibus, passamos para um barco bastante confortável, dentro do qual comemos, bebemos e escutamos um pouco sobre Manaus e sua história. O guia, cujo nome esqueci mas que falava muito, muito, muito, contou que o primeiro nome de Manaus foi São José da Barra mas que, devido à presença dos índios Manaós na região, a cidade passou a se chamar Manaus em 1669.

Pouco mais de uma hora neste barco, e finalmente avistamos o hotel Amazon Jungle Palace. Os funcionários guiaram cada pessoa à sua suíte, e nos preparamos para um almoço delicioso, oferecido por um chef paulista do qual também não me recordo o nome. Todos os dias, muitas opções de saladas, carne, frango e, como não poderia deixar de ser, peixes de várias espécies e feitos de diversas formas.

A primeira noite foi dedicada à focagem de jacarés. Saímos em canoas pelo meio da escuridão, cada uma com um guia na frente, possuindo uma grande lanterna ou holofote. Os olhos dos jacarés brilham à noite, e não era difícil avistar aqueles pequenos pontos brilhantes por causa do escuro. Confesso que fiquei com um pouco de medo, menos dos jacarés em si, mas principalmente de surgir alguma coisa do rio em meio à escuridão. Como os peixes-voadores, por exemplo, que davam cada susto nas pessoas que a guia falava: gente, cuidado! Senão vai ser peixe pra dentro e vocês pra água! Enfim, sobrevivemos, após conhecer mais de perto um jacaré filhote.

Na manhã seguinte, fizemos a caminhada na mata, saindo às 7h da matina (pode acreditar: já estava muito quente). Foram quase duas horas de mata fechada, explorando árvores, flores, frutas e insetos e, é claro, tomando o maior cuidado com os espinhos e possíveis animais nocivos dali. Isa nos mostrou o breu branco e  breu preto, árvores cuja seiva é altamente inflamável, usada pelos índios pra fazer o fogo e aquecer a chamada maloca. Mostrou também uma outra árvore, da qual não lembro o nome, usada para comunicação entre os índios. Quando se bate nela com um pedaço de pau, faz um barulho alto, que ecoa pela floresta. Assim, os índios podem chamar os outros quando pegaram uma caça ou se há alguém ferido. Lindas paisagens, mas acho que nunca suei tanto na vida.

Isa explicando um pouco mais sobre o breu preto:


De tarde foi a vez da visita à comunidade indígena que habita as regiões próximas. Atravessamos literalmente a ponte do rio que cai (feita totalmente de madeira), e a sensação que tive era de que estava descobrindo o Brasil. Lindas indiazinhas foram nos receber, correndo pela areia branca por entre as árvores e levando o grupo para conhecer seus parentes. Todos nos acomodamos na sauna natural no interior da maloca cujo centro abrigava uma tocha feita com a seiva do breu, e assistimos às apresentações de algumas das belas danças indígenas. Cansados e felizes, voltamos ao hotel.

Sábado foi dia de partir rumo ao Encontro das Águas, um dos passeios mais famosos de Manaus. Seguimos por mais de duas horas naquele barco ultra-confortável, até chegar à junção entre os rios Negro (de água escura) e Solimões (que tem água barrenta). Por causa da densidade dos dois rios, as águas não se misturam, formando essa paisagem no mínimo curiosa. Durante o passeio, curiosamente, encostaram dois barcos em que homens traziam animais para tirarmos fotos: era um jacaré, um bicho-preguiça e duas cobras. Só depois de nos divertirmos muito, o guia explicou que eram ilegais, e que traficavam animais. Um verdadeiro balde de água fria (mas o bicho preguiça é a coisa mais linda do mundo)...

À noite, foi hora de assistir à apresentação do Guia ESPN do fã do esporte, um levantamento muito interessante sobre o perfil dos amantes do esporte no Brasil. Descobri coisas incríveis sobre o basquete, tênis, skate, surf, vôlei e, é claro, sobre o futebol. Dados como: 81% dos amantes do futebol prefere ver seu time ganhando do que a seleção brasileira (!). Informações no mínimo interessantes pra quem quer atingir ao público esportista de todo o Brasil, e ainda mais pra quem ama esportes.

Um churrasco na cobertura do hotel fechou a noite e a viagem. Um encontro fantástico, com muito sol, calor, batidas de coco deliciosas à beira da piscina, banhos noturnos nesta mesma piscina, natureza exuberante (mariposas, muitas!) e, o principal: levo deste encontro pessoas incríveis e lembranças que jamais vou esquecer.

Valeu, ESPN!

Nascer do sol, só boas lembranças...

segunda-feira, junho 08, 2009

Uma tarde no Masp

Vale muito a pena visitar o Masp neste mês de junho. Lá estão acontecendo três exposições, que agradam aos mais diversos gostos culturais.

Em comemoração ao ano da França no Brasil, um dos andares está dedicado à exposição “Arte na França 1860-1960 – O Realismo”. São obras dos mais importantes artistas de todos os tempos, como Renoir (à esquerda, o quadro As Meninas Cahen d'Anvers), Portinari, di Cavalcanti e Tolouse-Lautrec, em sua maioria representando fielmente as formas humanas e alguns animais.

A mostra expõe as diversas vertentes do realismo. Algumas obras chegam a parecer fotos, de tão perfeitas, dando a impressão de que podem se mexer a qualquer momento. É assim inclusive que começa a mostra, com frase de Gustave Courbet a respeito da criação de uma “arte viva”:

“Saber para poder – foi esse meu pensamento. Ser capaz de traduzir os costumes, as idéias, a cara de meu tempo, conforme minha opinião e meu modo de ver; ser não apenas um pintor, mas também um homem, em suma, fazer uma arte viva, este é o meu objetivo.”

Descendo um andar, chega-se à exposição de fotos “Terra em transe”, do artista espanhol Manuel Vilariño. Considerado um mestre da natureza morta, Vilariño compõe suas imagens com base em animais mortos, velas e frutas, revelando cores e ao mesmo tempo causando certo choque aos visitantes. Ao lado, "Natureza Morta com açafrão", pra que você possa ter uma ideia.

Mas estava no subsolo a exposição mais esperada do dia: VIK, uma seleção de fotografias das obras do artista Vik Muniz. Brasileiro radicado nos Estados Unidos, Vik é conhecido por criar obras a partir dos elementos mais inusitados, como poeira, lixo e chocolate. Além do talento visível na perfeição das obras e da criatividade nos materiais usados, vale ressaltar que todas as obras têm um propósito.

A série “Crianças do Caribe”, por exemplo, foi feita depois de uma viagem ao local, em que Vik conheceu um grupo de crianças de rua extremamente doces e amigáveis. O artista resolveu homenageá-las com seus retratos expostos em açúcar num fundo preto.

Outra série interessante é composta por divas e monstros. Um colecionador de suas obras, que fabricava diamantes, resolveu emprestá-los para Vik. Ele, então, produziu as imagens de várias divas, como Elizabeth Taylor (à esquerda) e Bette Davis. Em contrapartida, resolveu retratar monstros clássicos do cinema usando caviar, uma forma de simbolizar a pouca durabilidade dos monstros nos filmes.

Serviço
MASP: Av. Paulista, nº 1.578 - Cerqueira César
Tel.: (11) 3251-5644
De 24 de abril a 12 de julho
Terças, quartas, sextas, sábados e domingos, das 11h às 18h
Quintas, das 11h às 20h
Entrada: R$ 15,00 (meia-entrada R$ 7)
Grátis às terças-feiras!
Mais em: http://www.vikmuniz.net/

quinta-feira, abril 23, 2009

Seleção de coisas legais na web (sem critério algum)

Terror, o tipo da coisa que não é pra mim
O site Hotel 626 foi eleito o melhor de 2008 pelo público do FWA. É um site de terror que só funciona das 18h às 6h, suposto horário de funcionamento do hotel. Entrando à noite, dá mais medo ainda de percorrer os sombrios corredores... Ok, você pode burlar o sistema mudando a hora no seu computador ;)

Com produção de vídeos e 3D de alta qualidade, o site te desafia a sair vivo do hotel. Quando postei esse link no blog da Neotix, há um tempinho, teve nego reclamando que não conseguia usar. Atenção ao horário de funcionamento do site! Outra coisa: no início, é um pouco difícil de se localizar mesmo. Assim, ao entrar no corredor, saia clicando em tudo pra poder entrar em uma das salas e iniciar os desafios...

Tente sair vivo dessa!
http://www.hotel626.com/

Vídeo de outros tempos
Em sua primeira viagem ao Brasil, Pato Donald encontra Zé Carioca. Ao som de Aquarela do Brasil, desbravam a natureza, os costumes e muito do que o país tem a oferecer.



Bem legaus
O blog http://www.bemlegaus.com/ mostra dicas interessantes de decoração, artigos divertidos e modernos e peças de design pra ninguém botar defeito! Este saleiro e esta pimenteira abaixo, por exemplo, foram retirados de lá. Eles são feitos em cerâmica, têm rodinhas em aço inox e pneus de borracha. Foram criados pelo designer de Israel Iris Zohar. Imagina a diversão: passa o sal!


A cada dia, um post diferente.

sexta-feira, abril 03, 2009

Ela não é carioca (mas podia ser)

Depois de cerca de quarenta minutos, sendo pelo menos 10 deles de turbulência das brabas, escutamos aliviados a voz do comandante: “atenção! Estamos pousando no Aeroporto Santos Dumont. São 21h e os termômetros marcam 28ºC”. Quente! Um bafo!

Nunca tinha ido ao Rio de avião (só fazendo conexão), e confesso que deu um frio na barriga de pousar tão junto ao mar. O taxista, vascaíno (ele mesmo se intitulava “vascaindo”), camuflava seu DVD ilegal com uma touca do time. Seu pai, torcedor fanático, morreu cedo do coração. “Também por causa do time”, confessou.

Alguns (muitos) minutos de carro – o Rio é maior que eu pensava! – e chegamos à casa da Lu. Super bronzeada, carioquíssima e pra lá de hospitaleira, mostrou pra gente o seu apê, em que cada detalhe revelava um pouco da sua personalidade.

A cereja do bolo, sem dúvida, era o terraço gostoso com vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas. O fato de estar ao lado do Parque da Catacumba (que recebeu o nome porque outrora fora um cemitério), permitia um contato interessante com macaquinhos e outros bichos. Duas garrafas de vinho e alguns petiscos depois, ficamos admirando a beleza da lagoa à noite, em meio a raios e clarões.

O Rio é lindo. Talvez a cidade grande mais bonita em que já estive. A atmosfera do lugar – tocava MPB em absolutamente todos os lugares por onde passei, dos táxis ao saguão do hotel, da portaria do prédio da Lu ao salão de café da manhã – o clima, a natureza, enfim. Um charme só.

Tá certo, as pessoas dirigem loucamente, o contraste da Praia de São Conrado e da Pedra da Gávea com o morro forrado de barracos da Rocinha é triste de se ver, tem bastante trânsito também, e além de tudo tem aquilo que a gente lê no jornal diariamente sobre a violência (nada que eu não esteja acostumada por aqui).

Mas olha, se alguém me chamasse pra morar no Rio, com emprego legal e moradia em lugar bacaninha (quer mais o quê também, né?), eu ia fácil. E ia me tornar a mais nova super-bronzeada-e-gostosa-que-corre-na-praia-todo-dia-de-manhã da cidade!

segunda-feira, março 23, 2009

Honey’s Island

Acabei não finalizando meu relato de viagem para a Ilha do Mel. Na verdade, fiquei pensando no melhor jeito para fazê-lo...

Não queria ficar contando dia por dia, porque já entendi que este é um formato um tanto cansativo – para mim e para os leitores. Também não tinha muitos causos interessantes para descrever. Então, decidi resumir as atrações do local, assim, quem estiver curioso já conhece tudo de cara por aqui:

Roteiro Gruta – Farol
Para quem está na Praia de Encantadas, é possível fazer este trajeto a pé ou de barco. O barquinho custa R$ 5,00 (preço fixo) e sai a toda hora, mas eu recomendo fazer o percurso a pé mesmo, assim você vai conhecendo as maravilhosas praias pelo caminho. A Gruta das Encantadas é a primeira parada, e é chamada assim porque, segundo a lenda, sereias encantavam os navegantes para dentro dessa gruta. Seguindo pela costa, você passará por praias extensas e praticamente desertas, até que começará a avistar um farol lá longe, no alto de um morro. “Siga aquele farol!”, era o que pensávamos. E seguimos caminhando, o sol forte queimando as costas, até chegar à Praia de Brasília, outro local em que é possível ficar hospedado na ilha. De lá, mais uma trilha até que se abre um clarão e o vento forte anuncia uma paisagem inédita pra mim: uma passagem por cima de um morro, e praia dos dois lados. Aquela água esverdeada, o sol batendo no farol imponente e muito bem conservado (datado de 1870), tudo era um conjunto de belezas que gritava aos olhos. Subimos uma escadaria até chegar ao farol, e a vista à esquerda dispensa comentários.

Roteiro Fortaleza – Baía dos Golfinhos
O dia estava um pouco nublado e ficamos com receio de não encontrar os golfinhos por causa do mau tempo. “Fiquem tranquilos, é até melhor para conseguirmos enxergá-los”, afirmou a bióloga Ana Carla, responsável pelo barco Sea Calm (entendeu o trocadilho? rs), o mais conhecido para este passeio. Saímos às 10h00 rumo à Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres (à direita), construída por volta de 1800 pelos portugueses como uma forma de demarcar território. Dizem que, na época, havia muitos piratas espanhóis à procura de terra e, caso passassem por ali, aquela área já teria donos. Donos muito bem armados, por sinal, para atingir a quem fosse necessário. Segundo a bióloga, houve apenas um combate, em 1850, quando os ingleses buscavam navios com escravos e se deparou com um, bem ali. Pela primeira e única vez, os canhões seriam utilizados num combate, não fosse o fato de que... bem, eles não funcionaram. A batalha foi perdida – neste caso, felizmente, já que os portugueses continuavam praticando a extinta escravatura. O que se diz por lá, entretanto, é o oposto: não faltam menções honrosas aos combatentes que resistiram à luta. Hoje, o local está restaurado e aberto à visitação. É interessante (e cansativo!) seguir pela trilha que leva aos corredores de pedra que abrigam os canhões.

De lá, partimos para a segunda parte do passeio: a esperada Baía dos Golfinhos. Já no caminho para a Ilha das Peças (que recebeu este nome porque era um ponto de comercialização de escravos, chamados de “peças”), os simpáticos mamíferos aquáticos começaram a dar o ar da graça. A bióloga explicou que, antes de tudo, iríamos almoçar e, em seguida, pararíamos o barco onde os botos costumavam se exibir. Não tivemos dúvida: trocamos o almoço por algumas braçadas no mar, perto dos bichinhos. Eles são realmente sociáveis: nadam em grupos, se exibem, e teve até um que resolveu dar um salto cinematográfico para as câmeras! A reação foi unânime: aplausos emocionados ao acrobata do mar.

Fotos: PH Schneider

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Diário de Mariana

Quem leu o post anterior soube que a minha avó fez uma viagem ao sul do Brasil com minha mãe em 1983, a qual rendeu até um livrinho em sua homenagem. Aproveitando o gancho, no final do ano passado tive a oportunidade de percorrer parte deste mesmo trajeto, rumo à Ilha do Mel.

Os meios de transporte foram muitos: metrô até o Tietê, ônibus até Curitiba, trem até Morretes, van até Pontal do Sul, barco até a ilha... ufa! Mas deu tudo certo, mais certo impossível. Vamos por partes:

Chegamos à rodoferroviária de Curitiba por volta das 6h da manhã. Nosso trem sairia às 08h15, então deu tempo de tomarmos um café e retirarmos as passagens com calma. Existem algumas categorias de viagem: a executiva sai por R$ 36,00, a turística (que foi a que escolhemos) custa R$ 58,00 e inclui guia e lanche, e o camarote custa R$ 85,00. Ainda é possível fechar um camarote exclusivo para até 6 pessoas por R$ 503,00.

Pontualmente às 08h15, nosso trem partiu. Beatriz Barbosa, mais conhecida como BB (à direita), foi a nossa guia, e não parou de falar um minuto sobre as belezas da região da serra e os fatos históricos que envolveram a construção da ferrovia, como a Ponte São João, na foto abaixo, que foi totalmente construída sem porcas ou parafusos. Diz a lenda que quem encosta na ponte tem 7 anos de prosperidade na vida. Na dúvida, encostamos.

Mesmo com o trem a no máximo 15km/hora, totalizando 4 horas de passeio, a viagem passou rápido e foi excelente. As paisagens são espetaculares: trechos forrados de hortênsias, o belo Rio Ipiranga, túneis de pedra escuros e misteriosos, o dia (como em raras ocasiões) ensolarado...

Algumas antigas estações (como esta à direita) foram transformadas em cafés, um charme só. Porém, a maioria delas encontra-se em ruínas, prestes a desabar, uma judiação (como esta abaixo). Fica um apelo à ALL (América Latina Logística), empresa que tem a concessão da ferrovia: restaurem essas construções! Aproveitem enquanto ainda há pelo menos as fachadas para que se possa ter uma referência de como foram!

Aos domingos, o trem vai até Paranaguá, com paradas em Marumbi (onde se acampa para escalar o pico de mesmo nome) e Morretes. Nos outros dias, vai somente até Morretes. Pedimos uma orientação sobre o melhor caminho para a Ilha do Mel, e fomos informados de que era melhor descer em Morretes, pegar uma van até Pontal do Sul e, de lá, pegar o barco que em meia hora chegaria à Ilha. Caso optássemos por descer em Paranaguá, pegaríamos o barco direto, que leva duas horas para chegar lá.

Fizemos a primeira opção, e descobrimos depois que foi a melhor, já que o trem demora absurdamente para chegar a Paranaguá e, por lá, não existe paisagem bonita. Por ser uma região portuária, há pouca gente na rua e muito lixo, além do trem parar pra os carros passarem, o que torna o trajeto ainda mais maçante.

Em Pontal do Sul, nos deparamos com uma grande placa que dizia: “Limite de pessoas na Ilha do Mel – 5.000. Estamos em 3.100”. Acho importante ter este domínio, porque a Ilha é composta por muita mata fechada, e há uma preocupação enorme não só com a preservação, mas também com o controle das pessoas em locais inapropriados.

Para chegar à Ilha, é preciso preencher um cadastro e comprar a passagem de barco para ida e volta. Recebe-se uma pulseira, e é solicitado que você se mantenha com ela durante toda a estadia, mas depois do terceiro dia todo mundo já retirou a sua.

Meia hora naquelas águas azuis debaixo de sol forte, e chegamos ao trapiche da praia das Encantadas. Nossa pousada ficava a apenas 50 metros dali, o que dispensou os rapazes que cobravam para levar suas malas de carrinho de mão.

E a brincadeira estava só começando...

quarta-feira, outubro 15, 2008

Trancendence, 9 a 14 de julho (e o fim das férias)

Com Paulo Henrique Schneider (texto e fotos)

Após três anos de muita saudade e boas lembranças, os núcleos Solar Flares e Tranceformation se uniram para realizar a sexta edição da Trancendence, um dos principais festivais alternativos do Brasil.

Cerca de 4 mil pessoas (incluindo a produção e convidados) participaram do evento. Ônibus escolares foram utilizados para levar as pessoas do estacionamento/portaria até a entrada da festa (foto acima). O público tinha duas opções de camping: um deles ficava ao lado da pista alternativa e o outro, com maior volume de barracas, ficava próximo à Oca (chill out da festa).

Todos os campings estavam equipados com chuveiros e banheiros que contavam com equipes de limpeza 24 horas por dia. Próximo ao segundo camping, passava o belo rio Macaco (foto), que oferecia um banho refrescante e silencioso para aqueles que procuravam escapar do agito.

Um local que certamente recebeu uma atenção especial foi a Oca, uma construção circular de madeira e palha com uma abertura no centro, decorada com tecidos, painéis e uma grande borboleta mecânica que parecia ter vida própria. No centro, uma fogueira queimava durante as noites, trazendo uma atmosfera ainda mais especial.

Destaque para a tarde memorável em que tocou o trio Yagé, quando um grupo de artistas vestidas de azul realizava coreografias e convidava os participantes para a formação de uma grande roda no centro da oca (foto).

Com suas lojas coloridas, repletas de roupas e artesanato do Brasil e do mundo, a Feira Mix ficava entre a Oca e Pista Alternativa, que além da diversidade de produtos, contava com um guarda volumes eficiente, uma loja de conveniência e uma exposição em homenagem póstuma ao fotógrafo Carlos Levistrauss.

A consciência ambiental também estava presente neste “corredor artístico”. A organização disponibilizou o Espaço Fotossíntese, idealizado por um grupo de Uberlândia, em que era possível criar mandalas com sementes coloridas gratuitamente (foto à direita). Crianças e adultos se divertiram no espaço, onde também foram distribuídas sementes nativas para plantio.

Havia mais dois espaços culturais em pleno funcionamento no festival: o Espaço Hoffman de Artes Integradas, em que ocorreram diversas oficinas, e o Zen-Dô Multicultural, que durante o dia contava com atividades como pilates, meditação e palestras, e à noite oferecia mostra de filmes.

A Pista Alternativa possuía um design diferenciado, com uma grande lycra branca instalada em formato de serpente, e as inusitadas árvores prateadas (foto à esquerda), que contavam com uma decoração magnética interativa – ímãs permitiam que se mudassem alguns elementos de lugar.

O espaço foi dedicado a vertentes do house, techno e electro. Por ser uma experiência inédita em uma Trancendence, a pista não funcionou o tempo todo e em poucos momentos ficou “lotada”.

Após uma subida, avistavam-se os enormes leques feitos com bambu e estopa do Main Floor, que formavam um círculo perfeito. A arquitetura oferecia bastante sombra e espaço para dançar, além de um palco central no formato de uma estrela em que foram vistas performances artísticas incríveis, que mesclaram artes cênicas e circenses (fotos).

No local, esteve presente o bom trance psicodélico em suas mais variadas vertentes, do progressive ao dark. Foi feito um bom trabalho por parte tanto dos artistas quanto da equipe de som – foram raros os problemas técnicos – e as apresentações reuniram, sem dúvida, um dos melhores line ups do ano.

Assim como em 2005, neste ano o evento foi alvo de mais uma ação da Polícia Civil de Goiás. Surpresa para alguns, previsível para outros, o fato gerou um clima de tensão entre os participantes e houve uma série de “enquadros” nas pistas de dança e campings. Houve relatos de muitas pessoas que haviam sido indiciadas como usuários de drogas.

Mesmo com esta repressão, sem dúvida a Trancendence será lembrada como uma celebração respeitosa, bonita e integrada de forma harmônica ao cerrado. Quase não se via lixo no chão (com exceção das bitucas de cigarro) e os resíduos produzidos foram devidamente separados para reciclagem. Sem dúvida, uma experiência memorável.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Fazenda São Bento, 5 de julho, 9 horas da manhã.

Acordei às 6h30 e saí de pijama mesmo pela rua da pousada, como vinha fazendo todos os dias. Quase não passa gente ali naquela hora e, se passar, ninguém vai se preocupar se você está de meias com chinelo ou descabelada. Fiquei um tempo ali, parada, sentindo os primeiros raios do sol e a brisa fresquinha da manhã.

Foi quando escutei o barulho característico dos tucanos, um “croc-croc” que jamais vou conseguir narrar por aqui. No alto de uma árvore, avistei o bico grande e amarelo de um tucano solitário. E olha que é difícil encontrar um tucano sozinho: eles geralmente andam em casais.

Aproximei-me devagarzinho até ficar bem em frente à árvore. E ele desfilou sua beleza pra mim durante alguns minutos, dos mais lindos da minha vida.

Café-da-manhã tomado, fomos ao passeio pela Fazenda São Bento, onde se encontram as cachoeiras de Almécegas I e II. Mas, antes, uma parada no ninho das araras. Será que dessa vez seria possível vê-las?

Não demorou muito para que elas notassem a nossa presença e começassem um verdadeiro show de “aeromodelismo”. Eram cinco, azuis na parte de trás e amarelas no peito, e pareciam querer esquentar suas asas ao sol enquanto se exibiam pra nós.

Voavam em duas, e sempre ficava uma tomando conta de um dos filhotes que parecia ainda não ter coragem o suficiente pra encarar o vôo. Gritavam muito, um barato! Não consegui sair de lá até que todas alçassem vôo em busca de alimento, inclusive o filhote medroso, que depois de muito custo deixou seu lugarzinho no tronco do velho buriti e rasgou o céu ao lado de seus pais.

Lindo, lindo. Emocionante, inesquecível. O sol batendo e elas voando, rodando, bem acima das nossas cabeças.

Um dia que começa assim não tem como ser ruim, né? Seguimos pela estrada até a entrada da fazenda. Atualmente, há uma tiroleza neste local, são 850m de comprimento com uma vista linda da chapada, mas preferimos ficar só (só??) nas quedas, mesmo.

Almécegas I é de longe a cachoeira mais gelada em que já estive. O sol bate ali durante poucas horas do dia, o que, juntamente com a vegetação que cresce entre as pedras, dá um ar selvagem ao local (foto à esquerda). Paulo pulou de uma altura de 12 metros, eu não tive coragem. Depois de gelar a alma, partimos para Almécegas II, uma bela queda com um poço bom de nadar.

Lá, sim, eu saltei, de mais ou menos 6 metros de altura. Que frio na barriga! Nadamos por lá bastante tempo, até resolvermos finalizar com a última parada do dia: São Bento (foto à direita), uma enorme queda que desemboca em um gigantesco poço, onde inclusive ocorrem as etapas brasileiras do mundial de pólo aquático. “É um barato, gente do mundo todo acampando aqui em volta, jogando nessa água gelada”, escutamos por lá.

Por falar em gente do mundo todo, quando entramos n’água avistamos um grupo de mais ou menos 40 indianos (não estou brincando), dentre crianças, homens e mulheres. Uma situação totalmente non-sense, todos vestidos com panos, vestidos e muitos, muitos acessórios. Anéis no pé, pulseiras, brincos... É bonito de ver o quanto são vaidosos. Os homens tiraram as camisas e entraram com as crianças na água. As esposas preferiram molhar só os pés e ficar conversando.

Saímos da água e passamos entre eles, nas pedras, sem entender uma palavra do que diziam, tampouco de onde haviam saído. Coisas que você só vai ver na Chapada dos Veadeiros.

Fotos: PH Schneider

sexta-feira, outubro 03, 2008

Parque Nacional, 4 de julho, 8 horas da manhã.

Até por volta de 1950, a região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros era tomada por buracos feitos por garimpeiros em busca de cristais. Com a chegada de Juscelino Kubitschek ao poder, o local tornou-se parque nacional e os buracos foram desativados.

Desde então, os garimpeiros tornaram-se guias turísticos, e formaram a comunidade de São Jorge, vizinha a Alto Paraíso. Hoje, o parque serve de modelo para os outros tantos do Brasil, e estudiosos do mundo todo viajam até lá para conhecer a organização do lugar e também, é claro, para explorar as belezas naturais.

Para desbravar o parque, existem duas trilhas: Saltos e Cânions, com três quedas cada uma. Só se pode escolher uma trilha por dia, já que não se pode ficar no local depois das 17 horas. Também não é possível entrar depois do meio-dia (não dá tempo de fazer a trilha inteira).

Há um número limite de pessoas em cada trilha, e só é permitido fazer quaisquer dos passeios acompanhado por um guia credenciado. Por isso, fomos ao Centro de Atendimento ao Turismo buscar algum guia que tivesse um requisito: caber na cabine estendida do carro. A funcionária nos passou o contato de Hananda, uma menina pequena o suficiente para caber na parte de trás, e esperta o bastante para nos conduzir pela Trilha dos Cânions, a escolhida para aquele dia. Só pra variar, não havia uma nuvem no céu.

Percorremos a espetacular trilha sobre cristais de quartzo branco. Toda a extensão da trilha é forrada por cristais, lindo de se ver. Dizem até que, se olhar uma foto de satélite ali da região, aquele lugar emana uma luz branca lindíssima. Passamos por diversos buracos de garimpo desativados, e por plantas que jamais imaginei conhecer (como essa plantinha carnívora aí do lado).

“O cerrado corresponde a 33% da biodiversidade brasileira”, dizia a placa. E logo em seguida, fomos apresentados a uma espécie de árvore super interessante, da qual infelizmente não lembro o nome. Dela nasce uma frutinha saborosa, mas que se você comer demais causa dor no estômago. Mas não se preocupe: das folhas dessa mesma árvore, faz-se um chá que, curiosamente, é tiro-e-queda para dor de estômago. Pode essa natureza ser mais perfeita?

Passamos também por pedras com uns líquens coloridos: roxo, cor-de-laranja, amarelo (veja foto)... da primeira vez que eu vi, cheguei até a pensar que poderia ser algum tipo de vandalismo, porque as cores eram tão fortes que parecia tinta. Hananda explicou que esses líquens só nascem em locais em que o ar é extremamente puro. Oba, virou regra: toda vez que passava por uma pedra daquelas, respirava fundo...

A primeira queda a que se chega é a Cachoeira das Carioquinhas (foto). Diz a lenda que duas cariocas desbravavam a região quando encontraram esta belíssima queda. E assim ficou o nome. Um mergulho gelado e delicioso, alguns minutos de descanso, e seguimos o passeio até chegar ao Cânion 2.

Era uma grande piscina natural, com duas plataformas para quem se arriscasse a pular (eu pulei das duas – frio na barriga master hehe) e um corredor ladeado por paredões de água que, nessa época da seca, dá pra nadar e ver de baixo, tranquilamente. Fiquei boiando naquela água e pensando no privilégio que é poder fazer pelo menos uma viagem desta por ano.

E seguimos para a terceira e última parada: Cânion 1. Este fica fechado na época das chuvas, mas neste período dá pra sentar na parte de cima e ficar admirando os paredões. Neste último, não há jeito de mergulhar, só de contemplar (foto).

Importante lembrar que cada parada dentro do parque possui dois bombeiros, o que reforça a sensação de segurança e de organização. Ah, sim! E paga-se a simbólica taxa de R$ 3,00 para entrar, além da diária do guia, fixada em R$ 60,00.

Felizes e cansados, chegamos novamente à entrada do parque. Já na volta, conversando com Hananda, demonstramos nossa vontade de ver araras. Então, ela nos contou sobre um casal de araras que se alojou em uns troncos mortos de buriti para ter seus filhotes, e tiveram três mas, em vez de seguir caminho, elas se estabeleceram ali, e de lá não saíram. Passamos em frente, paramos o carro (era bem próximo à estrada), mas nada delas.

Não desistimos. Passaríamos em frente todos os dias, até conseguir vê-las. Mal sabíamos nós das espetaculares surpresas do dia seguinte.

Fotos: PH Schneider

domingo, agosto 24, 2008

Vale da Lua, 3 de julho, 9 horas da manhã.



Walking on the moon...

Prepare-se para conhecer um dos lugares mais lindos da sua vida.

Sempre que eu comentava sobre a viagem com alguém que já conhecesse a Chapada dos Veadeiros, a pessoa falava: “não deixe de conhecer o Vale da Lua, é um lugar único”. Por isso, não quis perder a oportunidade e, logo no segundo dia de passeio, resolvemos ir pra lá.

Fica a poucos quilômetros do centro de Alto Paraíso, você pega a estrada e logo vê a placa: Vale da Lua – 4 km. Uma estradinha de terra adentrando o cerrado, e estacionamos ao lado da casa de Paulo Roberto, o simpático dono da propriedade. Ele contou que o Vale da Lua era de seu pai, falecido recentemente, e agora era ele quem cuidava de tudo por lá.

Cobrou a simbólica taxa de R$ 5,00 por pessoa, e indicou: “caso queiram ficar mais à vontade, sigam pela esquerda depois da bifurcação. As pessoas costumam ir à direita e já chegam direto no último poço, mas se vocês forem à esquerda conhecerão os outros dois poços”.

E foi o que fizemos. Seguimos por uma breve trilha até avistarmos o início de uma formação rochosa simplesmente espetacular. Dizem que, há bilhões e bilhões de anos, por ali havia um vulcão, e o magma endurecido resultou naquele tipo de rocha. Com o passar dos anos, as águas que começaram a correr por ali moldaram a rocha, e o resultado vocês podem ver nas belas fotos tiradas pelo PH! :)

Eram três poços – para variar, geladíssimos. Você andava pelas pedras (vez ou outra encontrava pedaços de cristais incrustados, como na foto ao lado), e aos poucos ouvia o barulho da água que passava lá em baixo. Chegamos ao primeiro poço e arriscamos um breve mergulho (até porque, estávamos a sós por lá, e poderíamos gritar à vontade caso a água gelasse a alma, como de costume).

Mais uma breve caminhada pelas rochas exóticas, e outro poço de água verdinha e transparente. Este, com uma particularidade: havia uma passagem que levava a uma queda pequena, mas maravilhosa. Fomos até lá, e, desbravando tudo, descobrimos uma galeria silenciosa através de um buraco na rocha. Não tivemos coragem de entrar, porque cada piscina natural que encontrávamos possuía uma aranha como zeladora, e o tamanho da piscina era proporcional ao de sua guardiã! Já pensou?

Extasiados, chegamos ao último poço, este sim, com algumas pessoas se banhando. Saltamos de um ponto não muito alto (cerca de 4 metros), e pudemos aproveitar muito as belezas daquele lugar.

Como o passeio não tomou o dia todo, ainda conseguimos finalizar a tarde na cachoeira Morada do Sol, que inclui o passeio para o Vale das Andorinhas – um cânion lindíssimo – de onde vimos o sol se pôr na Chapada.

domingo, agosto 03, 2008

Alto Paraíso de Goiás, 2 de julho, meio-dia.

Após duas horas e meia adentrando o cerrado brasileiro pela GO-118, avistamos os portais de pedra mineira que anunciavam a chegada à pequena e charmosa cidade de Alto Paraíso de Goiás. Alto, para os íntimos.

A avenida principal concentra grande parte dos serviços do local: o eficiente CAT (Centro de Atendimento ao Turismo), diversos restaurantes, bares e lojas de artesanato e cristais nativos com artigos de se apaixonar.

Estacionamos o carro em frente à Pousada Alfa & Ômega por volta do meio-dia, e fomos recepcionados por Luís Paulo, o dono de lá, e por seu cachorro, da raça American Indian (parece um lobo, porém muito dócil).

Luís chamou Melissa, que nos levou ao quarto Rubi. Assim como todos os outros, ficava em bangalôs com cristais na ponta, entre as árvores. Com o objetivo de aproveitar a tarde para fazer algum passeio, corremos para retirar os muitos quilos de bagagem que nos acompanhavam e partimos para tomar um lanche.

Mel nos indicou o Barracão 3, lanchonete que fica em frente à Rodoviária. Ficamos assustados com o tamanho do sanduíche, e principalmente com seu sabor. Peito de peru com mussarela derretida, pasta de azeitona e alface na ciabatta. Perfeito.

Ainda dava tempo de visitar o ponto mais próximo da cidade, a Cachoeira das Loquinhas. “Vão tomar banho de esmeralda”, é como dizem por lá. E pude ver que era verdade assim que chegamos ao Poço do Curumim, primeiro dos sete de água cristalina e muito gelada que viriam pela frente.

A trilha das Loquinhas é apropriada para crianças e pessoas de idade: toda de madeira, com escadas e plaquinhas indicativas que levam às quedas. Um verdadeiro “resort adventure”.

O momento mágico da tarde ficou por conta do poço da Xamã (foto) que, devido ao sol fortíssimo, tinha água morna na superfície. Ah sim, e o principal: em todos os poços, não havia mais ninguém. Sabe o que é conseguir ficar em absoluto silêncio e escutar só os barulhos da natureza? Mais sossego impossível.

Com a sensação de energia renovada que só a água corrente traz, finalizamos o dia no tradicional restaurante Massas da Mamma. É pedir pra cair na cama e desmaiar!

sábado, agosto 02, 2008

Brasília, 1 de julho, nove horas da noite.

Era apenas o primeiro dia das férias, e eu já havia passado por várias cidades até parar na capital do país. À noite, fomos visitar Pedro, um médico recém-formado que, assim como todos os colegas de sua classe, foi chamado para trabalhar no exército. "Eles estavam precisando de gente lá. O trabalho é cansativo, mas eu não acho ruim porque paga-se bem."

Por sinal, a impressão que se tem é que - com algumas exceções - ganha-se muito bem em Brasília. Os apartamentos (como a Joyce citou em comentário no post anterior) são caros, mas ao mesmo tempo amplos, e é fundamental ter carro para se locomover pela cidade. O transporte público é fraco.

O restaurante japonês foi a feliz escolha para matar a fome. Chamava-se Nipon e oferecia um farto rodízio com direito a camarões grelhados e todo tipo de peixe. O suficiente para que o cansaço do dia caísse de vez sobre nossas costas. Fica na SCLS 403, bloco A, loja 28. Não me peça pra explicar o caminho. Tel: (61) 3224-0430.

Pedro foi muito gente boa e ainda nos levou para dar uma volta pela cidade. Foi muito interessante ter finalmente um contato visual com aqueles famosos monumentos, passar pelos ministérios, o Itamaraty, a lindíssima Catedral de Brasília e até a ponte Juscelino Kubitchek, que você vê na bela foto acima de Juca Filho.

De um modo geral, achei as pessoas inteligentes e politizadas, a cidade organizada e limpa. Fui dormir pensando que Brasília é uma enorme exposição a céu aberto. E era apenas o primeiro dia das férias.