Em Santana, zona norte de São Paulo, existe um lugar muito especial: o Instituto de Psicoterapia Autógena, também conhecido como Cromo. Foi fundado em 1978 e desde então oferece diferentes tratamentos, desde psicologia até terapias alternativas como reiki e cromoterapia, todas gratuitamente.
Pois foi atrás da cromoterapia que busquei o instituto. Pra quem não conhece, é a ciência que se utiliza das cores pra equilibrar energicamente a saúde. O tratamento pode ser feito de diversas formas - meu pai, por exemplo, tem um aparelho com um cristal de luz na ponta, em que se encaixam plaquinhas coloridas pra mudar de cor - mas o mais comum é fazer essa energização com lâmpadas mesmo.
Cada uma das cores tem um objetivo específico. Azul, por exemplo, é calmante, assim como o amarelo é fortificante e o vermelho pode ser eficaz contra a depressão.
Cheguei ao Cromo por volta das 20h. Duas senhoras muito simpáticas me receberam. Preenchi uma ficha e logo fui encaminhada a uma sala escura, com alguns sofás e apenas uma lâmpada no alto, que mudava de cor. Maria, quem me acompanhou, me orientou que ficasse ali por um tempo, apenas relaxando e pensando em mim.
Desliguei o celular só pra ter certeza de que não seria interrompida por nada naquela hora. A música calma ao fundo e o cheiro suave de incenso me ajudaram a relaxar ainda mais. Fiquei ali por uns 10 minutos, respirando muito fundo e praticamente entrando num transe com aquela luz que mudava de cor.
O passo seguinte foi ir à sala ao lado. Esta tinha somente uma luz verde que, dizem, é a cor da cura. Nesta sala, haviam algumas cadeiras e, acima de cada uma, armações em formato de pirâmide, que atuam na energização. Fiquei por ali mais alguns minutos, meditando ao lado de outras pessoas sob a estrutura da pirâmide, até que uma outra senhora me chamou.
Fomos para uma terceira sala, dessa vez para receber de fato o tratamento. Ela pediu que eu mentalizasse somente energias positivas, pedisse a Jesus que me abençoasse, e começou a me aplicar um passe.
Em seguida, pegou lâmpadas de diferentes cores, uma a uma, passando-as sobre mim em regiões específicas. Eu estava de olhos fechados e bastante tomada pela energia daquele passe, mas deu pra ver que todas as cores passaram por mim naquela hora.
Só conseguia pensar que, muitas vezes, a gente emprega muita energia em coisas que não valem a pena, e que a vida na verdade é tão mais simples, mas que a gente só consegue enxergar isso quando para de fato pra pensar e refletir sobre ela, de coração aberto e mente tranquila.
Ao final, muito relaxada, recebi um copinho de água energizada e uma caixa, de onde eu deveria retirar uma frase. “Geralmente faz sentido”, disse ela. Ao abrir, a frase:
“Hoje eu me dedico a ver as coisas sem complicações, e mantê-las simples.”
:)
Ainda conversei mais um pouco com a Maria, que há anos trabalha como voluntária no instituto. Ela me contou um pouco sobre as ações que eles realizam e me convidou a voltar mais vezes. Ganhei um abraço muito apertado antes de ir embora e cruzar a cidade de volta pra casa, mais leve e mais feliz.
O Instituto de Psicoterapia Autógena fica na Rua Ana Benvinda de Andrade, 93, em Santana. Funciona de segunda a quinta, das 19h às 20h30, e às sextas, das 14h às 17h. Eles pedem como contribuição um quilo de alimento ou R$ 5,00, valor simbólico para ajudar pessoas que tanto fazem o bem, em um instituto com propósito tão bonito.
Mais informações: http://www.caminhandojuntos.com.br/
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quinta-feira, julho 31, 2014
domingo, julho 27, 2014
#27: Participar de uma festa dos Bálcãs
De todos os que conheci em São Paulo, o Sesc mais bonito é certamente o da Pompeia. Aquelas paredes de tijolinhos que remetem à época em que era uma fábrica, o café super charmoso com aquela árvore sempre decorada…
Este ambiente só consegue tornar ainda mais especiais as várias atrações que sempre acontecem por ali. Já fui em festival de cinema alternativo, shows de artistas novos e clássicos que adoro… mas, dessa vez, tive a oportunidade de participar de um evento muito diferente: a Festa dos Bálcãs.
Pra quem não sabe, a região dos Bálcãs é a parte sudeste da Europa - Grécia, Bulgária, Sérvia, entre outros países - conhecida tanto pelos conflitos que já aconteceram ali, como a Guerra dos Bálcãs, como também pela cultura tão rica e diversificada.
Fiquemos com a segunda. A Festa dos Bálcãs no Sesc Pompeia durou uma semana e contou com workshops, comidas típicas e muitos shows de artistas internacionais. Fiquei sabendo pela minha mãe, que pratica danças circulares e iria no domingo, com suas amigas, pra formar uma grande roda de dança no salão da choperia do Sesc.
O lugar estava decorado com grandes bolas coloridas. À meia-luz, vestidos em trajes típicos, a dupla de DJs Venga, Venga! tocava músicas da região, com uma levada eletrônica deliciosa.
Ao longo da noite, bandas de diferentes nacionalidades passaram pelo palco, fazendo todo mundo levantar das cadeiras e formar grandes rodas de dança. Até o jornalista Zeca Camargo, grande amigo de Betty Gervitz (curadora do evento), entrou na roda e dançou conosco.
Terminamos a noite comendo uma banitsa, pãozinho de massa folheada recheado de queijo, típico da Bulgária, que estava delicioso.
A energia de uma roda de dança, normalmente, já é muito especial. Seja pelos movimentos repetidos ou pela energia trocada nas mãos dadas, é sempre uma experiência deliciosa participar de uma roda como essas. Nesta Festa dos Bálcãs, com aquele cenário colorido e ao som de instrumentos gregos, búlgaros e sérvios, não tinha como não ser ainda mais especial.
Este ambiente só consegue tornar ainda mais especiais as várias atrações que sempre acontecem por ali. Já fui em festival de cinema alternativo, shows de artistas novos e clássicos que adoro… mas, dessa vez, tive a oportunidade de participar de um evento muito diferente: a Festa dos Bálcãs.
Pra quem não sabe, a região dos Bálcãs é a parte sudeste da Europa - Grécia, Bulgária, Sérvia, entre outros países - conhecida tanto pelos conflitos que já aconteceram ali, como a Guerra dos Bálcãs, como também pela cultura tão rica e diversificada.
Fiquemos com a segunda. A Festa dos Bálcãs no Sesc Pompeia durou uma semana e contou com workshops, comidas típicas e muitos shows de artistas internacionais. Fiquei sabendo pela minha mãe, que pratica danças circulares e iria no domingo, com suas amigas, pra formar uma grande roda de dança no salão da choperia do Sesc.
O lugar estava decorado com grandes bolas coloridas. À meia-luz, vestidos em trajes típicos, a dupla de DJs Venga, Venga! tocava músicas da região, com uma levada eletrônica deliciosa.
Ao longo da noite, bandas de diferentes nacionalidades passaram pelo palco, fazendo todo mundo levantar das cadeiras e formar grandes rodas de dança. Até o jornalista Zeca Camargo, grande amigo de Betty Gervitz (curadora do evento), entrou na roda e dançou conosco.
Terminamos a noite comendo uma banitsa, pãozinho de massa folheada recheado de queijo, típico da Bulgária, que estava delicioso.
A energia de uma roda de dança, normalmente, já é muito especial. Seja pelos movimentos repetidos ou pela energia trocada nas mãos dadas, é sempre uma experiência deliciosa participar de uma roda como essas. Nesta Festa dos Bálcãs, com aquele cenário colorido e ao som de instrumentos gregos, búlgaros e sérvios, não tinha como não ser ainda mais especial.
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domingo, abril 06, 2014
#18: Conhecer o Edifício Martinelli (e toda a sua história)
Acordei no domingo com vontade de conhecer um lugar novo. Olhei pela janela e o dia estava nada convidativo pra sair: muitas nuvens, vento e chuvinha fina. Daí entrei no infográfico da Veja que mostra 460 programas pra se fazer em São Paulo e elegi o Edifício Martinelli pra ser a novidade do dia, acompanhada da minha irmã, e contrariando a minha mãe, que disse que lá estaria horrível com aquele tempo nublado.
O prédio fica próximo ao Metrô São Bento, no centro de São Paulo, mas resolvemos ir de carro mesmo. Tem um estacionamento bem perto, na Rua Líbero Badaró, e chegamos quase no horário de fechar, 13h. Já havia algumas pessoas esperando pra entrar e logo apareceu um negão simpático, que me lembrou muito o Eddie Murphy, falando alto: “só esperar essa escola sair que a gente sobe!”
O elevador nos levou até o 26º andar, onde fica uma varanda enorme de onde se tem uma vista super bacana da cidade. Bem ao lado fica o Edifício Altino Arantes (conhecido como prédio do Banespa), e também a sede do Banco do Brasil, onde meu pai trabalha. Nosso guia Vladimir (o Eddie Murphy) foi nos levando para uma volta pela cobertura enquanto contava a história deste que foi o primeiro arranha-céu da cidade.
Disse ele que um empresário italiano - Giuseppe Martinelli - se mudou para o Brasil no final do século XIX. Naquela época, São Paulo era uma cidade totalmente horizontal, com prédios de no máximo 8 andares, e o italiano resolveu construir o primeiro prédio com mais de 100 metros de altura. Isso fez com que os paulistanos duvidassem de sua capacidade, achando que a qualquer momento o prédio iria cair.
Inicialmente, foi projetado para ter 12 andares, mas foram-se acrescentando novos pisos até que chegou a 26 andares. Como prova de que confiava na estrutura do prédio, Martinelli construiu sua casa na cobertura, com mais 4 andares, chegando assim a 30 e constituindo-se como o prédio mais alto da cidade de São Paulo.
Em 1929, quando inaugurado, o Edifício Martinelli era altamente luxuoso, abrigando o Cine Rosário e o Hotel São Bento. Porém, esse período de glória não durou muito. “Esse prédio viveu do luxo ao lixo”, disse Vladimir, com jeito de quem fala isso muitas vezes ao dia. E explicou que a construção do prédio teve um custo muito alto, e ele teve que ser vendido a preço de banana para o governo da Itália na década de 40. Mudou de nome - passando a se chamar Edifício América - e ficou relativamente abandonado por muito tempo, até que entre 60 e 70 passou a ser habitado por famílias de baixa renda.
E esse foi o lixo a que Vladimir se referia. O prédio virou uma grande favela vertical, tomado pelo tráfico de drogas e prostituição, e eram comuns assassinatos por ali. Toda essa energia pesada levou ao surgimento de várias lendas urbanas, como a loira do corredor ou os diversos espíritos que supostamente vagam no prédio.
Em 1975, o prefeito de São Paulo resolveu salvar o prédio e convocou o exército para retirar os moradores dali. Começou então um processo de restauração e reforma de todos os pavimentos, que tiveram seus sistemas elétrico e hidráulico substituídos. Infelizmente, nada dos móveis da época foi mantido ou resgatado (o que não foi levado pelas famílias, foi destruído por elas).
Desde que foi reinaugurado, no final da década de 70, o prédio deu lugar a várias secretarias da prefeitura, e há o projeto de construir um museu sobre a história do local nos 4 andares superiores onde era a residência de Martinelli. Espero que isso aconteça mesmo, pois é um lugar que tinha tudo pra ser incrível, e sofreu muito as consequências de uma má administração, ao longo do tempo.
Rodamos pela varanda, fotografando o prédio do Banespa, os outros arranha-céus vizinhos e a bela arquitetura do Martinelli. O dia estava realmente muito cinza, trazendo um ar meio sombrio para essa visita. Mas quer saber? Isso sim é que é São Paulo de verdade.
O Edifício Martinelli fica aberto de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30 e das 14h às 16h. Aos sábados, abre das 9h às 15h e, aos domingos, das 9h às 13h.
A entrada é gratuita.
Mais informações: www.prediomartinelli.com.br
O prédio fica próximo ao Metrô São Bento, no centro de São Paulo, mas resolvemos ir de carro mesmo. Tem um estacionamento bem perto, na Rua Líbero Badaró, e chegamos quase no horário de fechar, 13h. Já havia algumas pessoas esperando pra entrar e logo apareceu um negão simpático, que me lembrou muito o Eddie Murphy, falando alto: “só esperar essa escola sair que a gente sobe!”
| Entrada do prédio |
| Banespão ao lado. |
Inicialmente, foi projetado para ter 12 andares, mas foram-se acrescentando novos pisos até que chegou a 26 andares. Como prova de que confiava na estrutura do prédio, Martinelli construiu sua casa na cobertura, com mais 4 andares, chegando assim a 30 e constituindo-se como o prédio mais alto da cidade de São Paulo.
| Bela vista da cidade feia. |
E esse foi o lixo a que Vladimir se referia. O prédio virou uma grande favela vertical, tomado pelo tráfico de drogas e prostituição, e eram comuns assassinatos por ali. Toda essa energia pesada levou ao surgimento de várias lendas urbanas, como a loira do corredor ou os diversos espíritos que supostamente vagam no prédio.
Em 1975, o prefeito de São Paulo resolveu salvar o prédio e convocou o exército para retirar os moradores dali. Começou então um processo de restauração e reforma de todos os pavimentos, que tiveram seus sistemas elétrico e hidráulico substituídos. Infelizmente, nada dos móveis da época foi mantido ou resgatado (o que não foi levado pelas famílias, foi destruído por elas).
Desde que foi reinaugurado, no final da década de 70, o prédio deu lugar a várias secretarias da prefeitura, e há o projeto de construir um museu sobre a história do local nos 4 andares superiores onde era a residência de Martinelli. Espero que isso aconteça mesmo, pois é um lugar que tinha tudo pra ser incrível, e sofreu muito as consequências de uma má administração, ao longo do tempo.
| Prédio do Banco do Brasil. |
O Edifício Martinelli fica aberto de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30 e das 14h às 16h. Aos sábados, abre das 9h às 15h e, aos domingos, das 9h às 13h.
A entrada é gratuita.
Mais informações: www.prediomartinelli.com.br
sexta-feira, março 14, 2014
#17: Mudar o visual com um visagista
Quem me conhece sabe que já tive cabelo de tudo quanto é tipo. Ele já teve todos os comprimentos, já foi vermelho e até laranja-mexerica!
A verdade é que depois de ter o cabelo “Joãozinho” aos 16 anos (idade em que costumamos ser bastante inseguros), acho que nunca mais tive medo de mudar o visual. Afinal, cabelo cresce! Mesmo assim, já fazia uns bons anos que vinha cultivando um cabelão.
Foi quando, em busca das novas experiências, resolvi cortar o cabelo num visagista.
A ideia do visagismo é mostrar, através dos cabelos, quem a pessoa realmente é. É cortar, pintar e pentear de forma a revelar a identidade e as qualidades de cada um. Muito além do cabelo “igual ao da moça da novela”, o visagista busca entender quem você é e analisar seu formato de rosto antes de picotar a cabeleira.
O local escolhido foi a Cabelaria, que além de ter sido super bem indicada, fica perto do meu trabalho. Marquei horário com o André, sócio do salão e profissional bastante reconhecido no visagismo. Fui pra lá disposta a fazer o que quer que ele me recomendasse…
E foram pelo menos uns trinta minutos de conversa antes das primeiras tesouradas.
Primeiro, ele analisou o formato do meu rosto e me descreveu tão bem quanto um psicólogo que me conhecesse há anos. Falou do quanto eu sou intensa em tudo o que faço, de quanto gosto sempre de estar no controle das situações, e concluiu que uma pessoa forte assim só poderia estar se escondendo por trás daquele cabelo todo. Por que se esconder?
Perguntou do meu trabalho, da imagem que eu queria passar para as pessoas, do meu momento de vida. Disse que o cabelo comprido é romântico, mas que era possível um corte que fosse romântico e moderno ao mesmo tempo. Que eu, em busca das minhas 30 experiências, estava na verdade em busca de me conhecer melhor, e que nada melhor do que um novo cabelo pra revelar quem sou eu neste novo momento.
E eu me senti tão bem com o clima e a conversa que aceitei a proposta de cortar radicalmente. Ele cortou a seco, sem que eu tivesse muita ideia de como iria ficar, e quando lavei pude ver a quantidade de cabelo no chão. “Aqui é satisfação garantida ou seu cabelo de volta”, brincou.
Cortou um pouco mais o cabelo molhado, e eu comecei a ver o tamanho da mudança (e adorando). Ele foi me ensinando a cuidar e ajeitar esse novo cabelo. E como é mais prático com tantos centímetros a menos!
De repente, começa a tocar Nina Simone:
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good
Fiquei pensando que era a trilha sonora perfeita, e pensei em pedir licença pra incluir “It’s a new hair”…
And I’m feeling good :)
Pra conhecer a Cabelaria: http://cabelaria.com.br/
A verdade é que depois de ter o cabelo “Joãozinho” aos 16 anos (idade em que costumamos ser bastante inseguros), acho que nunca mais tive medo de mudar o visual. Afinal, cabelo cresce! Mesmo assim, já fazia uns bons anos que vinha cultivando um cabelão.
Foi quando, em busca das novas experiências, resolvi cortar o cabelo num visagista.
A ideia do visagismo é mostrar, através dos cabelos, quem a pessoa realmente é. É cortar, pintar e pentear de forma a revelar a identidade e as qualidades de cada um. Muito além do cabelo “igual ao da moça da novela”, o visagista busca entender quem você é e analisar seu formato de rosto antes de picotar a cabeleira.
O local escolhido foi a Cabelaria, que além de ter sido super bem indicada, fica perto do meu trabalho. Marquei horário com o André, sócio do salão e profissional bastante reconhecido no visagismo. Fui pra lá disposta a fazer o que quer que ele me recomendasse…
E foram pelo menos uns trinta minutos de conversa antes das primeiras tesouradas.
Primeiro, ele analisou o formato do meu rosto e me descreveu tão bem quanto um psicólogo que me conhecesse há anos. Falou do quanto eu sou intensa em tudo o que faço, de quanto gosto sempre de estar no controle das situações, e concluiu que uma pessoa forte assim só poderia estar se escondendo por trás daquele cabelo todo. Por que se esconder?
Perguntou do meu trabalho, da imagem que eu queria passar para as pessoas, do meu momento de vida. Disse que o cabelo comprido é romântico, mas que era possível um corte que fosse romântico e moderno ao mesmo tempo. Que eu, em busca das minhas 30 experiências, estava na verdade em busca de me conhecer melhor, e que nada melhor do que um novo cabelo pra revelar quem sou eu neste novo momento.
E eu me senti tão bem com o clima e a conversa que aceitei a proposta de cortar radicalmente. Ele cortou a seco, sem que eu tivesse muita ideia de como iria ficar, e quando lavei pude ver a quantidade de cabelo no chão. “Aqui é satisfação garantida ou seu cabelo de volta”, brincou.
Cortou um pouco mais o cabelo molhado, e eu comecei a ver o tamanho da mudança (e adorando). Ele foi me ensinando a cuidar e ajeitar esse novo cabelo. E como é mais prático com tantos centímetros a menos!
De repente, começa a tocar Nina Simone:
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good
Fiquei pensando que era a trilha sonora perfeita, e pensei em pedir licença pra incluir “It’s a new hair”…
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domingo, setembro 29, 2013
#4: Catavento Cultural
Sou da opinião de que, depois de grande, a gente deve voltar em todos os museus que costumávamos ir quando crianças. Porque, vamos combinar: excursão de escola era sinônimo de bagunça no ônibus, comer salgadinho e tomar refrigerante, paquerar aquele menininho em quem já estávamos de olho faz tempo…
Pouco se lembra do que era ensinado nestes lugares. Então, depois de adultos, podemos aproveitar os museus de forma muito mais consciente.
Quando o Catavento Cultural foi inaugurado, no antigo Palácio das Indústrias - que depois se tornou sede da Prefeitura de São Paulo -, eu já tinha 20 anos. Logo, não cheguei a ir com o colégio. Mesmo assim, sempre ouvi falar e tive vontade de conhecer, não só pela arquitetura (que via de longe e achava linda), mas também porque me diziam que lá se podia encostar naqueles globos eletromagnéticos que fazem o cabelo arrepiar.
De perto, a construção é ainda mais bonita. Com o tempo cinza de hoje e as árvores florindo a primavera, a paisagem estava maravilhosa. Me senti mesmo em um daqueles passeios que a gente faz na Europa, em que veste os casacões e se deslumbra com a beleza dos casarões antigos. Ao redor do palácio, encontram-se trenzinhos, canhões e até um avião da década de 40, além de instalações bastante divertidas.
Paga-se R$ 6,00 pela entrada e dá pra passar o dia todo por lá. Para algumas atividades (como a parede de escalada, o laboratório de ciências e o estúdio de TV), é necessário retirar ficha com antecedência e agendar seu horário.
O Catavento é dividido em 4 áreas principais:
Universo - em que se pode conhecer mais sobre o nosso sistema solar, tocar um meteorito de verdade e entender um pouco mais sobre como o nosso planeta funciona;
Vida - com inúmeros espaços e diferentes informações não só sobre a flora e a fauna, mas também sobre o funcionamento do nosso corpo;
Engenho - "é onde ficam os físicos loucos", segundo o rapaz da recepção. Aqui fica a sala das ilusões (super bacana) e diversas instalações que demonstram na prática tudo o que aprendíamos nas aulas de física;
Sociedade - onde fica o laboratório de química e a instalação "nanoaventura", que explora a nanotecnologia em diferentes formas, além da área "Jogos do Poder", com uma parede de escalada em que se encontra informações sobre grandes personalidades da história à medida em que se sobe.
A experiência poderia, sim, ter sido melhor. Infelizmente, quando estávamos bem no meio da nanoaventura, a luz acabou. Segundo os monitores, isso tem acontecido com certa frequência, já que a Eletropaulo está fazendo obras na região. Algumas semanas atrás, dei com a cara na porta neste mesmo Catavento por conta destas obras. =(
A luz demorou a voltar e, com isso, perdemos também o horário da escalada, agendada para as 15h. Tinha ficado faltando somente o globo eletromagnético (aquele, que arrepia os cabelos), mas estava fechado por conta da umidade relativa do ar.
Por fim, valeu sim como experiência. A construção é incrível, o espaço é enorme e muito completo no que diz respeito aos estudos das ciências, e os temas são todos muito interessantes. Se você tem filhos ou sobrinhos e ainda não conhece, realmente vale a pena. E se você, como eu, é daquelas crianças que insistem em não crescer, também vai se divertir muito.
O melhor de tudo é sentir que estamos aproveitando o que São Paulo tem de melhor: o acesso ao conhecimento de forma interessante e, principalmente, acessível.
Mais informações: http://www.cataventocultural.org.br/
Pouco se lembra do que era ensinado nestes lugares. Então, depois de adultos, podemos aproveitar os museus de forma muito mais consciente.
Quando o Catavento Cultural foi inaugurado, no antigo Palácio das Indústrias - que depois se tornou sede da Prefeitura de São Paulo -, eu já tinha 20 anos. Logo, não cheguei a ir com o colégio. Mesmo assim, sempre ouvi falar e tive vontade de conhecer, não só pela arquitetura (que via de longe e achava linda), mas também porque me diziam que lá se podia encostar naqueles globos eletromagnéticos que fazem o cabelo arrepiar.
| Jardim interno do palácio. |
Paga-se R$ 6,00 pela entrada e dá pra passar o dia todo por lá. Para algumas atividades (como a parede de escalada, o laboratório de ciências e o estúdio de TV), é necessário retirar ficha com antecedência e agendar seu horário.
O Catavento é dividido em 4 áreas principais:
Universo - em que se pode conhecer mais sobre o nosso sistema solar, tocar um meteorito de verdade e entender um pouco mais sobre como o nosso planeta funciona;
| Bóra pra lua: lá eu só peso 10,56kg |
Engenho - "é onde ficam os físicos loucos", segundo o rapaz da recepção. Aqui fica a sala das ilusões (super bacana) e diversas instalações que demonstram na prática tudo o que aprendíamos nas aulas de física;
Sociedade - onde fica o laboratório de química e a instalação "nanoaventura", que explora a nanotecnologia em diferentes formas, além da área "Jogos do Poder", com uma parede de escalada em que se encontra informações sobre grandes personalidades da história à medida em que se sobe.
| Lustre lindo no meio da área "Jogos do Poder" |
A experiência poderia, sim, ter sido melhor. Infelizmente, quando estávamos bem no meio da nanoaventura, a luz acabou. Segundo os monitores, isso tem acontecido com certa frequência, já que a Eletropaulo está fazendo obras na região. Algumas semanas atrás, dei com a cara na porta neste mesmo Catavento por conta destas obras. =(
A luz demorou a voltar e, com isso, perdemos também o horário da escalada, agendada para as 15h. Tinha ficado faltando somente o globo eletromagnético (aquele, que arrepia os cabelos), mas estava fechado por conta da umidade relativa do ar.
Por fim, valeu sim como experiência. A construção é incrível, o espaço é enorme e muito completo no que diz respeito aos estudos das ciências, e os temas são todos muito interessantes. Se você tem filhos ou sobrinhos e ainda não conhece, realmente vale a pena. E se você, como eu, é daquelas crianças que insistem em não crescer, também vai se divertir muito.
O melhor de tudo é sentir que estamos aproveitando o que São Paulo tem de melhor: o acesso ao conhecimento de forma interessante e, principalmente, acessível.
Mais informações: http://www.cataventocultural.org.br/
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quinta-feira, agosto 22, 2013
#2: Aula de Zouk
Todas as quintas-feiras, a partir das 20h30, há aulas de Zouk no Carioca Club, em Pinheiros, São Paulo. Duas amigas fazem aula lá e sempre me convidam. Eu, por preguiça ou vergonha, nunca aceitei. Afinal de contas, nunca fui lá uma grande dançarina.
Massss, como a ideia agora é se abrir para as oportunidades, resolvi topar e, nesta última quinta, participei de uma aula experimental.
As aulas se dividem em básico e avançado e são coordenadas por Philip Miha - uma das maiores referências em Zouk no Brasil. Ele tem uma didática incrível e, entre outras coisas, orientou que eu me concentrasse ao máximo para coordenar corpo e mente ao mesmo tempo, enquanto jogava os quadris de um lado pro outro no aquecimento.
Começa-se com exercícios feitos individualmente, sempre marcando o ritmo de três tempos. Aos poucos, ele vai soltando a música e é impossível não se envolver… então começa-se a dançar aos pares e eles contam com uma equipe de ajudantes que, além de dançar muito, são orientados a deixar os alunos bem à vontade.
A aula é deliciosa e nem se vê o tempo passar. Os básicos começam às 20h30 e os avançados às 21h30, e vale a pena ficar pra assistir à aula dos mais experientes, até pra se inspirar e ver aonde se pode chegar. São muitos giros, jogadas rápidas de cabelo e muita sensualidade.
Ao final das aulas, sempre acontece uma balada, em que se pode praticar tudo o que se aprendeu. O curso custa R$ 100 ao mês e já inclui as baladas de todas as quintas. Mais do que justo!
O Carioca Club fica na Rua Cardeal Arcoverde, 2899.
Massss, como a ideia agora é se abrir para as oportunidades, resolvi topar e, nesta última quinta, participei de uma aula experimental.
As aulas se dividem em básico e avançado e são coordenadas por Philip Miha - uma das maiores referências em Zouk no Brasil. Ele tem uma didática incrível e, entre outras coisas, orientou que eu me concentrasse ao máximo para coordenar corpo e mente ao mesmo tempo, enquanto jogava os quadris de um lado pro outro no aquecimento.
Começa-se com exercícios feitos individualmente, sempre marcando o ritmo de três tempos. Aos poucos, ele vai soltando a música e é impossível não se envolver… então começa-se a dançar aos pares e eles contam com uma equipe de ajudantes que, além de dançar muito, são orientados a deixar os alunos bem à vontade.
A aula é deliciosa e nem se vê o tempo passar. Os básicos começam às 20h30 e os avançados às 21h30, e vale a pena ficar pra assistir à aula dos mais experientes, até pra se inspirar e ver aonde se pode chegar. São muitos giros, jogadas rápidas de cabelo e muita sensualidade.
Ao final das aulas, sempre acontece uma balada, em que se pode praticar tudo o que se aprendeu. O curso custa R$ 100 ao mês e já inclui as baladas de todas as quintas. Mais do que justo!
O Carioca Club fica na Rua Cardeal Arcoverde, 2899.
| E essa sou eu, tentando dançar alguma coisa :) |
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domingo, agosto 11, 2013
Experiência #1: Solo Sagrado de Guarapiranga - 11 de agosto
Parelheiros, São Paulo. Bairro do extremo sul da cidade em que podem ser encontrados lugares incríveis, como a aldeia guarani Krukutu, à qual se chega de balsa, e também o Solo Sagrado de Guarapiranga, tempo messiânico às beiras da represa.
Pois foi no Solo Sagrado que resolvi viver a primeira das 30 experiências antes dos 30. Cedinho, sol e céu ainda azul, partimos - eu e minha irmã e fiel companheira - por mais de 1 hora até chegar à estradinha que leva ao local. Muito verde, os raios de sol atravessando as copas das árvores… Já dava pra sentir dali que a atmosfera era de muita paz.
Ao chegar, a sensação era a de que estávamos em algum plano espiritual onde todas as pessoas eram boas e amáveis. Tudo muito bonito, arborizado, voluntários trabalhando na remoção das folhas que caíam das árvores, na recepção das pessoas, nas visitas guiadas… era um domingo de manhã, e todos trabalhavam com muita alegria e boa vontade.
Passa-se, primeiro, pela praça do amor, e segue-se por um caminho em que, depois de poucos metros, é possível avistar o enorme templo. Mais alguns passos, e você consegue sentir a real beleza deste lugar: de um lado, a enorme represa de Guarapiranga; de outro, o templo, ladeado por árvores e alamedas de flores muito coloridas e bem cuidadas.
Inaugurado em 1995, o lugar foi criado com o objetivo de ser "o protótipo do paraíso na terra", e pensado para ser um lugar de meditação e contato com a natureza. Além do templo, há também diversas praças e espaço para eventos, além de alojamentos e um restaurante. São quase 330 mil metros quadrados de muita harmonia e paz.
Sentamos sob aquele solzinho gostoso em um dos bancos de madeira do templo - que considera o céu seu teto e as árvores suas paredes, por isso é todo aberto - e, de mãos dadas, fizemos uma oração. Pedimos muita força para nossa família, muita luz para nossos parentes queridos que enfrentam momentos difíceis, e também agradecemos muito por tudo.
É realmente incrível a energia positiva deste lugar. Ao longo da oração, as emoções surgiram forte e naturalmente, a brisa levinha ajudava a secar as lágrimas enquanto o sol parecia ganhar mais força a cada vez que nos abraçávamos.
E o momento mais lindo ainda estava por vir. Neste lugar, há um setor de atendimento em que é aplicado o Johrei - joh = purificação; rei = espírito -, espécie de "passe" (canalização energética) que tem o objetivo de trazer de volta a harmonia espiritual.
Senta-se de frente ao messiânico e ele começa a aplicar o Johrei frontal. De olhos fechados, comecei a sentir uma paz deliciosa, até que ele me pediu pra virar, e então receberia o passe na parte de trás.
Não sei dizer o que aconteceu ao certo, porque entrei num certo transe em que me senti adormecida. Só sei que, involuntariamente, meu corpo e minha cabeça começaram a pesar pra trás, e mesmo que lá no fundo eu tentasse me colocar reta novamente, não conseguia. Parecia que meu corpo acompanhava o movimento das mãos do messiânico (ainda que eu não pudesse vê-las).
De repente, fui invadida por uma luz branca, linda, e senti que ela vinha do lado esquerdo. As lágrimas brotavam pela beleza de tudo aquilo que estava acontecendo. Alguns minutos, e passei a ser invadida por uma luz cor-de-rosa muito forte, que vinha do lado direito. Não me lembro de já ter recebido uma luz tão forte assim, muito menos colorida.
Saí do lugar absurdamente mais leve e serena, emocionada, renovada, feliz. A paz me acompanhou durante todo o dia, e espero que ela siga me acompanhando por muito tempo ainda.
Uma das propostas deste desafio é me "obrigar" a fazer coisas que sempre quis, mas arrumava desculpas pra não fazer. Conhecer o Solo Sagrado de Guarapiranga certamente é um bom exemplo disso. E como valeu a pena.
Mais informações: www.solosagrado.org.br
Fotos: Fernanda Baldin
Pois foi no Solo Sagrado que resolvi viver a primeira das 30 experiências antes dos 30. Cedinho, sol e céu ainda azul, partimos - eu e minha irmã e fiel companheira - por mais de 1 hora até chegar à estradinha que leva ao local. Muito verde, os raios de sol atravessando as copas das árvores… Já dava pra sentir dali que a atmosfera era de muita paz.
Ao chegar, a sensação era a de que estávamos em algum plano espiritual onde todas as pessoas eram boas e amáveis. Tudo muito bonito, arborizado, voluntários trabalhando na remoção das folhas que caíam das árvores, na recepção das pessoas, nas visitas guiadas… era um domingo de manhã, e todos trabalhavam com muita alegria e boa vontade.
Passa-se, primeiro, pela praça do amor, e segue-se por um caminho em que, depois de poucos metros, é possível avistar o enorme templo. Mais alguns passos, e você consegue sentir a real beleza deste lugar: de um lado, a enorme represa de Guarapiranga; de outro, o templo, ladeado por árvores e alamedas de flores muito coloridas e bem cuidadas.
Sentamos sob aquele solzinho gostoso em um dos bancos de madeira do templo - que considera o céu seu teto e as árvores suas paredes, por isso é todo aberto - e, de mãos dadas, fizemos uma oração. Pedimos muita força para nossa família, muita luz para nossos parentes queridos que enfrentam momentos difíceis, e também agradecemos muito por tudo.
É realmente incrível a energia positiva deste lugar. Ao longo da oração, as emoções surgiram forte e naturalmente, a brisa levinha ajudava a secar as lágrimas enquanto o sol parecia ganhar mais força a cada vez que nos abraçávamos.
E o momento mais lindo ainda estava por vir. Neste lugar, há um setor de atendimento em que é aplicado o Johrei - joh = purificação; rei = espírito -, espécie de "passe" (canalização energética) que tem o objetivo de trazer de volta a harmonia espiritual.
Senta-se de frente ao messiânico e ele começa a aplicar o Johrei frontal. De olhos fechados, comecei a sentir uma paz deliciosa, até que ele me pediu pra virar, e então receberia o passe na parte de trás.
Não sei dizer o que aconteceu ao certo, porque entrei num certo transe em que me senti adormecida. Só sei que, involuntariamente, meu corpo e minha cabeça começaram a pesar pra trás, e mesmo que lá no fundo eu tentasse me colocar reta novamente, não conseguia. Parecia que meu corpo acompanhava o movimento das mãos do messiânico (ainda que eu não pudesse vê-las).
De repente, fui invadida por uma luz branca, linda, e senti que ela vinha do lado esquerdo. As lágrimas brotavam pela beleza de tudo aquilo que estava acontecendo. Alguns minutos, e passei a ser invadida por uma luz cor-de-rosa muito forte, que vinha do lado direito. Não me lembro de já ter recebido uma luz tão forte assim, muito menos colorida.
Saí do lugar absurdamente mais leve e serena, emocionada, renovada, feliz. A paz me acompanhou durante todo o dia, e espero que ela siga me acompanhando por muito tempo ainda.
Uma das propostas deste desafio é me "obrigar" a fazer coisas que sempre quis, mas arrumava desculpas pra não fazer. Conhecer o Solo Sagrado de Guarapiranga certamente é um bom exemplo disso. E como valeu a pena.
Mais informações: www.solosagrado.org.br
Fotos: Fernanda Baldin
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terça-feira, agosto 23, 2011
Ação!
Poucas coisas me estimulam tanto quanto a sede por conhecimentos novos. Desde pequena, sempre fui muito curiosa - em vez de brincar com as bonecas, arrancava seus braços e pernas para saber como eram feitas, e intrigava meus pais, tirando as teclas do controle remoto e da calculadora pra olhar ali dentro e saber como era - e vira-e-mexe era surpreendida num cantinho, lendo algum livro, com 6 anos de idade.
Essa busca me levou a uma série de atitudes ao longo da vida. Uma delas foi estudar jornalismo, onde eu aprendi a questionar ainda mais as coisas, e mais do que isso: aprendi a formular as perguntas certas para descobrir o que eu queria saber. O jornalismo me tornou uma pessoa ainda mais curiosa e sedenta por informações sobre os mais variados temas. Informações e experiências novas, que me mantiveram viva e ativa durante durante esta fase.
A curiosidade, aliada à busca por estas novas experiências, também foi o que me fez deixar a Neotix, cerca de 2 meses atrás, e 5 anos depois de ter começado a caminhada junto aos meninos. Hoje temos quilômetros de histórias pra contar, os quais eu guardo com carinho em um capítulo muito importante da minha vida.
Em junho de 2011, comecei uma nova experiência junto à Energy - Y&R. Estava ali o desafio que eu queria: o de estar em uma agência grande, com estrutura de empresa e flexibilidade (leia-se: entrar não muito tarde e sair muito muito tarde) de agência. Foi novidade atrás de novidade desde este turbulento começo. Sim, turbulento porque eu acabava de deixar a zona máxima de conforto para entrar num mundo totalmente novo, com novos colegas, clientes e projetos. No início, mal sabia o nome e as funções das pessoas, e aos poucos fui identificando os papéis e perfis dali.
Neste final de semana, pela primeira vez, acompanhei as filmagens de uma campanha que estou fazendo. Mesmo com o frio que estava e a chuva que insistia em cair, acompanhamos as gravações no sábado, domingo e segunda-feira. Fiquei maravilhada de verdade com o trabalho da produtora, com a quantidade de profissionais envolvidos em uma produção relativamente simples como essa, e o mais incrível - como as coisas funcionam bem! É engraçado pensar que tanta gente pode se entender tão bem: basta que cada um saiba o seu papel e o execute corretamente. Não tem segredo.
Eu não tinha a obrigação profissional de acompanhar as filmagens. Claro, era de bom tom que eu desse pelo menos uma olhada em como estavam indo as coisas. Mas fiz questão de estar presente todos os dias. Cada grito de "Ação!" ou "Corta!" do diretor me traziam pra um mundo totalmente novo até então. A sensação de gravar no meio da 23 de Maio, bem em frente ao Obelisco, ou ainda de encher a Hot Hot com equipamentos e criar um restaurante lindo lá dentro, me trouxeram um vigor diferente.
Uma sensação nova, a percepção de que o mundo lá fora é tão grande, cheio de possibilidades e pessoas interessantes, e que às vezes a gente fica fechado numa bolha sem nem imaginar que certas coisas são possíveis. É preciso se mexer um pouco nesta busca por novidades, experiências, e consequentemente, crescimento.
AÇÃO!
Essa busca me levou a uma série de atitudes ao longo da vida. Uma delas foi estudar jornalismo, onde eu aprendi a questionar ainda mais as coisas, e mais do que isso: aprendi a formular as perguntas certas para descobrir o que eu queria saber. O jornalismo me tornou uma pessoa ainda mais curiosa e sedenta por informações sobre os mais variados temas. Informações e experiências novas, que me mantiveram viva e ativa durante durante esta fase.
A curiosidade, aliada à busca por estas novas experiências, também foi o que me fez deixar a Neotix, cerca de 2 meses atrás, e 5 anos depois de ter começado a caminhada junto aos meninos. Hoje temos quilômetros de histórias pra contar, os quais eu guardo com carinho em um capítulo muito importante da minha vida.
Em junho de 2011, comecei uma nova experiência junto à Energy - Y&R. Estava ali o desafio que eu queria: o de estar em uma agência grande, com estrutura de empresa e flexibilidade (leia-se: entrar não muito tarde e sair muito muito tarde) de agência. Foi novidade atrás de novidade desde este turbulento começo. Sim, turbulento porque eu acabava de deixar a zona máxima de conforto para entrar num mundo totalmente novo, com novos colegas, clientes e projetos. No início, mal sabia o nome e as funções das pessoas, e aos poucos fui identificando os papéis e perfis dali.
Neste final de semana, pela primeira vez, acompanhei as filmagens de uma campanha que estou fazendo. Mesmo com o frio que estava e a chuva que insistia em cair, acompanhamos as gravações no sábado, domingo e segunda-feira. Fiquei maravilhada de verdade com o trabalho da produtora, com a quantidade de profissionais envolvidos em uma produção relativamente simples como essa, e o mais incrível - como as coisas funcionam bem! É engraçado pensar que tanta gente pode se entender tão bem: basta que cada um saiba o seu papel e o execute corretamente. Não tem segredo.
Eu não tinha a obrigação profissional de acompanhar as filmagens. Claro, era de bom tom que eu desse pelo menos uma olhada em como estavam indo as coisas. Mas fiz questão de estar presente todos os dias. Cada grito de "Ação!" ou "Corta!" do diretor me traziam pra um mundo totalmente novo até então. A sensação de gravar no meio da 23 de Maio, bem em frente ao Obelisco, ou ainda de encher a Hot Hot com equipamentos e criar um restaurante lindo lá dentro, me trouxeram um vigor diferente.
Uma sensação nova, a percepção de que o mundo lá fora é tão grande, cheio de possibilidades e pessoas interessantes, e que às vezes a gente fica fechado numa bolha sem nem imaginar que certas coisas são possíveis. É preciso se mexer um pouco nesta busca por novidades, experiências, e consequentemente, crescimento.
AÇÃO!
segunda-feira, agosto 15, 2011
Às margens do Ipiranga
Sábado foi dia de levar meu carro para colocar acessórios. Sim, ele tem um ano e eu ainda tinha que abrir os vidros na “manivela” (o do banco do passageiro então, era aquela manobra) e conferir todos os dias se as quatro portas estavam fechadas, além de não ter alarme, o que não impede nada hoje em dia, mas pelo menos ajuda a dificultar o roubo.
Mas não é sobre isso que eu quero falar. Acontece que o fato de eu ter ficado sem carro durante um dia todo praticamente me obrigou a andar a pé pelo bairro do Ipiranga, onde fica não só a oficina, mas também alguns dos lugares mais interessantes da cidade. Sem que eu soubesse disso!
Logo ao lado da oficina, na Av. Nazaré, me deparei com um globo grande e prateado. Mostrava a posição do sol em relação à Terra e eu, curiosa que sou, fiquei lendo as explicações daquele globo até que, de repente, resolvi olhar pra dentro do local e avistei um grande esqueleto de dinossauro. Sim, isso mesmo! Sem saber, estava em frente ao Museu de Zoologia da USP, um casarão lindo e superinteressante que abriga milhares de exemplares de animais. Na entrada, fósseis e explicações sobre como eles se formam. Em seguida, diversos animais empalhados, aves, mamíferos e insetos. Me senti no filme “Uma noite no museu”, afinal era pouco mais de 8h da manhã e eu estava sozinha no local. Apesar de receber excursões de escolas todos os dias, era cedo demais e elas ainda não haviam chegado.
Quase duas horas de passeio pelos mais variados itens da nossa fauna, uma verdadeira viagem por todos os continentes, segui o passeio. Esqueci de comentar que, ao comprar o ingresso para o Museu de Zoologia (a inteira custa R$ 6,00), você ganha uma entrada para o Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga, e vice-versa. Logo, eu tinha agora um ingresso para conhecer um pouco mais sobre a história da nossa cidade neste outro museu.
Descendo um pouco pela própria Avenida Nazaré, chega-se ao Parque da Independência, onde fica o famoso Monumento ao Centenário da Independência, de 1922. O parque é maravilhoso, e mais ainda é o Museu Paulista, que fica bem no alto. Lá, podemos encontrar muito da história do Brasil e principalmente de São Paulo, uma linha do tempo que começa com os Bandeirantes e a formação da Vila de São Vicente, passando pela transformação dos serviços públicos e ofícios na cidade até os principais itens do cotidiano doméstico dos paulistanos no século XIX, como os utensílios para banho e até a curiosa escarradeira, usada nas casas das pessoas mais ricas para que os convidados pudessem – isso mesmo! – retirar o excesso de saliva e catarro do organismo.
Eu havia me esquecido do quanto gostava de história. Viajei pelos quadros, objetos, bustos de ex-presidentes e anúncios de lojas divulgando serviços e produtos que hoje não se vê mais. Bateu uma esperança gostosa ao ver algumas crianças realmente interessadas no que estava sendo mostrado ali, anotando em seus caderninhos para o trabalho de escola e discutindo entre si sobre como devia ser aquela época. Dava pra sentir a energia daquelas coisas antigas, que fazem a gente imaginar tudo o que já se passou nesse mundo antes de a gente existir.
Era hora de pegar o carrinho de volta. Voltei à loja e, para meu espanto, ainda levaria cerca de 2 horas a mais para ficar pronto. Isso me obrigou a seguir o passeio pelo bairro...
Vários quarteirões depois (debaixo do sol quente do meio-dia), me deparo com o Aquário de São Paulo. É simplesmente o maior aquário da América Latina, com cerca de 3 mil espécies de animais. Lá, encontra-se não só peixes, mas também cobras, jacarés, aves e até macacos! Alguns tanques são realmente grandes – como o do lobo marinho e do peixe-boi gigantesco que mora lá – e as crianças ficam absolutamente hipnotizadas com a performance dos animais, principalmente o tanque dos tubarões e raias. Curiosamente, lá também se encontram morcegos gigantes, pinguins, e até lontras, que oferecem um espetáculo de acrobacias.
Muitas horas de passeio depois, com as pernas já dormentes, retorno ao ponto inicial, tendo conhecido alguns dos principais pontos turísticos da cidade, praticamente sem querer. Um passeio incrível, sempre tão ao meu alcance e que nunca havia reservado um tempo para ir.
_______________________
Serviço
Museu de Zoologia da USP
Avenida Nazaré, 481 – Ipiranga
Ingressos: R$ 6,00
(11) 2065-8100
Museu Paulista
Parque da Independência, s/n – Ipiranga
Ingressos: R$ 6,00
(11) 6165-8000
Aquário de São Paulo
R. Huet Bacelar, 407 – Ipiranga
Ingressos: R$ 30,00 (adultos)
(11) 2273-5500
terça-feira, maio 31, 2011
Toque-me, sou teu
Dica: Ligue o som para uma melhor ambientação.
Era uma manhã ensolarada de sábado. Sozinha, estava a caminho da Rua José Paulino - paraíso de mulheres em busca de roupas bonitas e baratas - e, obviamente, de metrô. O trajeto incluía sair da Estação Conceição, cruzar as linhas verde e vermelha e chegar até a Estação da Luz.
Recém-chegada da Europa, tinha trazido o costume de prestar mais atenção à arquitetura dos lugares, principalmente de São Paulo: "também temos igrejas e construções maravilhosas", pensava, conferindo detalhes que até então passavam despercebidos. Por isso, ao chegar à Estação da Luz, fiquei maravilhada com aquela enorme estrutura de ferro, os vitrais, os detalhes no teto e nas paredes, os grandes portões de madeira de onde já se via o belo Parque da Luz...
Foi quando me chamou a atenção um piano, bem no meio do salão central da estação. Ele tinha várias mãozinhas adesivadas e um aviso: "toque-me, sou teu". Fiquei rodeando o piano, meio sem jeito, até que por fim resolvi arriscar um dedilhado. Sentei-me e, puxando do fundo da memória, comecei a tocar a Sinfonia nº 40 de Mozart (essa música que, se você ligou o som do computador e aceitou a dica ali de cima, está tocando agora).
Aos poucos, fui me deixando envolver na melodia, e a música foi fluindo como se adormecesse de uma memória antiga e, agora, ressurgisse com a força e emoção a que lhe eram devidas. Olhava para cima e para os lados, toda aquela arquitetura histórica, aquele marco da cidade de São Paulo, e eu ali, no meio de centenas de pessoas que iam e vinham... Até que um senhor parou para me escutar. "Que bonito, isso, menina", foi a única coisa que ele disse, e se manteve ali, me ouvindo, se deixando levar pelo mesmo som e, quem sabe, pela mesma emoção que me tomava naquele momento.
Queria ter uma câmera naquela hora, ou que um destes "cinegrafistas de celular" tivesse documentado essa passagem. Mas tudo bem, ficou bastante marcado na memória e, principalmente, no coração.
_______________________________________________
O projeto "Toque-me, sou teu" está espalhado por diversos pontos da cidade de São Paulo.
Mais informações: www.pianosderua.com.br
Era uma manhã ensolarada de sábado. Sozinha, estava a caminho da Rua José Paulino - paraíso de mulheres em busca de roupas bonitas e baratas - e, obviamente, de metrô. O trajeto incluía sair da Estação Conceição, cruzar as linhas verde e vermelha e chegar até a Estação da Luz.
Recém-chegada da Europa, tinha trazido o costume de prestar mais atenção à arquitetura dos lugares, principalmente de São Paulo: "também temos igrejas e construções maravilhosas", pensava, conferindo detalhes que até então passavam despercebidos. Por isso, ao chegar à Estação da Luz, fiquei maravilhada com aquela enorme estrutura de ferro, os vitrais, os detalhes no teto e nas paredes, os grandes portões de madeira de onde já se via o belo Parque da Luz...
Foi quando me chamou a atenção um piano, bem no meio do salão central da estação. Ele tinha várias mãozinhas adesivadas e um aviso: "toque-me, sou teu". Fiquei rodeando o piano, meio sem jeito, até que por fim resolvi arriscar um dedilhado. Sentei-me e, puxando do fundo da memória, comecei a tocar a Sinfonia nº 40 de Mozart (essa música que, se você ligou o som do computador e aceitou a dica ali de cima, está tocando agora).
Aos poucos, fui me deixando envolver na melodia, e a música foi fluindo como se adormecesse de uma memória antiga e, agora, ressurgisse com a força e emoção a que lhe eram devidas. Olhava para cima e para os lados, toda aquela arquitetura histórica, aquele marco da cidade de São Paulo, e eu ali, no meio de centenas de pessoas que iam e vinham... Até que um senhor parou para me escutar. "Que bonito, isso, menina", foi a única coisa que ele disse, e se manteve ali, me ouvindo, se deixando levar pelo mesmo som e, quem sabe, pela mesma emoção que me tomava naquele momento.
Queria ter uma câmera naquela hora, ou que um destes "cinegrafistas de celular" tivesse documentado essa passagem. Mas tudo bem, ficou bastante marcado na memória e, principalmente, no coração.
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O projeto "Toque-me, sou teu" está espalhado por diversos pontos da cidade de São Paulo.
Mais informações: www.pianosderua.com.br
domingo, fevereiro 27, 2011
O coração dos aflitos pipoca dentro do peito
A pessoa aqui anda um tanto quanto aflita. Mas, assim, parece que é algo da pessoa que QUER estar aflita, em que as próprias escolhas levam a isso. Parece meio óbvio, mas o fato é que, na grande maioria das vezes, poderíamos reduzir o estresse com o simples fato de nos cobrarmos menos.
Pra quê ir na academia antes da consulta médica antes da reunião de trabalho? E querer aproveitar cada 10 minutos de sobra pra providenciar alguma coisa qualquer, e o pior: ficar absolutamente indignada se as pessoas ao redor não pensam/agem da mesma forma. Como assim?? Você chegou em casa às 20h e não fez NADA? Nem uma compra no mercado, uma faxina, uma lista de "to-do's" para o dia seguinte?
Parece até engraçado… mas que cobrança doentia é essa, gente? E é por essas e outras que buscamos a ajuda da psicóloga: pra ela dar um tapa na cara que fica ardendo horas, às vezes dias, e faz com que a gente repense e mude algumas coisas. Ou pelo menos tente.
A última consulta foi a maior prova disso: cheguei esbaforida, respiração ofegante, porque o metrô estava lotado e eu tive que sair correndo pra não perder o horário e cheguei lá sem comer direito e engoli um copo d'água e outro de café e meu coração estava acelerado e minha vontade era de andar de um lado pro outro e…. EI!
Ela me fez sentar e respirar. "Mas o que você acha que está fazendo, apressada deste jeito?" Parei. Olhei ao meu redor: estávamos sozinhas. Duas poltronas, um pequeno armário com porta-retratos da família, um bebedouro. Só nós duas, uma de frente pra outra. E então, comecei a falar sobre minhas ânsias, essa vontade de sair correndo e abraçar o mundo, de atender a todas as expectativas internas e externas, de aproveitar cada 10 minutos sobrando…
"APROVEITAR? Quem disse que você está aproveitando?" Foi o que bastou para que eu me calasse. Não, eu não estava aproveitando meu tempo livre. E isso foi só o começo: ela também perguntou se eu vinha dormindo bem - cabisbaixa, assumi que não. E então questionou: quer envelhecer antes do tempo? Sem dormir nem comer direito, trabalhando da forma errada e em excesso, fazendo academia mesmo quando o corpo pede arrego… Pera lá! Não é isso que você quer pra sua vida, é? Cabelos brancos e rugas, antes do tempo?
Saí do consultório em direção à estação de metrô. Foram apenas 2 minutos respirando fundo e tentando caminhar, tomando conhecimento do que estava ao meu redor com tranqüilidade. A primeira olhada no relógio, e voltei a correr. Literalmente, corri até a estação, a voz dentro de mim voltava a gritar: "você está atrasada! Corre!"
Foi quando praticamente tropecei em um senhor, que se dirigia ao sentido Jabaquara do metrô. "Desculpa", falei rapidamente me desviando, quando percebi que se tratava de um senhor CEGO! "Ah meu Deus, me desculpe, o senhor está indo para o Jabaquara mesmo?"
E ele estava indo para Corinthians-Itaquera. Ou seja, estava no lugar errado! Naquele momento, atrasada, optei por respirar e ajudar aquele homem. Peguei-o pelo braço, subimos a escada rolante e nos dirigimos ao outro lado da estação, onde estava a saída que ele precisaria pegar.
A sensação de ajudar uma pessoa, naquele momento, encheu meu coração de paz. E eu percebi que estava, esse tempo todo, correndo atrás da felicidade. Mas a pressa era tanta que a felicidade estava correndo atrás de mim, e não me alcançava.
quarta-feira, março 24, 2010
Da série: dê uma carona e aprenda uma lição.
Dona Dalva estava na Av. Jornalista Roberto Marinho e, corajosa, resolveu aceitar minha carona na manhã de hoje até a Av. Santo Amaro. Mora na favela ao lado do córrego, ali do lado, e não tem a menor vergonha de dizer que mora num barraco. “Lá é tão tranqüilo, sabe, filha”, dizia ela, com os cabelos pintados de vermelho e as unhas compridas, bem feitas em marrom-cintilante, calça xadrez bem apertada que em nada combinava com a blusa estampada. Mas é claro que ela não estava se importando com isso.
Nasceu na Paraíba, em uma cidade cujo nome não consegui guardar. Seus pais, “ciganos”, já haviam passado anteriormente por várias cidades do Brasil e, segundo ela, “em cada uma paravam e faziam um filho”. Pois bem, dessa brincadeira vieram 21 filhos do mesmo pai e mesma mãe, “fora os que o pai fez por fora”, contou. Após o nascimento de Dalva, resolveram vir para São Paulo, onde se estabeleceram e vieram a falecer anos depois.
Dalva tem três filhos homens e um neto. Sonhava em ter uma menina, mas não teve esta sorte. Moram todos em barracos num mesmo bloco, mas fez questão de ressaltar que “cada um tem a sua cozinha e seu banheiro”. O neto, de 10 anos, não gosta muito dos pais, pois foi criado por ela. Por isso, prefere morar com a avó no barraco de baixo, enquanto os pais moram no barraco logo em cima. “Tipo sobrado, sabe?”, explicou.
A senhora fez questão de que eu anotasse seu telefone. “Me liga, gostei muito do seu jeito”, falou sorrindo mais de uma vez. Dalva completa 60 anos em 9 de setembro e estava indo até Santo Amaro para pagar uma conta. Não tem mais esperança de arrumar trabalho com esta idade, pois, segundo ela, “não dá mais lucro pra ninguém nessa altura da vida”.
Apesar das dificuldades, ela não perde o bom humor. Adorou a ideia de ir de carro até seu destino, falou alegremente e sem parar durante o trânsito caótico que pegamos ao longo da avenida, e saiu do carro gritando: “tchau, me liga! Carona é tudo de bom!”
Carona é tudo de bom. =)
Nasceu na Paraíba, em uma cidade cujo nome não consegui guardar. Seus pais, “ciganos”, já haviam passado anteriormente por várias cidades do Brasil e, segundo ela, “em cada uma paravam e faziam um filho”. Pois bem, dessa brincadeira vieram 21 filhos do mesmo pai e mesma mãe, “fora os que o pai fez por fora”, contou. Após o nascimento de Dalva, resolveram vir para São Paulo, onde se estabeleceram e vieram a falecer anos depois.
Dalva tem três filhos homens e um neto. Sonhava em ter uma menina, mas não teve esta sorte. Moram todos em barracos num mesmo bloco, mas fez questão de ressaltar que “cada um tem a sua cozinha e seu banheiro”. O neto, de 10 anos, não gosta muito dos pais, pois foi criado por ela. Por isso, prefere morar com a avó no barraco de baixo, enquanto os pais moram no barraco logo em cima. “Tipo sobrado, sabe?”, explicou.
A senhora fez questão de que eu anotasse seu telefone. “Me liga, gostei muito do seu jeito”, falou sorrindo mais de uma vez. Dalva completa 60 anos em 9 de setembro e estava indo até Santo Amaro para pagar uma conta. Não tem mais esperança de arrumar trabalho com esta idade, pois, segundo ela, “não dá mais lucro pra ninguém nessa altura da vida”.
Apesar das dificuldades, ela não perde o bom humor. Adorou a ideia de ir de carro até seu destino, falou alegremente e sem parar durante o trânsito caótico que pegamos ao longo da avenida, e saiu do carro gritando: “tchau, me liga! Carona é tudo de bom!”
Carona é tudo de bom. =)
sexta-feira, outubro 16, 2009
Hoje dei início ao Projeto Carona.
Desde que passei a vir pro trabalho de carro, passo pelos pontos de ônibus lembrando das muitas horas que perdi ali, em pé ou sentada, sujeita à chuva, ao frio, aos perigos dessa cidade (óóóin) e ainda correndo o risco de, ao passar, o veículo estar tão cheio que o motorista nem faz questão de parar, simplesmente vira pro outro lado e finge que não tem ninguém ali.
Ao reparar nos pontos de ônibus, outro dia, pensei: mas que egoísmo, eu sozinha neste carro, podendo levar mais 4 pessoas! E decidi que, quando tivesse coragem, pararia e perguntaria se alguém estaria indo para a região da Berrini. Claro que o medo também era grande, de entrar alguém mal intencionado, de acontecer alguma coisa...
Foi então que hoje cedo, ao passar devagarzinho por um ponto de ônibus, reparei que não tinha nenhuma pessoa com pinta de maldosa. Duas meninas, uma senhora e uma mulher. Encostei: "ALGUÉM VAI PRA BERRINI??" Elas me olharam muito assustadas, como se nunca ninguém tivesse oferecido uma carona a elas (no ponto de ônibus? É bem possível que não mesmo). A mulher, ainda um pouco receosa, disse que estava indo para aquela região sim, e entrou no carro.
Ficou com medo até de dizer seu próprio nome, mas eu compreendi. Ela me contou que nunca tinha visto isso antes na vida, e que eu estava correndo riscos ao fazer isso. Papo vai, papo vem, ela finalmente me contou que seu nome era Elza e que trabalhava bem ali, ao lado da delegacia. Ou seja: no mesmo prédio que eu! Veja só como são as coisas!
Desceu do carro agradecida, ainda sem entender muito bem o que tinha acontecido. Subi de elevador meio extasiada, rindo da loucura e da bondade que, na mesma proporção, tomaram conta de mim nesta manhã.
Ao reparar nos pontos de ônibus, outro dia, pensei: mas que egoísmo, eu sozinha neste carro, podendo levar mais 4 pessoas! E decidi que, quando tivesse coragem, pararia e perguntaria se alguém estaria indo para a região da Berrini. Claro que o medo também era grande, de entrar alguém mal intencionado, de acontecer alguma coisa...
Foi então que hoje cedo, ao passar devagarzinho por um ponto de ônibus, reparei que não tinha nenhuma pessoa com pinta de maldosa. Duas meninas, uma senhora e uma mulher. Encostei: "ALGUÉM VAI PRA BERRINI??" Elas me olharam muito assustadas, como se nunca ninguém tivesse oferecido uma carona a elas (no ponto de ônibus? É bem possível que não mesmo). A mulher, ainda um pouco receosa, disse que estava indo para aquela região sim, e entrou no carro.
Ficou com medo até de dizer seu próprio nome, mas eu compreendi. Ela me contou que nunca tinha visto isso antes na vida, e que eu estava correndo riscos ao fazer isso. Papo vai, papo vem, ela finalmente me contou que seu nome era Elza e que trabalhava bem ali, ao lado da delegacia. Ou seja: no mesmo prédio que eu! Veja só como são as coisas!
Desceu do carro agradecida, ainda sem entender muito bem o que tinha acontecido. Subi de elevador meio extasiada, rindo da loucura e da bondade que, na mesma proporção, tomaram conta de mim nesta manhã.
segunda-feira, junho 08, 2009
Uma tarde no Masp
Vale muito a pena visitar o Masp neste mês de junho. Lá estão acontecendo três exposições, que agradam aos mais diversos gostos culturais.
Em comemoração ao ano da França no Brasil, um dos andares está dedicado à exposição “Arte na França 1860-1960 – O Realismo”. São obras dos mais importantes artistas de todos os tempos, como Renoir (à esquerda, o quadro As Meninas Cahen d'Anvers), Portinari, di Cavalcanti e Tolouse-Lautrec, em sua maioria representando fielmente as formas humanas e alguns animais.
A mostra expõe as diversas vertentes do realismo. Algumas obras chegam a parecer fotos, de tão perfeitas, dando a impressão de que podem se mexer a qualquer momento. É assim inclusive que começa a mostra, com frase de Gustave Courbet a respeito da criação de uma “arte viva”:
“Saber para poder – foi esse meu pensamento. Ser capaz de traduzir os costumes, as idéias, a cara de meu tempo, conforme minha opinião e meu modo de ver; ser não apenas um pintor, mas também um homem, em suma, fazer uma arte viva, este é o meu objetivo.”
Descendo um andar, chega-se à exposição de fotos “Terra em transe”, do artista espanhol Manuel Vilariño. Considerado um mestre da natureza morta, Vilariño compõe suas imagens com
base em animais mortos, velas e frutas, revelando cores e ao mesmo tempo causando certo choque aos visitantes. Ao lado, "Natureza Morta com açafrão", pra que você possa ter uma ideia.
Mas estava no subsolo a exposição mais esperada do dia: VIK, uma seleção de fotografias das obras do artista Vik Muniz. Brasileiro radicado nos Estados Unidos, Vik é conhecido por criar obras a partir dos elementos mais inusitados, como poeira, lixo e chocolate. Além do talento visível na perfeição das obras e da criatividade nos materiais usados, vale ressaltar que todas as obras têm um propósito.
A série “Crianças do Caribe”, por exemplo, foi feita depois de uma viagem ao local, em que Vik conheceu um grupo de crianças de rua extremamente doces e amigáveis. O artista resolveu homenageá-las com seus retratos expostos em açúcar num fundo preto.
Outra série interessante é composta por divas e monstros. Um colecionador de suas obras, que fabricava diamantes, resolveu emprestá-los para Vik. Ele, então, produziu as imagens de várias divas, como Elizabeth Taylor (à esquerda) e Bette Davis. Em contrapartida, resolveu retratar monstros clássicos do cinema usando caviar, uma forma de simbolizar a pouca durabilidade dos monstros nos filmes.
Serviço
MASP: Av. Paulista, nº 1.578 - Cerqueira César
Tel.: (11) 3251-5644
De 24 de abril a 12 de julho
Terças, quartas, sextas, sábados e domingos, das 11h às 18h
Quintas, das 11h às 20h
Entrada: R$ 15,00 (meia-entrada R$ 7)
Grátis às terças-feiras!
Mais em: http://www.vikmuniz.net/
Em comemoração ao ano da França no Brasil, um dos andares está dedicado à exposição “Arte na França 1860-1960 – O Realismo”. São obras dos mais importantes artistas de todos os tempos, como Renoir (à esquerda, o quadro As Meninas Cahen d'Anvers), Portinari, di Cavalcanti e Tolouse-Lautrec, em sua maioria representando fielmente as formas humanas e alguns animais.A mostra expõe as diversas vertentes do realismo. Algumas obras chegam a parecer fotos, de tão perfeitas, dando a impressão de que podem se mexer a qualquer momento. É assim inclusive que começa a mostra, com frase de Gustave Courbet a respeito da criação de uma “arte viva”:
“Saber para poder – foi esse meu pensamento. Ser capaz de traduzir os costumes, as idéias, a cara de meu tempo, conforme minha opinião e meu modo de ver; ser não apenas um pintor, mas também um homem, em suma, fazer uma arte viva, este é o meu objetivo.”
Descendo um andar, chega-se à exposição de fotos “Terra em transe”, do artista espanhol Manuel Vilariño. Considerado um mestre da natureza morta, Vilariño compõe suas imagens com
base em animais mortos, velas e frutas, revelando cores e ao mesmo tempo causando certo choque aos visitantes. Ao lado, "Natureza Morta com açafrão", pra que você possa ter uma ideia.Mas estava no subsolo a exposição mais esperada do dia: VIK, uma seleção de fotografias das obras do artista Vik Muniz. Brasileiro radicado nos Estados Unidos, Vik é conhecido por criar obras a partir dos elementos mais inusitados, como poeira, lixo e chocolate. Além do talento visível na perfeição das obras e da criatividade nos materiais usados, vale ressaltar que todas as obras têm um propósito.
A série “Crianças do Caribe”, por exemplo, foi feita depois de uma viagem ao local, em que Vik conheceu um grupo de crianças de rua extremamente doces e amigáveis. O artista resolveu homenageá-las com seus retratos expostos em açúcar num fundo preto.
Outra série interessante é composta por divas e monstros. Um colecionador de suas obras, que fabricava diamantes, resolveu emprestá-los para Vik. Ele, então, produziu as imagens de várias divas, como Elizabeth Taylor (à esquerda) e Bette Davis. Em contrapartida, resolveu retratar monstros clássicos do cinema usando caviar, uma forma de simbolizar a pouca durabilidade dos monstros nos filmes.Serviço
MASP: Av. Paulista, nº 1.578 - Cerqueira César
Tel.: (11) 3251-5644
De 24 de abril a 12 de julho
Terças, quartas, sextas, sábados e domingos, das 11h às 18h
Quintas, das 11h às 20h
Entrada: R$ 15,00 (meia-entrada R$ 7)
Grátis às terças-feiras!
Mais em: http://www.vikmuniz.net/
sexta-feira, maio 22, 2009
Enogastronomia
Já tinha esquecido o quanto aprecio um bom vinho. Estive ontem na Vinea Store, no Paraíso, para conhecer a famosa noite enogastronômica que a casa promove às terças, quartas e quintas-feiras. A cada mês, são escolhidos chefs para comandar a cozinha do local, enquanto os sommelières indicam os melhores vinhos para acompanhar a refeição.Às quintas, especificamente, é dia de risoto, sempre com um sabor diferente por semana. Ontem foi a vez do risoto de quatro queijos, delicioso, com consistência e sabor incríveis, servido ao lado de um carmenère chileno reserva da In Situ, da safra 2005.
A uva carmenère foi escolhida por não ter muito tanino (aquela sensação de "boca amarrada"), já que nem todos os presentes estavam acostumados a vinhos fortes e encorpados. A bebida estava leve e muito agradável, combinando perfeitamente com a ocasião, e o fato de ser um chileno conferiu ainda mais credibilidade ao rótulo, já que é de lá que vêm os melhores vinhos desta uva.
O lugar é um charme só. Lá funciona a loja, pequena porém aconchegante, e nos fundos há uma área semi-descoberta à meia-luz, com velas sobre as mesas, vasos de flores frescas e uma fonte. Não dá pra não se encantar com toda a atmosfera criada.
Parece até ser um programa caro, mas não é. Pelo risoto, paga-se R$ 15,00, e há vinhos com excelente custo-benefício a partir de R$ 30,00. Um programa diferente, saboroso e mais que adequado aos dias frios que vêm fazendo.
Serviço
Vinea Store
Rua Manoel da Nóbrega, nº 1014 - Paraíso
De segunda a sexta, das 10h às 22h - Sábados, das 10h às 18h
(11) 3059-5205
terça-feira, maio 19, 2009
No chão, sem o chão.
Meu primeiro contato com o músico paulista Rômulo Fróes foi na Ilustrada, há algumas semanas. Ele ganhou uma reportagem de capa falando de seu terceiro CD, duplo, chamado “No chão sem o chão”. O destaque dizia que o álbum estava disponível para download na internet por iniciativa do próprio músico, que alegou querer “espalhar seu som”. Conseguiu, no meu caso.Baixei os CDs a partir do blog indicado na matéria (de quebra, conheci o melhor blog do mundo para quem gosta de música brasileira) e de cara me identifiquei com o som do rapaz de 38 anos que sonha com o dia em que vai se ouvir no rádio. Não é um som facilmente digerível, mas, depois da segunda vez que se escuta o CD, é impossível não se encantar e cantar algumas das poesias densas que ficam na memória.
Não espere muito da voz de Rômulo. É grave, tem um tom bonito, mas não passa muito disso. Prefira se prender às letras dos artistas plásticos Clima e Nuno Ramos, que constroem cenas na nossa cabeça e estimulam o imaginário. Com certeza, é a “cereja do bolo”. Preste atenção também nos solos desconexos e na variedade de instrumentos, que vão da guitarra ao trompete, passando pelo bandolim, piano, contrabaixo e o que mais parecer fazer sentido pra ele.
Na verdade, Rômulo já foi classificado como “sambista” e “indie”, até por conta dessa diversidade. Mas não gosta de nenhum destes rótulos. Nada disso combina com ele, segundo o próprio. Aliás, o que combinou bastante foram algumas participações ilustres, como a de Mariana Aydar em “De Adão para Eva” e do trompetista Bocato, além de Andreia Dias e das pastoras da Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde, no samba "Manda chamar".
Lembrei um pouco do Otto pelo todo (letras bacanas + instrumentação de qualidade + voz fraca + parcerias legais), com a diferença que Rômulo é paulista e carrega consigo a melancolia da metrópole, enquanto o pernambucano representa mais a alegria e a festividade nordestinas.
Ambos são livres para não se prender a estilos; não seguem fórmulas de sucesso em suas músicas; costumam causar bastante estranheza a quem lhes ouve; e...
Têm a mim como fã! :)
Baixe os CDs de Rômulo Fróes e conheça o melhor blog de downloads de música brasileira: http://umquetenha.blogspot.com/2009/03/romulo-froes-no-chao-sem-o-chao-2009.html
Foto: Tatiana Blass
terça-feira, abril 21, 2009
História, interatividade e muita bola na rede
Logo na entrada, um saguão com fotografias e lembranças de colecionadores de todas as torcidas anuncia que a emoção não vai ser pouca. Flâmulas, miniaturas, bandeiras... Tudo é memória na chegada ao Museu do Futebol.
Suba a primeira escada rolante, e você vai se deparar com a imagem do Rei Pelé, em vídeo e tamanho pouco maior que o real, saudando os visitantes em português, inglês e espanhol. Um corredor escuro te levará ao salão dos anjos barrocos, em que grandes ícones do futebol de todos os tempos pairam no ar em projeções e tecidos que rodeiam os visitantes até a chegada da primeira área sobre gols.
De um lado, algumas personalidades como Galvão Bueno e Nelson Motta falam sobre seus gols prediletos, permeados por imagens marcantes; do outro, cabines com estações de rádio permitem que você escolha narrações de gols desde 1900 e as escute bem de perto, como num radinho de pilha, enquanto o que está sendo narrado passa numa tela à sua frente em legendas frenéticas.
Quando você já está achando tudo aquilo uma experiência super divertida, é levado para outra sala escura: a parte de baixo da arquibancada do Pacaembu, com perfis cravados na terra e um clima misterioso. De repente, um jogo de painéis, projeções e caixas de som criam uma sinfonia de gritos de guerra e comemorações de gols de várias torcidas, permitindo que os visitantes se sintam totalmente inseridos naquele ambiente e envolvidos na emoção daqueles apaixonados. É de arrepiar.
A partir daí, começa a parte mais histórica do museu. Quadros com imagens que associam a história do país à chegada do futebol me fizeram lembrar meu avô, que iria adorar tudo aquilo (ainda vou levá-lo). Um corredor mostra grandes heróis de nossa história, das artes à política, passando pela música, arquitetura e, é claro, futebol. Uma verdadeira aula em grandes painéis também com projeções.
Mais um corredor, dessa vez com Arnaldo Antunes narrando a fatídica final da copa de 1950, no Maracanã, em que o Brasil perdeu para o Uruguai por 2 a 1. Uma narração sofrida, acompanhada pelas batidas aflitas de um coração brasileiro. Este é o chamado “Rito de passagem”, que leva os visitantes à super colorida Sala das Copas. São vários totens, representando diversas copas e seus respectivos momentos históricos, políticos, econômicos e artísticos. Dá pra passar horas só olhando as fotos e assistindo aos vídeos.
Após uma breve passagem por dois monumentos, que homenageiam as histórias de Pelé e Garrincha, chega-se ao grande almanaque interativo do futebol. Tudo o que você pode imaginar está ali. São regras, curiosidades, números, recordes, chuteiras e bolas desde a chegada do esporte ao Brasil até os dias de hoje, frases e apelidos famosos, réplicas do cartão e apito do juiz, e até as divertidíssimas mesas de pebolim, trazendo diferentes esquemas táticos!
Para finalizar, um pouco mais de diversão em outro andar. Primeiro, alguns campinhos de futebol projetados no chão são a alegria da criançada, que disputa a bola virtual. Em seguida, uma salinha em que, com óculos 3D, você confere de pertinho a habilidade de um grande jogador. E, por fim, teste a velocidade do seu chute com o goleiro virtual, e ainda tire uma foto que poderá ser encontrada no site do museu.
Não é à toa que o Museu do Futebol já está entre os 5 mais visitados da cidade (segundo levantamento da Revista da Folha), mesmo tendo sido inaugurado em setembro do ano passado. A tecnologia é usada de uma forma muito inteligente, atraindo a atenção de pessoas de todas as idades, e permitindo que elas aprendam sem perceber sobre a história do nosso país e este esporte, incorporado de forma tão natural à nossa cultura.
Reserve um dia todo e se entregue a essa paixão. Garanto que vai valer a pena.
Museu do Futebol
Estádio do Pacaembu – Praça Charles Miller, s/nº
Ingressos: R$ 6,00 (estudantes pagam R$ 3,00)
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 17h
Não funciona em dias de jogo no Pacaembu. Confira agenda em: http://museudofutebol.org.br/
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terça-feira, março 17, 2009
Sala São Paulo
Na última segunda-feira, tive o prazer de conhecer a maravilhosa Sala São Paulo, espaço para concertos que fica na Praça Júlio Prestes, atrás da Estação da Luz.Passear pela região não é lá das experiências mais agradáveis. Você encontra tanta miséria, tantos tipos esquisitos e tanta sujeira, que parece uma miragem quando se depara com aquela imensa construção que é o Complexo Cultural Júlio Prestes, onde está a Sala.
Construído onde antigamente era uma estação da Estrada de Ferro Sorocabana, o lugar consegue mesclar tradição e modernidade. A antiga construção mantém as colunas trabalhadas e o teto altíssimo e rebuscado. A modernidade aparece nos detalhes, como as cadeiras do café e o estrondoso forro móvel, responsável pela acústica da casa.
Estive lá para assistir, pela primeira vez na vida, a um concerto da Osesp. Em uma apresentação exclusiva para assinantes da Folha de São Paulo, o evento contou com a regência de Cláudio Cruz, que também é violinista, e teve em seu repertório “As Bodas de Figaro”, de Mozart; “Danças Eslavas”, de Dvorák; e “Sinfonia nº5 em mi menor”, de Tchaikovski.
Foi uma cena belíssima: todos entrando, elegantes, as mulheres de longo preto e os homens de fraque, e assumindo seus postos diante dos instrumentos. Com a entrada do maestro, as palmas enérgicas do público e o início de uma apresentação emocionante.
Parecia que estava passando um filme da minha vida. Talvez, em minha memória, a música clássica estivesse muito ligada a desenhos animados e filmes da Disney, não tenho certeza. Só sei que, de repente, me veio uma vontade de sair dançando, como num baile de princesas, a deslizar pelo enorme salão imaginário com lustres de cristal.
De repente, eu queria ser aquelas batutas do maestro, a correr pelo ar, ordenando quem tocaria a que momento, e com qual intensidade.
Eu queria ser aquelas melodias que saíam cantaroladas das bocas das pessoas após o espetáculo, e que certamente ficaram em suas mentes durante dias e dias, a contar suas histórias, assim como ficaram na minha.
Faça um tour virtual pela Sala São Paulo aqui.
Foto de Luiz Carlos Felizardo
terça-feira, fevereiro 10, 2009
As pazes com Tortula
Resolvi voltar ao Tortula, mistura de padaria, confeitaria, restaurante, pizzaria e chopperia que fica no Brooklin. Há alguns meses, passei pelo pior atendimento da minha vida nesse local, entretanto uma amiga informou que, após tantas reclamações, a casa tinha finalmente dado um jeito em seus funcionários mal-educados.
E foi no último domingo que nós fizemos as pazes. Tudo bem, não era horário de pico e o local estava vazio (o que possivelmente permitiu o melhor atendimento), mas o fato é que descobri um novo lugar pra almoçar aos finais de semana. O buffet custa R$ 29,90, com variedade de massas, saladas e outros pratos, mas preferimos ficar no saguão e escolher dentre os pratos à la carte da casa.
A experiência foi ótima. Um strogonoff de filet mignon, por exemplo, custa R$ 17,90 e acompanha uma big salada (à escolha do cliente), arroz e fritas. Muito bem servido e muito saboroso, conseguiu apagar a má imagem que eu fazia do lugar.
Um pouco de minha história de amor e ódio com o Tortula:
Overdose gastronômica
Guarde essa fachada para nunca entrar neste local
E foi no último domingo que nós fizemos as pazes. Tudo bem, não era horário de pico e o local estava vazio (o que possivelmente permitiu o melhor atendimento), mas o fato é que descobri um novo lugar pra almoçar aos finais de semana. O buffet custa R$ 29,90, com variedade de massas, saladas e outros pratos, mas preferimos ficar no saguão e escolher dentre os pratos à la carte da casa.
A experiência foi ótima. Um strogonoff de filet mignon, por exemplo, custa R$ 17,90 e acompanha uma big salada (à escolha do cliente), arroz e fritas. Muito bem servido e muito saboroso, conseguiu apagar a má imagem que eu fazia do lugar.
Um pouco de minha história de amor e ódio com o Tortula:
Overdose gastronômica
Guarde essa fachada para nunca entrar neste local
segunda-feira, julho 28, 2008
São Paulo, 1 de julho, 4 horas da manhã.
Caçamba cheia, estrada vazia. Plena terça-feira, início de férias, vontade de respirar novos ares, de simplesmente parar para respirar sem pensar em nada.
A Anhanguera é uma reta só, do início ao fim. Estrada gostosa de dirigir, você anda, anda, e não vê o fim, só o horizonte largo. Às vezes é assim mesmo: a gente anda e não consegue nem quer ver aonde vai parar. E as horas passam, e as paisagens passam.
E o sol nasceu lá pros lados do interior, e eu lembrei da menina dos textos bonitos que disse uma vez que os primeiros raios de sol escapando pelas nuvens eram parte de Deus, e senti Deus se manifestando por entre as montanhas.
De reta em reta, cruzamos o Estado e, com o fim de São Paulo, terminaram também os resquícios de cinza e os pedágios. Minas passou rápido: percorremos o triângulo mineiro em poucas horas, quando atingimos a divisa com Goiás.
Doze horas de viagem, avistei a capital do país. Muito prazer, senhor céu azul. Meu nome é Mariana e estou feliz em estar aqui. Logo ao entrar na cidade, duas placas me chamaram a atenção:
“Senhores visitantes: em Brasília, os pedestres são respeitados.”
“Senhores visitantes: procurem não buzinar.”
Pouco depois, o carro na minha frente para: uma garota estava passando. Não havia farol nem nada além da educação do rapaz. Fiquei pasma, era verdade. Os pedestres são respeitados.
Confesso que achei que a cidade fosse mais bonita. Não estou falando dos monumentos e cenários de Niemeyer que só tinha visto no Jornal Nacional até então, mas da vista da cidade como um todo. Não sei explicar.
É fato que é organizada, chega-se a qualquer lugar pegando o “eixão” ou o “eixinho” – fazendo a tal da tesoura –, e qualquer um que esteja familiarizado com a disposição das ruas encontra facilmente um endereço sem nenhuma indicação.
No Plano Piloto os prédios não têm mais de 6 andares, todos com o mesmo estilo arquitetônico. Eles têm cara de prédio antigo, todos. Taí uma característica de São Paulo à qual me acostumei. No alto de seus 454 anos, os prédios são modernos, espelhados, enquanto que desde a década de 50, quando da fundação de Brasília, parece que a paisagem da cidade não mudou muito.
Mas não se pode negar o conforto das avenidas largas e do trânsito organizado mesmo com grande volume de carros.
Instalados, resolvemos descansar. À noite, um passeio pelos principais pontos turísticos revelaria mais belezas e novas experiências.
A Anhanguera é uma reta só, do início ao fim. Estrada gostosa de dirigir, você anda, anda, e não vê o fim, só o horizonte largo. Às vezes é assim mesmo: a gente anda e não consegue nem quer ver aonde vai parar. E as horas passam, e as paisagens passam.
E o sol nasceu lá pros lados do interior, e eu lembrei da menina dos textos bonitos que disse uma vez que os primeiros raios de sol escapando pelas nuvens eram parte de Deus, e senti Deus se manifestando por entre as montanhas.
De reta em reta, cruzamos o Estado e, com o fim de São Paulo, terminaram também os resquícios de cinza e os pedágios. Minas passou rápido: percorremos o triângulo mineiro em poucas horas, quando atingimos a divisa com Goiás.
Doze horas de viagem, avistei a capital do país. Muito prazer, senhor céu azul. Meu nome é Mariana e estou feliz em estar aqui. Logo ao entrar na cidade, duas placas me chamaram a atenção:
“Senhores visitantes: em Brasília, os pedestres são respeitados.”
“Senhores visitantes: procurem não buzinar.”
Pouco depois, o carro na minha frente para: uma garota estava passando. Não havia farol nem nada além da educação do rapaz. Fiquei pasma, era verdade. Os pedestres são respeitados.
Confesso que achei que a cidade fosse mais bonita. Não estou falando dos monumentos e cenários de Niemeyer que só tinha visto no Jornal Nacional até então, mas da vista da cidade como um todo. Não sei explicar.
É fato que é organizada, chega-se a qualquer lugar pegando o “eixão” ou o “eixinho” – fazendo a tal da tesoura –, e qualquer um que esteja familiarizado com a disposição das ruas encontra facilmente um endereço sem nenhuma indicação.
No Plano Piloto os prédios não têm mais de 6 andares, todos com o mesmo estilo arquitetônico. Eles têm cara de prédio antigo, todos. Taí uma característica de São Paulo à qual me acostumei. No alto de seus 454 anos, os prédios são modernos, espelhados, enquanto que desde a década de 50, quando da fundação de Brasília, parece que a paisagem da cidade não mudou muito.
Mas não se pode negar o conforto das avenidas largas e do trânsito organizado mesmo com grande volume de carros.
Instalados, resolvemos descansar. À noite, um passeio pelos principais pontos turísticos revelaria mais belezas e novas experiências.
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