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domingo, julho 27, 2014

#27: Participar de uma festa dos Bálcãs

De todos os que conheci em São Paulo, o Sesc mais bonito é certamente o da Pompeia. Aquelas paredes de tijolinhos que remetem à época em que era uma fábrica, o café super charmoso com aquela árvore sempre decorada…


Este ambiente só consegue tornar ainda mais especiais as várias atrações que sempre acontecem por ali. Já fui em festival de cinema alternativo, shows de artistas novos e clássicos que adoro… mas, dessa vez, tive a oportunidade de participar de um evento muito diferente: a Festa dos Bálcãs.

Pra quem não sabe, a região dos Bálcãs é a parte sudeste da Europa - Grécia, Bulgária, Sérvia, entre outros países - conhecida tanto pelos conflitos que já aconteceram ali, como a Guerra dos Bálcãs, como também pela cultura tão rica e diversificada.

Fiquemos com a segunda. A Festa dos Bálcãs no Sesc Pompeia durou uma semana e contou com workshops, comidas típicas e muitos shows de artistas internacionais. Fiquei sabendo pela minha mãe, que pratica danças circulares e iria no domingo, com suas amigas, pra formar uma grande roda de dança no salão da choperia do Sesc.


O lugar estava decorado com grandes bolas coloridas. À meia-luz, vestidos em trajes típicos, a dupla de DJs Venga, Venga! tocava músicas da região, com uma levada eletrônica deliciosa.


Ao longo da noite, bandas de diferentes nacionalidades passaram pelo palco, fazendo todo mundo levantar das cadeiras e formar grandes rodas de dança. Até o jornalista Zeca Camargo, grande amigo de Betty Gervitz (curadora do evento), entrou na roda e dançou conosco.


Terminamos a noite comendo uma banitsa, pãozinho de massa folheada recheado de queijo, típico da Bulgária, que estava delicioso.

A energia de uma roda de dança, normalmente, já é muito especial. Seja pelos movimentos repetidos ou pela energia trocada nas mãos dadas, é sempre uma experiência deliciosa participar de uma roda como essas. Nesta Festa dos Bálcãs, com aquele cenário colorido e ao som de instrumentos gregos, búlgaros e sérvios, não tinha como não ser ainda mais especial.

sábado, julho 13, 2013

Que a gente se dá ao direito de tomar uma garrafa de vinho (sozinha) no parque.

Prédio dos Correios. Ainda mais lindo à noite!
Do palácio, parti rumo à Plaza Cibeles, onde há uma série de construções lindíssimas, como o prédio dos Correios. É um bairro bastante sofisticado e cheio de lojas de grife. Dali, caminhei até a Puerta de Alcalá, com uns arcos super bonitos e cheios de flores em volta - como a primavera na Europa é mágica!
Puerta de Alcalá

Comprei uma garrafa de vinho branco bem gelado - pelo qual paguei cerca de 15 euros - e parti para o Retiro, um parque enorme e maravilhoso com um grande lago no meio, em que se pode passear de barco nos períodos de calor.

O tempo começava a fechar e fui caminhando pelo parque. Nele, há uma série de monumentos lindíssimos, que fazem deste um dos locais preferidos pelos turistas e madrileños para o lazer. Me sentei na grama com vários outros jovens, e degustei meu vinho branco gelado, olhando o lago. Fiquei pensando no quão felizes são os moradores daqui.

A vista de meu lugar no gramado.

Aproveitei para escrever sobre mais este dia tão lindo, sobre como estava me sentindo abençoada por simplesmente sentar na grama e tomar um vinho olhando o lago. Tirei o tênis e senti a grama entre meus dedos, que delícia parar tudo pra viver e curtir esse momento.

De repente, um rapaz me chama, convidando para sentar junto com ele, sua irmã e umas crianças. Christos é grego e trabalha com publicidade, fala pouco inglês mas é bastante simpático e esforçado em querer conversar.

Contou que as coisas na Grécia não estão muito boas, mas que a imprensa também aumenta muito, pois até que não está tão ruim assim. Disse que posso ligar pra ele quando for à Grécia, mas não consegui entender o nome da cidade em que ele mora. Sei que passamos horas conversando, falamos sobre a publicidade em nossos países, sobre a economia, sobre os passeios por Madri...

Até que pedi licença e, um bocado alcoolizada (afinal, a garrafa de vinho estava quase no fim e eu havia tomado tudo sozinha), fui conhecer o Palácio de Cristal, que também fica dentro do parque, e é maravilhoso. Lembra um pouco o Jardim Botânico de Curitiba, com uma estrutura enorme de vidro.

Palácio de Cristal

Ao fundo, uma banda tocava Beatles, e naquele ponto já não sabia o que era mesmo verdade e o que vinha da minha imaginação.

Venci a batalha contra a garrafa de vinho e, comendo umas batatas pra evitar o desmaio, caminhei até o metrô. Eram por volta de 6 da tarde e eu ainda queria comprar o ingresso pro jogo do Real Madrid.

Algumas estações depois, cheguei ao estádio, em que paguei 25 euros para ficar na arquibancada mais alta.

Foi só o tempo de engolir um lanche no Burger King, tomar um banho no hostel, vestir a camisa do Brasil e me reunir com a turma no saguão.

Juntos, fomos de metrô rumo ao estádio.

quinta-feira, julho 11, 2013

Cinderela feelings

Quarta-feira foi o dia escolhido para conhecer o Palácio Real. Já o tinha visto por fora durante o free walking tour, mas precisava vê-lo por dentro. A entrada custa 10 euros, mas a partir das 17h é de graça para turistas latino-americanos.

O céu ajudando a compor a paisagem.

E, por dentro, ele é ainda mais espetacular. Logo que se passa o portão, é possível passear pelo enorme pátio, com luminárias douradas e ladeado por arcos com vista para uma área verde. Ao entrar, começa a visita (ou seria a viagem?) pelos salões reais, que são incríveis.

Dá até pra sentir a energia de tudo o que já aconteceu por ali, ainda mais lendo os descritivos dos lugares e analisando cada um dos detalhes. São tecidos que cobrem as paredes, tetos trabalhados em flores e anjos, móveis mantidos impecavelmente... Parece que a gente se transporta pra um daqueles filmes de época!

Ao entrar no salão de bailes, fiquei imaginando quantas festas já aconteceram ali. Quantas histórias de amor e quantos beijos escondidos pelos corredores… quantos porres, quantas risadas, quantos olhares! Tive vontade de sair dançando e girando, cheguei a imaginar uma música clássica bem alegre de fundo e todos aqueles vestidos longos e bufantes.

Depois do passeio pelas salas, em que fiquei literalmente de boca aberta mais de uma vez, também se pode visitar o acervo de armaduras e a antiga farmácia do palácio, com prateleiras enormes e cheias de potes com nomes de substâncias usadas na época para a cura. Uma pena que não se pode fotografar nada!


Estava tão encantada que, quando saí pelo mesmo pátio real, com todas aquelas luminárias douradas e toda aquela beleza, falei sem querer em alto e bom português: NOSSA, QUE LUGAR LINDO!

E não é pra achar lindo?

Me peguei rindo sozinha depois.

terça-feira, julho 09, 2013

Da brisa mais linda.

Teve uma brisa linda que me acompanhou por toda a viagem, e senti vontade de escrever sobre isso.

Acontece que, quando cheguei a Madri, meu primeiro contato com a cidade foi quando subi as escadas na saída do metrô. Estava um dia lindo, um céu muito azul e logo reparei nas árvores que se mexiam com o ventinho fresco, dando ainda mais graça ao lugar.

Olhei para os lados. Batia sol naqueles predinhos clássicos que forravam a avenida... pude reparar nas flores das varandas, na elegância das pessoas…

É claro que me emocionei muito. Afinal de contas, ali era onde tudo começava, não tinha mais volta, e aquela alegria foi se misturando às primeiras sensações de contato com a cidade.

A partir daí, passei a prestar atenção toda vez que saía de uma estação de metrô. E, se parar pra reparar, cada uma delas tem algo de especial. Não à toa, meu primeiro contato com Barcelona foi exatamente na estação Passeig de Gracia, bem em frente à casa Batllò. Esta foi a primeira visão que tive da cidade.

Assim se seguiu ao longo de todos os dias. Uma nova escadaria, um novo cheiro, uma luz diferente, uma energia nova.

Apenas foi lindo me emocionar a cada saída de metrô.

segunda-feira, julho 01, 2013

Entre tapas, churros e chocolate :)

Essa foi a noite de conhecer um pouco melhor a comida local. Não sei dizer se em toda a Espanha é assim, mas em Madri e Barcelona, pelo menos, a comida popular é o que se chama de tapas (comidas pequenas, tira-gostos), servidas frias ou quentes. Também são famosos os "pintxos" - feitos com uma fatia de pão e alguma coisa em cima, que varia entre presunto cru, frutos do mar e outras especialidades. Um tipo de bruschetta.

Patatas bravas e deliciosas!
Nesta noite, pedi as famosas "patatas bravas" - cubinhos de batata frita com um molho levemente apimentado e delicioso - e também meia porção de tiras de frango à milanesa com molho de mostarda e mel. Ah, uma cerveja pra acompanhar. 10 euros foi o que paguei em tudo isso.

Voltei rolando pro hostel e sentei na sala de convivência, relaxando um pouco. Logo, chegou um carioca marrento (o que é quase um pleonasmo) falando alto: "TU É BRASILEIRA, NÃO É?" E sentou pra conversar.

Harry é do Rio, mas mora em Fortaleza, onde tem um canil. Ex-viciado em tudo quanto é tipo de coisa, ele encontrou a paz no espiritismo depois de alguns meses em uma clínica, e hoje não bebe, fuma ou usa mais nada. Viajou à Europa não só para passear, mas principalmente para comprar cachorros. Uma fêmea de buldogue francês, uma das raças que cria, custa cerca de mil euros e é usada para reprodução.

Papo vai, papo vem, fiz a digestão do franguinho com batatas e resolvi provar os churros com
San Gínes e a fórmula de seu sucesso
chocolate no lugar mais famoso de Madri: San Gínes, já que não teria pique pra ir pra balada mesmo. Harry resolveu ir comigo, e fomos de metrô até a estação Opera, em que fica a chocolateria.

Um chocolate quente com 6 churros sai por 6 euros, e vale cada centavo. Os churros, sequinhos e sem recheio, devem ser mergulhados no chocolate quente, que tem consistência semelhante à de um fondue. Boca cheia d'agua só de lembrar =P

Rolando parte II, voltamos para o hostel, onde encontrei Donna, a israelense, e os americanos do dia anterior. Em seguida, mais dois caras se juntaram a nós: John, que tinha muita cara de brasileiro, mas era americano, e Munib, que nasceu no Paquistão mas mora no Canadá há alguns anos.

John acabava de chegar de uma viagem de quase 6 meses, entre a Índia e a Grécia. Munib se formou recentemente em engenharia e estava comemorando, para depois voltar pro Canadá e arrumar um emprego. Conversamos bastante, principalmente sobre futebol, e adivinha? Um amistoso entre Real Madrid e Málaga havia sido adiantado, e seria no dia seguinte! Fiquei de tentar comprar, caso ainda tivesse ingresso disponível.

Saí com Donna e compramos mais uma garrafa do vinho gostoso de 3 euros do dia anterior, do qual aguentei só duas tacinhas e fui dormir, quase 3 da manhã, de novo. Ainda não consegui entrar no fuso, então, apesar do cansaço, só consegui dormir neste horário.

Em tempo: muita comida boa mas, 10 dias depois, só conseguia pensar no arroz com feijão da minha mãe.

domingo, junho 23, 2013

Mi papá me hizo guapa, lista y siempre madridista*

Desci na estação Santiago Bernabéu, onde fica o estádio do Real Madrid. O tour custa 19 euros - o passeio mais caro que fiz em Madri - mas vale a pena, pra quem gosta de futebol.

O estádio é lindo e, para ir até o topo das arquibancadas, é preciso pegar as escadas rolantes. Achei super civilizado e fiquei pensando se funcionava direitinho em dia de jogo, com o grande movimento de pessoas. Enquanto subia, imaginava o quanto seria bacana assistir a um jogo ali (havia pesquisado antes e não conseguiria assistir nenhum, infelizmente). E, dali de cima, tive uma vista maravilhosa do campo, com gramado verdinho e muito bem cuidado.

Tapetão :)
Além do passeio pelas arquibancadas, há um museu que me lembrou um pouco o Museu do Futebol, em São Paulo. Isso porque tem algumas instalações interativas, em que se pode saber mais sobre o time, ver seus troféus e conhecer melhor a sua história. Foi legal ver o quanto eles se orgulham de ter jogadores de várias nacionalidades, e encontrar homenagens a Roberto Carlos, Ronaldo, Kaká e até Robinho.



Tomei uma cerveja no bar do estádio, visitei o campo - que é mais impecável ainda de perto - e parti para o próximo passeio. A verdade é que estava super cansada - ainda mexida do fuso e andando o dia todo - então voltei pro hostel para tomar um banho e depois sair pra jantar.



Cris, minha colega de quarto, estava passando mal e havia ficado o dia todo no hostel. "Não bebi água e andei muito ontem", disse com o rosto pálido. Taí uma coisa que não se pode esquecer por aqui: beber água. O tempo é muito seco, dá pra sentir no nariz, olhos e garganta. O bom é que o cabelo fica ótimo! :)

Banho tomado e cheia de fome, simbóra pra rua de novo!

*Frase típica de meninas torcedoras do Real :)

quinta-feira, junho 20, 2013

Uma esquina, uma nova amiga.

Daí que aconteceu uma das coisas mágicas que acontecem em viagens. A caminho do metrô Atocha, uma garota me pediu informações - juro, já me sentia uma local! - a respeito da estação mais próxima dali. Ao ouvir meu espanhol com sotaque, perguntou: "és italiana?"

Engraçado que algumas pessoas acham que sou daqui, e quando começo a falar, acham que sou italiana. Mas, no caso dessa menina, não tinha como disfarçar: ELA era italiana, então achei curioso o fato de termos sotaques semelhantes.

Diana é farmacêutica e está realizando alguns estudos em Madri. Pele clara, cabelos bem escuros e sorriso largo, me convidou para sentar em um dos bancos do lindíssimo Paseo del Prado. Logo estávamos batendo o maior papo, contei que minha mãe também é farmacêutica, ela contou sobre suas experiências na Espanha, e nem sentimos o tempo passar.
Paseo del Prado.
É interessante ver a semelhança cultural entre brasileiros e italianos: eu e Diana conversamos muito em pouco tempo, e logo parecíamos amigas de longa data. Depois, fomos juntas até o metrô, falando pelos cotovelos (em espanhol, com umas escorregadas para o português da minha parte e pro italiano da parte dela). Nos abraçamos e convidamos uma à outra a visitar nossas cidades, até que ela desceu na Gran Vía e eu segui para a Santiago Bernabéu.

Fiquei super pensativa depois que nos despedimos. E se ela não tivesse me pedido informação? E se eu não tivesse sido simpática e apenas apontasse a estação? Se ambas não estivéssemos abertas e dispostas a conversar, não teria conhecido esta italiana tão legal e não teria aberto mais esta porta na vida.

Até hoje, continuamos em contato, planejando o dia em que nos encontraremos de novo, seja em São Paulo ou em Roma, sua cidade natal.

terça-feira, junho 18, 2013

Prado

Acordei meio confusa às 8h do dia seguinte. A cama estava muito confortável e, o quarto, escurinho na medida certa. Desci para tomar café no hostel - minha diária de pouco mais de R$ 40,00 incluía um copo de leite ou suco, duas fatias de pão, manteiga e geleia. Estava de bom tamanho pra começar o dia!

Peguei o metrô para Atocha, onde fica a estação de trem, pra garantir minhas passagens para Zaragoza e Barcelona dali a dois dias. Foram 47 euros de Madrid a Zaragoza e 63 euros de Zaragoza a Barcelona. Caro, mas é o preço que se paga para chegar de trem rápido em pouco mais de uma hora a cada um dos lugares.

De lá, parti para o Museu do Prado, o maior da Espanha e um dos mais importantes do mundo. Já no Paseo del Prado, a avenida que ladeia o museu, vai dando uma sensação gostosa de se viver a arte do lugar.

Pouco feliz em frente à entrada do Prado :)
E é impressionante seu porte e a beleza das salas e das obras. Bate uma sensação de sonho realizado só de passear pelos salões cheios de quadros, em que dá até pra sentir a energia e a história que cada obra carrega.

Vi obras famosas de Rembrandt, Tiziano, Bosch e, principalmente, de Goya, um dos maiores artistas espanhois. Foi interessante lembrar das aulas de artes do colégio, enquanto caminhava pelas inúmeras salas com quadros gigantescos.

"O Jardim das Delícias", de Bosch, é certamente uma das obras mais incríveis do lugar, cheia de cores e detalhes que mostram o paraíso e o inferno em telas anexas à principal. Também me impressionei com a beleza de "Davi vencendo Golias", de Caravaggio. Fiquei pensando que, se tivesse música clássica pra ouvir durante o passeio, me emocionaria ainda mais.

Outra coisa que achei interessante é ver outros artistas que fazem réplicas dos originais. Eles montam seu cavalete em frente aos quadros e começam a pintar ali mesmo, quase que em transe, sem nem se preocupar com o monte de pessoas que passam pra lá e pra cá.

Admirada com as obras, terminei minha visita almoçando no Café Prado e parti para o próximo passeio.

Salmão defumado com cream cheese, no Café Prado.

domingo, junho 16, 2013

E era só o primeiro dia.

Subi de elevador até o terceiro andar, que só tem quartos femininos. Ele é todo cor-de-rosa, assim como as paredes dos quartos.

Até então, achava que no hostel os quartos ficavam abertos o tempo todo, podendo entrar quem quisesse, e por isso a necessidade de deixar tudo trancado nos armários. Mas não, os quartos são abertos por cartão, como nos hoteis. Mesmo assim, obviamente é recomendado deixar os pertences de valor trancados nos armários.

Quarto super confortável, além de fofo!
 Entrei no quarto e encontrei três meninas dormindo. Logo, elas viram que era mesmo hora de acordar e começamos a conversar: uma peruana que trabalha nos Estados Unidos e duas irlandesas, todas a passeio.

Arrumei minhas coisas no locker e fui tomar um banho. Neste hostel, os banheiros e chuveiros ficam pra fora do quarto e atendem a todo o andar. O bom é que são somente quartos femininos neste andar.

Um banho renovador, e rua de novo! Descobri que, a partir das 19h, o Museu Reína Sofía era gratuito. E lá fui eu! Durante a primavera, os dias começam a ser mais longos, e anoitece só lá pras 10 da noite. Assim, ainda dava tempo de conhecer este museu maravilhoso!

Jardim interno do Museu Reína Sofía.
Além do acervo próprio, que conta com nada menos que Guernica, uma das grandes obras de Picasso (grande inclusive no tamanho - 3,5 x 7,8m), abrigava também uma exposição temporária - e perturbadora - de Salvador Dalí. O jardim interno é lindo e tem esculturas de Miró rodeadas por muitas árvores.

Muita arte depois, voltei pro hostel, onde estava rolando a famosa noite dos "drinking games". Erika, a guia colombiana, oferecia sangria para todos, e éramos mais de 15, bebendo e conversando. Gente do mundo todo, Rússia, Japão, Canadá, Jamaica, Hong Kong, e é claro, muitos americanos pedantes recém-formados.

A brincadeira foi ficando muito barulhenta e, àquela hora, já estava com fome de novo. Yuka, a japonesa, foi comigo até a loja de conveniência próxima ao hostel, onde comprei um sanduíche de jamón serrano e uma garrafa de vinho branco por 3 euros cada, pra tomar no hostel. Estava totalmente no fuso ainda, então só consegui desligar mesmo depois das 3 da manhã (22h no Brasil).

Yuka, minha nova amiga do Japão :)

Difícil descrever o que estava sentindo quando fui dormir. Além do vinho branco na cabeça, vinha a sensação deliciosa de saber que posso me virar bem sozinha em um outro país, fazer amigos de vários lugares do mundo e me divertir muito com eles…

E era só o primeiro dia.




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As fotos da viagem estão aqui :) 

sábado, junho 15, 2013

Bienvenida a Madrid

Barajas, que aeroporto gigante! Tão grande que há duas estações de metrô dentro do aeroporto, de onde se pode ir para os outros terminais de embarque. O metrô é ligado a toda a rede de transportes da cidade e, em cerca de 30 minutos, consegue-se chegar ao centro.

Até para uma perdida de carteirinha como eu foi muito fácil achar as saídas, comprar o bilhete na máquina e seguir rumo ao hostel. Era meu primeiro contato com um hostel, e pra suavizar a experiência, fiz uma reserva em um quarto feminino para até 6 pessoas.

Basicamente, foi o que fiz ao longo dos dias que seguiram :)
 O nome do lugar é "U Hostels" e, logo na entrada, dá pra ver a atenção e o cuidado que eles têm com os detalhes: a recepção tem um smile gigante e os dizeres: "Explore. Enjoy. Meet. Relax. Sleep." Tudo é colorido, da entrada à parede dos quartos.

Só que tive a impressão de ter chegado na hora errada: uma segunda-feira às 11h, horário em que uns 60% dos hóspedes estavam fazendo check-out. Quando tentei fazer o check-in, a simpática moça me disse em inglês impecável que ainda teria que fazer o check-out de todas aquelas pessoas, e que ainda tinham dois na minha frente, esperando na salinha ao lado. Fui até lá, os dois eram brasileiros e conversavam com uma guia colombiana. Ela havia acabado de convencê-los a deixarem as malas ali mesmo pra sair com um grupo e fazer o "Free Walking Tour".

Entrei nessa também. Sem dormir e sem comer, parti a pé com o grupo até a Puerta del Sol, um marco na cidade de Madri e onde encontraríamos o restante do grupo. O dia estava lindo, perfeito pra caminhar e começar a conhecer a cidade. A guia, Erika, tinha pouco mais que 1,50m e falava pelos cotovelos, num inglês carregado de sotaque.

E ela nos levou por uma caminhada de cerca de duas horas e meia, em que passamos por alguns dos principais pontos turísticos de Madri: Puerta del Sol, onde fica a escultura "O urso e o madroño", grande símbolo de Madri, Plaza Mayor, que é linda, cercada de restaurantes que segundo ela são caros e ruins; Mercado de San Miguel, onde se pode encontrar comida de qualidade; palácio real, que é liiiiiiiiiindo (fiquei de voltar lá antes de ir embora de Madri) e a Gran Vía, que nada mais é do que uma grande avenida cheia de lojas.
El oso y el madroño, símbolo da cidade de Madri.

Andamos até cansar, e então paramos pra almoçar. Por 9 euros (cerca de R$ 25), estavam inclusos: uma taça de vinho, uma entrada - o melhor gazpacho da vida - um prato enorme de cordeiro com batatas que estava delicioso e, pra fechar, um brownie com leite condensado, que obviamente eu não aguentei porque já tinha comido e bebido tudo o acabei de contar. A guia já tinha nos avisado que o almoço é a principal refeição dos espanhois, e que eles fazem questão de comer muito bem neste horário (até por isso, a siesta vem logo depois).

O mais legal foi que almocei com duas americanas e duas inglesas, pratiquei bastante o inglês e pude conhecer um pouco mais sobre elas. Achei engraçado que eles não falam "sou dos Estados Unidos", mas sim "sou da América!" Até pensei em dar uma de louca e falar: "qual das Américas?", mas já sabia que eles costumavam se referir aos EUA desta forma e também fiquei com receio de soar ofensivo.

Todas foram muito simpáticas e elogiaram o fato de eu falar inglês com elas, português com os dois brasileiros e espanhol com o garçom (apesar de meu espanhol ser básico, mas elas não perceberiam rs). Disseram que se sentiam meio limitadas por só falar inglês, e achei legal da parte delas reconhecer isso, já que conheci muitos americanos que se orgulham de só falar seu próprio idioma.

Parte do que estava buscando pra essa viagem começava a acontecer: conhecer gente nova, de diferentes países, comer comidas novas e explorar sem medo um lugar novo.

Barriga cheia, hora de voltar para o hostel, pegar um quarto e tomar um merecido banho. E ainda era o começo da tarde.

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As fotos da viagem estão aqui :) 

sexta-feira, junho 07, 2013

Welcome Aboard


Quando vi a tarifa da Air China cerca de 20% mais barata que as outras companhias que voam a Madri, fiz algumas pesquisas e só encontrei elogios à "ching-ling". Nada de excepcional, mas também nenhuma reclamação. Espaço suficiente, conforto, segurança… tudo isso me encorajou a comprar a passagem, classe econômica, por US$ 750.

Ao fazer o check-in, fui informada de que só havia lugar no corredor. Droga! Sempre gosto da janela. Mas depois achei até bom, porque poderia levantar para pegar algumas coisas na mochila ao longo das quase 11 horas de voo.

Há quem diga que o problema do Rio de Janeiro são os cariocas (e aqui não me cabe julgar, amo o Rio inclusive). Pois tive a impressão de que o problema da Air China são os chineses! Não pela tripulação - todos simpáticos, mesmo não falando nem entendendo inglês direito. Mas sim, pelas outras pessoas que dividiram o voo comigo.

Parecia que estava na 25 de março: pessoas falando em chinês muito alto (gritando mesmo!), andando de um lado para o outro nos corredores; crianças, muitas! Algumas delas gritavam como se estivessem levando uma surra.

Isso sem contar a senhora, dois assentos à esquerda, que deitava em dois lugares quando meu vizinho saía e ficava me chutando de leve. Ah, e ela também ficava cuspindo em um copinho… que fase!

Sobre a estrutura, não tenho nada pra reclamar. A aeronave era bem nova e relativamente espaçosa (dentro do que pode ser uma classe econômica), com uma tela por assento em que assisti "As Aventuras de Pi" e "Operação Skyfall" - filmes relativamente novos.



Travesseiro, cobertor e máscara, somados ao fone em que fui ouvindo música, foram ótimos companheiros de viagem.

A comida estava ok. Na minha vez, já não tinha mais frango, só peixe, e estava um pouco duro, mas deu pra comer. Para beber, além do básico pude tomar um delicioso vinho tinto, que não consegui ver o rótulo mas estava ótimo. Duas tacinhas e pronto: capotei por algumas horas (acho que umas 4 ou 5). Acordei com meu simpático vizinho chinês tentando me pular, imagina o susto!

Não diria que a experiência foi ruim (aliás, na vibe boa em que viajei, dificilmente algo me tiraria do sério. E como, no fim das contas, o que importa é chegarmos bem - eu e a mala - então tá tudo certo!

Mas que peguei birra de chinês, isso eu peguei.

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As fotos da viagem estão aqui :) 

domingo, junho 02, 2013

Um belo dia resolvi mudar

Parafraseando Chico Buarque, essa moça tá diferente. Tá mais livre, mais feliz e, por que não dizer, até mais corajosa. Parece que se reinventou, se libertou de um monte de barreiras e se jogou na vida com o entusiasmo que sempre lhe foi peculiar. Entendeu que cada dia é como um quadro a ser pintado, e se animou em pensar e planejar sozinha os quadros dos dias seguintes.

Não que seja fácil. A cor escolhida, a forma de pintar, a intensidade, tudo isso ganhou um peso muito maior, porque, mais do que nunca, a responsabilidade é toda dela. E aí vêm os desafios diários, a cobrança, e quando ela menos espera, se sente dentro de uma máquina de lavar, emoções balançando de um lado pro outro.

Daí, resolve parar tudo. Sair no mundo e, ao mesmo tempo, fugir de todo mundo. A gaiola ficou pequena pro tamanho das asas. Era hora de encarar a vida, sozinha.

O destino? Espanha.
As histórias? Nos próximos posts.

:)

As fotos estão aqui :)

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Heineken Experience - Amsterdam

"Nós não somos o museu da Heineken, nós somos a Heineken Experience". É assim que se apresenta este museu interativo que funciona na antiga fábrica da cervejaria em Amsterdam. A estrutura permite uma verdadeira imersão no conceito e na história da Heineken, desde quando era uma cervejaria regional, até a padronização mundial das garrafas e o famoso patrocínio a eventos esportivos (há um espaço enorme sobre isso).

Lá, é possível “ser a cerveja”, uma projeção que te coloca no lugar de uma garrafa e mostra todo o trajeto que a bebida percorre, da fermentação ao engarrafamento. Além disso, é oferecida uma degustação orientada, em que te ensinam a ouvir, ver e sentir a cerveja, e você pode criar um rótulo personalizado com seu nome para a famosa garrafa verde.



Descobri, também, que os “es” de Heineken estão levemente curvados, sorrindo subliminarmente (como não havia percebido antes?), fiz um vídeo hilário cantando uma música tradicional holandesa e ainda pude assistir a todas as propagandas da Heineken, separadas por ano (foto acima)

Passando por Amsterdam, vale muito a pena conhecer!
Mais informações aqui.

sábado, outubro 10, 2009

Chororô

Locais e situações que me emocionaram em 4 países diferentes, sem ordem cronológica, alfabética ou de grandeza.

Catedral de Notre Dame - Paris
Olhando de fora, ela é essa monstruosidade ao lado. Em estilo gótico, a igreja
foi construída em homenagem à mãe de Jesus - Notre Dame = Nossa Senhora - e me fez lembrar na hora do documentário "O equilibrista", em que Phillipe Petit se aventura atravessando estas duas torres aí (ao vivo parecem ainda mais altas). Mas o que realmente me impressionou foi o interior dela, sombrio e ladeado por enormes vitrais coloridos, contrastando com o fundo escuro. Lágrimas vieram instantaneamente e
compulsivamente. O cheiro e a energia daquele lugar são inexplicáveis, mas acredito que dê para ter uma ideia no vídeo abaixo.



Regina Spektor - Amsterdam
Paradiso é uma casa de shows e balada que ocupa as construções de uma antiga igreja em Amsterdam. Os donos mantiveram toda a estrutura e os vitrais, transformando apenas o altar em um palco que, durante as temporadas, recebe os mais diversos artistas. Tive a sorte de pegar dois shows neste lugar mágico que, por si só, já é um programa interessante; e mais sorte ainda de um deles ter sido o da Regina Spektor. A russa, que além de linda tem uma voz impecável, tocou, cantou, brincou com a platéia, falou besteira e me fez chorar várias vezes, como em "Laughing with" e "Fidelity":



Igreja ao lado da Kaiser-Willhelm-Gedächtniskirche
Esta igreja de nome tipicamente alemão - e impronunciável - é esta aí da foto. Ela foi semi-destruída na Segunda Guerra Mundial, e mantida assim, como uma forma de mostrar as atrocidades de que uma guerra é capaz. Foram celebradas algumas missas no local,
mas por falta de segurança pararam e houve uma reforma que procurou manter a estrutura antiga o mais fielmente possível. Para que se pudesse continuar celebrando missas ali, foi construído ao lado um 'caixote octogonal' (infelizmente não me lembro de ter visto o nome), com vitrais azuis e um jesus dourado que parece flutuar. Aquela atmosfera de dor e resignação, o silêncio, tudo isso me emocionou demais.



Arte de rua - parte II (ou Músico em Veneza)
Com o calor infernal que fazia em Veneza (apesar da brisa, as temperaturas certamente estava em torno de 40ºC), sentamos em frente à igreja Santa
Maria Gloriosa dei Frari, em Veneza, para descansar. Um senhor, aparentando seus 60 anos, tocava alguns clássicos do rock, acompanhado de um instrumento X amarrado ao seu pé. Resolvemos não entrar na igreja - até porque pagava-se 3 euros e dava para ver o interior através de uma janela grande - e ficamos ali, aproveitando a sombra e a boa música. Lembrando da família, já no final da viagem, e repassando tudo o que acontecera nos quase 30 dias anteriores, não contive a emoção mais uma vez.

Porque tem horas que a gente não consegue (nem precisa) se conter.

Fotos: Paulo Henrique Schneider

segunda-feira, setembro 14, 2009

Break on through to the other side

Tudo o que se fala de Paris é verdade. Pelo menos, eu pude comprovar pessoalmente tudo o que eu ouvi antes de visitar a cidade.

Dentre os locais por onde passei, foi de longe o mais bonito. Não é à toa que é a cidade mais visitada por turistas do mundo todo! Sua beleza realmente impressiona a cada esquina, e dependendo do pique, pode-se percorrer os principais pontos a pé.

Da Torre Eiffel, chega-se facilmente ao Hotel dos Inválidos, que reúne o maior número de canhões do mundo, além de dois museus de armas e da tumba de Napoleão, essa construção magnífica que você vê ao lado. De lá, chega-se também à Catedral de Notre Dame, de uma grandiosidade que assusta e emociona. Enfim, descobre-se um novo parque ou monumento a cada rua, uma nova ponte sobre o charmoso Rio Sena...

Mas, como nem tudo é perfeito, Paris tem sim o seu lado negativo: as pessoas. Sem querer generalizar (mas já generalizando), os problemas comportamentais parecem estar incrustados na cultura deles. Ouvi dizer que os parisienses não suportam mais turistas pedindo informações, o que faz deles um pouco antipáticos e impacientes. Até por isso, o governo vem promovendo uma campanha para que os cidadãos sejam mais simpáticos, o que – pelo que vi – ainda não estava dando resultado. Além de tudo, a grande maioria não fala nada de inglês, então (outra dica, hein?), aprenda a perguntar, em francês, se a pessoa fala inglês (Excusez-moi, parlez-vous anglais?).

E acredite: essa antipatia não é o pior defeito. O que mais me incomodou na cidade foi mesmo a sujeira! Absolutamente todos os banheiros estavam imundos, do restaurante ao museu. O metrô fede. A impressão que tive é que os bares e restaurantes são limpos apenas no final do dia e, se você vai almoçar fora, a cadeira e o chão estarão acumulando toda a sujeira derrubada até aquele momento.

Em todos os restaurantes que estivemos, os copos tinham marcas de batom ou outras bebidas, sem contar o trágico episódio em que encontramos não uma, mas DUAS moscas – e de espécies DIFERENTES – em nossas saladas. Só não foi pior porque o gerente do local, que aparentava ser indiano, foi simpático e permitiu que fôssemos embora sem pagar nada.

Paris foi assim: uma mistura esquisita de encantamento e nojo. Sim, nojo!

Foto: Paulo Henrique Schneider

sexta-feira, agosto 21, 2009

A Iberia esquece bagagens

No embalo do mais novo hit do YouTube ("A United quebra violões", criação de um músico que teve seu instrumento quebrado pela United Airlines e resolveu protestar através deste hilário vídeo), estou pensando em criar uma nova música: "A Iberia esquece bagagens".

Sempre tive medo de que alguma companhia aérea perdesse ou esquecesse minhas malas em algum lugar. A cada viagem, ficava olhando atentamente para a esteira, para as malas de todas as cores e formatos passando e sendo retiradas por seus donos satisfeitos... A ansiedade de ver minhas coisas chegando, o alívio de reconhecê-las e pegá-las... era sempre a mesma coisa.

Pois não foi o que ocorreu com a Iberia, principal companhia aérea espanhola, em minha primeira viagem internacional. Afinal, a Iberia esquece bagagens!

Primeira parada, Aeroporto de Schiphol, Amsterdam. Esteira 6, era o que dizia o painel, e rapidamente fomos até ela acompanhar as malas que começavam a ocupar a esteira. A cada nova bagagem que aparecia, a esperança de ver minha mochila novinha, comprada especialmente para a ocasião. Mas nada. Nada de aparecer.

Ao perguntar à mocinha do guichê, descobri que havia sido esquecida em Madrid durante a conexão, mas que seria entregue na mesma noite. Abriram um chamado entregaram a todos os lesados (sim, havia vários) uma necessàire cada um, com produtos bacanas para higiene pessoal - Nivea, L´Occitane - e roupas de baixo bizarras feitas daquele tecido vagabundinho do qual são feitos aventais para se fazer exames.

Felizmente, as malas chegaram no mesmo dia. Mal sabia eu que, um mês depois, na volta pra casa...

No mesmo Aeroporto de Schiphol, despachei dois volumes (a esta altura, já estava com uma mala a mais que continha apenas souvenirs e presentes para a família). Novamente a conexão em Madrid (desta vez, com bastante folga, sem desculpas de falta de tempo para transportar as bagagens de um avião para o outro), e finalmente desembarcamos em Guarulhos por volta das 5 da manhã de domingo.

Um absurdo a forma com que estavam as malas ao chegarmos na esteira indicada. Muitas delas, de um vôo anterior, estavam jogadas no chão e, com a entrada das novas malas, funcionários retiravam-nas sem o menor cuidado. Mala vai, mala vem, um dos dois volumes chegou. Mas e o outro? Justamente o que estava com todos os presentes?

Um pouco mais de ansiedade, mais malas indo e vindo, escuto: Sra. Mariana Camargo, favor comparecer ao balcão da Iberia. Já desconfiava de que algo tivesse acontecido. A funcionária, tentando me acalmar, avisou que a mala não estava perdida, "apenas havia sido esquecida em Madrid durante a conexão".

Desabafei: mas de novo essa história? Como é possível? E ela, com a cara mais lavada do mundo e um sorrisinho que infelizmente não amenizou em nada o meu mau humor (acentuado por 10 horas de vôo), lançou a pérola: "Puxa, aconteceu na ida e na volta? Você foi premiada"! Ficou faltando só o prêmio, né?! - eu quase gritei.

Aliás, recebi o prêmio: minha mala, intacta, três desesperadores dias depois.

terça-feira, agosto 18, 2009

Arte de rua - parte I

Uma das coisas com as quais mais fiquei impressionada durante esta passagem pela Europa foram os diversos grupos e artistas de rua. Começou com uma dupla no Vondelpark em Amsterdam, violino e violão, que me fez chorar logo de cara. Aquele parque lindo, um final de tarde ensolarado em uma das cidades mais charmosas pelas quais já passei, e o som do violino a me arrepiar a espinha.

A partir daí, foram inúmeras apresentações, passando por estátuas vivas, um flautista que tocava duas flautas doces de uma vez só - e com as narinas! -, sanfoneiros, cantores e até marionetes. É engraçado o quanto se aprende sobre a cultura de um país através de seus artistas de rua.

É comum aos passantes deixar uma moeda ou um punhado delas para os instrumentistas, ainda que não parem para assistir à apresentação. Essa não deixa de ser uma forma de manter a arte viva nas ruas, encher as vielas e praças de música e, consequentemente, de alegria.

Abaixo, um vídeo que fiz na Dam Square, em Amsterdam, onde fica o Palácio Real*. Um dos companheiros do grupo, que estava ao lado "gerenciando" a apresentação, me contou que eles eram russos, e fiquei encantada com o quanto eles viajavam na música, improvisavam e se divertiam, sempre liderados pela baixinha que tocava o instrumento mais exótico dos três.

Se alguém souber o nome destes instrumentos, me ajuda!



*Dias depois descobri que a família real não mora mais lá, mas sim em uma cidade menor, próxima à capital. Mas quem se importa?