quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Como me fudi no show dos Los Hermanos (sic)
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Meu carnaval? Senta aí que eu te conto!
E aí, sobe um pouco mais. Enquanto sobe, olha a vegetação, típica das regiões montanhosas. Muito pinheiro, araucária... Também, são mais de 1.400 metros de altitude, lá é a região da Serra da Mantiqueira. E não deixa de reparar também no rio que passa sempre ao lado da estradinha de terra. Volumoso, faz aquele barulho de água que é gostoso de ouvir pra dormir.
Em um determinado momento, você vai ver uma grande placa da prefeitura, dando as boas-vindas aos visitantes. Como protesto, em cima dela, uma faixa feita pelos moradores: “Visitantes, desculpem os buracos. A prefeitura de Itatiaia não se importa com a região”. É, realmente o trajeto seria bem mais rápido e seguro se não tivesse tanto buraco.
Um pouco mais de subida, passam diversas placas. Tem hora que parece que sua cabeça vai entrar em parafuso! São realmente muitas placas, apontando para pousadas, campings, restaurantes, cachoeiras... Ah sim, porque o que mais tem por lá são cachoeiras.
Bom, você sobe até chegar à vila de Maringá. Também é uma graça. Cheia de lojas de decoração e artesanato, um centrinho com restaurantes, fábrica de chocolate... Aquele mesmo esquema: tudo de madeirinha, um charme só. Mas também não foi aí que eu fiquei.
Foi na última e mais alternativa das vilas que eu me hospedei: Maromba. É lá que os hippies se instalaram hehe (você tinha alguma dúvida de que eu ficaria nesta vila?). Terra de maluco mesmo, onde o point da cidade chama-se Jamaica e a única alternativa à noite é o bar do Raulzito, em que toca muita música brasileira e, é claro, Raul Seixas pra dar e vender. Em frente à igreja, barraquinhas de artesanato. Na casa ao lado, a placa: favor não estacionar seu cavalo aqui. Achei um barato!
No primeiro dia do carnaval, estava um dia lindo! Você pode imaginar pela foto do nascer do sol, né? Armamos o acampamento com a maior estrutura: gazebo, churrasqueira, mesa, cadeiras... Só faltou o frango e a farofa! Hahahaha. Mas é gostoso acampar assim, sabe, porque não passa perrengue!
Bom, aproveitamos o tempo bom e fomos conhecer a cachoeira mais famosa do local: a do Escorrega (foto abaixo). Ela leva esse nome porque a água desce por uma pedra que, com o passar do tempo, transformou-se em um enorme escorregador. Eu experimentei a sensação de entrar numa máquina de lavar roupa assim que toquei a água. Você é literalmente arremessado contra a água, e por mais que se esforce, não tem como evitar que vire uma cambalhota pra trás. Saí da água toda entupida, mas valeu a pena, foi bacana.
Só sei que, na primeira noite, começou a chover forte e não parou mais. O gazebo virou refúgio, e passávamos boa parte do dia sob sua lona, fazendo churrasco. Quando dava uma trégua, íamos conhecer algumas cachoeiras, mas era impossível entrar. Foi assim na cachoeira de Santa Clara e no Véu da Noiva, dois lugares lindos, mas a água era tão gelada que, se você mergulhasse o pé, ele começava a doer igual quando a gente mexe muito no gelo e fica doendo, sabe? Daquele jeito.
No Véu da Noiva, fomos acompanhados pelo Bruno, um menino muito simpático de 12 anos – apesar de parecer bem menos. A mãe do Bruno é de lá mesmo, e o pai é de Passa Quatro, em Minas. Ah sim, porque lá fica bem na divisa Rio-Minas, então é legal que às vezes você se depara com umas placas assim: em frente: Rio de Janeiro, pra direita: Minas Gerais. Alguns passos, e você estará em outro Estado.
O Bruno é muito corajoso. Quando perguntei que tipo de bicho tinha por lá, ele respondeu sem pensar: cobra. Segundo ele, é só chover e fazer sol em seguida que elas saem pra tomar sol. Ele mesmo já viu várias e quase não tem medo!
Lá é assim. A cada esquina, você conhece uma história nova, seja do sócio do bar que saiu de Santo André e nunca mais voltou, seja do rastafári que saiu de São Paulo em dezembro do ano passado de bicicleta e está subindo devagar, conhecendo pessoas, aprendendo ofícios... Atualmente, ele é auxiliar do padeiro, e já está aprendendo a fazer pães integrais recheados. Se quiser conhecer seu trabalho, vá até a estradinha do Escorrega. Você vai ver uma placa em que se lê: “puxe a corda para chamar o padeiro”. Muito original.
Enfim, o lugar é lindo, a energia é incrível e valeu muito a pena ter ido pra lá. Mas eu quero voltar lá com sol! Talvez na Páscoa, quem sabe? Me acompanha?
Vamos fugir? Pra onde haja um tobogã, onde a gente escorregue...
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Arte pop no MuBE
Se você pretende ficar em São Paulo neste carnaval, nada melhor do que aproveitar a preciosa calmaria para fazer programas culturais pela metrópole. Uma boa opção é a exposição do fotógrafo americano David LaChapelle, que pode ser visitada no MuBE até o dia 5 de fevereiro.
Pupilo de Andy Warhol (o que já nos faz esperar fortes traços da pop art), o fotógrafo ficou famoso com campanhas publicitárias para grandes marcas internacionais, ensaios de moda e retratos de celebridades.
Além de fotógrafo, LaChapelle também dirigiu videoclipes de astros pop, como Britney Spears e Jennifer Lopez, e arriscou-se também como diretor cinematográfico em RIZE, que já foi exibido em festivais brasileiros.
Todo este trabalho pode ser conferido na exposição, entitulada “Heaven to Hell: Belezas e Desastres”, e baseada no livro homônimo do artista, lançado em 2006. Com fotos, montagens e muita criatividade, LaChapelle consegue mostrar, ao mesmo tempo, o lado belo e bizarro de diversas pessoas e situações. Destaca-se a série de fotos feita para a revista Vogue Itália, em 2005, que mostra modelos em cenários catastróficos.
MuBe - Museu Brasileiro da Escultura
Av. Europa, 218
De terça a domingo, das 10h às 19h – somente até 5 de fevereiro
Entrada gratuita
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Magic Flag
Dança é meditação ativa... Ao dançarmos, vamos para além do pensamento, da mente e da nossa individualidade. Tornamo-nos UM no êxtase divino da união com o Espírito Cósmico. Essa é a essência da experiência do transe através da dança.Goa Gil
terça-feira, janeiro 15, 2008
Calor?
Uma coisa bacana de trabalhar na Berrini é que tem sempre alguma coisa diferente acontecendo. Considerada a "nova Paulista" por causa do grande número de empresas que migraram para esta região, a Berrini é palco para muitas campanhas de marketing de guerrilha (estratégias adotadas por empresas para "combater" concorrentes).
Ano passado mesmo, estava eu voltando do almoço quando me deparo com dois surfistas, trajando vestes de neoprene e empunhando pranchas. Poucas coisas são tão non-sense quanto dois surfistas em plena Berrini. A roupa estampava o endereço: praiaemsampa.com.br.
Não adianta acessar porque hoje o site não está mais ativo, mas na época eu entrei e falava sobre uma exposição de esculturas de areia no bairro de Interlagos. Bastou um clique para descobrir que, na verdade, era a promoção de um novo condomínio de luxo que, dentre as utilidades e futilidades oferecidas, possuía piscina com ondas e areia para simular uma praia. Reconheço que a idéia foi boa.
Aí ontem - um desses dias de calor insuportável - eu olhava pela janela do escritório enquanto pensava em como seria bom tomar um sorvete, quando de repente avisto um enorme bloco de gelo. Esfreguei os olhos: seria uma miragem? Desci para checar. Tratava-se da campanha Efeito Gelado, promovida pela Neutrogena para divulgar um novo protetor solar aerosol.
Um artista esculpiu 8 toneladas de gelo de modo que se crie um pequeno cenário dentro dos grandes cubos, e a brincadeira é adivinhar quanto tempo o gelo vai levar para derreter por completo. A campanha começou em Copacabana e já passou pelo Guarujá, e nos dois lugares o gelo levou pouco mais de um dia para derreter. Quem adivinhar ganha uma necessaire de produtos da Neutrogena!
Hoje de manhã, parte do gelo tinha derretido e já mostrava a parte de cima do guarda-sol (vide foto). Ainda dá tempo de chutar!
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Virada Paralela
Pista principal, palco ao fundo Em meio à atual crise conceitual em que a cena trance brasileira se encontra, houve quem acreditasse que a oitava edição do festival de arte e cultura alternativa Universo Paralello (que aconteceu de 27 de dezembro a 4 de janeiro em Pratigi, na Bahia) não escaparia da finalidade estritamente comercial que tem rondado as festas nos últimos tempos.
O crescimento desordenado foi um dos fatores que gerou esta crise e, segundo Alok, um dos organizadores do U.P., "na realidade crescemos muito pouco como cena Trance genuína. O que cresceu foi a utilização do formato por gente pouco comprometida com o movimento, somada à utilização de um conceito barato e musicalmente questionável que acabou causando o inchaço disto que pode ser chamado mais de mercado do que exatamente de cena”.
Porém, em vez de seguir esta infeliz tendência, colocando em risco o divertimento e o conforto dos participantes, a organização optou por profissionalizar e aprimorar ainda mais o evento, oferecendo uma estrutura jamais antes vista em um festival no Brasil.
Eram três campings – cada um com sua própria área de banho e sanitários – mais de 40 opções de alimentação, tenda infantil com monitores especializados, espaço multicultural e cinco ambientes musicais:
Main Floor
Formada por muitas tendas coloridas que ofereciam sombra, e com o palco repleto de imagens de deuses indianos, a pista principal teve início na manhã do dia 29 de dezembro com o live da produtora Vixen. Nele se apresentaram ícones da cena trance mundial, como Etnica (Itália), Tristan (Inglaterra), Xerox & Illumination (Israel) e Kox Box (Dinamarca), além de projetos nacionais e alguns estreantes, como Logica (de Alok e Bhaskar), e 28 (formado por Shove e Pedrão). Na virada do ano, o sul africano Shane Gobi mostrou uma seleção impecável de músicas.
Pista Alternativa
Direcionado para as vertentes menos aceleradas da música eletrônica, como o house, minimal e electro, este espaço possuía um grande barco de madeira em que se podia subir para dançar. Por ele, passaram os brasileiros Claudio Brio e Act Sense e o dinamarquês Jokke, dentre muitas outras atrações.
Palco Paralello
Espaço totalmente dedicado à exposição do trabalho de bandas regionais, o mais brasileiro dos palcos contou com apresentações diferenciadas, como o grupo paraibano Cabruera, os mineiros do Sete Estrelo e até o projeto Benzina, de Edgard Scandurra. No penúltimo dia, Liquidus Ambiento e Pedra Branca reuniram um grande número de pessoas sob a grande cúpula cor de laranja.
Pista Goa
Verdadeiro laboratório musical que integrou “dinossauros” da cena e novatos, a pista Goa foi criada para proporcionar uma experiência diferente, que relembrasse as primeiras festas no Brasil. Por isso, decoração, sistema de som e seleção de artistas foram cuidadosamente projetados. Gramado e um pouco mais protegido da brisa marítima, era um local extremamente agradável, com sombra e duchas. O set de Goa Trance executado em vinil por Rica Amaral, no terceiro dia, assim como a apresentação do sueco Atmos, foram históricos.
Chill OutPara boa parte do público, o ambiente mais bonito do festival. Formado por imensas estruturas de bambu e palha – semelhantes a leques –, com tecidos trabalhados e mesas feitas com garrafas pet reaproveitadas, o chill out lembrava uma grande oca. Espaço reservado para o dub, reggae, MPB, jazz, ambient e música experimental em geral, contou com o bom gosto dos DJs brasileiros Schasco, Smurf, Soneca e Ekanta, além da criativa apresentação de Chico Correa & Pocket Band, entre muitos outros artistas.
Valorizando o conceito de psicodelia ao misturar estilos musicais, eletrônicos ou orgânicos, o Universo Paralello procurou fazer uma seleção variada. Mesmo com alguns atrasos e desfalques, o line up apresentou artistas competentes e talentosos.
Alok comenta: "o UP sempre traz artistas que estão na ponta da produção musical, muitos deles desconhecidos, o que é bom não só para o festival mas também pra toda a cena, porque nos ajuda a estar atualizados com os passos seguintes do psytrance. O U.P. não é um desfile de nomes de artistas famosos, nacionais ou internacionais. É um festival de arte e cultura alternativa.”
Para tornar este evento possível, houve um forte envolvimento da comunidade local do município de Ituberá, que atuou nos mais diversos serviços, como bares, caixas, limpeza e transporte. Havia também um grande número de seguranças circulando pelos campings, mas mesmo assim houve casos de roubo de barracas para os que não deixaram objetos de valor no guarda-volumes.
A todo o momento, era nítida a importância do festival para a cidade, pois, além de empregar pessoas, o evento atrai o interesse de turistas para a região. Bastava uma rápida conversa com qualquer um dos funcionários para perceber o entusiasmo em estar ali.
“A geração de empregos é um dos objetivos do evento e muitas de nossas estratégias vão nesta direção. Priorizamos sempre que possível a contratação de pessoas da região, e não nos arrependemos nem um minuto. É sempre um imenso prazer termos nossos parceiros de Ituberá, em seus vários níveis de atuação, colaborando com a realização do evento. É uma gente honesta, trabalhadora e com toda a certeza é uma das razões do sucesso do festival"¸ disse Alok.
Um dos ofícios que emprega muitos ituberaenses é a coleta e separação do lixo. Todos os resíduos produzidos no evento são separados e posteriormente vendidos e reciclados.
“Fazemos também o tratamento biológico de todos os dejetos humanos, trabalhando em parceria com quem cuida da gestão de resíduos tóxicos de grandes empresas do Brasil”.
Por todos estes motivos, o Universo Paralello já entrou para o circuito dos principais festivais alternativos do mundo, fato que se comprovou com a presença em massa de visitantes de diversos continentes. Pessoas da Rússia, Peru, Coréia e Holanda, entre outros países, vieram ao Brasil exclusivamente para prestigiar o U.P..
Alok atribui este fato ao sucesso da última edição do evento: "no ano passado causamos um grande impacto no público estrangeiro. A conjunção de um line up sério, um local paradisíaco à beira da praia, a receptividade da comunidade local e o nível de organização e infra-estrutura fez com que muitos levassem a notícia de forma bastante positiva e eles realmente se planejaram para vir ao Brasil neste ano”.
Aproximadamente 10 mil pessoas escolheram esta celebração psicodélica na paradisíaca Praia de Pratigi para comemorar a virada do ano. Com arte, boa música e resgate da essência trance, o Universo Paralello trouxe a esperança de uma virada também conceitual, necessária à cena.
Com Paulo Henrique Schneider (texto e fotos)
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Os 10 melhores shows de 2007
Único show que fui e sobre o qual não escrevi a respeito este ano. Foi no 1200 Festival que escutei pela primeira vez o The Egg, grupo londrino que mistura elementos eletrônicos e batidas pop. Com “Walking Away”, que recebeu um remix bacana de David Guetta, o The Egg ficou conhecido mundialmente, mas é uma pena que seu último CD, “Forwards”, de 2005, não tenha tido o reconhecimento merecido. Destaque para as faixas “Say you will” e “She’s terrific”. Melhor apresentação do festival.
9º lugar: Língua de Trapo e Premeditando o Breque

A apresentação dos dois grupos na Virada Cultural deste ano, em pleno Boulevard São Bento, com meu pai a tiracolo – ídolo – foi simplesmente o máximo. Lembrei-me de quando era pequena, e ficava sentadinha com o encarte enorme do vinil nas mãos, acompanhando as letras das músicas enquanto meu pai escutava. Pontos altos: Wandi chamando meu pai no microfone, pra mostrar o álbum que levava nas mãos, e os autógrafos que conseguimos pegar depois – de todos os integrantes.
8º lugar: Céu
Esta paulistana, que além de linda tem uma voz peculiar e um jeitinho único, conquistou o oitavo lugar no ranking deste ano. Conhecia um pouco de seu trabalho, mas fiquei surpresa ao vê-la pessoalmente. Destaque para “O ronco da cuíca” e “Valsa Para Biu Roque”.
7º lugar: The Killers
Mesmo tendo acontecido de uma forma cansativa – começando às 4 da matina de segunda-feira, e depois de mais de 10 horas de maratona de shows – não há como negar a qualidade musical dos integrantes do The Killers. Brandon Flowers tem uma voz linda, que por vezes lembra até o Freddie Mercury (não me batam). Apesar da demora na montagem do palco, a banda agradou e muito, principalmente com sucessos como “Smile Like You Mean It” e “Sam’s Town”.
6º lugar: Yamandú Costa e Dominguinhos
A dupla que veio de extremos opostos do Brasil ficou com a sexta posição da lista. Yamandú ao violão, Dominguinhos na sanfona. Harmonia inesperada. Qualidade impecável. Em determinado momento, Yamandú canta “Negrinho do Pastoreio”, e Dominguinhos responde com “Forró no Escuro”. Lindo, lindo.
5º lugar: LCD Soundsystem
A festinha privê que James Murphy e sua banda proporcionaram para os poucos presentes no Via Funchal, em novembro, foi o máximo. Pista deliciosa, disco-punk em seu melhor exemplo, finalização apoteótica com “New York, I Love You, But You’re Bringing Me Down”.
4º lugar: Scorpions
Nem a lotação claustrofóbica do Credicard Hall, nem o atraso de mais de meia hora, retiraram o posto dos Scorpions de quarto melhor show do ano. Mesmo com a idade avançada, os tiozinhos mostraram que ainda estão em plena forma, e arrebentaram com uma mistura de clássicos (“Hurricane 2001”, “Wind of Change” e outras) e sons do álbum novo, “Humanity Hour 1”.
3º lugar: Bjork A inconfundível “esquimó” realizou um show lindo no último Tim Festival, e conquistou o terceiro lugar na minha lista. Mostrou uma potência vocal incrível (pra quem gosta do seu timbre estridente), estava acompanhada por instrumentos clássicos de sopro e ultramodernos, como o audio pad, além de um grupo de meninas instrumentistas islandesas. Efeitos visuais, cenários, tudo perfeito. Finalização com “Declare Independence” e chuva de papéis. Incrível!
2º lugar: Placebo
Sou suspeita para falar do Placebo, porque gosto muito. Neste ano, o baterista Steve Hewitt deixou o trio, uma baixa triste, mas parece que todos estão bem, não houve uma briga, somente vontade de seguir outros caminhos. Enfim, só sei que (EBA!) tive a oportunidade de vê-los ainda completos, em abril deste ano. Brian Molko, como sempre, provou que a vida junkie ainda não fez efeitos sobre sua voz, e o show foi o máximo, com músicas do álbum mais recente, “Meds”.
1º lugar: Arctic Monkeys
Os Arctic Monkeys fizeram não só o melhor show do Tim Festival, mas também o melhor do ano, na minha modesta opinião. Os rapazes são extremamente talentosos e imprimem personalidade em cada faixa. Músicas rápidas, bateria claramente influenciada pelo punk-rock, letras muito boas e pausas estratégicas nas músicas. Além disso, seu álbum mais recente, “Favourite Worst Nightmare”, também está entre os melhores do ano, e mostrou que o trabalho do grupo está se aprimorando cada vez mais.
Um excelente final de ano a todos e que 2008 seja fantasticamente musical!
A partir de hoje, me encontrem debaixo de algum coqueiro em Pratigi.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Natal dos Desejos Neotix
Você está cansado de receber inúmeros votos de Boas Festas, Feliz Natal, Bom Ano Novo e que o bom velhinho blá, blá, blá?
Seus problemas acabaram!
Agora quem faz os desejos é você!
Envie pra Neotix tudo o que você sonha para o ano que vem! Você terá um espaço em nossa árvore e poderá voltar durante o ano todo para lembrar-se de correr atrás das promessas que fez.
terça-feira, dezembro 18, 2007
A era dos amigos secretos zicados acabou.
Nunca tive sorte em amigos secretos. Pelo contrário, sempre tive problemas. Desde que ganhei um porco de pelúcia horrível, na quinta série, recheado com bolinhas de isopor e com aspecto bem estranho, parece que o fantasma dos amigos secretos zicados pairou sobre mim.
No começo, achava que era coisa da minha cabeça.
Aí, no amigo secreto da família no ano retrasado (cujo valor do presente é de R$ 50,00), ganhei um colarzinho de biscuit que, segundo minha empregada, “custa R$ 1,99 no Largo Treze”. O problema não é só o valor, mas a decepção de ver que a pessoa que me tirou não teve a menor preocupação em encontrar algo bacana, que fosse a minha cara.
No ano passado, aqui na empresa, achei que isso iria acabar. Estávamos todos animados para a entrega dos presentes, uma turma pequena de pessoas que se conheciam bem, não tinha erro. Achei realmente que seria o primeiro presente legal que eu ganharia em um amigo secreto.
E foi, um presente muito legal. Ganhei um biquíni lindo, TAMANHO P. Hello! Olha a minha cara de quem usa ALGUMA COISA tamanho P! Bom, nem tudo estava perdido, eu poderia trocar, claro. E tentei ir até a loja, mas fui assaltada no meio do caminho e levaram tudo. Bolsa, agenda, livro. Ah sim, e o biquíni P.
Para este ano, já estava descrente que pudesse receber algo legal. Sexta-feira, um dia terrível, clientes atormentando a cabeça o dia todo, e de repente: “vamos entregar os presentes?” Um arrepio subiu pela espinha. Será que o dia poderia ficar pior?
Foi quando, com uma apresentação elogiosa, um dos meus chefes anunciou: tinha me tirado. Ao abrir o pacote, a boa surpresa: a biografia do Tim Maia e, de quebra, o “Back to Black” da Amy Winehouse. Fiquei pensando que Tim e Amy combinam super. Em todos os sentidos. Só sei que, assim que saíram do pacote, eles exorcizaram o fantasma que me rondava.
Foto: Anderson Mancini (o outro chefe)
terça-feira, dezembro 11, 2007
O show de Diana Krall aconteceu há mais de uma semana mas ainda carrego marcas...
Continuo descascando depois de passar mais de três horas sob um sol impiedoso no Parque Villa Lobos, em Pinheiros, naquele domingo sem nuvens nem tréguas.De um modo geral, pode-se dizer que foi bacana, vai. Não conhecia o trabalho da Banda Mantiqueira, que faz versões instrumentais de grandes sucessos da música brasileira. Também conhecia só de nome a Traditional Jazz Band, e valeu a pena ter conhecido o bom trabalho daqueles senhores tão bem humorados. "Nós vamos cantar, e vocês vão ver a merda que vai sair", brincou um deles. O som estava muito baixo, e a grande área VIP fez com que os "pobres mortais" tivessem que assistir de muito longe às apresentações.
Só sei que a Traditional entrou às 10h, a Banda Mantiqueira às 11h e a tão esperada canadense foi entrar somente ao meio-dia. As pessoas protegiam-se com os bonés estrategicamente distribuídos pela Telefonica, num mar de cabeças verde-limão, quando a loira sentou-se ao piano e entonou “I Love Being Here With You”. "Aumenta o som!", eu pensava, em vão.
Entre uma música e outra, Diana declarava amor ao Brasil, e cheguei a ficar com raiva quando falou: "em meu país é muito frio, então pra mim é maravilhoso tocar com este belo sol." Belo sol porque você está na sombra, né bonitona?
Infelizmente, o parque não permite a venda de alimentos e bebidas em seu interior, ou seja, as mais de 15 mil pessoas presentes tiveram que se organizar em filas para receber os copinhos de água distribuídos pela Sabesp. Condições precárias, som baixo, e infelizmente o show de Diana Krall não foi o que esperava.
Não por ela, que tem uma voz belíssima e estava acompanhada por músicos muito competentes (destaque para a guitarra, perfeita). Mas pelo contexto, insuportável, que só consegui aguentar até “I’ve Got You Under My Skin”. Fica pra próxima, Diana.
Foto: Globo.com
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Futuro do Presente
segunda-feira, novembro 19, 2007
LCD Soundsystem
O norte-americano James Murphy (foto) é um dos ícones da mistura rock-eletrônica que surgiu com força no início dos anos 2000. Além de ser cantor, multiinstrumentista, produtor e dono da gravadora DFA Records, Murphy é o grande nome por trás do sucesso do grupo LCD Soundsystem, representante do gênero, que tocou na semana passada em São Paulo.A casa de shows Via Funchal estava praticamente vazia quando subiu ao palco o DJ e produtor Axel Willner, responsável pelo live de techno The Field, que abriria para o grupo. Um globo espelhado era o único elemento cenográfico, e anunciava que a noite seria de festa.
Willner consegue aliar as batidas secas do techno à melodias emocionantes, que preenchem o ambiente, e com isso confere uma linguagem muito interessante às músicas. O estilo não faz o meu gosto, mas não posso deixar de reconhecer a qualidade musical do sueco.
Com uma hora de apresentação, The Field recebeu os aplausos de uma pista modesta, porém mais numerosa. O Via Funchal não preenchera sequer 50% de sua capacidade, o que foi bom para dançar e circular com tranquilidade pela pista.
Em pouco tempo, o LCD Soundsystem começou a se posicionar. O grupo possui grandes talentos em sua composição, entre eles Nancy Whang, que além de cantar comanda os sintetizadores e teclados, e o guitarrista e percussionista Al Doyle, que também integra o Hot Chip.
Com uma disposição estrategicamente diferenciada (bateria na parte da frente, ao lado do vocalista, que conferiu mais força e destaque para as batidas punk), a banda começou o show às 23h15. Vestindo uma camiseta com as cores do arco-íris - a mesma que usou no Skol Beats do ano passado - James Murphy mostrou que sua voz não é das mais afinadas, mas as técnicas que trabalha na hora de cantar, juntamente com sua presença de palco e a harmonia arquitetada entre os membros da banda, proporcionou um dos melhores shows do ano.
Grande parte das músicas apresentadas compõem o último álbum do grupo, "Sound of Silver". A música de abertura, "Us v Them", foi uma delas, assim como a seqüência "Time To Get Away", "North American Scum" e "All My Friends", que teve ótima recepção do público. Mesmo assim, o LCD não deixou de tocar outros sucessos que marcaram sua carreira. "Daft Punk Is Playing At My House" e "Yeah", tocada no bis, foram alguns dos clássicos hits da banda.
Algumas faixas lembram os pioneiros do Kraftwerk, outras mostram clara influência do New Order, mas o importante é que o grupo imprime personalidade em cada canção. Murphy cantava de olhos fechados, com emoção exacerbada, e chegou a tocar alguns instrumentos de percussão para dar ainda mais força à bateria de Pat Mahoney.
Para acalmar os ânimos depois de quase uma hora e meia de apresentação, o grupo fechou com a belíssima "New York, I Love You, But You´re Bringing Me Down", música que possui altos e baixos até culminar em um final emocionante.
Foto: PH Schneider
quinta-feira, novembro 08, 2007
Fora de órbita
Ufa, desabafei.
Agora vou comer um chocolate gigante pra ver se passa a tristeza.
segunda-feira, novembro 05, 2007
Sinal do que na verdade está mais que certo
Toda vez que eu viajo acontece uma desgraça em São Paulo. Ok, isso não pode ser referência porque elas acontecem diariamente por aqui. Mas essas grandes, voltando assim de viagem, fazem pensar.Nas férias, em julho, saí de 42ºC e um céu maravilhoso pra pousar ao lado de um edifício chamuscado em que batera um avião. 10ºC, em pleno meio-dia. O céu acinzentado me gritava "sai daqui". A dor de ter que voltar, de passar todos os dias em frente aos escombros, dor de pensar que eu poderia estar passando em frente ao prédio quando o avião bateu, que ele caísse para o lado oposto, bem em cima da minha casa.
Agora, voltando de um feriado-delícia em Monsenhor, ainda rindo de 'causos' engraçados que escutei por lá, vi que um avião caiu ao lado do Campo de Marte. Sim! Lá onde a melhor amiga mora.
O balde de água fria veio junto com a chuva fina que não parou de cair. O céu mais cinza do que nunca anunciou "vai embora. Tá fazendo o que aqui ainda?" E a nuvem negra vez mais perto.
quinta-feira, novembro 01, 2007
É PENTA!
quarta-feira, outubro 31, 2007
Tiiiim Festival!
O Tim Festival, realizado no último domingo no Anhembi, começou cedo pra mim. Por volta das 16h30, horário em que abriram a entrada de imprensa, lá estávamos nós. O local recebia as primeiras pessoas que, animadas, corriam para garantir seu lugar na grade. Tsc tsc tsc. Horas mais tarde (MUITAS horas mais tarde), eu as veria vermelhas de sol, com o cansaço estampado no rosto, esmagadas contra a grade e, em alguns casos, carregadas por bombeiros até o posto médico.O evento começou com atraso - que se prolongaria como uma bola de neve de show em show. O Spank Rock, primeiro grupo a se apresentar, mostrou batidas e vocais de hip hop, unindo-os a percussionistas. “Aquele ali é que é o Olodum?", escutei de um amigo bem-humorado. Isso representou a reação do público em geral. Não se entendia muito bem o que o Spank Rock fazia lá. Pô, vem fazer percussão no Brasil? O Otto, da área VIP, que também é percussionista, devia estar dando risada.
Em seguida, entrou o Hot Chip, do qual eu conhecia apenas o hit “Over and Over”. Confesso que me surpreendi com a apresentação, apesar da pane no sistema de som que interrompeu o show por quase meia hora. O vocalista, Alexis Taylor, é daqueles caras que você olha e não dá nada. Baixinho, de óculos, carinha de nerd, o britânico surpreende quando começa a cantar. Uma voz limpa, afinadíssima, gostosa de ouvir. Gostei.
Mas era a Björk que eu estava esperando. Com um cenário formado por bandeiras fluorescentes com motivos orientais, o show da islandesa foi produzido para se ouvir e se ver. Logo entrou uma orquestra de garotas islandesas, com instrumentos de sopro e roupas coloridas. Ouviram-se os primeiros gritos, era ela.
Trajando um vestido com as cores do arco-íris e um chapéu exótico, Björk iniciou a apresentação com “Earth Intruders”, com a qual abre também seu último CD, “Volta”. A partir de então, foi uma mistura de músicas novas e grandes sucessos, como “Hyperballad” e “Hunter”. O Anhembi veio abaixo.
Com efeitos especiais, chuva de papéis picados e o potente e agudo vocal da mulher que parece menina (está para completar 42 anos), o show foi lindo, e uniu instrumentos clássicos e as mais modernas tecnologias. Foi utilizado inclusive um áudio pad, espécie de mesa em que são coordenados efeitos musicais com o toque da mão. Björk finalizou com “Declare Independence”, e anunciou em seu inglês mais que peculiar: “I’m very happy to be in Brasil”, agradecendo com um “opigato” charmosérrimo.
Pouco depois, entrou a hollywoodiana Juliette Lewis e a banda The Licks. Já havia escutado bastante coisa dela, e estava ansiosa para vê-la ao vivo. Desde o momento em que subiu no palco, com a pena na cabeça característica, parece que baixou um santo em Juliette, sem brincadeira. A moça se jogou no chão, se enrolou com a bandeira do Brasil, se debateu e gritou a cada música. Mostrou que, para fazer sucesso, é preciso atitude, antes até de uma boa voz (que ela não tem).
Com uma apresentação totalmente clichê, porém de qualidade, Juliette and the Licks agradaram, com músicas já conhecidas como “Sticky Honey” e “You’re Speaking my Language.” Peguei uma simpatia grande pela atriz, que é muito carismática.
Juro que, cansada, após o show, cheguei a pensar: “ainda tem o Arctic Monkeys. Quero logo o the Killers!” Me arrependi de pensar assim, acho que subestimei os meninos. O Arctic Monkeys fez, sem dúvida, o melhor show do festival.
Com batidas e vocais rápidos, o grupo conseguiu demonstrar criatividade e inovação. Suas músicas têm pausas estratégicas, voltam no contra-tempo, e fogem totalmente dos padrões, mesmo utilizando os instrumentos básicos guitarra + baixo + bateria.
Com canções como “Mardy Bum”, “Do Me a Favour” e “Fake Tales of San Francisco”, o Arctic Monkeys provocou histeria nos mais de 20 mil presentes. Eu era um deles.
Completamente tocada pelo show, e muito cansada (já que terminou por volta das 3 da manhã, horário que eu achei que fosse terminar o festival), aguardei sem paciência o show do The Killers, último da noite. O cenário, totalmente elaborado, com um tecido vermelho de veludo ao fundo, onde penduraram um letreiro luminoso escrito “Sam’s Town”, tinha muitas flores espalhadas e luzes que envolviam desde o órgão de Brandon Flowers, até os sintetizadores e a bateria.
Uma hora (e muito menos paciência) depois, os integrantes do Killers entraram. Brandon, com seu habitual bigodinho, demonstrou um carisma e um controle do público incríveis, além de ter uma voz linda.
Mesmo animada, principalmente com os sucessos “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It” e “Mr. Brightside” (que escutei do estacionamento, porque não tinha mais pernas), o show do Killers não surpreendeu. Eles cumpriram com seu papel, fizeram uma apresentação bacana, mas a impressão que eu tive era a de que nada poderia ter sido melhor do que o show anterior.
Saldo final: palmas para a Björk, com seu show impecável, e palmas para o Arctic Monkeys, que mostrou que músicas criativas e profissionalismo são mais importantes que se debater no palco ou armar um cenário espalhafatoso.
Foto: PH Schneider
terça-feira, outubro 30, 2007
Girl Talk just wanna have fun
A noite dedicada à música eletrônica no Tim Festival, batizada "Tim Festa", aconteceu na última sexta-feira.O local escolhido foi a casa noturna gay The Week, que é enorme e muito bem decorada. Com piscina, deck, duas pistas, quatro bares e muitas luzes, a casa foi bem escolhida para a realização do evento.
As atrações não eram das mais chamativas, e por isso o público foi menor do que o esperado. A pista principal foi aberta pelo britânico Sinden, que faz dupla com Hervè no Count of Monte Cristal. Não sei se os participantes estavam muito preocupados com isso, mas Sinden não ia tocar sozinho, e acabou tocando. A produção não avisou, mas Hervè nem apareceu. Sinden abriu com uma mistura de funk carioca com batidas do house, e desenrolou sua apresentação com qualidade, mesclando tecno, house e hip hop.
Enquanto isso, na outra pista, Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo (alguém sabia que eles tocavam?) apresentaram um back to back de eletro e pop dos anos 90. Só que ninguém ficou sabendo que estava rolando esta outra pista (mais uma falha da organização, que deveria ter entregue uma programação com o line-up), então os dois tocaram para umas duas ou três pessoas. Sem exagero.
Depois deles, o alemão Daniel Haaksman mostrou por que é o maior disseminador do funk carioca na Europa (lançou dois álbuns dedicados ao estilo) e tocou todo tipo de ritmo africano. Muito groove, viradas de qualidade, e mais uma vez para meia dúzia de pessoas que sem querer passaram por ali.
Na pista principal, após Sinden, veio a apresentação mais esperada da noite: o norte-americano Gregg Gillis (foto), com seu projeto Girl Talk. O produtor utiliza uma técnica chamada mash-up, que consiste em colar diferentes músicas para formar uma só. E ele eleva este conceito ao máximo, pois chega a utilizar até vinte músicas em uma faixa. Mistura Nirvana, Avril Lavigne, Beyoncée e une tudo isso a batidas eletrônicas. O resultado é interessante.
Mesmo sem realizar estas mixagens ao vivo, Gregg fez muito sucesso entre os presentes por seu carisma, digamos, exagerado. Durante sua apresentação - que fez questão de realizar no chão, e não no palco, como os outros - o artista pulou, dançou, tirou a camisa e literalmente foi pra galera. Na última música, levou o microfone para o meio da pista, onde se jogou no chão, fez flexões e chegou a virar uma lata de cerveja em sua própria cabeça. Completamente maluco.
Depois de toda a fanfarrice, ficou pequeno pro norueguês Lindström, que, por sua formação musical, trouxe melodias mais sérias e estilo diferenciado. Com o ponto positivo de tocar todos os instrumentos presentes em suas músicas, Lindström agradou. Para finalizar a pista principal, a dupla de tecno Tok Tok apresentou seu live act. Detalhe: a dupla não havia sido anunciada no site do evento.
As falhas na organização deixaram os jornalistas um pouco confusos. Mas o saldo foi positivo: cobertura em tempo real e três inserções no Uol música. Orgulhinho!
Foto: PH Schneider
quinta-feira, outubro 18, 2007
E a seleção fez bonito, finalmente.
Com o perdão da expressão, ele é muito foda. Melhor do mundo!O primeiro tempo foi morno e, apesar do gol de Vágner Love (em seu melhor jogo pela seleção, pelo menos que eu me lembre), o time fez lembrar sua última e medíocre partida contra a Colômbia, em que empatou sem gols, na semana passada. Poxa, com Ronaldinho Gaúcho e Kaká, dois candidatos à vaga de melhor do mundo pela FIFA? No Maraca, porra? Muito recuo de bola, pouca garra. Chegou a me dar sono (ok, isso não é difícil).
Mas no segundo tempo, parece que o pessoal acordou. E acordou bonito, porque deu show. E eu acordei também e não dormi até o final. Com talento e criatividade, os meninos mostraram-se bem mais ofensivos e tiveram muitas chances de gol.
Ronaldinho Gaúcho esticou o pé para desviar a bola, que entrou no cantinho, ai! Quase pra fora. Foi apenas o segundo.
Pouco depois, Kaká chutou de fora da área e marcou o gol mais bonito que eu já o vi fazer. Na caixa! Ah, bons tempos em que jogava no tricolor (suspiro). Robinho pulou em cima dele pra comemorar, fizeram o típico "montinho". Achei graça, esses meninos se divertem mesmo.
Eles se divertem, mas sabem brincar. Aos gritos de "olé" dos mais de 85 mil torcedores presentes, Robinho criou um novo drible misturando outros vários, conseguiu passar a bola por um espaço mínimo entre as pernas do zagueiro equatoriano e a linha de fundo, passou por dois e cruzou para Elano marcar o quarto. Delírio.
O modesto Kaká ainda tentou uma última vez, e nem comemorou, porque achou que chutara mal. Mas não contava com o frango deprimente do goleiro. Brasil 5, Equador o. E eu emocionada.
Bóra alcançar a Argentina agora!
segunda-feira, outubro 15, 2007
A (qualidade de) vida na roça
- Você já foi lambida por um bezerro?- Não que eu me lembre.
- Então vem.
E me levou pra apanhar amoras ao lado de onde ficam as vacas. A amoreira estava carregadinha, os pequenos frutos caindo ao chão de tão doces. Delícia. Mãos e bocas vermelhos da tinta da fruta, caminhamos rumo aos bezerrinhos curiosos que se aproximaram. "Faz carinho nele." E então o bezerro mais bonitinho da região achou que poderia mamar em meus dedos. E senti na mão, pela primeira vez, a língua áspera que esses ruminantes têm. Eita, nem parece que tem raiz caipira, sô!
- Gosta de jaboticaba?
- Muito.
- Então vem.
Mas os passarinhos tinham chegado antes, e nos deixaram poucas unidades daquela bolinha preta e adocicada. Mesmo assim, deu pra lembrar bem da infância, quando pegávamos bacias e bacias de jaboticaba na casa de minha tia em Minas.
- Já pegou um carneirinho no colo?
- Não.
- Então vem.
E fui conhecer os reprodutores, as matrizes e seus filhotes. Engraçado como, ao vivo, as ovelhas realmente parecem ser bichos burros! E gritam, nossa! Precisa ver. Escolhi um peludinho, coisa mais fofa, as orelhas ainda maiores do que a cabeça, e peguei no colo. Me senti como a Felícia amassando um de seus bichinhos! Aí brinquei no chão com os dois filas e com a São Bernardo, até cansar.
- Isso é qualidade de vida - disse o tio.
Depois cheguei a São Paulo e não vi nem um passarinho. Mas recebi um vídeo engraçado:
Animais, por aqui, só no YouTube mesmo.



