quarta-feira, dezembro 26, 2007

Os 10 melhores shows de 2007

10º lugar: The Egg
Único show que fui e sobre o qual não escrevi a respeito este ano. Foi no 1200 Festival que escutei pela primeira vez o The Egg, grupo londrino que mistura elementos eletrônicos e batidas pop. Com “Walking Away”, que recebeu um remix bacana de David Guetta, o The Egg ficou conhecido mundialmente, mas é uma pena que seu último CD, “Forwards”, de 2005, não tenha tido o reconhecimento merecido. Destaque para as faixas “Say you will” e “She’s terrific”. Melhor apresentação do festival.

9º lugar: Língua de Trapo e Premeditando o Breque
A apresentação dos dois grupos na Virada Cultural deste ano, em pleno Boulevard São Bento, com meu pai a tiracolo – ídolo – foi simplesmente o máximo. Lembrei-me de quando era pequena, e ficava sentadinha com o encarte enorme do vinil nas mãos, acompanhando as letras das músicas enquanto meu pai escutava. Pontos altos: Wandi chamando meu pai no microfone, pra mostrar o álbum que levava nas mãos, e os autógrafos que conseguimos pegar depois – de todos os integrantes.

8º lugar: Céu
Esta paulistana, que além de linda tem uma voz peculiar e um jeitinho único, conquistou o oitavo lugar no ranking deste ano. Conhecia um pouco de seu trabalho, mas fiquei surpresa ao vê-la pessoalmente. Destaque para “O ronco da cuíca” e “Valsa Para Biu Roque”.

7º lugar: The Killers
Mesmo tendo acontecido de uma forma cansativa – começando às 4 da matina de segunda-feira, e depois de mais de 10 horas de maratona de shows – não há como negar a qualidade musical dos integrantes do The Killers. Brandon Flowers tem uma voz linda, que por vezes lembra até o Freddie Mercury (não me batam). Apesar da demora na montagem do palco, a banda agradou e muito, principalmente com sucessos como “Smile Like You Mean It” e “Sam’s Town”.

6º lugar: Yamandú Costa e Dominguinhos
A dupla que veio de extremos opostos do Brasil ficou com a sexta posição da lista. Yamandú ao violão, Dominguinhos na sanfona. Harmonia inesperada. Qualidade impecável. Em determinado momento, Yamandú canta “Negrinho do Pastoreio”, e Dominguinhos responde com “Forró no Escuro”. Lindo, lindo.

5º lugar: LCD Soundsystem
A festinha privê que James Murphy e sua banda proporcionaram para os poucos presentes no Via Funchal, em novembro, foi o máximo. Pista deliciosa, disco-punk em seu melhor exemplo, finalização apoteótica com “New York, I Love You, But You’re Bringing Me Down”.

4º lugar: Scorpions
Nem a lotação claustrofóbica do Credicard Hall, nem o atraso de mais de meia hora, retiraram o posto dos Scorpions de quarto melhor show do ano. Mesmo com a idade avançada, os tiozinhos mostraram que ainda estão em plena forma, e arrebentaram com uma mistura de clássicos (“Hurricane 2001”, “Wind of Change” e outras) e sons do álbum novo, “Humanity Hour 1”.


3º lugar: Bjork
A inconfundível “esquimó” realizou um show lindo no último Tim Festival, e conquistou o terceiro lugar na minha lista. Mostrou uma potência vocal incrível (pra quem gosta do seu timbre estridente), estava acompanhada por instrumentos clássicos de sopro e ultramodernos, como o audio pad, além de um grupo de meninas instrumentistas islandesas. Efeitos visuais, cenários, tudo perfeito. Finalização com “Declare Independence” e chuva de papéis. Incrível!


2º lugar: Placebo
Sou suspeita para falar do Placebo, porque gosto muito. Neste ano, o baterista Steve Hewitt deixou o trio, uma baixa triste, mas parece que todos estão bem, não houve uma briga, somente vontade de seguir outros caminhos. Enfim, só sei que (EBA!) tive a oportunidade de vê-los ainda completos, em abril deste ano. Brian Molko, como sempre, provou que a vida junkie ainda não fez efeitos sobre sua voz, e o show foi o máximo, com músicas do álbum mais recente, “Meds”.

1º lugar: Arctic Monkeys
Os Arctic Monkeys fizeram não só o melhor show do Tim Festival, mas também o melhor do ano, na minha modesta opinião. Os rapazes são extremamente talentosos e imprimem personalidade em cada faixa. Músicas rápidas, bateria claramente influenciada pelo punk-rock, letras muito boas e pausas estratégicas nas músicas. Além disso, seu álbum mais recente, “Favourite Worst Nightmare”, também está entre os melhores do ano, e mostrou que o trabalho do grupo está se aprimorando cada vez mais.

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Este ano foi bem bacana em relação a shows e, ao que parece, o ano que vem promete.

Um excelente final de ano a todos e que 2008 seja fantasticamente musical!

A partir de hoje, me encontrem debaixo de algum coqueiro em Pratigi.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Natal dos Desejos Neotix

Você está cansado de receber inúmeros votos de Boas Festas, Feliz Natal, Bom Ano Novo e que o bom velhinho blá, blá, blá?

Seus problemas acabaram!

Agora quem faz os desejos é você!

Envie pra Neotix tudo o que você sonha para o ano que vem! Você terá um espaço em nossa árvore e poderá voltar durante o ano todo para lembrar-se de correr atrás das promessas que fez.

Clique aqui!

terça-feira, dezembro 18, 2007

A era dos amigos secretos zicados acabou.

Adorei, Rô!

Nunca tive sorte em amigos secretos. Pelo contrário, sempre tive problemas. Desde que ganhei um porco de pelúcia horrível, na quinta série, recheado com bolinhas de isopor e com aspecto bem estranho, parece que o fantasma dos amigos secretos zicados pairou sobre mim.
No começo, achava que era coisa da minha cabeça.

Aí, no amigo secreto da família no ano retrasado (cujo valor do presente é de R$ 50,00), ganhei um colarzinho de biscuit que, segundo minha empregada, “custa R$ 1,99 no Largo Treze”. O problema não é só o valor, mas a decepção de ver que a pessoa que me tirou não teve a menor preocupação em encontrar algo bacana, que fosse a minha cara.

No ano passado, aqui na empresa, achei que isso iria acabar. Estávamos todos animados para a entrega dos presentes, uma turma pequena de pessoas que se conheciam bem, não tinha erro. Achei realmente que seria o primeiro presente legal que eu ganharia em um amigo secreto.

E foi, um presente muito legal. Ganhei um biquíni lindo, TAMANHO P. Hello! Olha a minha cara de quem usa ALGUMA COISA tamanho P! Bom, nem tudo estava perdido, eu poderia trocar, claro. E tentei ir até a loja, mas fui assaltada no meio do caminho e levaram tudo. Bolsa, agenda, livro. Ah sim, e o biquíni P.

Para este ano, já estava descrente que pudesse receber algo legal. Sexta-feira, um dia terrível, clientes atormentando a cabeça o dia todo, e de repente: “vamos entregar os presentes?” Um arrepio subiu pela espinha. Será que o dia poderia ficar pior?

Foi quando, com uma apresentação elogiosa, um dos meus chefes anunciou: tinha me tirado. Ao abrir o pacote, a boa surpresa: a biografia do Tim Maia e, de quebra, o “Back to Black” da Amy Winehouse. Fiquei pensando que Tim e Amy combinam super. Em todos os sentidos. Só sei que, assim que saíram do pacote, eles exorcizaram o fantasma que me rondava.


Foto: Anderson Mancini (o outro chefe)

terça-feira, dezembro 11, 2007

O show de Diana Krall aconteceu há mais de uma semana mas ainda carrego marcas...

Continuo descascando depois de passar mais de três horas sob um sol impiedoso no Parque Villa Lobos, em Pinheiros, naquele domingo sem nuvens nem tréguas.

De um modo geral, pode-se dizer que foi bacana, vai. Não conhecia o trabalho da Banda Mantiqueira, que faz versões instrumentais de grandes sucessos da música brasileira. Também conhecia só de nome a Traditional Jazz Band, e valeu a pena ter conhecido o bom trabalho daqueles senhores tão bem humorados. "Nós vamos cantar, e vocês vão ver a merda que vai sair", brincou um deles. O som estava muito baixo, e a grande área VIP fez com que os "pobres mortais" tivessem que assistir de muito longe às apresentações.

Só sei que a Traditional entrou às 10h, a Banda Mantiqueira às 11h e a tão esperada canadense foi entrar somente ao meio-dia. As pessoas protegiam-se com os bonés estrategicamente distribuídos pela Telefonica, num mar de cabeças verde-limão, quando a loira sentou-se ao piano e entonou “I Love Being Here With You”. "Aumenta o som!", eu pensava, em vão.

Entre uma música e outra, Diana declarava amor ao Brasil, e cheguei a ficar com raiva quando falou: "em meu país é muito frio, então pra mim é maravilhoso tocar com este belo sol." Belo sol porque você está na sombra, né bonitona?

Infelizmente, o parque não permite a venda de alimentos e bebidas em seu interior, ou seja, as mais de 15 mil pessoas presentes tiveram que se organizar em filas para receber os copinhos de água distribuídos pela Sabesp. Condições precárias, som baixo, e infelizmente o show de Diana Krall não foi o que esperava.

Não por ela, que tem uma voz belíssima e estava acompanhada por músicos muito competentes (destaque para a guitarra, perfeita). Mas pelo contexto, insuportável, que só consegui aguentar até “I’ve Got You Under My Skin”. Fica pra próxima, Diana.

Foto: Globo.com

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Futuro do Presente

Uma visita ao Itaú Cultural é garantia de programa no mínimo interessante.
Até 10 de fevereiro, acontece a exposição "Futuro do Presente", instalada em três andares do prédio. Com curadoria de Agnaldo Farias e Cristiana Tejo, a mostra reúne obras que remetem à noção de futuro, com um caráter por vezes lúdico, outras crítico, ou ainda com o objetivo de estimular os sentidos dos visitantes.
Dentre as diversas instalações do local, seguem alguns destaques:

"Centrípetas", de Mariana Manhães
Criado neste mesmo ano, o aparelho assemelha-se a dois avestruzes robóticos, que se mexem e emitem sons. Pode parecer engraçado, e é mesmo. Esta engenhoca é feita de membros mecânicos, fios e monitores LCD exibindo vasos que giram, falam, inspiram e expiram água. Em determinados momentos, eles perdem a compostura e começam a gritar, simultaneamente aos chacoalhos de toda a estrutura. Bem divertido.

"Falante", de Romano
Esta performance, exibida em uma tela de plasma, mostra o artista percorrendo algumas das principais ruas de São Paulo com uma mochila presa às costas. Esta possui uma caixa de som acoplada, e o artista filma a reação das pessoas nas ruas diante da frase "Não! Não preste atenção!" entoada de diversos modos. Impossível não prestar atenção.

"Elemento desaparecendo/Elemento desaparecido", de Cildo Meireles
Preocupado com o futuro do planeta, o artista projetou um picolé feito somente com água mineral. No espaço, há um freezer com picolés de diferentes cores, todos com o nome "elemento desaparecendo/elemento desaparecido". Em alguns pontos da cidade, estão sendo distribuídos picolés ao público, e a idéia é chamar a atenção para a escassez de água por meio da efemeridade do gelo.

"Jardim Suspenso", de Chiara Banfi
A instalação é composta por duas mesas de aço em que foram plantadas erva-cidreira e citronela. As mesas possuem um orifício central, em que o visitante pode introduzir a cabeça, estabelecendo experiências visuais e olfativas interessantes.

Na verdade, fui ao Itaú Cultural para conhecer o trabalho do fotógrafo paraense Alexandre Sequeira (indicação de Karina Bueno), que participou do projeto "Portfólio". Suas imagens representavam os personagens de um conto da escritora carioca Bruna Beber, sobre a vida em uma pequena vila no sertão nordestino, e foram impressas em tecidos inusitados, como toalhas de mesa floridas, redes e lençóis.

Infelizmente, a exposição fotográfica terminou em 25 de novembro, mas fica a dica para a mostra "Futuro do Presente" e, para quem quiser conhecer o projeto "Portfólio", será exposto até o dia 20 de janeiro o trabalho de outro fotógrafo, o paulistano José Frota.

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149 (Próxima a estação Brigadeiro do metrô)
De terça a sexta, das 10 às 21h
Sábados, domingos e feriados, das 10 às 19h
Entrada gratuita

segunda-feira, novembro 19, 2007

LCD Soundsystem

O norte-americano James Murphy (foto) é um dos ícones da mistura rock-eletrônica que surgiu com força no início dos anos 2000. Além de ser cantor, multiinstrumentista, produtor e dono da gravadora DFA Records, Murphy é o grande nome por trás do sucesso do grupo LCD Soundsystem, representante do gênero, que tocou na semana passada em São Paulo.

A casa de shows Via Funchal estava praticamente vazia quando subiu ao palco o DJ e produtor Axel Willner, responsável pelo live de techno The Field, que abriria para o grupo. Um globo espelhado era o único elemento cenográfico, e anunciava que a noite seria de festa.

Willner consegue aliar as batidas secas do techno à melodias emocionantes, que preenchem o ambiente, e com isso confere uma linguagem muito interessante às músicas. O estilo não faz o meu gosto, mas não posso deixar de reconhecer a qualidade musical do sueco.

Com uma hora de apresentação, The Field recebeu os aplausos de uma pista modesta, porém mais numerosa. O Via Funchal não preenchera sequer 50% de sua capacidade, o que foi bom para dançar e circular com tranquilidade pela pista.

Em pouco tempo, o LCD Soundsystem começou a se posicionar. O grupo possui grandes talentos em sua composição, entre eles Nancy Whang, que além de cantar comanda os sintetizadores e teclados, e o guitarrista e percussionista Al Doyle, que também integra o Hot Chip.

Com uma disposição estrategicamente diferenciada (bateria na parte da frente, ao lado do vocalista, que conferiu mais força e destaque para as batidas punk), a banda começou o show às 23h15. Vestindo uma camiseta com as cores do arco-íris - a mesma que usou no Skol Beats do ano passado - James Murphy mostrou que sua voz não é das mais afinadas, mas as técnicas que trabalha na hora de cantar, juntamente com sua presença de palco e a harmonia arquitetada entre os membros da banda, proporcionou um dos melhores shows do ano.

Grande parte das músicas apresentadas compõem o último álbum do grupo, "Sound of Silver". A música de abertura, "Us v Them", foi uma delas, assim como a seqüência "Time To Get Away", "North American Scum" e "All My Friends", que teve ótima recepção do público. Mesmo assim, o LCD não deixou de tocar outros sucessos que marcaram sua carreira. "Daft Punk Is Playing At My House" e "Yeah", tocada no bis, foram alguns dos clássicos hits da banda.

Algumas faixas lembram os pioneiros do Kraftwerk, outras mostram clara influência do New Order, mas o importante é que o grupo imprime personalidade em cada canção. Murphy cantava de olhos fechados, com emoção exacerbada, e chegou a tocar alguns instrumentos de percussão para dar ainda mais força à bateria de Pat Mahoney.

Para acalmar os ânimos depois de quase uma hora e meia de apresentação, o grupo fechou com a belíssima "New York, I Love You, But You´re Bringing Me Down", música que possui altos e baixos até culminar em um final emocionante.

Foto: PH Schneider

quinta-feira, novembro 08, 2007

Fora de órbita

Consegui dois ingressos pro Festival Planeta Terra a R$ 20,00 e não vou por falta de companhia.

Ufa, desabafei.

Agora vou comer um chocolate gigante pra ver se passa a tristeza.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Sinal do que na verdade está mais que certo

Toda vez que eu viajo acontece uma desgraça em São Paulo. Ok, isso não pode ser referência porque elas acontecem diariamente por aqui. Mas essas grandes, voltando assim de viagem, fazem pensar.
Nas férias, em julho, saí de 42ºC e um céu maravilhoso pra pousar ao lado de um edifício chamuscado em que batera um avião. 10ºC, em pleno meio-dia. O céu acinzentado me gritava "sai daqui". A dor de ter que voltar, de passar todos os dias em frente aos escombros, dor de pensar que eu poderia estar passando em frente ao prédio quando o avião bateu, que ele caísse para o lado oposto, bem em cima da minha casa.
Agora, voltando de um feriado-delícia em Monsenhor, ainda rindo de 'causos' engraçados que escutei por lá, vi que um avião caiu ao lado do Campo de Marte. Sim! Lá onde a melhor amiga mora.
O balde de água fria veio junto com a chuva fina que não parou de cair. O céu mais cinza do que nunca anunciou "vai embora. Tá fazendo o que aqui ainda?" E a nuvem negra vez mais perto.

quinta-feira, novembro 01, 2007

É PENTA!

Desculpa, somos os primeiros pentacampeões brasileiros.
Somos a equipe a vencer o campeonato com maior antecedência.
O único time brasileiro a conquistar o mundial três vezes.
Pra ficar perfeito, só falta o Corinthians cair.
AFUNDA!

quarta-feira, outubro 31, 2007

Tiiiim Festival!

O Tim Festival, realizado no último domingo no Anhembi, começou cedo pra mim. Por volta das 16h30, horário em que abriram a entrada de imprensa, lá estávamos nós. O local recebia as primeiras pessoas que, animadas, corriam para garantir seu lugar na grade. Tsc tsc tsc. Horas mais tarde (MUITAS horas mais tarde), eu as veria vermelhas de sol, com o cansaço estampado no rosto, esmagadas contra a grade e, em alguns casos, carregadas por bombeiros até o posto médico.

O evento começou com atraso - que se prolongaria como uma bola de neve de show em show. O Spank Rock, primeiro grupo a se apresentar, mostrou batidas e vocais de hip hop, unindo-os a percussionistas. “Aquele ali é que é o Olodum?", escutei de um amigo bem-humorado. Isso representou a reação do público em geral. Não se entendia muito bem o que o Spank Rock fazia lá. Pô, vem fazer percussão no Brasil? O Otto, da área VIP, que também é percussionista, devia estar dando risada.

Em seguida, entrou o Hot Chip, do qual eu conhecia apenas o hit “Over and Over”. Confesso que me surpreendi com a apresentação, apesar da pane no sistema de som que interrompeu o show por quase meia hora. O vocalista, Alexis Taylor, é daqueles caras que você olha e não dá nada. Baixinho, de óculos, carinha de nerd, o britânico surpreende quando começa a cantar. Uma voz limpa, afinadíssima, gostosa de ouvir. Gostei.

Mas era a Björk que eu estava esperando. Com um cenário formado por bandeiras fluorescentes com motivos orientais, o show da islandesa foi produzido para se ouvir e se ver. Logo entrou uma orquestra de garotas islandesas, com instrumentos de sopro e roupas coloridas. Ouviram-se os primeiros gritos, era ela.

Trajando um vestido com as cores do arco-íris e um chapéu exótico, Björk iniciou a apresentação com “Earth Intruders”, com a qual abre também seu último CD, “Volta”. A partir de então, foi uma mistura de músicas novas e grandes sucessos, como “Hyperballad” e “Hunter”. O Anhembi veio abaixo.

Com efeitos especiais, chuva de papéis picados e o potente e agudo vocal da mulher que parece menina (está para completar 42 anos), o show foi lindo, e uniu instrumentos clássicos e as mais modernas tecnologias. Foi utilizado inclusive um áudio pad, espécie de mesa em que são coordenados efeitos musicais com o toque da mão. Björk finalizou com “Declare Independence”, e anunciou em seu inglês mais que peculiar: “I’m very happy to be in Brasil”, agradecendo com um “opigato” charmosérrimo.

Pouco depois, entrou a hollywoodiana Juliette Lewis e a banda The Licks. Já havia escutado bastante coisa dela, e estava ansiosa para vê-la ao vivo. Desde o momento em que subiu no palco, com a pena na cabeça característica, parece que baixou um santo em Juliette, sem brincadeira. A moça se jogou no chão, se enrolou com a bandeira do Brasil, se debateu e gritou a cada música. Mostrou que, para fazer sucesso, é preciso atitude, antes até de uma boa voz (que ela não tem).

Com uma apresentação totalmente clichê, porém de qualidade, Juliette and the Licks agradaram, com músicas já conhecidas como “Sticky Honey” e “You’re Speaking my Language.” Peguei uma simpatia grande pela atriz, que é muito carismática.

Juro que, cansada, após o show, cheguei a pensar: “ainda tem o Arctic Monkeys. Quero logo o the Killers!” Me arrependi de pensar assim, acho que subestimei os meninos. O Arctic Monkeys fez, sem dúvida, o melhor show do festival.

Com batidas e vocais rápidos, o grupo conseguiu demonstrar criatividade e inovação. Suas músicas têm pausas estratégicas, voltam no contra-tempo, e fogem totalmente dos padrões, mesmo utilizando os instrumentos básicos guitarra + baixo + bateria.

Com canções como “Mardy Bum”, “Do Me a Favour” e “Fake Tales of San Francisco”, o Arctic Monkeys provocou histeria nos mais de 20 mil presentes. Eu era um deles.

Completamente tocada pelo show, e muito cansada (já que terminou por volta das 3 da manhã, horário que eu achei que fosse terminar o festival), aguardei sem paciência o show do The Killers, último da noite. O cenário, totalmente elaborado, com um tecido vermelho de veludo ao fundo, onde penduraram um letreiro luminoso escrito “Sam’s Town”, tinha muitas flores espalhadas e luzes que envolviam desde o órgão de Brandon Flowers, até os sintetizadores e a bateria.

Uma hora (e muito menos paciência) depois, os integrantes do Killers entraram. Brandon, com seu habitual bigodinho, demonstrou um carisma e um controle do público incríveis, além de ter uma voz linda.

Mesmo animada, principalmente com os sucessos “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It” e “Mr. Brightside” (que escutei do estacionamento, porque não tinha mais pernas), o show do Killers não surpreendeu. Eles cumpriram com seu papel, fizeram uma apresentação bacana, mas a impressão que eu tive era a de que nada poderia ter sido melhor do que o show anterior.

Saldo final: palmas para a Björk, com seu show impecável, e palmas para o Arctic Monkeys, que mostrou que músicas criativas e profissionalismo são mais importantes que se debater no palco ou armar um cenário espalhafatoso.

Foto: PH Schneider

terça-feira, outubro 30, 2007

Girl Talk just wanna have fun

A noite dedicada à música eletrônica no Tim Festival, batizada "Tim Festa", aconteceu na última sexta-feira.

O local escolhido foi a casa noturna gay The Week, que é enorme e muito bem decorada. Com piscina, deck, duas pistas, quatro bares e muitas luzes, a casa foi bem escolhida para a realização do evento.

As atrações não eram das mais chamativas, e por isso o público foi menor do que o esperado. A pista principal foi aberta pelo britânico Sinden, que faz dupla com Hervè no Count of Monte Cristal. Não sei se os participantes estavam muito preocupados com isso, mas Sinden não ia tocar sozinho, e acabou tocando. A produção não avisou, mas Hervè nem apareceu. Sinden abriu com uma mistura de funk carioca com batidas do house, e desenrolou sua apresentação com qualidade, mesclando tecno, house e hip hop.

Enquanto isso, na outra pista, Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo (alguém sabia que eles tocavam?) apresentaram um back to back de eletro e pop dos anos 90. Só que ninguém ficou sabendo que estava rolando esta outra pista (mais uma falha da organização, que deveria ter entregue uma programação com o line-up), então os dois tocaram para umas duas ou três pessoas. Sem exagero.

Depois deles, o alemão Daniel Haaksman mostrou por que é o maior disseminador do funk carioca na Europa (lançou dois álbuns dedicados ao estilo) e tocou todo tipo de ritmo africano. Muito groove, viradas de qualidade, e mais uma vez para meia dúzia de pessoas que sem querer passaram por ali.

Na pista principal, após Sinden, veio a apresentação mais esperada da noite: o norte-americano Gregg Gillis (foto), com seu projeto Girl Talk. O produtor utiliza uma técnica chamada mash-up, que consiste em colar diferentes músicas para formar uma só. E ele eleva este conceito ao máximo, pois chega a utilizar até vinte músicas em uma faixa. Mistura Nirvana, Avril Lavigne, Beyoncée e une tudo isso a batidas eletrônicas. O resultado é interessante.

Mesmo sem realizar estas mixagens ao vivo, Gregg fez muito sucesso entre os presentes por seu carisma, digamos, exagerado. Durante sua apresentação - que fez questão de realizar no chão, e não no palco, como os outros - o artista pulou, dançou, tirou a camisa e literalmente foi pra galera. Na última música, levou o microfone para o meio da pista, onde se jogou no chão, fez flexões e chegou a virar uma lata de cerveja em sua própria cabeça. Completamente maluco.

Depois de toda a fanfarrice, ficou pequeno pro norueguês Lindström, que, por sua formação musical, trouxe melodias mais sérias e estilo diferenciado. Com o ponto positivo de tocar todos os instrumentos presentes em suas músicas, Lindström agradou. Para finalizar a pista principal, a dupla de tecno Tok Tok apresentou seu live act. Detalhe: a dupla não havia sido anunciada no site do evento.

As falhas na organização deixaram os jornalistas um pouco confusos. Mas o saldo foi positivo: cobertura em tempo real e três inserções no Uol música. Orgulhinho!

Foto: PH Schneider

quinta-feira, outubro 18, 2007

E a seleção fez bonito, finalmente.

Com o perdão da expressão, ele é muito foda. Melhor do mundo!

Na partida de ontem fiquei profundamente orgulhosa do futebol desses meninos.

O primeiro tempo foi morno e, apesar do gol de Vágner Love (em seu melhor jogo pela seleção, pelo menos que eu me lembre), o time fez lembrar sua última e medíocre partida contra a Colômbia, em que empatou sem gols, na semana passada. Poxa, com Ronaldinho Gaúcho e Kaká, dois candidatos à vaga de melhor do mundo pela FIFA? No Maraca, porra? Muito recuo de bola, pouca garra. Chegou a me dar sono (ok, isso não é difícil).

Mas no segundo tempo, parece que o pessoal acordou. E acordou bonito, porque deu show. E eu acordei também e não dormi até o final. Com talento e criatividade, os meninos mostraram-se bem mais ofensivos e tiveram muitas chances de gol.

Ronaldinho Gaúcho esticou o pé para desviar a bola, que entrou no cantinho, ai! Quase pra fora. Foi apenas o segundo.

Pouco depois, Kaká chutou de fora da área e marcou o gol mais bonito que eu já o vi fazer. Na caixa! Ah, bons tempos em que jogava no tricolor (suspiro). Robinho pulou em cima dele pra comemorar, fizeram o típico "montinho". Achei graça, esses meninos se divertem mesmo.

Eles se divertem, mas sabem brincar. Aos gritos de "olé" dos mais de 85 mil torcedores presentes, Robinho criou um novo drible misturando outros vários, conseguiu passar a bola por um espaço mínimo entre as pernas do zagueiro equatoriano e a linha de fundo, passou por dois e cruzou para Elano marcar o quarto. Delírio.

O modesto Kaká ainda tentou uma última vez, e nem comemorou, porque achou que chutara mal. Mas não contava com o frango deprimente do goleiro. Brasil 5, Equador o. E eu emocionada.

Bóra alcançar a Argentina agora!
Foto de Flávio Florido/UOL

segunda-feira, outubro 15, 2007

A (qualidade de) vida na roça

- Você já foi lambida por um bezerro?
- Não que eu me lembre.
- Então vem.

E me levou pra apanhar amoras ao lado de onde ficam as vacas. A amoreira estava carregadinha, os pequenos frutos caindo ao chão de tão doces. Delícia. Mãos e bocas vermelhos da tinta da fruta, caminhamos rumo aos bezerrinhos curiosos que se aproximaram. "Faz carinho nele." E então o bezerro mais bonitinho da região achou que poderia mamar em meus dedos. E senti na mão, pela primeira vez, a língua áspera que esses ruminantes têm. Eita, nem parece que tem raiz caipira, sô!

- Gosta de jaboticaba?
- Muito.
- Então vem.

Mas os passarinhos tinham chegado antes, e nos deixaram poucas unidades daquela bolinha preta e adocicada. Mesmo assim, deu pra lembrar bem da infância, quando pegávamos bacias e bacias de jaboticaba na casa de minha tia em Minas.

- Já pegou um carneirinho no colo?
- Não.
- Então vem.

E fui conhecer os reprodutores, as matrizes e seus filhotes. Engraçado como, ao vivo, as ovelhas realmente parecem ser bichos burros! E gritam, nossa! Precisa ver. Escolhi um peludinho, coisa mais fofa, as orelhas ainda maiores do que a cabeça, e peguei no colo. Me senti como a Felícia amassando um de seus bichinhos! Aí brinquei no chão com os dois filas e com a São Bernardo, até cansar.

- Isso é qualidade de vida - disse o tio.

Depois cheguei a São Paulo e não vi nem um passarinho. Mas recebi um vídeo engraçado:


Animais, por aqui, só no YouTube mesmo.

quinta-feira, outubro 11, 2007

EU VOU NO TIM FESTIVAL

E não quero nem saber se a cabeça dói há um mês, nem pensar que demoro duas horas pra voltar pra casa, nem me preocupar com as milhares de coisas minhas e dos outros que eu sempre me preocupo mesmo sem querer.

O que eu sei é que vou ver a Björk!
Ainda mais agora que viciei em "Volta" há dias...

E vou ver The Killers, Arctic Monkeys e Juliette and the Licks.
Fora os brindes de sexta na The Week.

AMO.

terça-feira, outubro 09, 2007

Who's gonna drive you home tonight?

Era uma segunda-feira chata e cinza como muitas outras. Acordei, tomei meu café e fui até o ponto, esperar o ônibus que me deixa na porta do prédio em que trabalho. Desde que a empresa mudou-se, eu estava satisfeita com este ônibus pois, apesar de pegá-lo cheio, não precisava pegar outro, era só ele e pronto. Na ida e na volta.

Pois então, mas nesta segunda foi diferente. Esperei um pouco no ponto, até que ouvi dizer que aquela linha não existe mais. Foi então que apelei ao plano B, o outro ônibus, e andei mais uns quarteirões até o ponto em que ele costuma passar.

Foram mais de trinta minutos de espera, perguntando às pessoas se ele ainda passava ali, sempre com resposta positiva. Aí resolvi perguntar a um motorista de ônibus, que avisou: "essa empresa foi fechada, dona."

Ótimo, e eu ali esperando. Belo acontecimento pra uma segunda de manhã, né? Então fui até o metrô, partindo para o plano C. Nem preciso dizer que a cabeça começou a doer nesse meio-tempo. A lotação, que fez juz ao seu nome, saiu do ponto final em menos de 5 minutos, e em meia hora estava no trabalho.

Até aí, sem problemas. A partir de amanhã, já vou direto ao metrô e pego a lotação. Só busquei saber onde poderia pegá-la na volta. Então, saí do trabalho às 18 em ponto, pra ver que horas conseguiria chegar em casa.

Sentei-me na lotação às 18h30, o tempo de andar até o ponto e esperá-la chegar. A única coisa que pensei foi: "espero que ela não pegue a Berrini." Claro, claro que ela entrou à esquerda, sentido Berrini.

Eram 19h00 quando resolvi saltar do veículo. Eu ainda não havia andado sequer dois quarteirões, e estava ridiculamente em frente ao mesmo prédio. Farol abria, fechava. E o ônibus nada. Nem uma revista pra acompanhar, o titio Marco Antonio mandando Led Zeppelin na Kiss... quer saber? Resolvi fazer o trajeto mais longo, porém com menos trânsito. Era só pegar um até a Vieira de Moraes, e outro até minha casa.

Sim, isso se o bendito Estação da Luz não tivesse demorado mais 20 minutos pra passar. Aí fui pro PH, porque o ônibus pra casa dele passou antes do meu. Cheguei às 20h00.

Eu concordo que, depois que se soltou a roda daquele ônibus e matou uma pessoa, os veículos tenham que ser retirados para revisão. Só que, diante disso, acabar com linhas de ônibus sem sequer avisar, e deixar centenas de pessoas sem opção de transporte?

É pedir demais querer chegar em casa depois de um dia de trabalho?

quarta-feira, outubro 03, 2007

Maria me levou pro céu

A menina Céu é como a gente, olhando assim. Mas quando sobe no palco deixa aflorar toda a sua personalidade, que não é fraca, e o seu talento, que não é pouco.

Ela é muito mais do que um rosto bonito e uma voz afinada. Transparece sensualidade e meiguice ao mesmo tempo, num equilíbrio apaixonante. Sabe trabalhar muito bem o seu peculiar tom de voz. Seu carisma de menina tímida encanta.

O show, pra mim, foi perfeito. Acompanhada por uma talentosa banda, com percussão, bateria, baixo, guitarra, teclado e pickups, a paulista cantou todas as músicas que eu queria ouvir, e mais algumas.

Passou pelas já conhecidas canções de seu CD “Céu”, arriscando uma versão da emocionante “Valsa pra Biu Roque” com acordeão, no lugar do bandolim que a acompanha no álbum.

Fica difícil escolher um ponto alto do show, porque todas as músicas foram lindas e lindamente cantadas e tocadas. Mas não posso negar que o arrepio foi maior ao escutar “O ronco da cuíca”, de João Bosco, interpretada com muito sentimento.

A sensação que tive com o show da Céu é que ela segue seus instintos para compor as músicas. Ela não está ligada a um estilo, passeia pelo jazz, reggae, samba e até hip hop com muita liberdade, e parece não estar preocupada com rótulos. Ela é o que é, gostem ou não, e essa naturalidade cativa.

Estou em estado de graça até agora. Aliás, literalmente, agradeço à Lygia Roncel pela graça alcançada! :)

terça-feira, outubro 02, 2007

No mundo todo, e agora em São Paulo

Fazia um tempo que estava com vontade de conhecer o Club Pacha. Com unidades em diversos países do mundo, como Espanha, Egito e até Marrocos, a boate é conhecida pela estrutura diferenciada e pela boa qualidade do som.

A melhor oportunidade para conhecê-la - já que os preços de entrada são abusivos - foi o coquetel oferecido pela Pioneer, na última sexta, 28 de setembro. Os convidados chegavam um pouco antes, havia bebida e pizza à vontade e, depois de aberta ao público, a casa receberia o lendário Andy Fletcher, tecladista e co-fundador do Depeche Mode (grupo da década de 70 que ajudou a introduzir sonoridades eletrônicas no pop), que faria um Dj set.

Não se pode negar que a casa é realmente bonita. Um galpão com pé-direito bem alto, lustres coloridos e duas pistas de dança, com diversos telões. Bem estruturado, o banheiro é grande e a todo momento recebe um trato da equipe de limpeza.

Apesar de não poder beber o bom champagne francês Mumm (estava tomando remédio), consegui aproveitar bastante o som do Monsters at Work, que tocou enquanto rolava o coquetel. Gente bonita, aparentemente civilizada. Até que abriram-se os portões e a legião de patricinhas e playboys mal educados, que pagavam de R$ 80,00 a R$ 2.000,00 pela entrada, coneçaram a invadir o recinto.

Você pagaria R$ 2.000,00 pra ficar naquela área ali de cima?


Carlo Dall'anese abriu para Andy, tocando tech-house. Decaiu um pouco no decorrer da sua apresentação, mas mesmo assim conseguiu manter a pista animada. Quando Fletcher entrou, o público vibrava! Mesmo que, com certeza, a grande maioria não saiba quem ele é, muito menos o que representa para a música eletrônica.

O senhor, que aparenta uns 50 anos, comandou durante algumas horas dois CDJs e duas pickups, e mostrou habilidade no manuseio dos aparelhos. Confesso que fiquei um pouco decepcionada com suas viradas, algumas vezes grotescas, mas a seleção das músicas foi boa, alguns remixes do Depeche Mode... li que ele fechou com Enjoy the Silence, a minha preferida, só que não fiquei até o final pra conferir. A sensação claustrofóbica estava forte, muitas e muitas pessoas não se contentavam em dançar, queriam era ficar andando.

Pra completar, a bebida na casa é caríssima. Ao final do coquetel, uma água custava R$ 6,00 e, uma cerveja em lata, R$ 9,00. Não vou nem contar o valor do combo vodca + energético, pra não chocar. Ainda bem que eu não estava bebendo!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Top 3 pérolas infantis

Em terceiro lugar: meu irmão, então com 2 anos e meio, vendo minha mãe sair de casa com uma barriga enorme e voltando com um bebê no colo:

- Mãe, onde fica o seu zíper?

Em segundo lugar: minhas primas, então com 6 e 8 anos, me contando as novidades:

- Sabe Mari, agora nós estamos fazendo aula de compitador!
- Não seja burra, Isadora, não é compitador. É MICRO compitador!

E em primeiríssimo lugar: o filho do caseiro, jogando bola com os meninos, e tomando uma bolada na barriga:

- Ai, meu imbigo!
- Não é com I menino, é com U!
- Ai, meu IMBUGO!

terça-feira, setembro 18, 2007

A fita cassete paralela

Alice era uma garota muito esperta, até demais para a sua idade. Sempre que olhava pra ela, estava quieta, observando, pra dali a pouco soltar uma de suas célebres perguntas. Outro dia lançou: "mamãe, mas por que sessão de cinema é com dois esses e seção de supermercado é com cedilha?"

E eu, que não gosto de responder qualquer coisa, ficava pensando na melhor maneira de responder àquelas questões que nem eu mesma sabia solucionar.

Um dia, Alice me pediu que a inscrevesse em um curso de catecismo. Aregalou seus olhinhos cor de mel e disse: "Quero fazer a primeira comunhão, mamãe, assim como a Celeste da minha escola". Eu não a batizei e nunca a forcei a nada, então resolvi levá-la.


***

Desde que mamãe me colocou na catequese, aprendi muita coisa. Hoje, a professora me disse que Maria engravidou sem ter tido nenhum tipo de relação com homem, e dela nasceu Jesus. Eu não entendi nada, e perguntei se haveria alguma possibilidade de eu ter um neném assim, igual à Maria, como num passe de mágica. A turma toda riu, mas a professora não. E ela ficou brava, eu acho, porque pegou uma varinha e me bateu nas costas da mão.

Eu só sei que, depois que aprendi a rezar o pai-nosso, ele não sai da minha cabeça. Primeiro era o Pai, o Filho e o Espirito Santo, pra depois virar a oração inteira. Sei lá, a sensação que tenho é a de que há duas fitas cassete rodando dentro da minha mente. Antes tinha uma só, que ia rodando os pensamentos que se passavam pela minha cabeça, as coisas que eu lia e escutava, até aquelas músicas que de vez em quando não desgrudam, mas agora são duas.

Em uma delas, fica passando o pai-nosso, e na outra, as coisas normais. Confesso que isso me incomoda, sabe. Não que eu não goste da oração, muito pelo contrário! Até acho que ela é bem simpática. Só que, tem horas, que ela começa a tocar mais alto do que a fita original, e eu não consigo me concentrar no que estou fazendo. Poxa, gosto tanto de ler, mas muitas vezes não consigo por causa desta fita que surgiu e ficou.

Deve haver uma forma de tirá-la de dentro da minha mente. Talvez como num passe de mágica, assim como foi a gravidez de Maria! É, preciso pensar em uma forma de desligar essa fita. Deve haver um pause que seja, quem sabe até um stop. Só o que eu não posso é perguntar isso pra professora, vai que levo mais uma varinhada na mão. Bom, tentemos a mamãe...

quinta-feira, agosto 30, 2007

Eu coração Gabo

"Ah, de volta a Macondo. Já estava com saudades." Foi o que senti ao começar a ler "A revoada", de Gabriel García Márquez. Como se estivesse visitando novamente uma daquelas cidadezinhas de Minas Gerais, que parecem paradas no tempo, mas que deixam uma sensação gostosa na gente quando se vai embora.

Publicado anteriormente no Brasil como "O enterro do diabo", o romance de estréia do escritor conta pela primeira vez a história de Macondo, povoado que ficou conhecido com "Cem anos de solidão", anos depois.

É a narrativa do enterro de um médico que chegara ao vilarejo vinte e cinco anos antes, e em cujos olhos "duros e amarelados" não se podia ver alma nem sentimento. O homem, que tinha hábitos estranhos, era odiado por todo o povo, com exceção do coronel - do qual não se diz o nome - que tem por ele compaixão e respeito.

São três narradores: o coronel, sua filha Isabel e seu neto, que, paralelamente à descrição da cena do enterro, contam um pouco de suas vidas e dos anos anteriores naquela cidade que parece parada no tempo. A utilização de linguagens e termos diferentes ajuda o leitor a não se perder entre as personagens, que se alternam na narrativa.

O que mais me encantou neste livro não foi a história em si, que inclusive, já demonstrava a vocação de García Márquez para tratar de personagens solitários. O mais incrível, pra mim, foi pensar que, aos 22 anos, Gabo já tinha a capacidade de encher seus leitores de prazer com descrições ricas em detalhes e composições de frases tão perfeitas:

Do menino:
"O calor é sufocante na sala fechada. Ouve-se o zumbido do sol nas ruas, nada mais. O ar é parado, concreto; tem-se a impressão de que se poderia cortá-lo com uma lâmina de aço. Na sala onde colocaram o cadáver sente-se a presença de baús, mas não os vejo em nenhuma parte. Há uma rede num canto, com um dos punhos presos no armador. Um forte cheiro de restos. E creio que as coisas arruinadas e quase desfeitas que nos rodeiam têm o aspecto das coisas que devem cheirar a restos, mesmo que tenham outro cheiro."

De Isabel:
"Por esse motivo também é que eu deveria ter deixado o menino em casa; para não comprometê-lo nessa confabulação que agora se encarniçará em torno de nós como o fez o doutor durante dez anos. O menino deveria permanecer à margem desse compromisso. Nem ao menos sabe por que está aqui, por que o trouxemos a este quarto cheio de escombros. Permanece silencioso, perplexo, como se esperasse que alguém lhe explicasse o significado de tudo isso; como se aguardasse, sentado, balançando as pernas e com as mãos apoiadas na cadeira, que alguém lhe decifre esse espantoso enigma. Quero ficar segura de que ninguém o fará; de que ninguém abrirá esta porta invisível que o impede de ir além do alcance dos seus sentidos. Várias vezes já me olhou e eu sei que me vê estranha, desconhecida, com este vestido fechado e este chapéu antigo que pus para não ser identificada nem mesmo pelos meus próprios pressentimentos."

Do Coronel:
"Poucos dias depois, ele voltaria para sempre da barbearia e se fecharia no quarto. Naquela última noite, porém, no corredor, uma das mais cálidas e densas de que me recordo, ele mostrou-se compreensivo como em poucas ocasiões. A única coisa que parecia viver em meio àquele imenso forno era o surdo revérbero dos grilos excitados pela sede da natureza, e a minúscula, insignificante e no entanto desmedida atividade do alecrim e do nardo, ardendo no centro da hora deserta. Ambos ficamos calados um instante, suando essa substância gorda e viscosa que não é suor mas a baba solta da matéria viva em decomposição."

E, novamente, de Isabel:
"- E como vai você com o negócio? - disse. Meme sorriu. Seu sorriso era triste e taciturno, como se não fosse o resultado de um sentimento atual, mas como se o tivesse guardado na gaveta e só tirasse nos momentos indispensáveis, mas usando-o sem qualquer propriedade, como se o uso pouco freqüente do sorriso lhe houvesse feito esquecer a maneira normal de utilizá-lo."