quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Como me fudi no show dos Los Hermanos (sic)
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Meu carnaval? Senta aí que eu te conto!
E aí, sobe um pouco mais. Enquanto sobe, olha a vegetação, típica das regiões montanhosas. Muito pinheiro, araucária... Também, são mais de 1.400 metros de altitude, lá é a região da Serra da Mantiqueira. E não deixa de reparar também no rio que passa sempre ao lado da estradinha de terra. Volumoso, faz aquele barulho de água que é gostoso de ouvir pra dormir.
Em um determinado momento, você vai ver uma grande placa da prefeitura, dando as boas-vindas aos visitantes. Como protesto, em cima dela, uma faixa feita pelos moradores: “Visitantes, desculpem os buracos. A prefeitura de Itatiaia não se importa com a região”. É, realmente o trajeto seria bem mais rápido e seguro se não tivesse tanto buraco.
Um pouco mais de subida, passam diversas placas. Tem hora que parece que sua cabeça vai entrar em parafuso! São realmente muitas placas, apontando para pousadas, campings, restaurantes, cachoeiras... Ah sim, porque o que mais tem por lá são cachoeiras.
Bom, você sobe até chegar à vila de Maringá. Também é uma graça. Cheia de lojas de decoração e artesanato, um centrinho com restaurantes, fábrica de chocolate... Aquele mesmo esquema: tudo de madeirinha, um charme só. Mas também não foi aí que eu fiquei.
Foi na última e mais alternativa das vilas que eu me hospedei: Maromba. É lá que os hippies se instalaram hehe (você tinha alguma dúvida de que eu ficaria nesta vila?). Terra de maluco mesmo, onde o point da cidade chama-se Jamaica e a única alternativa à noite é o bar do Raulzito, em que toca muita música brasileira e, é claro, Raul Seixas pra dar e vender. Em frente à igreja, barraquinhas de artesanato. Na casa ao lado, a placa: favor não estacionar seu cavalo aqui. Achei um barato!
No primeiro dia do carnaval, estava um dia lindo! Você pode imaginar pela foto do nascer do sol, né? Armamos o acampamento com a maior estrutura: gazebo, churrasqueira, mesa, cadeiras... Só faltou o frango e a farofa! Hahahaha. Mas é gostoso acampar assim, sabe, porque não passa perrengue!
Bom, aproveitamos o tempo bom e fomos conhecer a cachoeira mais famosa do local: a do Escorrega (foto abaixo). Ela leva esse nome porque a água desce por uma pedra que, com o passar do tempo, transformou-se em um enorme escorregador. Eu experimentei a sensação de entrar numa máquina de lavar roupa assim que toquei a água. Você é literalmente arremessado contra a água, e por mais que se esforce, não tem como evitar que vire uma cambalhota pra trás. Saí da água toda entupida, mas valeu a pena, foi bacana.
Só sei que, na primeira noite, começou a chover forte e não parou mais. O gazebo virou refúgio, e passávamos boa parte do dia sob sua lona, fazendo churrasco. Quando dava uma trégua, íamos conhecer algumas cachoeiras, mas era impossível entrar. Foi assim na cachoeira de Santa Clara e no Véu da Noiva, dois lugares lindos, mas a água era tão gelada que, se você mergulhasse o pé, ele começava a doer igual quando a gente mexe muito no gelo e fica doendo, sabe? Daquele jeito.
No Véu da Noiva, fomos acompanhados pelo Bruno, um menino muito simpático de 12 anos – apesar de parecer bem menos. A mãe do Bruno é de lá mesmo, e o pai é de Passa Quatro, em Minas. Ah sim, porque lá fica bem na divisa Rio-Minas, então é legal que às vezes você se depara com umas placas assim: em frente: Rio de Janeiro, pra direita: Minas Gerais. Alguns passos, e você estará em outro Estado.
O Bruno é muito corajoso. Quando perguntei que tipo de bicho tinha por lá, ele respondeu sem pensar: cobra. Segundo ele, é só chover e fazer sol em seguida que elas saem pra tomar sol. Ele mesmo já viu várias e quase não tem medo!
Lá é assim. A cada esquina, você conhece uma história nova, seja do sócio do bar que saiu de Santo André e nunca mais voltou, seja do rastafári que saiu de São Paulo em dezembro do ano passado de bicicleta e está subindo devagar, conhecendo pessoas, aprendendo ofícios... Atualmente, ele é auxiliar do padeiro, e já está aprendendo a fazer pães integrais recheados. Se quiser conhecer seu trabalho, vá até a estradinha do Escorrega. Você vai ver uma placa em que se lê: “puxe a corda para chamar o padeiro”. Muito original.
Enfim, o lugar é lindo, a energia é incrível e valeu muito a pena ter ido pra lá. Mas eu quero voltar lá com sol! Talvez na Páscoa, quem sabe? Me acompanha?
Vamos fugir? Pra onde haja um tobogã, onde a gente escorregue...
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Arte pop no MuBE
Se você pretende ficar em São Paulo neste carnaval, nada melhor do que aproveitar a preciosa calmaria para fazer programas culturais pela metrópole. Uma boa opção é a exposição do fotógrafo americano David LaChapelle, que pode ser visitada no MuBE até o dia 5 de fevereiro.
Pupilo de Andy Warhol (o que já nos faz esperar fortes traços da pop art), o fotógrafo ficou famoso com campanhas publicitárias para grandes marcas internacionais, ensaios de moda e retratos de celebridades.
Além de fotógrafo, LaChapelle também dirigiu videoclipes de astros pop, como Britney Spears e Jennifer Lopez, e arriscou-se também como diretor cinematográfico em RIZE, que já foi exibido em festivais brasileiros.
Todo este trabalho pode ser conferido na exposição, entitulada “Heaven to Hell: Belezas e Desastres”, e baseada no livro homônimo do artista, lançado em 2006. Com fotos, montagens e muita criatividade, LaChapelle consegue mostrar, ao mesmo tempo, o lado belo e bizarro de diversas pessoas e situações. Destaca-se a série de fotos feita para a revista Vogue Itália, em 2005, que mostra modelos em cenários catastróficos.
MuBe - Museu Brasileiro da Escultura
Av. Europa, 218
De terça a domingo, das 10h às 19h – somente até 5 de fevereiro
Entrada gratuita
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Magic Flag
Dança é meditação ativa... Ao dançarmos, vamos para além do pensamento, da mente e da nossa individualidade. Tornamo-nos UM no êxtase divino da união com o Espírito Cósmico. Essa é a essência da experiência do transe através da dança.Goa Gil
terça-feira, janeiro 15, 2008
Calor?
Uma coisa bacana de trabalhar na Berrini é que tem sempre alguma coisa diferente acontecendo. Considerada a "nova Paulista" por causa do grande número de empresas que migraram para esta região, a Berrini é palco para muitas campanhas de marketing de guerrilha (estratégias adotadas por empresas para "combater" concorrentes).
Ano passado mesmo, estava eu voltando do almoço quando me deparo com dois surfistas, trajando vestes de neoprene e empunhando pranchas. Poucas coisas são tão non-sense quanto dois surfistas em plena Berrini. A roupa estampava o endereço: praiaemsampa.com.br.
Não adianta acessar porque hoje o site não está mais ativo, mas na época eu entrei e falava sobre uma exposição de esculturas de areia no bairro de Interlagos. Bastou um clique para descobrir que, na verdade, era a promoção de um novo condomínio de luxo que, dentre as utilidades e futilidades oferecidas, possuía piscina com ondas e areia para simular uma praia. Reconheço que a idéia foi boa.
Aí ontem - um desses dias de calor insuportável - eu olhava pela janela do escritório enquanto pensava em como seria bom tomar um sorvete, quando de repente avisto um enorme bloco de gelo. Esfreguei os olhos: seria uma miragem? Desci para checar. Tratava-se da campanha Efeito Gelado, promovida pela Neutrogena para divulgar um novo protetor solar aerosol.
Um artista esculpiu 8 toneladas de gelo de modo que se crie um pequeno cenário dentro dos grandes cubos, e a brincadeira é adivinhar quanto tempo o gelo vai levar para derreter por completo. A campanha começou em Copacabana e já passou pelo Guarujá, e nos dois lugares o gelo levou pouco mais de um dia para derreter. Quem adivinhar ganha uma necessaire de produtos da Neutrogena!
Hoje de manhã, parte do gelo tinha derretido e já mostrava a parte de cima do guarda-sol (vide foto). Ainda dá tempo de chutar!
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Virada Paralela
Pista principal, palco ao fundo Em meio à atual crise conceitual em que a cena trance brasileira se encontra, houve quem acreditasse que a oitava edição do festival de arte e cultura alternativa Universo Paralello (que aconteceu de 27 de dezembro a 4 de janeiro em Pratigi, na Bahia) não escaparia da finalidade estritamente comercial que tem rondado as festas nos últimos tempos.
O crescimento desordenado foi um dos fatores que gerou esta crise e, segundo Alok, um dos organizadores do U.P., "na realidade crescemos muito pouco como cena Trance genuína. O que cresceu foi a utilização do formato por gente pouco comprometida com o movimento, somada à utilização de um conceito barato e musicalmente questionável que acabou causando o inchaço disto que pode ser chamado mais de mercado do que exatamente de cena”.
Porém, em vez de seguir esta infeliz tendência, colocando em risco o divertimento e o conforto dos participantes, a organização optou por profissionalizar e aprimorar ainda mais o evento, oferecendo uma estrutura jamais antes vista em um festival no Brasil.
Eram três campings – cada um com sua própria área de banho e sanitários – mais de 40 opções de alimentação, tenda infantil com monitores especializados, espaço multicultural e cinco ambientes musicais:
Main Floor
Formada por muitas tendas coloridas que ofereciam sombra, e com o palco repleto de imagens de deuses indianos, a pista principal teve início na manhã do dia 29 de dezembro com o live da produtora Vixen. Nele se apresentaram ícones da cena trance mundial, como Etnica (Itália), Tristan (Inglaterra), Xerox & Illumination (Israel) e Kox Box (Dinamarca), além de projetos nacionais e alguns estreantes, como Logica (de Alok e Bhaskar), e 28 (formado por Shove e Pedrão). Na virada do ano, o sul africano Shane Gobi mostrou uma seleção impecável de músicas.
Pista Alternativa
Direcionado para as vertentes menos aceleradas da música eletrônica, como o house, minimal e electro, este espaço possuía um grande barco de madeira em que se podia subir para dançar. Por ele, passaram os brasileiros Claudio Brio e Act Sense e o dinamarquês Jokke, dentre muitas outras atrações.
Palco Paralello
Espaço totalmente dedicado à exposição do trabalho de bandas regionais, o mais brasileiro dos palcos contou com apresentações diferenciadas, como o grupo paraibano Cabruera, os mineiros do Sete Estrelo e até o projeto Benzina, de Edgard Scandurra. No penúltimo dia, Liquidus Ambiento e Pedra Branca reuniram um grande número de pessoas sob a grande cúpula cor de laranja.
Pista Goa
Verdadeiro laboratório musical que integrou “dinossauros” da cena e novatos, a pista Goa foi criada para proporcionar uma experiência diferente, que relembrasse as primeiras festas no Brasil. Por isso, decoração, sistema de som e seleção de artistas foram cuidadosamente projetados. Gramado e um pouco mais protegido da brisa marítima, era um local extremamente agradável, com sombra e duchas. O set de Goa Trance executado em vinil por Rica Amaral, no terceiro dia, assim como a apresentação do sueco Atmos, foram históricos.
Chill OutPara boa parte do público, o ambiente mais bonito do festival. Formado por imensas estruturas de bambu e palha – semelhantes a leques –, com tecidos trabalhados e mesas feitas com garrafas pet reaproveitadas, o chill out lembrava uma grande oca. Espaço reservado para o dub, reggae, MPB, jazz, ambient e música experimental em geral, contou com o bom gosto dos DJs brasileiros Schasco, Smurf, Soneca e Ekanta, além da criativa apresentação de Chico Correa & Pocket Band, entre muitos outros artistas.
Valorizando o conceito de psicodelia ao misturar estilos musicais, eletrônicos ou orgânicos, o Universo Paralello procurou fazer uma seleção variada. Mesmo com alguns atrasos e desfalques, o line up apresentou artistas competentes e talentosos.
Alok comenta: "o UP sempre traz artistas que estão na ponta da produção musical, muitos deles desconhecidos, o que é bom não só para o festival mas também pra toda a cena, porque nos ajuda a estar atualizados com os passos seguintes do psytrance. O U.P. não é um desfile de nomes de artistas famosos, nacionais ou internacionais. É um festival de arte e cultura alternativa.”
Para tornar este evento possível, houve um forte envolvimento da comunidade local do município de Ituberá, que atuou nos mais diversos serviços, como bares, caixas, limpeza e transporte. Havia também um grande número de seguranças circulando pelos campings, mas mesmo assim houve casos de roubo de barracas para os que não deixaram objetos de valor no guarda-volumes.
A todo o momento, era nítida a importância do festival para a cidade, pois, além de empregar pessoas, o evento atrai o interesse de turistas para a região. Bastava uma rápida conversa com qualquer um dos funcionários para perceber o entusiasmo em estar ali.
“A geração de empregos é um dos objetivos do evento e muitas de nossas estratégias vão nesta direção. Priorizamos sempre que possível a contratação de pessoas da região, e não nos arrependemos nem um minuto. É sempre um imenso prazer termos nossos parceiros de Ituberá, em seus vários níveis de atuação, colaborando com a realização do evento. É uma gente honesta, trabalhadora e com toda a certeza é uma das razões do sucesso do festival"¸ disse Alok.
Um dos ofícios que emprega muitos ituberaenses é a coleta e separação do lixo. Todos os resíduos produzidos no evento são separados e posteriormente vendidos e reciclados.
“Fazemos também o tratamento biológico de todos os dejetos humanos, trabalhando em parceria com quem cuida da gestão de resíduos tóxicos de grandes empresas do Brasil”.
Por todos estes motivos, o Universo Paralello já entrou para o circuito dos principais festivais alternativos do mundo, fato que se comprovou com a presença em massa de visitantes de diversos continentes. Pessoas da Rússia, Peru, Coréia e Holanda, entre outros países, vieram ao Brasil exclusivamente para prestigiar o U.P..
Alok atribui este fato ao sucesso da última edição do evento: "no ano passado causamos um grande impacto no público estrangeiro. A conjunção de um line up sério, um local paradisíaco à beira da praia, a receptividade da comunidade local e o nível de organização e infra-estrutura fez com que muitos levassem a notícia de forma bastante positiva e eles realmente se planejaram para vir ao Brasil neste ano”.
Aproximadamente 10 mil pessoas escolheram esta celebração psicodélica na paradisíaca Praia de Pratigi para comemorar a virada do ano. Com arte, boa música e resgate da essência trance, o Universo Paralello trouxe a esperança de uma virada também conceitual, necessária à cena.
Com Paulo Henrique Schneider (texto e fotos)
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Os 10 melhores shows de 2007
Único show que fui e sobre o qual não escrevi a respeito este ano. Foi no 1200 Festival que escutei pela primeira vez o The Egg, grupo londrino que mistura elementos eletrônicos e batidas pop. Com “Walking Away”, que recebeu um remix bacana de David Guetta, o The Egg ficou conhecido mundialmente, mas é uma pena que seu último CD, “Forwards”, de 2005, não tenha tido o reconhecimento merecido. Destaque para as faixas “Say you will” e “She’s terrific”. Melhor apresentação do festival.
9º lugar: Língua de Trapo e Premeditando o Breque

A apresentação dos dois grupos na Virada Cultural deste ano, em pleno Boulevard São Bento, com meu pai a tiracolo – ídolo – foi simplesmente o máximo. Lembrei-me de quando era pequena, e ficava sentadinha com o encarte enorme do vinil nas mãos, acompanhando as letras das músicas enquanto meu pai escutava. Pontos altos: Wandi chamando meu pai no microfone, pra mostrar o álbum que levava nas mãos, e os autógrafos que conseguimos pegar depois – de todos os integrantes.
8º lugar: Céu
Esta paulistana, que além de linda tem uma voz peculiar e um jeitinho único, conquistou o oitavo lugar no ranking deste ano. Conhecia um pouco de seu trabalho, mas fiquei surpresa ao vê-la pessoalmente. Destaque para “O ronco da cuíca” e “Valsa Para Biu Roque”.
7º lugar: The Killers
Mesmo tendo acontecido de uma forma cansativa – começando às 4 da matina de segunda-feira, e depois de mais de 10 horas de maratona de shows – não há como negar a qualidade musical dos integrantes do The Killers. Brandon Flowers tem uma voz linda, que por vezes lembra até o Freddie Mercury (não me batam). Apesar da demora na montagem do palco, a banda agradou e muito, principalmente com sucessos como “Smile Like You Mean It” e “Sam’s Town”.
6º lugar: Yamandú Costa e Dominguinhos
A dupla que veio de extremos opostos do Brasil ficou com a sexta posição da lista. Yamandú ao violão, Dominguinhos na sanfona. Harmonia inesperada. Qualidade impecável. Em determinado momento, Yamandú canta “Negrinho do Pastoreio”, e Dominguinhos responde com “Forró no Escuro”. Lindo, lindo.
5º lugar: LCD Soundsystem
A festinha privê que James Murphy e sua banda proporcionaram para os poucos presentes no Via Funchal, em novembro, foi o máximo. Pista deliciosa, disco-punk em seu melhor exemplo, finalização apoteótica com “New York, I Love You, But You’re Bringing Me Down”.
4º lugar: Scorpions
Nem a lotação claustrofóbica do Credicard Hall, nem o atraso de mais de meia hora, retiraram o posto dos Scorpions de quarto melhor show do ano. Mesmo com a idade avançada, os tiozinhos mostraram que ainda estão em plena forma, e arrebentaram com uma mistura de clássicos (“Hurricane 2001”, “Wind of Change” e outras) e sons do álbum novo, “Humanity Hour 1”.
3º lugar: Bjork A inconfundível “esquimó” realizou um show lindo no último Tim Festival, e conquistou o terceiro lugar na minha lista. Mostrou uma potência vocal incrível (pra quem gosta do seu timbre estridente), estava acompanhada por instrumentos clássicos de sopro e ultramodernos, como o audio pad, além de um grupo de meninas instrumentistas islandesas. Efeitos visuais, cenários, tudo perfeito. Finalização com “Declare Independence” e chuva de papéis. Incrível!
2º lugar: Placebo
Sou suspeita para falar do Placebo, porque gosto muito. Neste ano, o baterista Steve Hewitt deixou o trio, uma baixa triste, mas parece que todos estão bem, não houve uma briga, somente vontade de seguir outros caminhos. Enfim, só sei que (EBA!) tive a oportunidade de vê-los ainda completos, em abril deste ano. Brian Molko, como sempre, provou que a vida junkie ainda não fez efeitos sobre sua voz, e o show foi o máximo, com músicas do álbum mais recente, “Meds”.
1º lugar: Arctic Monkeys
Os Arctic Monkeys fizeram não só o melhor show do Tim Festival, mas também o melhor do ano, na minha modesta opinião. Os rapazes são extremamente talentosos e imprimem personalidade em cada faixa. Músicas rápidas, bateria claramente influenciada pelo punk-rock, letras muito boas e pausas estratégicas nas músicas. Além disso, seu álbum mais recente, “Favourite Worst Nightmare”, também está entre os melhores do ano, e mostrou que o trabalho do grupo está se aprimorando cada vez mais.
Um excelente final de ano a todos e que 2008 seja fantasticamente musical!
A partir de hoje, me encontrem debaixo de algum coqueiro em Pratigi.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Natal dos Desejos Neotix
Você está cansado de receber inúmeros votos de Boas Festas, Feliz Natal, Bom Ano Novo e que o bom velhinho blá, blá, blá?
Seus problemas acabaram!
Agora quem faz os desejos é você!
Envie pra Neotix tudo o que você sonha para o ano que vem! Você terá um espaço em nossa árvore e poderá voltar durante o ano todo para lembrar-se de correr atrás das promessas que fez.
terça-feira, dezembro 18, 2007
A era dos amigos secretos zicados acabou.
Nunca tive sorte em amigos secretos. Pelo contrário, sempre tive problemas. Desde que ganhei um porco de pelúcia horrível, na quinta série, recheado com bolinhas de isopor e com aspecto bem estranho, parece que o fantasma dos amigos secretos zicados pairou sobre mim.
No começo, achava que era coisa da minha cabeça.
Aí, no amigo secreto da família no ano retrasado (cujo valor do presente é de R$ 50,00), ganhei um colarzinho de biscuit que, segundo minha empregada, “custa R$ 1,99 no Largo Treze”. O problema não é só o valor, mas a decepção de ver que a pessoa que me tirou não teve a menor preocupação em encontrar algo bacana, que fosse a minha cara.
No ano passado, aqui na empresa, achei que isso iria acabar. Estávamos todos animados para a entrega dos presentes, uma turma pequena de pessoas que se conheciam bem, não tinha erro. Achei realmente que seria o primeiro presente legal que eu ganharia em um amigo secreto.
E foi, um presente muito legal. Ganhei um biquíni lindo, TAMANHO P. Hello! Olha a minha cara de quem usa ALGUMA COISA tamanho P! Bom, nem tudo estava perdido, eu poderia trocar, claro. E tentei ir até a loja, mas fui assaltada no meio do caminho e levaram tudo. Bolsa, agenda, livro. Ah sim, e o biquíni P.
Para este ano, já estava descrente que pudesse receber algo legal. Sexta-feira, um dia terrível, clientes atormentando a cabeça o dia todo, e de repente: “vamos entregar os presentes?” Um arrepio subiu pela espinha. Será que o dia poderia ficar pior?
Foi quando, com uma apresentação elogiosa, um dos meus chefes anunciou: tinha me tirado. Ao abrir o pacote, a boa surpresa: a biografia do Tim Maia e, de quebra, o “Back to Black” da Amy Winehouse. Fiquei pensando que Tim e Amy combinam super. Em todos os sentidos. Só sei que, assim que saíram do pacote, eles exorcizaram o fantasma que me rondava.
Foto: Anderson Mancini (o outro chefe)
terça-feira, dezembro 11, 2007
O show de Diana Krall aconteceu há mais de uma semana mas ainda carrego marcas...
Continuo descascando depois de passar mais de três horas sob um sol impiedoso no Parque Villa Lobos, em Pinheiros, naquele domingo sem nuvens nem tréguas.De um modo geral, pode-se dizer que foi bacana, vai. Não conhecia o trabalho da Banda Mantiqueira, que faz versões instrumentais de grandes sucessos da música brasileira. Também conhecia só de nome a Traditional Jazz Band, e valeu a pena ter conhecido o bom trabalho daqueles senhores tão bem humorados. "Nós vamos cantar, e vocês vão ver a merda que vai sair", brincou um deles. O som estava muito baixo, e a grande área VIP fez com que os "pobres mortais" tivessem que assistir de muito longe às apresentações.
Só sei que a Traditional entrou às 10h, a Banda Mantiqueira às 11h e a tão esperada canadense foi entrar somente ao meio-dia. As pessoas protegiam-se com os bonés estrategicamente distribuídos pela Telefonica, num mar de cabeças verde-limão, quando a loira sentou-se ao piano e entonou “I Love Being Here With You”. "Aumenta o som!", eu pensava, em vão.
Entre uma música e outra, Diana declarava amor ao Brasil, e cheguei a ficar com raiva quando falou: "em meu país é muito frio, então pra mim é maravilhoso tocar com este belo sol." Belo sol porque você está na sombra, né bonitona?
Infelizmente, o parque não permite a venda de alimentos e bebidas em seu interior, ou seja, as mais de 15 mil pessoas presentes tiveram que se organizar em filas para receber os copinhos de água distribuídos pela Sabesp. Condições precárias, som baixo, e infelizmente o show de Diana Krall não foi o que esperava.
Não por ela, que tem uma voz belíssima e estava acompanhada por músicos muito competentes (destaque para a guitarra, perfeita). Mas pelo contexto, insuportável, que só consegui aguentar até “I’ve Got You Under My Skin”. Fica pra próxima, Diana.
Foto: Globo.com
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Futuro do Presente
segunda-feira, novembro 19, 2007
LCD Soundsystem
O norte-americano James Murphy (foto) é um dos ícones da mistura rock-eletrônica que surgiu com força no início dos anos 2000. Além de ser cantor, multiinstrumentista, produtor e dono da gravadora DFA Records, Murphy é o grande nome por trás do sucesso do grupo LCD Soundsystem, representante do gênero, que tocou na semana passada em São Paulo.A casa de shows Via Funchal estava praticamente vazia quando subiu ao palco o DJ e produtor Axel Willner, responsável pelo live de techno The Field, que abriria para o grupo. Um globo espelhado era o único elemento cenográfico, e anunciava que a noite seria de festa.
Willner consegue aliar as batidas secas do techno à melodias emocionantes, que preenchem o ambiente, e com isso confere uma linguagem muito interessante às músicas. O estilo não faz o meu gosto, mas não posso deixar de reconhecer a qualidade musical do sueco.
Com uma hora de apresentação, The Field recebeu os aplausos de uma pista modesta, porém mais numerosa. O Via Funchal não preenchera sequer 50% de sua capacidade, o que foi bom para dançar e circular com tranquilidade pela pista.
Em pouco tempo, o LCD Soundsystem começou a se posicionar. O grupo possui grandes talentos em sua composição, entre eles Nancy Whang, que além de cantar comanda os sintetizadores e teclados, e o guitarrista e percussionista Al Doyle, que também integra o Hot Chip.
Com uma disposição estrategicamente diferenciada (bateria na parte da frente, ao lado do vocalista, que conferiu mais força e destaque para as batidas punk), a banda começou o show às 23h15. Vestindo uma camiseta com as cores do arco-íris - a mesma que usou no Skol Beats do ano passado - James Murphy mostrou que sua voz não é das mais afinadas, mas as técnicas que trabalha na hora de cantar, juntamente com sua presença de palco e a harmonia arquitetada entre os membros da banda, proporcionou um dos melhores shows do ano.
Grande parte das músicas apresentadas compõem o último álbum do grupo, "Sound of Silver". A música de abertura, "Us v Them", foi uma delas, assim como a seqüência "Time To Get Away", "North American Scum" e "All My Friends", que teve ótima recepção do público. Mesmo assim, o LCD não deixou de tocar outros sucessos que marcaram sua carreira. "Daft Punk Is Playing At My House" e "Yeah", tocada no bis, foram alguns dos clássicos hits da banda.
Algumas faixas lembram os pioneiros do Kraftwerk, outras mostram clara influência do New Order, mas o importante é que o grupo imprime personalidade em cada canção. Murphy cantava de olhos fechados, com emoção exacerbada, e chegou a tocar alguns instrumentos de percussão para dar ainda mais força à bateria de Pat Mahoney.
Para acalmar os ânimos depois de quase uma hora e meia de apresentação, o grupo fechou com a belíssima "New York, I Love You, But You´re Bringing Me Down", música que possui altos e baixos até culminar em um final emocionante.
Foto: PH Schneider
quinta-feira, novembro 08, 2007
Fora de órbita
Ufa, desabafei.
Agora vou comer um chocolate gigante pra ver se passa a tristeza.
segunda-feira, novembro 05, 2007
Sinal do que na verdade está mais que certo
Toda vez que eu viajo acontece uma desgraça em São Paulo. Ok, isso não pode ser referência porque elas acontecem diariamente por aqui. Mas essas grandes, voltando assim de viagem, fazem pensar.Nas férias, em julho, saí de 42ºC e um céu maravilhoso pra pousar ao lado de um edifício chamuscado em que batera um avião. 10ºC, em pleno meio-dia. O céu acinzentado me gritava "sai daqui". A dor de ter que voltar, de passar todos os dias em frente aos escombros, dor de pensar que eu poderia estar passando em frente ao prédio quando o avião bateu, que ele caísse para o lado oposto, bem em cima da minha casa.
Agora, voltando de um feriado-delícia em Monsenhor, ainda rindo de 'causos' engraçados que escutei por lá, vi que um avião caiu ao lado do Campo de Marte. Sim! Lá onde a melhor amiga mora.
O balde de água fria veio junto com a chuva fina que não parou de cair. O céu mais cinza do que nunca anunciou "vai embora. Tá fazendo o que aqui ainda?" E a nuvem negra vez mais perto.
quinta-feira, novembro 01, 2007
É PENTA!
quarta-feira, outubro 31, 2007
Tiiiim Festival!
O Tim Festival, realizado no último domingo no Anhembi, começou cedo pra mim. Por volta das 16h30, horário em que abriram a entrada de imprensa, lá estávamos nós. O local recebia as primeiras pessoas que, animadas, corriam para garantir seu lugar na grade. Tsc tsc tsc. Horas mais tarde (MUITAS horas mais tarde), eu as veria vermelhas de sol, com o cansaço estampado no rosto, esmagadas contra a grade e, em alguns casos, carregadas por bombeiros até o posto médico.O evento começou com atraso - que se prolongaria como uma bola de neve de show em show. O Spank Rock, primeiro grupo a se apresentar, mostrou batidas e vocais de hip hop, unindo-os a percussionistas. “Aquele ali é que é o Olodum?", escutei de um amigo bem-humorado. Isso representou a reação do público em geral. Não se entendia muito bem o que o Spank Rock fazia lá. Pô, vem fazer percussão no Brasil? O Otto, da área VIP, que também é percussionista, devia estar dando risada.
Em seguida, entrou o Hot Chip, do qual eu conhecia apenas o hit “Over and Over”. Confesso que me surpreendi com a apresentação, apesar da pane no sistema de som que interrompeu o show por quase meia hora. O vocalista, Alexis Taylor, é daqueles caras que você olha e não dá nada. Baixinho, de óculos, carinha de nerd, o britânico surpreende quando começa a cantar. Uma voz limpa, afinadíssima, gostosa de ouvir. Gostei.
Mas era a Björk que eu estava esperando. Com um cenário formado por bandeiras fluorescentes com motivos orientais, o show da islandesa foi produzido para se ouvir e se ver. Logo entrou uma orquestra de garotas islandesas, com instrumentos de sopro e roupas coloridas. Ouviram-se os primeiros gritos, era ela.
Trajando um vestido com as cores do arco-íris e um chapéu exótico, Björk iniciou a apresentação com “Earth Intruders”, com a qual abre também seu último CD, “Volta”. A partir de então, foi uma mistura de músicas novas e grandes sucessos, como “Hyperballad” e “Hunter”. O Anhembi veio abaixo.
Com efeitos especiais, chuva de papéis picados e o potente e agudo vocal da mulher que parece menina (está para completar 42 anos), o show foi lindo, e uniu instrumentos clássicos e as mais modernas tecnologias. Foi utilizado inclusive um áudio pad, espécie de mesa em que são coordenados efeitos musicais com o toque da mão. Björk finalizou com “Declare Independence”, e anunciou em seu inglês mais que peculiar: “I’m very happy to be in Brasil”, agradecendo com um “opigato” charmosérrimo.
Pouco depois, entrou a hollywoodiana Juliette Lewis e a banda The Licks. Já havia escutado bastante coisa dela, e estava ansiosa para vê-la ao vivo. Desde o momento em que subiu no palco, com a pena na cabeça característica, parece que baixou um santo em Juliette, sem brincadeira. A moça se jogou no chão, se enrolou com a bandeira do Brasil, se debateu e gritou a cada música. Mostrou que, para fazer sucesso, é preciso atitude, antes até de uma boa voz (que ela não tem).
Com uma apresentação totalmente clichê, porém de qualidade, Juliette and the Licks agradaram, com músicas já conhecidas como “Sticky Honey” e “You’re Speaking my Language.” Peguei uma simpatia grande pela atriz, que é muito carismática.
Juro que, cansada, após o show, cheguei a pensar: “ainda tem o Arctic Monkeys. Quero logo o the Killers!” Me arrependi de pensar assim, acho que subestimei os meninos. O Arctic Monkeys fez, sem dúvida, o melhor show do festival.
Com batidas e vocais rápidos, o grupo conseguiu demonstrar criatividade e inovação. Suas músicas têm pausas estratégicas, voltam no contra-tempo, e fogem totalmente dos padrões, mesmo utilizando os instrumentos básicos guitarra + baixo + bateria.
Com canções como “Mardy Bum”, “Do Me a Favour” e “Fake Tales of San Francisco”, o Arctic Monkeys provocou histeria nos mais de 20 mil presentes. Eu era um deles.
Completamente tocada pelo show, e muito cansada (já que terminou por volta das 3 da manhã, horário que eu achei que fosse terminar o festival), aguardei sem paciência o show do The Killers, último da noite. O cenário, totalmente elaborado, com um tecido vermelho de veludo ao fundo, onde penduraram um letreiro luminoso escrito “Sam’s Town”, tinha muitas flores espalhadas e luzes que envolviam desde o órgão de Brandon Flowers, até os sintetizadores e a bateria.
Uma hora (e muito menos paciência) depois, os integrantes do Killers entraram. Brandon, com seu habitual bigodinho, demonstrou um carisma e um controle do público incríveis, além de ter uma voz linda.
Mesmo animada, principalmente com os sucessos “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It” e “Mr. Brightside” (que escutei do estacionamento, porque não tinha mais pernas), o show do Killers não surpreendeu. Eles cumpriram com seu papel, fizeram uma apresentação bacana, mas a impressão que eu tive era a de que nada poderia ter sido melhor do que o show anterior.
Saldo final: palmas para a Björk, com seu show impecável, e palmas para o Arctic Monkeys, que mostrou que músicas criativas e profissionalismo são mais importantes que se debater no palco ou armar um cenário espalhafatoso.
Foto: PH Schneider
terça-feira, outubro 30, 2007
Girl Talk just wanna have fun
A noite dedicada à música eletrônica no Tim Festival, batizada "Tim Festa", aconteceu na última sexta-feira.O local escolhido foi a casa noturna gay The Week, que é enorme e muito bem decorada. Com piscina, deck, duas pistas, quatro bares e muitas luzes, a casa foi bem escolhida para a realização do evento.
As atrações não eram das mais chamativas, e por isso o público foi menor do que o esperado. A pista principal foi aberta pelo britânico Sinden, que faz dupla com Hervè no Count of Monte Cristal. Não sei se os participantes estavam muito preocupados com isso, mas Sinden não ia tocar sozinho, e acabou tocando. A produção não avisou, mas Hervè nem apareceu. Sinden abriu com uma mistura de funk carioca com batidas do house, e desenrolou sua apresentação com qualidade, mesclando tecno, house e hip hop.
Enquanto isso, na outra pista, Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo (alguém sabia que eles tocavam?) apresentaram um back to back de eletro e pop dos anos 90. Só que ninguém ficou sabendo que estava rolando esta outra pista (mais uma falha da organização, que deveria ter entregue uma programação com o line-up), então os dois tocaram para umas duas ou três pessoas. Sem exagero.
Depois deles, o alemão Daniel Haaksman mostrou por que é o maior disseminador do funk carioca na Europa (lançou dois álbuns dedicados ao estilo) e tocou todo tipo de ritmo africano. Muito groove, viradas de qualidade, e mais uma vez para meia dúzia de pessoas que sem querer passaram por ali.
Na pista principal, após Sinden, veio a apresentação mais esperada da noite: o norte-americano Gregg Gillis (foto), com seu projeto Girl Talk. O produtor utiliza uma técnica chamada mash-up, que consiste em colar diferentes músicas para formar uma só. E ele eleva este conceito ao máximo, pois chega a utilizar até vinte músicas em uma faixa. Mistura Nirvana, Avril Lavigne, Beyoncée e une tudo isso a batidas eletrônicas. O resultado é interessante.
Mesmo sem realizar estas mixagens ao vivo, Gregg fez muito sucesso entre os presentes por seu carisma, digamos, exagerado. Durante sua apresentação - que fez questão de realizar no chão, e não no palco, como os outros - o artista pulou, dançou, tirou a camisa e literalmente foi pra galera. Na última música, levou o microfone para o meio da pista, onde se jogou no chão, fez flexões e chegou a virar uma lata de cerveja em sua própria cabeça. Completamente maluco.
Depois de toda a fanfarrice, ficou pequeno pro norueguês Lindström, que, por sua formação musical, trouxe melodias mais sérias e estilo diferenciado. Com o ponto positivo de tocar todos os instrumentos presentes em suas músicas, Lindström agradou. Para finalizar a pista principal, a dupla de tecno Tok Tok apresentou seu live act. Detalhe: a dupla não havia sido anunciada no site do evento.
As falhas na organização deixaram os jornalistas um pouco confusos. Mas o saldo foi positivo: cobertura em tempo real e três inserções no Uol música. Orgulhinho!
Foto: PH Schneider
quinta-feira, outubro 18, 2007
E a seleção fez bonito, finalmente.
Com o perdão da expressão, ele é muito foda. Melhor do mundo!O primeiro tempo foi morno e, apesar do gol de Vágner Love (em seu melhor jogo pela seleção, pelo menos que eu me lembre), o time fez lembrar sua última e medíocre partida contra a Colômbia, em que empatou sem gols, na semana passada. Poxa, com Ronaldinho Gaúcho e Kaká, dois candidatos à vaga de melhor do mundo pela FIFA? No Maraca, porra? Muito recuo de bola, pouca garra. Chegou a me dar sono (ok, isso não é difícil).
Mas no segundo tempo, parece que o pessoal acordou. E acordou bonito, porque deu show. E eu acordei também e não dormi até o final. Com talento e criatividade, os meninos mostraram-se bem mais ofensivos e tiveram muitas chances de gol.
Ronaldinho Gaúcho esticou o pé para desviar a bola, que entrou no cantinho, ai! Quase pra fora. Foi apenas o segundo.
Pouco depois, Kaká chutou de fora da área e marcou o gol mais bonito que eu já o vi fazer. Na caixa! Ah, bons tempos em que jogava no tricolor (suspiro). Robinho pulou em cima dele pra comemorar, fizeram o típico "montinho". Achei graça, esses meninos se divertem mesmo.
Eles se divertem, mas sabem brincar. Aos gritos de "olé" dos mais de 85 mil torcedores presentes, Robinho criou um novo drible misturando outros vários, conseguiu passar a bola por um espaço mínimo entre as pernas do zagueiro equatoriano e a linha de fundo, passou por dois e cruzou para Elano marcar o quarto. Delírio.
O modesto Kaká ainda tentou uma última vez, e nem comemorou, porque achou que chutara mal. Mas não contava com o frango deprimente do goleiro. Brasil 5, Equador o. E eu emocionada.
Bóra alcançar a Argentina agora!
segunda-feira, outubro 15, 2007
A (qualidade de) vida na roça
- Você já foi lambida por um bezerro?- Não que eu me lembre.
- Então vem.
E me levou pra apanhar amoras ao lado de onde ficam as vacas. A amoreira estava carregadinha, os pequenos frutos caindo ao chão de tão doces. Delícia. Mãos e bocas vermelhos da tinta da fruta, caminhamos rumo aos bezerrinhos curiosos que se aproximaram. "Faz carinho nele." E então o bezerro mais bonitinho da região achou que poderia mamar em meus dedos. E senti na mão, pela primeira vez, a língua áspera que esses ruminantes têm. Eita, nem parece que tem raiz caipira, sô!
- Gosta de jaboticaba?
- Muito.
- Então vem.
Mas os passarinhos tinham chegado antes, e nos deixaram poucas unidades daquela bolinha preta e adocicada. Mesmo assim, deu pra lembrar bem da infância, quando pegávamos bacias e bacias de jaboticaba na casa de minha tia em Minas.
- Já pegou um carneirinho no colo?
- Não.
- Então vem.
E fui conhecer os reprodutores, as matrizes e seus filhotes. Engraçado como, ao vivo, as ovelhas realmente parecem ser bichos burros! E gritam, nossa! Precisa ver. Escolhi um peludinho, coisa mais fofa, as orelhas ainda maiores do que a cabeça, e peguei no colo. Me senti como a Felícia amassando um de seus bichinhos! Aí brinquei no chão com os dois filas e com a São Bernardo, até cansar.
- Isso é qualidade de vida - disse o tio.
Depois cheguei a São Paulo e não vi nem um passarinho. Mas recebi um vídeo engraçado:
Animais, por aqui, só no YouTube mesmo.
quinta-feira, outubro 11, 2007
EU VOU NO TIM FESTIVAL
terça-feira, outubro 09, 2007
Who's gonna drive you home tonight?
Era uma segunda-feira chata e cinza como muitas outras. Acordei, tomei meu café e fui até o ponto, esperar o ônibus que me deixa na porta do prédio em que trabalho. Desde que a empresa mudou-se, eu estava satisfeita com este ônibus pois, apesar de pegá-lo cheio, não precisava pegar outro, era só ele e pronto. Na ida e na volta.Pois então, mas nesta segunda foi diferente. Esperei um pouco no ponto, até que ouvi dizer que aquela linha não existe mais. Foi então que apelei ao plano B, o outro ônibus, e andei mais uns quarteirões até o ponto em que ele costuma passar.
Foram mais de trinta minutos de espera, perguntando às pessoas se ele ainda passava ali, sempre com resposta positiva. Aí resolvi perguntar a um motorista de ônibus, que avisou: "essa empresa foi fechada, dona."
Ótimo, e eu ali esperando. Belo acontecimento pra uma segunda de manhã, né? Então fui até o metrô, partindo para o plano C. Nem preciso dizer que a cabeça começou a doer nesse meio-tempo. A lotação, que fez juz ao seu nome, saiu do ponto final em menos de 5 minutos, e em meia hora estava no trabalho.
Até aí, sem problemas. A partir de amanhã, já vou direto ao metrô e pego a lotação. Só busquei saber onde poderia pegá-la na volta. Então, saí do trabalho às 18 em ponto, pra ver que horas conseguiria chegar em casa.
Sentei-me na lotação às 18h30, o tempo de andar até o ponto e esperá-la chegar. A única coisa que pensei foi: "espero que ela não pegue a Berrini." Claro, claro que ela entrou à esquerda, sentido Berrini.
Eram 19h00 quando resolvi saltar do veículo. Eu ainda não havia andado sequer dois quarteirões, e estava ridiculamente em frente ao mesmo prédio. Farol abria, fechava. E o ônibus nada. Nem uma revista pra acompanhar, o titio Marco Antonio mandando Led Zeppelin na Kiss... quer saber? Resolvi fazer o trajeto mais longo, porém com menos trânsito. Era só pegar um até a Vieira de Moraes, e outro até minha casa.
Sim, isso se o bendito Estação da Luz não tivesse demorado mais 20 minutos pra passar. Aí fui pro PH, porque o ônibus pra casa dele passou antes do meu. Cheguei às 20h00.
Eu concordo que, depois que se soltou a roda daquele ônibus e matou uma pessoa, os veículos tenham que ser retirados para revisão. Só que, diante disso, acabar com linhas de ônibus sem sequer avisar, e deixar centenas de pessoas sem opção de transporte?
É pedir demais querer chegar em casa depois de um dia de trabalho?
quarta-feira, outubro 03, 2007
Maria me levou pro céu
A menina Céu é como a gente, olhando assim. Mas quando sobe no palco deixa aflorar toda a sua personalidade, que não é fraca, e o seu talento, que não é pouco.Ela é muito mais do que um rosto bonito e uma voz afinada. Transparece sensualidade e meiguice ao mesmo tempo, num equilíbrio apaixonante. Sabe trabalhar muito bem o seu peculiar tom de voz. Seu carisma de menina tímida encanta.
O show, pra mim, foi perfeito. Acompanhada por uma talentosa banda, com percussão, bateria, baixo, guitarra, teclado e pickups, a paulista cantou todas as músicas que eu queria ouvir, e mais algumas.
Passou pelas já conhecidas canções de seu CD “Céu”, arriscando uma versão da emocionante “Valsa pra Biu Roque” com acordeão, no lugar do bandolim que a acompanha no álbum.
Fica difícil escolher um ponto alto do show, porque todas as músicas foram lindas e lindamente cantadas e tocadas. Mas não posso negar que o arrepio foi maior ao escutar “O ronco da cuíca”, de João Bosco, interpretada com muito sentimento.
A sensação que tive com o show da Céu é que ela segue seus instintos para compor as músicas. Ela não está ligada a um estilo, passeia pelo jazz, reggae, samba e até hip hop com muita liberdade, e parece não estar preocupada com rótulos. Ela é o que é, gostem ou não, e essa naturalidade cativa.
Estou em estado de graça até agora. Aliás, literalmente, agradeço à Lygia Roncel pela graça alcançada! :)
terça-feira, outubro 02, 2007
No mundo todo, e agora em São Paulo
Fazia um tempo que estava com vontade de conhecer o Club Pacha. Com unidades em diversos países do mundo, como Espanha, Egito e até Marrocos, a boate é conhecida pela estrutura diferenciada e pela boa qualidade do som.A melhor oportunidade para conhecê-la - já que os preços de entrada são abusivos - foi o coquetel oferecido pela Pioneer, na última sexta, 28 de setembro. Os convidados chegavam um pouco antes, havia bebida e pizza à vontade e, depois de aberta ao público, a casa receberia o lendário Andy Fletcher, tecladista e co-fundador do Depeche Mode (grupo da década de 70 que ajudou a introduzir sonoridades eletrônicas no pop), que faria um Dj set.
Não se pode negar que a casa é realmente bonita. Um galpão com pé-direito bem alto, lustres coloridos e duas pistas de dança, com diversos telões. Bem estruturado, o banheiro é grande e a todo momento recebe um trato da equipe de limpeza.
Apesar de não poder beber o bom champagne francês Mumm (estava tomando remédio), consegui aproveitar bastante o som do Monsters at Work, que tocou enquanto rolava o coquetel. Gente bonita, aparentemente civilizada. Até que abriram-se os portões e a legião de patricinhas e playboys mal educados, que pagavam de R$ 80,00 a R$ 2.000,00 pela entrada, coneçaram a invadir o recinto.
Você pagaria R$ 2.000,00 pra ficar naquela área ali de cima?
Carlo Dall'anese abriu para Andy, tocando tech-house. Decaiu um pouco no decorrer da sua apresentação, mas mesmo assim conseguiu manter a pista animada. Quando Fletcher entrou, o público vibrava! Mesmo que, com certeza, a grande maioria não saiba quem ele é, muito menos o que representa para a música eletrônica.
O senhor, que aparenta uns 50 anos, comandou durante algumas horas dois CDJs e duas pickups, e mostrou habilidade no manuseio dos aparelhos. Confesso que fiquei um pouco decepcionada com suas viradas, algumas vezes grotescas, mas a seleção das músicas foi boa, alguns remixes do Depeche Mode... li que ele fechou com Enjoy the Silence, a minha preferida, só que não fiquei até o final pra conferir. A sensação claustrofóbica estava forte, muitas e muitas pessoas não se contentavam em dançar, queriam era ficar andando.
Pra completar, a bebida na casa é caríssima. Ao final do coquetel, uma água custava R$ 6,00 e, uma cerveja em lata, R$ 9,00. Não vou nem contar o valor do combo vodca + energético, pra não chocar. Ainda bem que eu não estava bebendo!
quarta-feira, setembro 19, 2007
Top 3 pérolas infantis
- Mãe, onde fica o seu zíper?
Em segundo lugar: minhas primas, então com 6 e 8 anos, me contando as novidades:
- Sabe Mari, agora nós estamos fazendo aula de compitador!
- Não seja burra, Isadora, não é compitador. É MICRO compitador!
E em primeiríssimo lugar: o filho do caseiro, jogando bola com os meninos, e tomando uma bolada na barriga:
- Ai, meu imbigo!
- Não é com I menino, é com U!
- Ai, meu IMBUGO!
terça-feira, setembro 18, 2007
A fita cassete paralela
Alice era uma garota muito esperta, até demais para a sua idade. Sempre que olhava pra ela, estava quieta, observando, pra dali a pouco soltar uma de suas célebres perguntas. Outro dia lançou: "mamãe, mas por que sessão de cinema é com dois esses e seção de supermercado é com cedilha?"E eu, que não gosto de responder qualquer coisa, ficava pensando na melhor maneira de responder àquelas questões que nem eu mesma sabia solucionar.
Um dia, Alice me pediu que a inscrevesse em um curso de catecismo. Aregalou seus olhinhos cor de mel e disse: "Quero fazer a primeira comunhão, mamãe, assim como a Celeste da minha escola". Eu não a batizei e nunca a forcei a nada, então resolvi levá-la.
***
Desde que mamãe me colocou na catequese, aprendi muita coisa. Hoje, a professora me disse que Maria engravidou sem ter tido nenhum tipo de relação com homem, e dela nasceu Jesus. Eu não entendi nada, e perguntei se haveria alguma possibilidade de eu ter um neném assim, igual à Maria, como num passe de mágica. A turma toda riu, mas a professora não. E ela ficou brava, eu acho, porque pegou uma varinha e me bateu nas costas da mão.
Eu só sei que, depois que aprendi a rezar o pai-nosso, ele não sai da minha cabeça. Primeiro era o Pai, o Filho e o Espirito Santo, pra depois virar a oração inteira. Sei lá, a sensação que tenho é a de que há duas fitas cassete rodando dentro da minha mente. Antes tinha uma só, que ia rodando os pensamentos que se passavam pela minha cabeça, as coisas que eu lia e escutava, até aquelas músicas que de vez em quando não desgrudam, mas agora são duas.
Em uma delas, fica passando o pai-nosso, e na outra, as coisas normais. Confesso que isso me incomoda, sabe. Não que eu não goste da oração, muito pelo contrário! Até acho que ela é bem simpática. Só que, tem horas, que ela começa a tocar mais alto do que a fita original, e eu não consigo me concentrar no que estou fazendo. Poxa, gosto tanto de ler, mas muitas vezes não consigo por causa desta fita que surgiu e ficou.
Deve haver uma forma de tirá-la de dentro da minha mente. Talvez como num passe de mágica, assim como foi a gravidez de Maria! É, preciso pensar em uma forma de desligar essa fita. Deve haver um pause que seja, quem sabe até um stop. Só o que eu não posso é perguntar isso pra professora, vai que levo mais uma varinhada na mão. Bom, tentemos a mamãe...
quinta-feira, agosto 30, 2007
Eu coração Gabo
"Ah, de volta a Macondo. Já estava com saudades." Foi o que senti ao começar a ler "A revoada", de Gabriel García Márquez. Como se estivesse visitando novamente uma daquelas cidadezinhas de Minas Gerais, que parecem paradas no tempo, mas que deixam uma sensação gostosa na gente quando se vai embora.Publicado anteriormente no Brasil como "O enterro do diabo", o romance de estréia do escritor conta pela primeira vez a história de Macondo, povoado que ficou conhecido com "Cem anos de solidão", anos depois.
É a narrativa do enterro de um médico que chegara ao vilarejo vinte e cinco anos antes, e em cujos olhos "duros e amarelados" não se podia ver alma nem sentimento. O homem, que tinha hábitos estranhos, era odiado por todo o povo, com exceção do coronel - do qual não se diz o nome - que tem por ele compaixão e respeito.
São três narradores: o coronel, sua filha Isabel e seu neto, que, paralelamente à descrição da cena do enterro, contam um pouco de suas vidas e dos anos anteriores naquela cidade que parece parada no tempo. A utilização de linguagens e termos diferentes ajuda o leitor a não se perder entre as personagens, que se alternam na narrativa.
O que mais me encantou neste livro não foi a história em si, que inclusive, já demonstrava a vocação de García Márquez para tratar de personagens solitários. O mais incrível, pra mim, foi pensar que, aos 22 anos, Gabo já tinha a capacidade de encher seus leitores de prazer com descrições ricas em detalhes e composições de frases tão perfeitas:
Do menino:
"O calor é sufocante na sala fechada. Ouve-se o zumbido do sol nas ruas, nada mais. O ar é parado, concreto; tem-se a impressão de que se poderia cortá-lo com uma lâmina de aço. Na sala onde colocaram o cadáver sente-se a presença de baús, mas não os vejo em nenhuma parte. Há uma rede num canto, com um dos punhos presos no armador. Um forte cheiro de restos. E creio que as coisas arruinadas e quase desfeitas que nos rodeiam têm o aspecto das coisas que devem cheirar a restos, mesmo que tenham outro cheiro."
De Isabel:
"Por esse motivo também é que eu deveria ter deixado o menino em casa; para não comprometê-lo nessa confabulação que agora se encarniçará em torno de nós como o fez o doutor durante dez anos. O menino deveria permanecer à margem desse compromisso. Nem ao menos sabe por que está aqui, por que o trouxemos a este quarto cheio de escombros. Permanece silencioso, perplexo, como se esperasse que alguém lhe explicasse o significado de tudo isso; como se aguardasse, sentado, balançando as pernas e com as mãos apoiadas na cadeira, que alguém lhe decifre esse espantoso enigma. Quero ficar segura de que ninguém o fará; de que ninguém abrirá esta porta invisível que o impede de ir além do alcance dos seus sentidos. Várias vezes já me olhou e eu sei que me vê estranha, desconhecida, com este vestido fechado e este chapéu antigo que pus para não ser identificada nem mesmo pelos meus próprios pressentimentos."
Do Coronel:
"Poucos dias depois, ele voltaria para sempre da barbearia e se fecharia no quarto. Naquela última noite, porém, no corredor, uma das mais cálidas e densas de que me recordo, ele mostrou-se compreensivo como em poucas ocasiões. A única coisa que parecia viver em meio àquele imenso forno era o surdo revérbero dos grilos excitados pela sede da natureza, e a minúscula, insignificante e no entanto desmedida atividade do alecrim e do nardo, ardendo no centro da hora deserta. Ambos ficamos calados um instante, suando essa substância gorda e viscosa que não é suor mas a baba solta da matéria viva em decomposição."
E, novamente, de Isabel:
"- E como vai você com o negócio? - disse. Meme sorriu. Seu sorriso era triste e taciturno, como se não fosse o resultado de um sentimento atual, mas como se o tivesse guardado na gaveta e só tirasse nos momentos indispensáveis, mas usando-o sem qualquer propriedade, como se o uso pouco freqüente do sorriso lhe houvesse feito esquecer a maneira normal de utilizá-lo."
terça-feira, agosto 21, 2007
Magia azul

Partiram na Hilux de Marcelo rumo ao passeio que tanto esperavam. Iria custar-lhes um pouco caro, mas certamente valeria a pena. Além do mais, Marcelo e sua namorada Monique estavam para ter um bebê ("tá pra nascer o bacurizinho", disse o guia), e nada melhor do que ocupá-lo com bastante trabalho para que conseguisse arrecadar, durante a alta temporada, um pouco de dinheiro para sustentar seu primeiro filho com segurança.
O casal de São Paulo, que compunha o grupo, havia conhecido os companheiros Jobert e Galdino (de São Luiz), dois dias antes, durante um passeio pelas cachoeiras de São Romão e Prata, e já havia feito um outro passeio no dia anterior, à incrível cachoeira da Pedra Caída. Portanto, naquele terceiro dia, sentiam-se à vontade para conversar sobre os mais diversos assuntos.
Não se sabe como, nem quando, mas o engraçadíssimo Galdino de repente ficou sério e começou a falar de espiritismo. Disse que enxergava vultos, espíritos, e algumas vezes chegava a ter premonições. A garota, que também acreditava na existência de um plano espiritual, embarcou na conversa e passou a escutar com atenção cada aventura contada pelo maranhense.
De repente, o biólogo anunciou: "vejo uma pedra bem alta, com uma luz incidente, e um lindíssimo lago azul. Acima do lago, entre as pedras, vejo três entidades, são guardiões da floresta. Mas fiquem tranquilos, eles não precisam de oração, e são do bem."
Duas horas e meia depois, pararam o carro no limite da estrada de areia e desceram, para caminhar mais dois quilômetros rumo ao Encanto Azul - que prometia ser o mais belo entre os belos lugares para se conhecer na Chapada das Mesas. O sol forte castigava a pele, mas os ecoturistas sabiam que valeria a pena.
Os caminhos de areia seca e árvores baixas aos poucos foi tornando-se fechado, as árvores aumentaram de tamanho e a presença dos buritis anunciava a presença de água. "Estamos próximos", o grupo pensava. Que nada. Ainda teriam uma trilha por entre corredeiras de água, entre pedras e mata fechada, com direito a uma movimentação estranha que, segundo Marcelo, era um filhote de jacaré.
Desde o início da caminhada pela água, os viajantes sentiram uma energia muito forte, como se o lugar possuísse realmente algo místico. Sensação que explodiu de tão forte ao adentrarem, finalmente, o Encanto Azul. Corações acelerados e pernas misteriosamente tremendo.
O forte cheiro de amônia, proveniente da urina dos morcegos que habitam aquela caverna, dava um ar ainda mais selvagem ao local, praticamente intocado pelo homem. "Estamos na casa dos animais", a garota pensou, ao andar com cautela entre uma enorme teia de aranha.
A água, límpida e azul como jamais tinham visto, brilhava aos reflexos do sol do meio-dia. "É o momento mais bonito daqui, porque o sol bate direto", Marcelo avisou. Aos poucos, o grupo foi entrando na água, menos fria do que esperavam, e muito mais funda do que imaginavam. Cerca de 8 metros de profundidade, que puderam ver com o auxílio de máscaras de mergulho.
A energia presente no lugar fazia acreditar na presença das entidades. Era um misto de medo com encanto. Os peixes que nadavam pelo lago, os morcegos que se debatiam, e o grupo lá, sentindo todo o misticismo que aquele santuário da natureza estava a oferecer.
Foi quando Galdino avisou: "Lá estão eles!", e apontou para uma pedra. Eram as entidades. Ele atravessou o rio e foi até elas, como se conversasse com os espíritos. Marcelo, o guia, não tinha falado nada até então, mas anunciou que não gostava muito dessas coisas e preferiu sair da água. O casal de São Paulo preferiu fechar os olhos e fazer uma oração, e pediram proteção não só a eles mesmos, mas, principalmente, àquele lugar.
Foto: PH Schneider
segunda-feira, agosto 20, 2007
A dança da ema
E as pessoas colaboravam umas com as outras, e sabiam que era a única forma de viver em harmonia. Cada um fazia um pouco. A todo o momento alguém se propunha a ajudar com a comida, com a limpeza do local ou com belíssimas apresentações artísticas que entretinham a tribo.
Logo se via que a vida caminhava naturalmente sem a necessidade de conflitos ou leis. Eram como membros de uma só família, cientes de suas obrigações.
À noite, embalados pelas batidas de seus tambores, os índios experimentavam a sensação do transe coletivo. Dançavam ao redor da fogueira, sob o efeito de chás alucinógenos, cantando e incorporando a energia da natureza que adentrava seus corpos.
Até agora não acredito no que vi, preciso de testemunhas confiáveis.
quarta-feira, agosto 15, 2007
Scorpions
Há coisas na vida que têm que acontecer, o tal do destino. Pois bem, a minha ida ao show da banda alemã Scorpions, na noite de ontem, é o que se pode chamar de acaso do destino. Porque primeiro eu ia, depois não ia mais por falta de dinheiro. Aí fiquei triste, depois me conformei. E, sem saber de tudo isso, o amigo Elcio resolveu me presentear com um ingresso.Como fui de trem, não peguei todo o trânsito que pude acompanhar da calçada, centenas de carros que se amontoavam em meio a cambistas e flanelinhas. "Não há mais vagas no Credicard", era o que diziam, e eu só conseguia pensar no meu pai, que iria de carro.
Eram 21h30 quando liguei pra ele, com medo de encontrar do outro lado da linha uma pessoa irritada e exausta de tanto esperar. "Hoje tem que ser especial, não pode dar problema", eu pensava. E ele não conseguiu parar o carro no estacionamento, droga. Mas estava tranqüilo, pois naquele momento estacionava o carro no Multipark ao lado e chegaria em 10 minutos. Durante estes torturantes segundos, mantive-me na fila para entrada na pista, que já acumulava mais de cem pessoas. E, quando estava prestes a chegar à entrada, ele apareceu. Ah, o destino.
A pista do Credicard Hall, que comporta 7 mil pessoas, estava em sua lotação máxima, e o público era o mais variado. Tiozinhos com esposa e filhos se apertavam entre jovens cabeludos e maquiados, ao lado de mulheres com salto agulha e perfumes adocicados que renderam uma bela dor de cabeça ao Elcio.
O show atrasou mais de meia hora, tendo começado por volta das 22h10, e de cara constatei que os cinco integrantes do grupo estão em plena forma. Física também, mas, principalmente, conservam as principais características que têm rendido décadas de sucesso à banda.
Confesso que não conhecia nenhuma das músicas do último álbum, “Humanity Hour 1”. Fiz questão de conhecê-las ao vivo, porque sabia que eles iam alterná-las aos grandes sucessos, e a idéia era ver se os alemães conseguiam manter o alto nível de suas canções. Talvez tenha subestimado os veteranos.
Cada um com um papel fundamental na apresentação, os integrantes
Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra), James Kottak (bateria) e Pawel Maciwoda (baixo) demonstraram extremo profissionalismo e muita presença de palco. A todo o momento, um dos instrumentos se destacava na música, dando espaço para a realização de solos incríveis.
Destaque para o solo de bateria que Kottak realizou durante uma pequena pausa para descanso. Brincou com a platéia, subiu na bateria, gritou, vestiu uma camiseta do Brasil e cuspiu água pra cima, performances típicas de um astro do rock.
Das canções que conhecia, “The zoo” foi a primeira a ser tocada (e não saiu da minha cabeça até agora). “Send me an Angel” foi tão linda que me fez chorar (ok, eu sei que não precisa muito pra me fazer chorar, mas que foi emocionante, foi), seguida por outros dois clássicos: em “Always somewhere”, Klaus Meine mostrou toda a sua potência vocal, da qual eu cheguei a duvidar, dias antes; com “Holiday”, relembrei um célebre momento do DVD “Acoustica”, gravado em Lisboa em 2001.
E seguiram assim, entre canções novas – como “321”, pop-rock que promete ser um grande sucesso do disco novo – e antigas, como “Blackout”, do bem sucedido disco homônimo de 1982.
Ovacionados, agradeciam muito e o tempo todo, até saírem para dar uma respirada antes do bis. E respira fundo, porque o bis vem com nada mais, nada menos do que os três maiores clássicos do grupo.
“Still loving you” foi a primeira – e essa eu assisti de mãos dadas com meu pai, porque ele gosta muito dessa música e eu, de ir a shows com ele. Na seqüência, “Wind of Change”, como não poderia deixar de ser. E o cara assobia mesmo (eu nunca consegui assobiar tão agudo)!
Nem preciso dizer que me esbaldei ao som de “Hurricane”. Senti-me na década de 80, pulando ao som de “here I am/rock you like a hurricane”!
Mais aplausos, gritos, e o grupo se despediu. Algumas pessoas já iam embora quando os integrantes se entreolharam e fizeram sinais do tipo: “Mais uma? Mais uma?” E soaram os primeiros acordes de “When the smoke is going down”.
Achei até que a gente tinha ganhado de brinde essa última música, mas não. Estava tudo programado. E eu sei porque meu pai conseguiu pegar a folhinha com o set list. Aquela, que fica no chão para os músicos não se perderem. Show com meu pai agora é assim, a gente só sai com algum souvenir.
segunda-feira, agosto 13, 2007
É tudo Brasil
Pra quem assistiu Yamandu Costa se apresentando sozinho, depois ao lado do violonista Alessandro Penezzi, depois com o bandolinista Hamilton de Holanda (vide post anterior), foi uma surpresa vê-lo ao lado do mestre da sanfona no Brasil, o pernambucano Dominguinhos.Isso porque, nas apresentações anteriores, o gaúcho Yamandu dominava o palco e o público, com dedilhados ultra-rápidos e sua forma agressiva de tocar o violão. Era sempre ele quem dava o tom, quem puxava as canções, e seus parceiros anteriores corriam para alcancá-lo, em performances que Irineu Franco Perpétuo definiu sabiamente na Folha como uma "corrida de Fórmula 1". Pois bem, só que dessa vez o parceiro tem 66 anos e sua experiência como sanfoneiro lhe imprime uma personalidade que impõe respeito.
O show de sábado, no Auditório do Ibirapuera, mostrou de certa forma uma hierarquia na música instrumental. O garoto Yamandu, que com seus 27 anos demonstra um controle total das sete cordas de seu instrumento, apresentou-se de forma mais serena e contida, mas igualmente bela. Foi Dominguinhos quem deu o tom, e Yamandu acompanhava, admirando-o como um garoto que de repente tem a oportunidade de se apresentar com seu ídolo.
A apresentação foi cercada de surpresas. Parecia que estávamos em um barzinho, vendo dois ícones da música instrumental conversarem e interagirem de forma harmônica. Em um determinado momento do show, Dominguinhos instigou Yamandu a cantar. "Esse menino tem uma voz belíssima", disse, e pela primeira vez tive a oportunidade de ouvi-lo. Afinado, o menino, que cantou "Negrinho do Pastoreio" e arrepiou até os mais insensíveis.
Dominguinhos respondeu, cantando "Forró no Escuro" (o candeeiro se apagou/o sanfoneiro cochilou/a sanfona não parou/e o forró continuou), de Luiz Gonzaga, com direito a backing vocal de Yamandu. E contou histórias de quando tocava com Gilberto Gil, a sanfona pesando treze quilos, ele em pé e Gil "simplesmente não parava de cantar!" O carisma em pessoa.
Ambos estavam muito à vontade, e improvisavam a todo tempo. Um ponto alto foi quando Dominguinhos resolveu ensinar ao público a diferença entre os sanfoneiros do nordeste e do sul do país, exemplificando com belos acordes e mostrando porque é considerado o sanfoneiro mais criativo do país.
Além das surpresas, o público teve a oportunidade de assistir às canções do álbum Yamandu + Dominguinhos, lançado em abril deste ano pela Biscoito Fino ("Biscoito Caro", segundo a dupla, que criticou a gravadora). "Wave", "João e Maria" e o pout-pourri "Asa Branca" + "Prenda minha" foram apenas algumas das demonstrações da integração entre estes dois talentos.
Com uma bela luz amarela vinda das laterais, e iluminação azul vinda de cima, somadas a um cenário lindo - panos coloridos lembravam as festas de São João - a dupla terminou o show de forma apoteótica, com "Tico-tico no fubá".
As apresentações aconteceram na última sexta, sábado e domingo, para gravação de um DVD. Quem viu, viu, quem não viu, vai ter que comprar o DVD quando sair. Se não quiser esperar, pode assistir no Youtube, em qualidade menor. Memorável.
quinta-feira, agosto 09, 2007
O casal mais animado de Carolina
Tocamos a campainha e fomos atendidos por uma simpática mulher de nome Joana D'Arc, que nos levou pra dentro do restaurante, bem decorado com almofadas coloridas e cortinas de penduricalhos.Em seguida, veio o "Seu Rai" (pronuncia-se rái), dono do estabelecimento, um senhor com a pele queimada do sol e a postura de quem já foi da marinha em Santos. Morou em São Luiz e depois acabou caindo na pequena cidade de Carolina, sul do Maranhão. O motivo? Clonagem de documentação de sua antiga papelaria, e consequente ruína dos negócios.
Ele e a esposa, a Dona "de Jesus", deixaram os filhos já crescidos em São Luiz e buscaram seu sossego em Carolina. Para ocupar o tempo, "de Jesus" resolveu cozinhar sob encomenda, e em poucos meses transformou seu passatempo no restaurante mais gostoso da cidade: Ponto Alternativo.
"A gente só faz com pedido antecipado", disse Rai, "mas vou ver com a minha esposa o que temos aqui". Muito hospitaleiro, serviu-nos como cortesia azeitonas e palmito, cortado em aperitivo. Nada mal para um casal faminto que acabara de chegar de viagem. Nada mal MESMO, ainda mais com uma cervejinha bem gelada acompanhando.
"De Jesus" apareceu, a touca protegendo os cabelos. "Domingo é o dia que faço mais comida por aqui, e só tenho 'no jeito' um carneiro ao leite de coco com arroz e salada, pode ser?" Era o cordeiro de dona "de Jesus" ou arriscar-se a não encontrar nada melhor pra comer.
Minutos depois, chega ela com uma travessa gigante, espécie de moqueca de carneiro, um caldo saboroso com um toque sutil de coco. Nunca comi carne tão macia e saborosa na vida (ao preço simbólico de R$ 15,00 o prato).
Cumprimos a promessa de retornar no dia seguinte para experimentar o strogonoff, e encontramos o casal muito animado: seus filhos iriam visitá-los naquele final de semana. Tentamos encaixá-los no passeio que faríamos em seguida, pensando que eram dois ou três, mas dona "de Jesus" já avisou: "eles vão ter que fazer um passeio só eles, são seis!"
Na última noite, fomos comer espetinho na praça, e encontramos seu Rai e dona "de Jesus" animadíssimos com os filhos, bebendo cerveja e dando risada. Isso porque trabalharam o dia inteiro à frente do restaurante, e detalhe: já tinham saído pra balada no dia anterior ("dançamos até as 4 da manhã!"). Haja pique!
segunda-feira, agosto 06, 2007
Porque eu sou leonina
... e me envaidece o fato de estar cercada por tantos amigos no dia do meu aniversário. Uma pausa comemorativa em meio aos relatos de viagem.Nem era pra ser tanto assim. Foi só um e-mail, um anúncio no nick do MSN. Uma reuniãozinha, pra não passar em branco, que acabou se transformando em uma das noites mais especiais de todos os tempos.
Eram amigos de toda parte. As meninas da Terroir, gente! Fizemos as contas: mais de um ano e meio sem nos vermos. E meu ex-chefe estava lá, e foi legal ouvir dele: "quando você entrou na empresa, com 19 anos, já era tão madura e responsável!" Mesmo que tenha dito isso depois de trocentos copos de cerveja. Porque leonino gosta de ser elogiado.
Relembrei histórias que aconteceram durante os dois anos em que estive por lá. As nossas célebres "tardes com as amigas" e os apuros na hora de pegar o ônibus na volta! Legal ver que cada uma está melhorando de vida, aos poucos.
E tinha gente do prédio, onde morei por dez anos e de onde saíram algumas das minhas atuais melhores amigas. Outras histórias, novas risadas. E tome abraços! Acho que nunca recebi tantos abraços... porque leonino gosta muito de receber carinho.
E teve a turma do PH, que nestes quatro anos e meio passou a ser minha também. E foi todo mundo e mais um pouco! Tanta gente que não consegui nem dar atenção a todos da mesma forma.
Da faculdade, já esperava que a melhor amiga fosse. "Nem que estivesse no Alaska", disse ela, e eu ri. E ela me abraçou forte como sempre e me disse aquelas palavras lindas que emocionam toda vez. Da facu, também, outro amigo me presenteou, aparecendo. Porque leonino adora surpresas e presentes, materiais ou não.
Os amigos mais recentes também passaram por lá. Da pós, uma visita rápida. Da turma do Trancendence, uma visita longa, que durou até as 4 da manhã, quando ninguém aguentava mais bebemorar. Mais risadas e planos de ir pra Bahia de Motor Home no final do ano.
Minha irmã, sempre presente, minha prima, que veio de Minas Gerais e resolveu ficar pra comemorar, meu namorado mais lindo e companheiro. Foram quarenta pessoas no total. Sim, eu contei, porque leonina é assim: adora estar rodeada de pessoas e de ser o centro das atenções.



