quinta-feira, agosto 22, 2013

#2: Aula de Zouk

Todas as quintas-feiras, a partir das 20h30, há aulas de Zouk no Carioca Club, em Pinheiros, São Paulo. Duas amigas fazem aula lá e sempre me convidam. Eu, por preguiça ou vergonha, nunca aceitei. Afinal de contas, nunca fui lá uma grande dançarina.

Massss, como a ideia agora é se abrir para as oportunidades, resolvi topar e, nesta última quinta, participei de uma aula experimental.


As aulas se dividem em básico e avançado e são coordenadas por Philip Miha - uma das maiores referências em Zouk no Brasil. Ele tem uma didática incrível e, entre outras coisas, orientou que eu me concentrasse ao máximo para coordenar corpo e mente ao mesmo tempo, enquanto jogava os quadris de um lado pro outro no aquecimento.

Começa-se com exercícios feitos individualmente, sempre marcando o ritmo de três tempos. Aos poucos, ele vai soltando a música e é impossível não se envolver… então começa-se a dançar aos pares e eles contam com uma equipe de ajudantes que, além de dançar muito, são orientados a deixar os alunos bem à vontade.


A aula é deliciosa e nem se vê o tempo passar. Os básicos começam às 20h30 e os avançados às 21h30, e vale a pena ficar pra assistir à aula dos mais experientes, até pra se inspirar e ver aonde se pode chegar. São muitos giros, jogadas rápidas de cabelo e muita sensualidade.

Ao final das aulas, sempre acontece uma balada, em que se pode praticar tudo o que se aprendeu. O curso custa R$ 100 ao mês e já inclui as baladas de todas as quintas. Mais do que justo!

O Carioca Club fica na Rua Cardeal Arcoverde, 2899.

E essa sou eu, tentando dançar alguma coisa :)

domingo, agosto 11, 2013

Experiência #1: Solo Sagrado de Guarapiranga - 11 de agosto

Parelheiros, São Paulo. Bairro do extremo sul da cidade em que podem ser encontrados lugares incríveis, como a aldeia guarani Krukutu, à qual se chega de balsa, e também o Solo Sagrado de Guarapiranga, tempo messiânico às beiras da represa.

Pois foi no Solo Sagrado que resolvi viver a primeira das 30 experiências antes dos 30. Cedinho, sol e céu ainda azul, partimos - eu e minha irmã e fiel companheira - por mais de 1 hora até chegar à estradinha que leva ao local. Muito verde, os raios de sol atravessando as copas das árvores… Já dava pra sentir dali que a atmosfera era de muita paz.

Ao chegar, a sensação era a de que estávamos em algum plano espiritual onde todas as pessoas eram boas e amáveis. Tudo muito bonito, arborizado, voluntários trabalhando na remoção das folhas que caíam das árvores, na recepção das pessoas, nas visitas guiadas… era um domingo de manhã, e todos trabalhavam com muita alegria e boa vontade.

Passa-se, primeiro, pela praça do amor, e segue-se por um caminho em que, depois de poucos metros, é possível avistar o enorme templo. Mais alguns passos, e você consegue sentir a real beleza deste lugar: de um lado, a enorme represa de Guarapiranga; de outro, o templo, ladeado por árvores e alamedas de flores muito coloridas e bem cuidadas.




Inaugurado em 1995, o lugar foi criado com o objetivo de ser "o protótipo do paraíso na terra", e pensado para ser um lugar de meditação e contato com a natureza. Além do templo, há também diversas praças e espaço para eventos, além de alojamentos e um restaurante. São quase 330 mil metros quadrados de muita harmonia e paz.


Sentamos sob aquele solzinho gostoso em um dos bancos de madeira do templo - que considera o céu seu teto e as árvores suas paredes, por isso é todo aberto - e, de mãos dadas, fizemos uma oração. Pedimos muita força para nossa família, muita luz para nossos parentes queridos que enfrentam momentos difíceis, e também agradecemos muito por tudo.

É realmente incrível a energia positiva deste lugar. Ao longo da oração, as emoções surgiram forte e naturalmente, a brisa levinha ajudava a secar as lágrimas enquanto o sol parecia ganhar mais força a cada vez que nos abraçávamos.


E o momento mais lindo ainda estava por vir. Neste lugar, há um setor de atendimento em que é aplicado o Johrei - joh = purificação; rei = espírito -, espécie de "passe" (canalização energética) que tem o objetivo de trazer de volta a harmonia espiritual.

Senta-se de frente ao messiânico e ele começa a aplicar o Johrei frontal. De olhos fechados, comecei a sentir uma paz deliciosa, até que ele me pediu pra virar, e então receberia o passe na parte de trás.

Não sei dizer o que aconteceu ao certo, porque entrei num certo transe em que me senti adormecida. Só sei que, involuntariamente, meu corpo e minha cabeça começaram a pesar pra trás, e mesmo que lá no fundo eu tentasse me colocar reta novamente, não conseguia. Parecia que meu corpo acompanhava o movimento das mãos do messiânico (ainda que eu não pudesse vê-las).

De repente, fui invadida por uma luz branca, linda, e senti que ela vinha do lado esquerdo. As lágrimas brotavam pela beleza de tudo aquilo que estava acontecendo. Alguns minutos, e passei a ser invadida por uma luz cor-de-rosa muito forte, que vinha do lado direito. Não me lembro de já ter recebido uma luz tão forte assim, muito menos colorida.

Saí do lugar absurdamente mais leve e serena, emocionada, renovada, feliz. A paz me acompanhou durante todo o dia, e espero que ela siga me acompanhando por muito tempo ainda.

Uma das propostas deste desafio é me "obrigar" a fazer coisas que sempre quis, mas arrumava desculpas pra não fazer. Conhecer o Solo Sagrado de Guarapiranga certamente é um bom exemplo disso. E como valeu a pena.


Mais informações: www.solosagrado.org.br

Fotos: Fernanda Baldin

domingo, agosto 04, 2013

Hoje completo 29 anos.

E me lembrei que, uma vez, fui a um festival de arte no sul do Maranhão e conheci uma senhora xamã, linda, que sob todas aquelas tendas e panos coloridos, naquele sol de mais de 40 graus e olhando para a paisagem incrível da Ilha dos Botes, me explicou a relação entre os 4 elementos e as diferentes fases da vida de uma pessoa.

Dos 0 aos 7 anos, você é terra. É grudado na mãe (sua raiz), engatinha, tem uma relação forte com a terra. Aos 7 anos, seu pulmão está formado, e você vira ar. Então, dos 7 aos 14, só quer saber de correr, brincar, rir, e fazer circular todo esse ar. Dos 14 aos 21, você é fogo, os hormônios explodem e a sexualidade aflora. Incendeia a casa toda se alguém ousar te contrariar. Então, aos 21, você vira água. E, sendo água, dos 21 aos 28 passa a percorrer caminhos novos e estabelecer seu espaço.

E então, chegam os 29 e a pergunta: quem você é agora? Porque você já foi de tudo um pouco e, pela ordem natural das coisas, teve tempo e oportunidade pra se conhecer. E a vida vem cheia de perguntas aos 29: o que você conquistou até aqui? O que pretende conquistar a partir de agora? Você já tem um caminho traçado? É feliz dessa forma? Quem é você, afinal?

Posso dizer que me sinto feliz e satisfeita com minhas conquistas até agora.

Mas quero mais!

Então, inspirada em minha amiga Regina, resolvi lançar um autodesafio: 30 novidades antes dos 30. Minha meta é viver e escrever sobre 30 novas experiências, que podem ser novos lugares, novas comidas, aventuras, qualquer coisa que represente uma novidade, seja boa ou nem tanto.

Acompanhe por aqui ou pela hashtag #maribaldin30news :)

sábado, julho 13, 2013

Que a gente se dá ao direito de tomar uma garrafa de vinho (sozinha) no parque.

Prédio dos Correios. Ainda mais lindo à noite!
Do palácio, parti rumo à Plaza Cibeles, onde há uma série de construções lindíssimas, como o prédio dos Correios. É um bairro bastante sofisticado e cheio de lojas de grife. Dali, caminhei até a Puerta de Alcalá, com uns arcos super bonitos e cheios de flores em volta - como a primavera na Europa é mágica!
Puerta de Alcalá

Comprei uma garrafa de vinho branco bem gelado - pelo qual paguei cerca de 15 euros - e parti para o Retiro, um parque enorme e maravilhoso com um grande lago no meio, em que se pode passear de barco nos períodos de calor.

O tempo começava a fechar e fui caminhando pelo parque. Nele, há uma série de monumentos lindíssimos, que fazem deste um dos locais preferidos pelos turistas e madrileños para o lazer. Me sentei na grama com vários outros jovens, e degustei meu vinho branco gelado, olhando o lago. Fiquei pensando no quão felizes são os moradores daqui.

A vista de meu lugar no gramado.

Aproveitei para escrever sobre mais este dia tão lindo, sobre como estava me sentindo abençoada por simplesmente sentar na grama e tomar um vinho olhando o lago. Tirei o tênis e senti a grama entre meus dedos, que delícia parar tudo pra viver e curtir esse momento.

De repente, um rapaz me chama, convidando para sentar junto com ele, sua irmã e umas crianças. Christos é grego e trabalha com publicidade, fala pouco inglês mas é bastante simpático e esforçado em querer conversar.

Contou que as coisas na Grécia não estão muito boas, mas que a imprensa também aumenta muito, pois até que não está tão ruim assim. Disse que posso ligar pra ele quando for à Grécia, mas não consegui entender o nome da cidade em que ele mora. Sei que passamos horas conversando, falamos sobre a publicidade em nossos países, sobre a economia, sobre os passeios por Madri...

Até que pedi licença e, um bocado alcoolizada (afinal, a garrafa de vinho estava quase no fim e eu havia tomado tudo sozinha), fui conhecer o Palácio de Cristal, que também fica dentro do parque, e é maravilhoso. Lembra um pouco o Jardim Botânico de Curitiba, com uma estrutura enorme de vidro.

Palácio de Cristal

Ao fundo, uma banda tocava Beatles, e naquele ponto já não sabia o que era mesmo verdade e o que vinha da minha imaginação.

Venci a batalha contra a garrafa de vinho e, comendo umas batatas pra evitar o desmaio, caminhei até o metrô. Eram por volta de 6 da tarde e eu ainda queria comprar o ingresso pro jogo do Real Madrid.

Algumas estações depois, cheguei ao estádio, em que paguei 25 euros para ficar na arquibancada mais alta.

Foi só o tempo de engolir um lanche no Burger King, tomar um banho no hostel, vestir a camisa do Brasil e me reunir com a turma no saguão.

Juntos, fomos de metrô rumo ao estádio.

quinta-feira, julho 11, 2013

Cinderela feelings

Quarta-feira foi o dia escolhido para conhecer o Palácio Real. Já o tinha visto por fora durante o free walking tour, mas precisava vê-lo por dentro. A entrada custa 10 euros, mas a partir das 17h é de graça para turistas latino-americanos.

O céu ajudando a compor a paisagem.

E, por dentro, ele é ainda mais espetacular. Logo que se passa o portão, é possível passear pelo enorme pátio, com luminárias douradas e ladeado por arcos com vista para uma área verde. Ao entrar, começa a visita (ou seria a viagem?) pelos salões reais, que são incríveis.

Dá até pra sentir a energia de tudo o que já aconteceu por ali, ainda mais lendo os descritivos dos lugares e analisando cada um dos detalhes. São tecidos que cobrem as paredes, tetos trabalhados em flores e anjos, móveis mantidos impecavelmente... Parece que a gente se transporta pra um daqueles filmes de época!

Ao entrar no salão de bailes, fiquei imaginando quantas festas já aconteceram ali. Quantas histórias de amor e quantos beijos escondidos pelos corredores… quantos porres, quantas risadas, quantos olhares! Tive vontade de sair dançando e girando, cheguei a imaginar uma música clássica bem alegre de fundo e todos aqueles vestidos longos e bufantes.

Depois do passeio pelas salas, em que fiquei literalmente de boca aberta mais de uma vez, também se pode visitar o acervo de armaduras e a antiga farmácia do palácio, com prateleiras enormes e cheias de potes com nomes de substâncias usadas na época para a cura. Uma pena que não se pode fotografar nada!


Estava tão encantada que, quando saí pelo mesmo pátio real, com todas aquelas luminárias douradas e toda aquela beleza, falei sem querer em alto e bom português: NOSSA, QUE LUGAR LINDO!

E não é pra achar lindo?

Me peguei rindo sozinha depois.

terça-feira, julho 09, 2013

Da brisa mais linda.

Teve uma brisa linda que me acompanhou por toda a viagem, e senti vontade de escrever sobre isso.

Acontece que, quando cheguei a Madri, meu primeiro contato com a cidade foi quando subi as escadas na saída do metrô. Estava um dia lindo, um céu muito azul e logo reparei nas árvores que se mexiam com o ventinho fresco, dando ainda mais graça ao lugar.

Olhei para os lados. Batia sol naqueles predinhos clássicos que forravam a avenida... pude reparar nas flores das varandas, na elegância das pessoas…

É claro que me emocionei muito. Afinal de contas, ali era onde tudo começava, não tinha mais volta, e aquela alegria foi se misturando às primeiras sensações de contato com a cidade.

A partir daí, passei a prestar atenção toda vez que saía de uma estação de metrô. E, se parar pra reparar, cada uma delas tem algo de especial. Não à toa, meu primeiro contato com Barcelona foi exatamente na estação Passeig de Gracia, bem em frente à casa Batllò. Esta foi a primeira visão que tive da cidade.

Assim se seguiu ao longo de todos os dias. Uma nova escadaria, um novo cheiro, uma luz diferente, uma energia nova.

Apenas foi lindo me emocionar a cada saída de metrô.

segunda-feira, julho 01, 2013

Entre tapas, churros e chocolate :)

Essa foi a noite de conhecer um pouco melhor a comida local. Não sei dizer se em toda a Espanha é assim, mas em Madri e Barcelona, pelo menos, a comida popular é o que se chama de tapas (comidas pequenas, tira-gostos), servidas frias ou quentes. Também são famosos os "pintxos" - feitos com uma fatia de pão e alguma coisa em cima, que varia entre presunto cru, frutos do mar e outras especialidades. Um tipo de bruschetta.

Patatas bravas e deliciosas!
Nesta noite, pedi as famosas "patatas bravas" - cubinhos de batata frita com um molho levemente apimentado e delicioso - e também meia porção de tiras de frango à milanesa com molho de mostarda e mel. Ah, uma cerveja pra acompanhar. 10 euros foi o que paguei em tudo isso.

Voltei rolando pro hostel e sentei na sala de convivência, relaxando um pouco. Logo, chegou um carioca marrento (o que é quase um pleonasmo) falando alto: "TU É BRASILEIRA, NÃO É?" E sentou pra conversar.

Harry é do Rio, mas mora em Fortaleza, onde tem um canil. Ex-viciado em tudo quanto é tipo de coisa, ele encontrou a paz no espiritismo depois de alguns meses em uma clínica, e hoje não bebe, fuma ou usa mais nada. Viajou à Europa não só para passear, mas principalmente para comprar cachorros. Uma fêmea de buldogue francês, uma das raças que cria, custa cerca de mil euros e é usada para reprodução.

Papo vai, papo vem, fiz a digestão do franguinho com batatas e resolvi provar os churros com
San Gínes e a fórmula de seu sucesso
chocolate no lugar mais famoso de Madri: San Gínes, já que não teria pique pra ir pra balada mesmo. Harry resolveu ir comigo, e fomos de metrô até a estação Opera, em que fica a chocolateria.

Um chocolate quente com 6 churros sai por 6 euros, e vale cada centavo. Os churros, sequinhos e sem recheio, devem ser mergulhados no chocolate quente, que tem consistência semelhante à de um fondue. Boca cheia d'agua só de lembrar =P

Rolando parte II, voltamos para o hostel, onde encontrei Donna, a israelense, e os americanos do dia anterior. Em seguida, mais dois caras se juntaram a nós: John, que tinha muita cara de brasileiro, mas era americano, e Munib, que nasceu no Paquistão mas mora no Canadá há alguns anos.

John acabava de chegar de uma viagem de quase 6 meses, entre a Índia e a Grécia. Munib se formou recentemente em engenharia e estava comemorando, para depois voltar pro Canadá e arrumar um emprego. Conversamos bastante, principalmente sobre futebol, e adivinha? Um amistoso entre Real Madrid e Málaga havia sido adiantado, e seria no dia seguinte! Fiquei de tentar comprar, caso ainda tivesse ingresso disponível.

Saí com Donna e compramos mais uma garrafa do vinho gostoso de 3 euros do dia anterior, do qual aguentei só duas tacinhas e fui dormir, quase 3 da manhã, de novo. Ainda não consegui entrar no fuso, então, apesar do cansaço, só consegui dormir neste horário.

Em tempo: muita comida boa mas, 10 dias depois, só conseguia pensar no arroz com feijão da minha mãe.

domingo, junho 23, 2013

Mi papá me hizo guapa, lista y siempre madridista*

Desci na estação Santiago Bernabéu, onde fica o estádio do Real Madrid. O tour custa 19 euros - o passeio mais caro que fiz em Madri - mas vale a pena, pra quem gosta de futebol.

O estádio é lindo e, para ir até o topo das arquibancadas, é preciso pegar as escadas rolantes. Achei super civilizado e fiquei pensando se funcionava direitinho em dia de jogo, com o grande movimento de pessoas. Enquanto subia, imaginava o quanto seria bacana assistir a um jogo ali (havia pesquisado antes e não conseguiria assistir nenhum, infelizmente). E, dali de cima, tive uma vista maravilhosa do campo, com gramado verdinho e muito bem cuidado.

Tapetão :)
Além do passeio pelas arquibancadas, há um museu que me lembrou um pouco o Museu do Futebol, em São Paulo. Isso porque tem algumas instalações interativas, em que se pode saber mais sobre o time, ver seus troféus e conhecer melhor a sua história. Foi legal ver o quanto eles se orgulham de ter jogadores de várias nacionalidades, e encontrar homenagens a Roberto Carlos, Ronaldo, Kaká e até Robinho.



Tomei uma cerveja no bar do estádio, visitei o campo - que é mais impecável ainda de perto - e parti para o próximo passeio. A verdade é que estava super cansada - ainda mexida do fuso e andando o dia todo - então voltei pro hostel para tomar um banho e depois sair pra jantar.



Cris, minha colega de quarto, estava passando mal e havia ficado o dia todo no hostel. "Não bebi água e andei muito ontem", disse com o rosto pálido. Taí uma coisa que não se pode esquecer por aqui: beber água. O tempo é muito seco, dá pra sentir no nariz, olhos e garganta. O bom é que o cabelo fica ótimo! :)

Banho tomado e cheia de fome, simbóra pra rua de novo!

*Frase típica de meninas torcedoras do Real :)

quinta-feira, junho 20, 2013

Uma esquina, uma nova amiga.

Daí que aconteceu uma das coisas mágicas que acontecem em viagens. A caminho do metrô Atocha, uma garota me pediu informações - juro, já me sentia uma local! - a respeito da estação mais próxima dali. Ao ouvir meu espanhol com sotaque, perguntou: "és italiana?"

Engraçado que algumas pessoas acham que sou daqui, e quando começo a falar, acham que sou italiana. Mas, no caso dessa menina, não tinha como disfarçar: ELA era italiana, então achei curioso o fato de termos sotaques semelhantes.

Diana é farmacêutica e está realizando alguns estudos em Madri. Pele clara, cabelos bem escuros e sorriso largo, me convidou para sentar em um dos bancos do lindíssimo Paseo del Prado. Logo estávamos batendo o maior papo, contei que minha mãe também é farmacêutica, ela contou sobre suas experiências na Espanha, e nem sentimos o tempo passar.
Paseo del Prado.
É interessante ver a semelhança cultural entre brasileiros e italianos: eu e Diana conversamos muito em pouco tempo, e logo parecíamos amigas de longa data. Depois, fomos juntas até o metrô, falando pelos cotovelos (em espanhol, com umas escorregadas para o português da minha parte e pro italiano da parte dela). Nos abraçamos e convidamos uma à outra a visitar nossas cidades, até que ela desceu na Gran Vía e eu segui para a Santiago Bernabéu.

Fiquei super pensativa depois que nos despedimos. E se ela não tivesse me pedido informação? E se eu não tivesse sido simpática e apenas apontasse a estação? Se ambas não estivéssemos abertas e dispostas a conversar, não teria conhecido esta italiana tão legal e não teria aberto mais esta porta na vida.

Até hoje, continuamos em contato, planejando o dia em que nos encontraremos de novo, seja em São Paulo ou em Roma, sua cidade natal.

terça-feira, junho 18, 2013

Prado

Acordei meio confusa às 8h do dia seguinte. A cama estava muito confortável e, o quarto, escurinho na medida certa. Desci para tomar café no hostel - minha diária de pouco mais de R$ 40,00 incluía um copo de leite ou suco, duas fatias de pão, manteiga e geleia. Estava de bom tamanho pra começar o dia!

Peguei o metrô para Atocha, onde fica a estação de trem, pra garantir minhas passagens para Zaragoza e Barcelona dali a dois dias. Foram 47 euros de Madrid a Zaragoza e 63 euros de Zaragoza a Barcelona. Caro, mas é o preço que se paga para chegar de trem rápido em pouco mais de uma hora a cada um dos lugares.

De lá, parti para o Museu do Prado, o maior da Espanha e um dos mais importantes do mundo. Já no Paseo del Prado, a avenida que ladeia o museu, vai dando uma sensação gostosa de se viver a arte do lugar.

Pouco feliz em frente à entrada do Prado :)
E é impressionante seu porte e a beleza das salas e das obras. Bate uma sensação de sonho realizado só de passear pelos salões cheios de quadros, em que dá até pra sentir a energia e a história que cada obra carrega.

Vi obras famosas de Rembrandt, Tiziano, Bosch e, principalmente, de Goya, um dos maiores artistas espanhois. Foi interessante lembrar das aulas de artes do colégio, enquanto caminhava pelas inúmeras salas com quadros gigantescos.

"O Jardim das Delícias", de Bosch, é certamente uma das obras mais incríveis do lugar, cheia de cores e detalhes que mostram o paraíso e o inferno em telas anexas à principal. Também me impressionei com a beleza de "Davi vencendo Golias", de Caravaggio. Fiquei pensando que, se tivesse música clássica pra ouvir durante o passeio, me emocionaria ainda mais.

Outra coisa que achei interessante é ver outros artistas que fazem réplicas dos originais. Eles montam seu cavalete em frente aos quadros e começam a pintar ali mesmo, quase que em transe, sem nem se preocupar com o monte de pessoas que passam pra lá e pra cá.

Admirada com as obras, terminei minha visita almoçando no Café Prado e parti para o próximo passeio.

Salmão defumado com cream cheese, no Café Prado.

domingo, junho 16, 2013

E era só o primeiro dia.

Subi de elevador até o terceiro andar, que só tem quartos femininos. Ele é todo cor-de-rosa, assim como as paredes dos quartos.

Até então, achava que no hostel os quartos ficavam abertos o tempo todo, podendo entrar quem quisesse, e por isso a necessidade de deixar tudo trancado nos armários. Mas não, os quartos são abertos por cartão, como nos hoteis. Mesmo assim, obviamente é recomendado deixar os pertences de valor trancados nos armários.

Quarto super confortável, além de fofo!
 Entrei no quarto e encontrei três meninas dormindo. Logo, elas viram que era mesmo hora de acordar e começamos a conversar: uma peruana que trabalha nos Estados Unidos e duas irlandesas, todas a passeio.

Arrumei minhas coisas no locker e fui tomar um banho. Neste hostel, os banheiros e chuveiros ficam pra fora do quarto e atendem a todo o andar. O bom é que são somente quartos femininos neste andar.

Um banho renovador, e rua de novo! Descobri que, a partir das 19h, o Museu Reína Sofía era gratuito. E lá fui eu! Durante a primavera, os dias começam a ser mais longos, e anoitece só lá pras 10 da noite. Assim, ainda dava tempo de conhecer este museu maravilhoso!

Jardim interno do Museu Reína Sofía.
Além do acervo próprio, que conta com nada menos que Guernica, uma das grandes obras de Picasso (grande inclusive no tamanho - 3,5 x 7,8m), abrigava também uma exposição temporária - e perturbadora - de Salvador Dalí. O jardim interno é lindo e tem esculturas de Miró rodeadas por muitas árvores.

Muita arte depois, voltei pro hostel, onde estava rolando a famosa noite dos "drinking games". Erika, a guia colombiana, oferecia sangria para todos, e éramos mais de 15, bebendo e conversando. Gente do mundo todo, Rússia, Japão, Canadá, Jamaica, Hong Kong, e é claro, muitos americanos pedantes recém-formados.

A brincadeira foi ficando muito barulhenta e, àquela hora, já estava com fome de novo. Yuka, a japonesa, foi comigo até a loja de conveniência próxima ao hostel, onde comprei um sanduíche de jamón serrano e uma garrafa de vinho branco por 3 euros cada, pra tomar no hostel. Estava totalmente no fuso ainda, então só consegui desligar mesmo depois das 3 da manhã (22h no Brasil).

Yuka, minha nova amiga do Japão :)

Difícil descrever o que estava sentindo quando fui dormir. Além do vinho branco na cabeça, vinha a sensação deliciosa de saber que posso me virar bem sozinha em um outro país, fazer amigos de vários lugares do mundo e me divertir muito com eles…

E era só o primeiro dia.




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As fotos da viagem estão aqui :) 

sábado, junho 15, 2013

Bienvenida a Madrid

Barajas, que aeroporto gigante! Tão grande que há duas estações de metrô dentro do aeroporto, de onde se pode ir para os outros terminais de embarque. O metrô é ligado a toda a rede de transportes da cidade e, em cerca de 30 minutos, consegue-se chegar ao centro.

Até para uma perdida de carteirinha como eu foi muito fácil achar as saídas, comprar o bilhete na máquina e seguir rumo ao hostel. Era meu primeiro contato com um hostel, e pra suavizar a experiência, fiz uma reserva em um quarto feminino para até 6 pessoas.

Basicamente, foi o que fiz ao longo dos dias que seguiram :)
 O nome do lugar é "U Hostels" e, logo na entrada, dá pra ver a atenção e o cuidado que eles têm com os detalhes: a recepção tem um smile gigante e os dizeres: "Explore. Enjoy. Meet. Relax. Sleep." Tudo é colorido, da entrada à parede dos quartos.

Só que tive a impressão de ter chegado na hora errada: uma segunda-feira às 11h, horário em que uns 60% dos hóspedes estavam fazendo check-out. Quando tentei fazer o check-in, a simpática moça me disse em inglês impecável que ainda teria que fazer o check-out de todas aquelas pessoas, e que ainda tinham dois na minha frente, esperando na salinha ao lado. Fui até lá, os dois eram brasileiros e conversavam com uma guia colombiana. Ela havia acabado de convencê-los a deixarem as malas ali mesmo pra sair com um grupo e fazer o "Free Walking Tour".

Entrei nessa também. Sem dormir e sem comer, parti a pé com o grupo até a Puerta del Sol, um marco na cidade de Madri e onde encontraríamos o restante do grupo. O dia estava lindo, perfeito pra caminhar e começar a conhecer a cidade. A guia, Erika, tinha pouco mais que 1,50m e falava pelos cotovelos, num inglês carregado de sotaque.

E ela nos levou por uma caminhada de cerca de duas horas e meia, em que passamos por alguns dos principais pontos turísticos de Madri: Puerta del Sol, onde fica a escultura "O urso e o madroño", grande símbolo de Madri, Plaza Mayor, que é linda, cercada de restaurantes que segundo ela são caros e ruins; Mercado de San Miguel, onde se pode encontrar comida de qualidade; palácio real, que é liiiiiiiiiindo (fiquei de voltar lá antes de ir embora de Madri) e a Gran Vía, que nada mais é do que uma grande avenida cheia de lojas.
El oso y el madroño, símbolo da cidade de Madri.

Andamos até cansar, e então paramos pra almoçar. Por 9 euros (cerca de R$ 25), estavam inclusos: uma taça de vinho, uma entrada - o melhor gazpacho da vida - um prato enorme de cordeiro com batatas que estava delicioso e, pra fechar, um brownie com leite condensado, que obviamente eu não aguentei porque já tinha comido e bebido tudo o acabei de contar. A guia já tinha nos avisado que o almoço é a principal refeição dos espanhois, e que eles fazem questão de comer muito bem neste horário (até por isso, a siesta vem logo depois).

O mais legal foi que almocei com duas americanas e duas inglesas, pratiquei bastante o inglês e pude conhecer um pouco mais sobre elas. Achei engraçado que eles não falam "sou dos Estados Unidos", mas sim "sou da América!" Até pensei em dar uma de louca e falar: "qual das Américas?", mas já sabia que eles costumavam se referir aos EUA desta forma e também fiquei com receio de soar ofensivo.

Todas foram muito simpáticas e elogiaram o fato de eu falar inglês com elas, português com os dois brasileiros e espanhol com o garçom (apesar de meu espanhol ser básico, mas elas não perceberiam rs). Disseram que se sentiam meio limitadas por só falar inglês, e achei legal da parte delas reconhecer isso, já que conheci muitos americanos que se orgulham de só falar seu próprio idioma.

Parte do que estava buscando pra essa viagem começava a acontecer: conhecer gente nova, de diferentes países, comer comidas novas e explorar sem medo um lugar novo.

Barriga cheia, hora de voltar para o hostel, pegar um quarto e tomar um merecido banho. E ainda era o começo da tarde.

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As fotos da viagem estão aqui :) 

sexta-feira, junho 07, 2013

Welcome Aboard


Quando vi a tarifa da Air China cerca de 20% mais barata que as outras companhias que voam a Madri, fiz algumas pesquisas e só encontrei elogios à "ching-ling". Nada de excepcional, mas também nenhuma reclamação. Espaço suficiente, conforto, segurança… tudo isso me encorajou a comprar a passagem, classe econômica, por US$ 750.

Ao fazer o check-in, fui informada de que só havia lugar no corredor. Droga! Sempre gosto da janela. Mas depois achei até bom, porque poderia levantar para pegar algumas coisas na mochila ao longo das quase 11 horas de voo.

Há quem diga que o problema do Rio de Janeiro são os cariocas (e aqui não me cabe julgar, amo o Rio inclusive). Pois tive a impressão de que o problema da Air China são os chineses! Não pela tripulação - todos simpáticos, mesmo não falando nem entendendo inglês direito. Mas sim, pelas outras pessoas que dividiram o voo comigo.

Parecia que estava na 25 de março: pessoas falando em chinês muito alto (gritando mesmo!), andando de um lado para o outro nos corredores; crianças, muitas! Algumas delas gritavam como se estivessem levando uma surra.

Isso sem contar a senhora, dois assentos à esquerda, que deitava em dois lugares quando meu vizinho saía e ficava me chutando de leve. Ah, e ela também ficava cuspindo em um copinho… que fase!

Sobre a estrutura, não tenho nada pra reclamar. A aeronave era bem nova e relativamente espaçosa (dentro do que pode ser uma classe econômica), com uma tela por assento em que assisti "As Aventuras de Pi" e "Operação Skyfall" - filmes relativamente novos.



Travesseiro, cobertor e máscara, somados ao fone em que fui ouvindo música, foram ótimos companheiros de viagem.

A comida estava ok. Na minha vez, já não tinha mais frango, só peixe, e estava um pouco duro, mas deu pra comer. Para beber, além do básico pude tomar um delicioso vinho tinto, que não consegui ver o rótulo mas estava ótimo. Duas tacinhas e pronto: capotei por algumas horas (acho que umas 4 ou 5). Acordei com meu simpático vizinho chinês tentando me pular, imagina o susto!

Não diria que a experiência foi ruim (aliás, na vibe boa em que viajei, dificilmente algo me tiraria do sério. E como, no fim das contas, o que importa é chegarmos bem - eu e a mala - então tá tudo certo!

Mas que peguei birra de chinês, isso eu peguei.

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As fotos da viagem estão aqui :) 

domingo, junho 02, 2013

Um belo dia resolvi mudar

Parafraseando Chico Buarque, essa moça tá diferente. Tá mais livre, mais feliz e, por que não dizer, até mais corajosa. Parece que se reinventou, se libertou de um monte de barreiras e se jogou na vida com o entusiasmo que sempre lhe foi peculiar. Entendeu que cada dia é como um quadro a ser pintado, e se animou em pensar e planejar sozinha os quadros dos dias seguintes.

Não que seja fácil. A cor escolhida, a forma de pintar, a intensidade, tudo isso ganhou um peso muito maior, porque, mais do que nunca, a responsabilidade é toda dela. E aí vêm os desafios diários, a cobrança, e quando ela menos espera, se sente dentro de uma máquina de lavar, emoções balançando de um lado pro outro.

Daí, resolve parar tudo. Sair no mundo e, ao mesmo tempo, fugir de todo mundo. A gaiola ficou pequena pro tamanho das asas. Era hora de encarar a vida, sozinha.

O destino? Espanha.
As histórias? Nos próximos posts.

:)

As fotos estão aqui :)

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Roda mundo, roda-gigante

Tive uma manicure que era praticamente uma terapeuta. Tata, como costumava ser chamada (seu nome de verdade eu nunca cheguei a saber), era super espiritualizada e entendia um pouco de tudo: havia sido seguidora de Trigueirinho, trabalhado com Santo Daime, frequentado centros espíritas, e sempre tinha uma boa palavra ou uma história bonita pra me contar. A cada conversa, parecia que a gente descolava daquele ambiente barulhento do salão de beleza e entrava num outro plano, em que eu me arrepiava, me renovava e aprendia, religiosa e semanalmente.

Eram mãos e alma renovados!

Um dia, estava meio pra baixo e, como de costume, desabafei com ela. Falei das minhas desilusões e de como criava expectativas muito altas com relação a quase tudo na vida. E então ela me falou: "pense na vida como uma roda-gigante. A gente está sempre rodando, às vezes por cima, e outras por baixo. E, esteja onde estiver, você precisa aceitar, respeitar e entender que em seguida estará do lado contrário! Havia um sábio que tinha, junto à sua cabeceira, uma plaquinha que dizia: 'não é pra sempre'. Quando ele estava muito triste, olhava pra ela e entendia que, em breve, estaria tudo bem; ao passo que, quando estava feliz, olhava a placa e passava a valorizar ainda mais aquele momento, por lembrar que aquilo também não duraria pra sempre. Então é um pouco assim que a vida se apresenta."

E aí guardei essa informação, pra consultar quando fosse preciso.

Pra quem vive intensamente, a velocidade da roda-gigante é ainda maior. Porque a gente quer aproveitar tudo ao mesmo tempo e cria expectativas tão grandes de que tudo será maravilhoso, que quando não acontece a roda desce e logo a gente vai lá pra baixo, pra no minuto seguinte se prender a outro plano, outro sonho, e subir de novo com a mesma intensidade, sentido céu.

E, com o passar do tempo, a gente aprende que o por cima e o por baixo dessa roda são relativos, e que é possível (e inevitável) que cada um dos lados tenha um saldo positivo no final, em forma de aprendizado. Aprende-se a respeitar e honrar a dor da queda.

Até porque a hora de descer é a que dá o frio na barriga, e o frio na barriga é o que deixa a gente esperto pra encarar a vida.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

It's the end of the world, and I feel fine.


Lembro de estar sentada numa praia, o céu todo encoberto, muito carregado. Não era uma praia comum, nem um dia comum, a atmosfera estava estranha, como se o mundo fosse mesmo acabar. O ar era tão denso que se podia pegá-lo com as mãos.

Eu gritava: olha o sol! Eu consigo ver o sol! As pessoas não conseguiam vê-lo, mas eu sim. Era um buraco no meio das nuvens, de onde era possível ver o sol, bem pequenininho, como se mostrasse sua luz só pra mim. O céu estava mais longe do que de costume, e o sol continuou a me olhar e me chamar pra perto dele.

Fechei os olhos e estava voando. Não consegui saber se era uma nave, um avião ou se estava sozinha voando mesmo. Só sei que viajei pelo mundo, desviando de aviões, foguetes e outros transportes aéreos, fazendo acrobacias no ar e voando baixo nos países que escolhi, sem sair da cápsula em que estava. Lembro de um espetáculo de rua em Paris, um musical a céu aberto em NY, aquela mesma praia densa e escura, agora vista do alto, e consigo lembrar do quão maravilhosa era aquela sensação, a felicidade que eu sentia ao desbravar o mundo, em experimentar a liberdade de voar para onde quisesse.

Que lindo, que lindo! Gritava, e me emocionava, e agradecia. O mundo estava acabando, mas nada iria mudar aquela sensação.

Um beijo feliz pra você que sonhou com o fim do mundo e, contraditoriamente, voltou a se sentir viva.

segunda-feira, julho 16, 2012

Saudade(s)

Uma vez me disseram que saudade só se usa no singular, porque é um substantivo abstrato que retrata emoções. É errado dizer que sentimos raivas ou penas... portanto, não sentimos saudades, mas sim saudade. Até hoje não consegui confirmar a informação, mas, na paranoia de usar sempre o português correto, parei de usar saudades e adotei a solitária saudade no vocabulário. Mal sabia eu que minha vida iria dar uma reviravolta, como a que aconteceu há exatos 3 meses...

Nunca escondi a paixão pelos meus avós - como no post sobre o talento de minha avó ao piano ou no relato sobre os curiosos costumes dos dois. Imaginem então qual não foi minha dor quando, no dia 16 de abril de 2012, perdi para sempre a minha avó querida.

As sensações foram muitas e tudo aconteceu tão rápido que fica até difícil de explicar. No momento em que tudo aconteceu, perdi totalmente as forças. Onde estava, sentei no chão e me coloquei a chorar compulsivamente, não querendo acreditar. Ninguém esperava por aquilo, afinal, ela estava bem!

Naquela noite, pensei muito, muito em minha avó. Me ensinaram que eu deveria mentalizá-la dentro de uma bola de luz, feliz e com semblante sereno, assim como a encontramos falecida em sua cama, e que isso a ajudaria a subir em paz, tranquila. E foi o que fiz: pensei nela com tanta força, dentro daquela bola de luz, com aquele sorriso tão lindo de sempre, que de repente fui invadida por uma sensação enorme de paz. Parei de chorar, e naquele momento tive a certeza de que ela estava bem.

Senti que, naquele momento, surgia uma força dentro de mim que jamais imaginei ser possível, um amadurecimento instantâneo e uma mudança imediata na forma de ver o mundo... Quase conseguia ouvir a sua voz dizendo: "está tudo bem comigo, agora seja firme e cuide do seu avô." E voltei a encarar a vida como ela sempre fez: com força, com alegria e, acima de tudo, com muito amor.

Dois meses depois, o que fica é a saudade...

Tenho saudade de ligar pra ela quando chego em casa do trabalho.
Saudade de pedir que ela acenda uma vela para Santo Expedito quando estou em um momento importante da vida.
Tenho saudade de suas sopinhas de café com leite, e do creme de chocolate que ela fazia quando eu era pequena.
De quando íamos juntas à praia ou à piscina.
Saudade de quando ela cantava músicas a partir de qualquer palavra que você dissesse.
E de quando ela tocava "Fascinação" no meu teclado.
E quando dançava "New York, New York" com meu avô em qualquer lugar que fosse.
Saudade de quando ela me ensinou a costurar roupinhas para as bonecas, quando eu ia passar as tardes lá.
E de quando fazíamos pesquisas juntas nas enciclopédias, para meus trabalhos da escola.
Saudade do seu cheiro de vovó.
Das suas palavras sempre positivas.

Do seu carinho.

Alguém uma vez disse que saudade não se usa no plural. O português que me desculpe, mas são tantas saudades que resolvi voltar a usá-las todas do jeito que bem entender.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Férias


Os pés adoraram ficar sem salto alto.
A pele queimada de sol já nem lembra mais o que é ar condicionado.
Os cabelos tiraram férias do secador e da chapinha.
Os olhos já se esqueceram da maquiagem.
A cabeça deixou em São Paulo todas as preocupações.

Sentada ao pé da belíssima cachoeira, chorou. Botou pra fora o restinho de 2011 que ainda restava ali, e suas lágrimas mornas correram com a água gelada para sabe-se lá aonde. Enquanto isso, novas e energizadas águas vinham até ela.

Era o último dia do ano.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Do ausente que incomoda

Um amigo me falou uma vez que, quando a gente escreve sobre alguma coisa, parece que essa coisa se resolve dentro da gente. Principalmente quem não só gosta muito de escrever, mas que sente quase que uma necessidade de por pra fora o que está lá dentro.

Então resolvi escrever, pra ver se resolvia. O problema é que não sei ainda do que se trata. E quando a gente não sabe exatamente o que incomoda, como faz? Daí lembrei de novo daquela frase da Camille Claudel que dizia: "Há sempre algo ausente que me incomoda". Digamos que não há SEMPRE algo que incomoda, mas o fato é que há algo. E ele me incomoda, é obscuro, como um calinho na memória que a gente não sabe bem o que causou.

Quem sabe escrevendo o que vem à cabeça, estas palavras que digito loucamente agora, eu possa ler daqui a algum tempo e entender o que acontece. Nem que seja pra dizer: "mas que idiota", que é um pouco como me sinto sempre que leio um de meus textos. Engraçado que nunca parece que fui eu que escrevi. E não foi um espírito que baixou (tipo o Blogs do Além, do Vitor Knijnik), fui eu mesma. Mas depois, parece que não sei. Que não fui eu. Ou, se tiver sido eu, "mas que idiota".

O fato é que parece que existe uma instabilidade dentro de mim. A impressão é a de que todos os aspectos da minha vida estão mudando, e sem intervalos. Mudam absolutamente em todos os minutos, numa crescente de aprendizado e amadurecimento. Mas um amadurecimento que não traz serenidade, pelo contrário! Traz inquietude, medo do que pode vir pela frente, medo de aceitar os próprios sentimentos.

Eu, que amo e odeio a rotina com a mesma intensidade. Porque gosto de ter o controle das coisas - traço típico de leoninos -, de saber o que vem agora, o que vai acontecer amanhã, sensação de pilotar a própria vida e muitas vezes as dos outros. Odeio com a mesma intensidade, pela solidão que sinto quando não acontece nada de novo, pelo encantamento que me causam as surpresas. Porque essa instabilidade pode ser boa também, é uma inquietude que traz frio na barriga, aquele medo do que pode vir pela frente, mas com uma sensação de que pode ser sim muito bom, por que não? Vai do otimismo da pessoa, ou do estado de espírito.

Sensação de que, aos poucos, me desprego de quem eu sou de verdade, deixando uma essência lá atrás, como uma cobra que troca de pele e deixa seu passado perdido em algum lugar. Aquela que dava valor a tantas outras coisas que agora não fazem o menor sentido, e que por sua vez deram lugar a outras que outrora eram inimagináveis... alguma delas é a certa, será?

Não sei. Parece que venho perdendo a minha força. Eu, que sempre fui forte, de repente perco essa força junto com a pele que ficou lá atrás. E perco consequentemente a capacidade de estabelecer limites nas mais diversas situações. A mim, às outras pessoas. E, nesse mundão de meu Deus, não saber estabelecer limites é quase como pedir que abusem da sua capacidade. Física e mental. Me vejo frágil, sensível, debilitada. Física e mentalmente.

Mas não perdi a fé vida, ainda que saiba que a fé vai precisar de um bocado de atitude no pacote, pra ajudar a mudar alguma coisa.

terça-feira, agosto 23, 2011

Ação!

Poucas coisas me estimulam tanto quanto a sede por conhecimentos novos. Desde pequena, sempre fui muito curiosa - em vez de brincar com as bonecas, arrancava seus braços e pernas para saber como eram feitas, e intrigava meus pais, tirando as teclas do controle remoto e da calculadora pra olhar ali dentro e saber como era - e vira-e-mexe era surpreendida num cantinho, lendo algum livro, com 6 anos de idade.

Essa busca me levou a uma série de atitudes ao longo da vida. Uma delas foi estudar jornalismo, onde eu aprendi a questionar ainda mais as coisas, e mais do que isso: aprendi a formular as perguntas certas para descobrir o que eu queria saber. O jornalismo me tornou uma pessoa ainda mais curiosa e sedenta por informações sobre os mais variados temas. Informações e experiências novas, que me mantiveram viva e ativa durante durante esta fase.

A curiosidade, aliada à busca por estas novas experiências, também foi o que me fez deixar a Neotix, cerca de 2 meses atrás, e 5 anos depois de ter começado a caminhada junto aos meninos. Hoje temos quilômetros de histórias pra contar, os quais eu guardo com carinho em um capítulo muito importante da minha vida.

Em junho de 2011, comecei uma nova experiência junto à Energy - Y&R. Estava ali o desafio que eu queria: o de estar em uma agência grande, com estrutura de empresa e flexibilidade (leia-se: entrar não muito tarde e sair muito muito tarde) de agência. Foi novidade atrás de novidade desde este turbulento começo. Sim, turbulento porque eu acabava de deixar a zona máxima de conforto para entrar num mundo totalmente novo, com novos colegas, clientes e projetos. No início, mal sabia o nome e as funções das pessoas, e aos poucos fui identificando os papéis e perfis dali.

Neste final de semana, pela primeira vez, acompanhei as filmagens de uma campanha que estou fazendo. Mesmo com o frio que estava e a chuva que insistia em cair, acompanhamos as gravações no sábado, domingo e segunda-feira. Fiquei maravilhada de verdade com o trabalho da produtora, com a quantidade de profissionais envolvidos em uma produção relativamente simples como essa, e o mais incrível - como as coisas funcionam bem! É engraçado pensar que tanta gente pode se entender tão bem: basta que cada um saiba o seu papel e o execute corretamente. Não tem segredo.

Eu não tinha a obrigação profissional de acompanhar as filmagens. Claro, era de bom tom que eu desse pelo menos uma olhada em como estavam indo as coisas. Mas fiz questão de estar presente todos os dias. Cada grito de "Ação!" ou "Corta!" do diretor me traziam pra um mundo totalmente novo até então. A sensação de gravar no meio da 23 de Maio, bem em frente ao Obelisco, ou ainda de encher a Hot Hot com equipamentos e criar um restaurante lindo lá dentro, me trouxeram um vigor diferente.

Uma sensação nova, a percepção de que o mundo lá fora é tão grande, cheio de possibilidades e pessoas interessantes, e que às vezes a gente fica fechado numa bolha sem nem imaginar que certas coisas são possíveis. É preciso se mexer um pouco nesta busca por novidades, experiências, e consequentemente, crescimento.

AÇÃO!