segunda-feira, janeiro 24, 2011

Pra não dizer que não falei das flores




Nesta época do ano, as flores que moram em frente à minha casa nascem e morrem todos os dias. Quando saio, de manhãzinha, elas estão nascendo, ainda tímidas e entreabertas. Na hora do almoço, abrem-se pra tomar o melhor sol do verão, enchendo de cor e alegria o jardim da frente. Já quando volto, à noite, elas estão murchinhas, desanimadas, como se tivessem se cansado de oferecer tanto brilho ao dia. E então caem ao solo, exaustas. No dia seguinte, de manhã, o processo se reinicia.

Parece que me sinto mais forte sempre que as vejo, de manhã. Porque no fim do dia, assim como eu, elas estão acabadas. Parecem querer desistir da vida, caindo mortas ao chão. Mas não. A energia que corre por ali dá forças o suficiente para que elas acordem no dia seguinte, tão lindas como de costume, e se abram pra vida com a força de quem renasce a cada nascer do sol.

2010 nasceu, abriu-se para a vida, murchou e morreu. E suas pétalas serviram de adubo pra terra de onde brotou 2011, este que nasce com o vigor habitual dos anos-novos, com vontade de brilhar ao sol, irradiar alegria e dar mais colorido à vida.

As flores que moram em frente à minha casa nascem e morrem todos os dias. E me sinto mais forte toda vez que olho para elas, qualquer que seja o seu estágio. Porque respeito estas fases, porque sofro com as suas mortes diárias, e principalmente porque admiro sua força de renascer no dia seguinte.

Que 2011 seja um ano de diários e renovadores recomeços.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Uma tarde com os avós mais divertidos do mundo

Quando voltaram à igreja em que se casaram, 50 anos depois.

Meus avós, modéstia à parte, são duas das pessoas mais incríveis que já conheci. Casados há 58 anos - ele com 83, ela com 79 - eles mantêm alguns costumes fofos, como deixar bilhetes carinhosos ou tecer elogios um ao outro na frente das pessoas.

Mas não é por isso que resolvi escrever sobre eles. É que, recentemente, estava pensando no quanto era divertido visitar meus avós quando era pequena. Pra falar a verdade, me sentia em uma gincana: quando chegávamos, um dos dois jogava um saquinho de supermercado com a chave dentro, pra que não precisassem descer pra abrir. Se era a chave da minha avó, ela logo orientava: "o portão de fora, você abre com a chave amarela de ponta-cabeça, e a porta de dentro é a chave preta!"

Já se fosse meu avô a jogar a chave, já vinha acompanhada de sua voz grossa: "filha, abra com a verde de ponta-cabeça, e a porta de dentro com a chave branca!" Achava o máximo ter que caçar a chave amarela ou a verde e colocá-la de ponta-cabeça, ainda que já soubesse de cor qual a orientação para cada chave, sua cor e posição.

Sempre tinha um lanchinho gostoso. Não teve uma só vez que eu chegasse lá e não tivesse meia dúzia de sonhos de padaria me esperando, fresquinhos, acompanhados de um suco de laranja com manga - uma das muitas especialidades de meu avô (juntamente com o pão de cabaré, o kibe cru e tantas outras delícias). Minha avó logo me chamava para irmos à varanda, ver os carros passarem, e brincávamos de contar quantos carros passavam de cada cor: cada um escolhia uma cor e ia contando, um a um, pra ver quem ganhava.

Depois meu avô vinha com a lista das personagens da rua Major Sertório. É que todo dia, no mesmo horário, eles costumavam ficar na varanda observando as pessoas e, como as mesmas pessoas passavam todos os dias (para seus compromissos diários), eles passaram a apelidar uma a uma, criando uma lista com mais de 50 nomes, um mais engraçado que o outro.

"Veja quem está vindo! É o Paulo Coelho mais gordo!" E lá vinha ele, um cara igualzinho ao Paulo Coelho, só que, claro, mais gordo. E passava a Xica da Silva com o filho, o Antonio Banderas dos pobres... e eu ria longamente, gargalhava alto, tão alto que às vezes alguém parava na rua e olhava pra cima, tentando entender do que tanto riam aquele casal de senhores e aquela menina.

E sabe o que é mais legal? Tudo isso aí acima acontece até hoje, toda vez que vou à casa de meus avós.
 

segunda-feira, novembro 22, 2010

Paul McCartney - Up and coming tour - eu fui!

Isqueiros ao alto para Let it be

Quando soube que o Paul viria fazer shows no Brasil, passei a usar a frase padrão para qualquer pessoa que perguntasse se eu iria: “nem que eu tenha que vender minhas calcinhas!” Baixarias à parte, fiz questão de acompanhar, ao lado de meu pai, as novidades sobre compra de ingressos e toda essa “burocracia protecionista” que temos por aqui. Começou a tentativa naquela madrugada em que teoricamente os ingressos começariam a ser vendidos para os reles mortais que não tinham conta no banco específico X. Meia-noite-e-um: nada feito, só a partir das 8h.

Dia seguinte, 7h da matina, voltamos pro computador em busca de um lugar ao sol naquela disputada noite no Morumbi. Nos primeiros 10 minutos, já não conseguimos comprar a arquibancada vermelha, que era a nossa primeira opção. Tentamos a azul, dessa vez com sucesso.

A partir de então, passamos a contar os dias para o tão esperado show do Paul. Já preparando as pernas para a maratona Planeta Terra no sábado + Paul no domingo; e preparando o coração para os momentos que estariam por vir.

Domingo, 21 de novembro. Pernas moídas de ficar em pé no dia anterior e corpo dolorido dos brinquedos do Playcenter, já começamos a pensar no caos que estaria na região do Morumbi. Por ir com meu pai, tinha a preocupação de que fosse um lugar confortável, que desse para ver bem o palco, mas ao mesmo tempo não me dispus a chegar com tantas horas de antecedência. Logo, já estava contando que não seria um lugar tão bom.

E não é que por fim, deu tudo certo? Meu irmão tirou da cartola um amigo que mora ao lado do Estádio – literalmente o anjo Gabriel – e paramos tranquilamente em sua casa. Pegamos fila, mas uma fila que andava sem parar, e em menos de 15 minutos já adentrávamos o palco de tantas glórias do meu tricolor, agora por outra boa causa.

De cara já comecei a perceber as vantagens de ter comprado na arquibancada: sentamos tranquilamente, com uma boa vista do palco, guardamos lugar para os amigos que chegariam em breve... Meu pai, emocionado, me olhou: “parece que agora é que está caindo a ficha!” Porque, numa boa: se para mim era uma emoção enorme só de pensar em ver o Paul ao vivo, imagina ele, que nasceu em 1960?

Marcado para as 21h30, Sir Paul deu início ao ritual às 21h35. E, a partir de então, a emoção ultrapassou qualquer limite do bom senso. Todos estavam tomados por uma só energia – era só olhar para o lado e ver os olhos cheios d´agua e as vozes embargadas cantando todas as letras – e Paul conseguiu ganhar ainda mais moral com cada um dos presentes.

A cada música cantada, a cada homenagem feita – a John, George, Linda e “a todos os namorados” – eu imaginava os momentos na vida de Paul em que aquelas letras tinham sido escritas. A cada acorde inicial, meu pai levava as mãos à cabeça, emocionado, extasiado.

Chorei feito criança em My Love, Yesterday, And I Love Her e Something. Pulei feito criança em Ob-la-di-Ob-la-da, Back In USSR e Helter Skelter. Gritei feito louca em Get Back, Day Tripper e Hey Jude (ah, como já caçoei desse coro de Na-Nana-Nanananaaa, falando que ele não se cansava nunca de fazer isso).

Fica difícil pontuar os melhores momentos de um show como este, mas, sem dúvida, dois momentos marcantes foram Live and Let Die, em que fomos surpreendidos por uma queima de fogos digna das melhores comemorações; e em Give Peace a Chance, em que foram lançados balões brancos que tomaram a pista do Morumbi, imagem inesquecível para quem via das arquibancadas, e coroada por uma lua cheia maravilhosa.

Saí de lá com a certeza de ter ido ao melhor show da minha vida. Certeza, na verdade, com a qual já havia entrado no estádio, e que só se confirmou. Resta, agora, agradecer a Sir Paul por ser esse querido, simpático, carismático, que encheu o coração de todas aquelas 64 mil pessoas durante quase três horas. Ah sim, e agradecer também ao meu pai, afinal, ele é o maior responsável pelo meu amor ao rock.

Paul se despediu com um “até logo”. Acho difícil, mas ainda assim espero. Por ele? Vale a pena.

segunda-feira, agosto 09, 2010

Só pra dizer que tenho muitas, muitas saudades de escrever por aqui. Andei fuçando nos posts antigos, nas fotos, desabafos... acho que estava esquecendo do prazer de escrever! Será que estou me acostumando/condicionando à vida de 140 caracteres? Bóra parar com isso?

Prometo voltar em breve e tirar a teia de aranha desse espaço querido. Prometo!

quarta-feira, março 24, 2010

Da série: dê uma carona e aprenda uma lição.

Dona Dalva estava na Av. Jornalista Roberto Marinho e, corajosa, resolveu aceitar minha carona na manhã de hoje até a Av. Santo Amaro. Mora na favela ao lado do córrego, ali do lado, e não tem a menor vergonha de dizer que mora num barraco. “Lá é tão tranqüilo, sabe, filha”, dizia ela, com os cabelos pintados de vermelho e as unhas compridas, bem feitas em marrom-cintilante, calça xadrez bem apertada que em nada combinava com a blusa estampada. Mas é claro que ela não estava se importando com isso.

Nasceu na Paraíba, em uma cidade cujo nome não consegui guardar. Seus pais, “ciganos”, já haviam passado anteriormente por várias cidades do Brasil e, segundo ela, “em cada uma paravam e faziam um filho”. Pois bem, dessa brincadeira vieram 21 filhos do mesmo pai e mesma mãe, “fora os que o pai fez por fora”, contou. Após o nascimento de Dalva, resolveram vir para São Paulo, onde se estabeleceram e vieram a falecer anos depois.

Dalva tem três filhos homens e um neto. Sonhava em ter uma menina, mas não teve esta sorte. Moram todos em barracos num mesmo bloco, mas fez questão de ressaltar que “cada um tem a sua cozinha e seu banheiro”. O neto, de 10 anos, não gosta muito dos pais, pois foi criado por ela. Por isso, prefere morar com a avó no barraco de baixo, enquanto os pais moram no barraco logo em cima. “Tipo sobrado, sabe?”, explicou.

A senhora fez questão de que eu anotasse seu telefone. “Me liga, gostei muito do seu jeito”, falou sorrindo mais de uma vez. Dalva completa 60 anos em 9 de setembro e estava indo até Santo Amaro para pagar uma conta. Não tem mais esperança de arrumar trabalho com esta idade, pois, segundo ela, “não dá mais lucro pra ninguém nessa altura da vida”.

Apesar das dificuldades, ela não perde o bom humor. Adorou a ideia de ir de carro até seu destino, falou alegremente e sem parar durante o trânsito caótico que pegamos ao longo da avenida, e saiu do carro gritando: “tchau, me liga! Carona é tudo de bom!”

Carona é tudo de bom. =)

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Sentaram na areia da praia, ainda fria e úmida naquela manhã, a olhar o mar. Aquela imensidão, de certa forma, os aproximava de Deus. “Como pode ser tão grandioso?” ela pensava, enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto. Não precisavam falar nada: sua ligação era forte o suficiente para que ambos soubessem o que se passava e começassem a se preparar para como seriam as coisas dali pra frente. Nenhum dos dois conseguia entender o porquê, mas de certa forma tinham maturidade suficiente para respirar fundo e não perecer diante daquela situação tão difícil. Ambos a olhar o mar, como se este simbolizasse a imensidão e o mistério do futuro que os esperava.

Então, ela levantou-se e saiu caminhando. O sol começava a nascer e sua silhueta ficava marcada pelos primeiros raios do dia. Ele manteve-se ali, a admirar seu futuro, lágrimas brotando sem controle, enquanto ela partia sem saber pra onde. No coração de cada um, o carinho e respeito se mantinham vivos, como algo que já morasse ali tempo suficiente e com força o bastante para ser eterno. “Que seja eterno”, suspiraram.

O que esperava por eles? Ninguém saberia.

domingo, dezembro 20, 2009

É o tempo da travessia


Barra Grande, Janeiro de 2006 . ₢ PH Schneider

Sempre que busco solução pra qualquer problema que seja, recebo uma luz. Seja uma música que serve como uma porrada na cara, seja uma frase vinda aleatoriamente pelas ruas ou um conselho da faxineira que nunca havia visto antes... Hoje, entretanto, isso aconteceu de outra forma: através de textos de dois dos meus escritores preferidos. Um deles, lembrei de uma postagem antiga deste mesmo blog; a outra, apareceu repentinamente colada no mural da cozinha de casa, como um bilhete do anjo da guarda que sussurra que "tudo dará certo!"

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"
Carlos Drummond de Andrade

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.
Fernando Pessoa

sábado, dezembro 19, 2009

Sobre como a gente se lasca, mas se diverte - uma quinta-feira difícil

07h30 - ligo para o Jone no horário combinado, nosso vôo sairia em 1 hora. Descubro que acabo de o acordar e, um pouco preocupada, faço o check-in para ambos. Afinal, o moço mora nos Jardins.
08h20 - Jone salta do táxi a la Daiane dos Santos e esquece de pedir a notinha. Dá um duplo carpado e sai no brasileirinho, ao meu encontro.
08h30 - partimos rumo ao Galeão, repassamos a pauta durante o vôo e desembarcamos, lindos, num sol de 29º.
11h00 - um pouco de trânsito e chegamos ao cliente. Ainda com o pensamento positivo, concluo que se é pra pegar trânsito, que seja olhando o mar. Jone reclama que sua pedra nos rins não para de caminhar por dentro dele, e combinamos de virar estrela na praia de sapato, pra fotografar e enviar pros amiguinhos.
11h10 - somos recebidos sem água e com um café ruim. Não havia sala reservada, por isso fizemos a reunião em uma sala em reforma, suja e com o chão grudento. Modéstia à parte, arrasamos na apresentação.
13h00 - pegamos um táxi rumo à Confeitaria Colombo, centro do Rio. O taxista - de que planeta ele veio?? - não sabia do que se tratava o lugar, e ligou para um colega - gente, da onde é esse povo? - que brilhantemente informou: "a Colombo do Centro fechou". Meu amigo, ela existe desde 1800, vai fechar agora que estamos aqui? "É, agora, só no Forte de Copacabana." Trânsito e mais trânsito, durante todo o percurso. 
14h30 - descobrimos que a Colombo não havia fechado e que o taxista realmente estava mal informado. Pagamos para entrar no Forte de Copacabana e ter acesso à Colombo falsa. "Não chega nem aos pés da oficial", diz Jone, reclamando sem parar até a chegada da clássica coxinha.
16h00 - muito, muito trânsito e ameaça de chuva. Tentamos mudar nossa passagem para o Santos Dumont, e a atendente informa que a multa ficaria em R$ 600,00. Claro, vamos de trânsito mesmo.
18h00 - chegamos ao Galeão, finalmente. O vôo atrasa e as únicas 4 tomadas disponíveis estão ocupadas. Acaba a bateria do notebook. Ótimo!
19h00 - adentramos o vôo e, repentinamente, começa a chover. Não uma chuva qualquer, mas aquelas com rajadas de vento... as escadas com rodinhas embaixo que ficam nas pistas dos aeroportos começam a voar e bater no avião. Enviamos mensagens de despedida aos entes queridos.
20h00 - nada do avião subir. Passamos a ler atentamente as instruções do cartão que se encontra bem em frente ao nosso assento, e damos risada das instruções de não pular no fogo, nem nos destroços.
20h10 - finalmente levantamos vôo. A chuva aparentemente sossegou.
20h30 - entramos numa área de turbulência. No início, fiquei admirando os raios que caíam ao lado da aeronave, mas logo em seguida veio a sensação de pânico com o tanto que chacoalhava tudo aquilo. Jone utiliza o cordão do saquinho de vômito e amarra seu RG ao blazer, na esperança de ser identificado.
22h00 - o comandante piadista anuncia: "pessoal, embananou tudo no ar. Congonhas está fechado por causa da chuva, e todo mundo foi pra Guarulhos. Estamos com pouco combustível... mas vou administrando aqui e em breve aviso vocês". Ótimo! Agora é o momento de ligar para os parentes e se despedir, certo?
22h40 - novamente o comandante - ele devia investir no humor! - anuncia: "pessoal, acho que vocês vão me matar quando chegarmos no solo. Teremos que pousar em Campinas, ok? Mas pensem pelo lado positivo: se tivéssemos que voltar pro Galeão, pegaríamos aquela tempestade toooda de novo". Que boa notícia!
23h00 - descemos em Campinas e descobrimos que nenhum dos hotéis da cidade tem vagas. Aguardamos por mais 1h15 até que chegasse o segundo ônibus da Gol para nos levar a Congonhas.
00h15 - quem diria, pegando a estrada a essa hora. Relembramos a odisséia do dia todo, rindo sem parar da própria desgraça, e concluímos que tratava-se na verdade de uma gincana, um verdadeiro teste de paciência.
1h30 - sã, salva e em casa. Sobrevivemos à gincana. Pergunta se eu consegui dormir depois de tudo isso?

Agora, imagina como estou ótema hoje =)

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Heineken Experience - Amsterdam

"Nós não somos o museu da Heineken, nós somos a Heineken Experience". É assim que se apresenta este museu interativo que funciona na antiga fábrica da cervejaria em Amsterdam. A estrutura permite uma verdadeira imersão no conceito e na história da Heineken, desde quando era uma cervejaria regional, até a padronização mundial das garrafas e o famoso patrocínio a eventos esportivos (há um espaço enorme sobre isso).

Lá, é possível “ser a cerveja”, uma projeção que te coloca no lugar de uma garrafa e mostra todo o trajeto que a bebida percorre, da fermentação ao engarrafamento. Além disso, é oferecida uma degustação orientada, em que te ensinam a ouvir, ver e sentir a cerveja, e você pode criar um rótulo personalizado com seu nome para a famosa garrafa verde.



Descobri, também, que os “es” de Heineken estão levemente curvados, sorrindo subliminarmente (como não havia percebido antes?), fiz um vídeo hilário cantando uma música tradicional holandesa e ainda pude assistir a todas as propagandas da Heineken, separadas por ano (foto acima)

Passando por Amsterdam, vale muito a pena conhecer!
Mais informações aqui.

domingo, novembro 29, 2009

Manaus 2009

O grupo animado aguardava o embarque no Aeroporto de Guarulhos. A maioria já se conhecia. Eu, no caso, não conhecia ninguém, com exceção das pessoas que me acompanhavam. Engraçado pensar que naquela hora, pessoas que se tornaram tão queridas eram apenas alguns dos integrantes da turma.

Três horas e meia de vôo depois, desembarcamos no aeroporto de Manaus. O bafo quente que aquele lugar possui é algo que jamais vou conseguir descrever por aqui, um calor e umidade incomparáveis. Mas a sensação não durou muito: logo entramos no ônibus com ar condicionado e com uma guia muito simpática de nome Isa, que foi nos explicando um pouco do que nos esperava.

Contou que o hotel ficava num canal, lá chamado de Igarapé, e que nesta época da seca era preciso pegar um barco menor pra chegar até lá. As chuvas duram de maio a setembro, mais ou menos, e nesta época o rio Amazonas chega a subir mais de 13 metros. O hotel, no caso, sobe junto.

Do ônibus, passamos para um barco bastante confortável, dentro do qual comemos, bebemos e escutamos um pouco sobre Manaus e sua história. O guia, cujo nome esqueci mas que falava muito, muito, muito, contou que o primeiro nome de Manaus foi São José da Barra mas que, devido à presença dos índios Manaós na região, a cidade passou a se chamar Manaus em 1669.

Pouco mais de uma hora neste barco, e finalmente avistamos o hotel Amazon Jungle Palace. Os funcionários guiaram cada pessoa à sua suíte, e nos preparamos para um almoço delicioso, oferecido por um chef paulista do qual também não me recordo o nome. Todos os dias, muitas opções de saladas, carne, frango e, como não poderia deixar de ser, peixes de várias espécies e feitos de diversas formas.

A primeira noite foi dedicada à focagem de jacarés. Saímos em canoas pelo meio da escuridão, cada uma com um guia na frente, possuindo uma grande lanterna ou holofote. Os olhos dos jacarés brilham à noite, e não era difícil avistar aqueles pequenos pontos brilhantes por causa do escuro. Confesso que fiquei com um pouco de medo, menos dos jacarés em si, mas principalmente de surgir alguma coisa do rio em meio à escuridão. Como os peixes-voadores, por exemplo, que davam cada susto nas pessoas que a guia falava: gente, cuidado! Senão vai ser peixe pra dentro e vocês pra água! Enfim, sobrevivemos, após conhecer mais de perto um jacaré filhote.

Na manhã seguinte, fizemos a caminhada na mata, saindo às 7h da matina (pode acreditar: já estava muito quente). Foram quase duas horas de mata fechada, explorando árvores, flores, frutas e insetos e, é claro, tomando o maior cuidado com os espinhos e possíveis animais nocivos dali. Isa nos mostrou o breu branco e  breu preto, árvores cuja seiva é altamente inflamável, usada pelos índios pra fazer o fogo e aquecer a chamada maloca. Mostrou também uma outra árvore, da qual não lembro o nome, usada para comunicação entre os índios. Quando se bate nela com um pedaço de pau, faz um barulho alto, que ecoa pela floresta. Assim, os índios podem chamar os outros quando pegaram uma caça ou se há alguém ferido. Lindas paisagens, mas acho que nunca suei tanto na vida.

Isa explicando um pouco mais sobre o breu preto:


De tarde foi a vez da visita à comunidade indígena que habita as regiões próximas. Atravessamos literalmente a ponte do rio que cai (feita totalmente de madeira), e a sensação que tive era de que estava descobrindo o Brasil. Lindas indiazinhas foram nos receber, correndo pela areia branca por entre as árvores e levando o grupo para conhecer seus parentes. Todos nos acomodamos na sauna natural no interior da maloca cujo centro abrigava uma tocha feita com a seiva do breu, e assistimos às apresentações de algumas das belas danças indígenas. Cansados e felizes, voltamos ao hotel.

Sábado foi dia de partir rumo ao Encontro das Águas, um dos passeios mais famosos de Manaus. Seguimos por mais de duas horas naquele barco ultra-confortável, até chegar à junção entre os rios Negro (de água escura) e Solimões (que tem água barrenta). Por causa da densidade dos dois rios, as águas não se misturam, formando essa paisagem no mínimo curiosa. Durante o passeio, curiosamente, encostaram dois barcos em que homens traziam animais para tirarmos fotos: era um jacaré, um bicho-preguiça e duas cobras. Só depois de nos divertirmos muito, o guia explicou que eram ilegais, e que traficavam animais. Um verdadeiro balde de água fria (mas o bicho preguiça é a coisa mais linda do mundo)...

À noite, foi hora de assistir à apresentação do Guia ESPN do fã do esporte, um levantamento muito interessante sobre o perfil dos amantes do esporte no Brasil. Descobri coisas incríveis sobre o basquete, tênis, skate, surf, vôlei e, é claro, sobre o futebol. Dados como: 81% dos amantes do futebol prefere ver seu time ganhando do que a seleção brasileira (!). Informações no mínimo interessantes pra quem quer atingir ao público esportista de todo o Brasil, e ainda mais pra quem ama esportes.

Um churrasco na cobertura do hotel fechou a noite e a viagem. Um encontro fantástico, com muito sol, calor, batidas de coco deliciosas à beira da piscina, banhos noturnos nesta mesma piscina, natureza exuberante (mariposas, muitas!) e, o principal: levo deste encontro pessoas incríveis e lembranças que jamais vou esquecer.

Valeu, ESPN!

Nascer do sol, só boas lembranças...

segunda-feira, outubro 26, 2009

Flores! Flores!

Não tem como não começar a semana feliz, quando todas as plantas da sua casa resolvem florescer no mesmo dia!



Orquídea de Jardim - era uma mudinha tão pequena...



Amarílis - dois anos depois, renasceu.



Flor de Cera - vários pequenos e charmosos buquês

Uma excelente semana a todos!

sexta-feira, outubro 16, 2009

Hoje dei início ao Projeto Carona.

Desde que passei a vir pro trabalho de carro, passo pelos pontos de ônibus lembrando das muitas horas que perdi ali, em pé ou sentada, sujeita à chuva, ao frio, aos perigos dessa cidade (óóóin) e ainda correndo o risco de, ao passar, o veículo estar tão cheio que o motorista nem faz questão de parar, simplesmente vira pro outro lado e finge que não tem ninguém ali.


Ao reparar nos pontos de ônibus, outro dia, pensei: mas que egoísmo, eu sozinha neste carro, podendo levar mais 4 pessoas! E decidi que, quando tivesse coragem, pararia e perguntaria se alguém estaria indo para a região da Berrini. Claro que o medo também era grande, de entrar alguém mal intencionado, de acontecer alguma coisa...

Foi então que hoje cedo, ao passar devagarzinho por um ponto de ônibus, reparei que não tinha nenhuma pessoa com pinta de maldosa. Duas meninas, uma senhora e uma mulher. Encostei: "ALGUÉM VAI PRA BERRINI??" Elas me olharam muito assustadas, como se nunca ninguém tivesse oferecido uma carona a elas (no ponto de ônibus? É bem possível que não mesmo). A mulher, ainda um pouco receosa, disse que estava indo para aquela região sim, e entrou no carro.

Ficou com medo até de dizer seu próprio nome, mas eu compreendi. Ela me contou que nunca tinha visto isso antes na vida, e que eu estava correndo riscos ao fazer isso. Papo vai, papo vem, ela finalmente me contou que seu nome era Elza e que trabalhava bem ali, ao lado da delegacia. Ou seja: no mesmo prédio que eu! Veja só como são as coisas!

Desceu do carro agradecida, ainda sem entender muito bem o que tinha acontecido. Subi de elevador meio extasiada, rindo da loucura e da bondade que, na mesma proporção, tomaram conta de mim nesta manhã.

sábado, outubro 10, 2009

Chororô

Locais e situações que me emocionaram em 4 países diferentes, sem ordem cronológica, alfabética ou de grandeza.

Catedral de Notre Dame - Paris
Olhando de fora, ela é essa monstruosidade ao lado. Em estilo gótico, a igreja
foi construída em homenagem à mãe de Jesus - Notre Dame = Nossa Senhora - e me fez lembrar na hora do documentário "O equilibrista", em que Phillipe Petit se aventura atravessando estas duas torres aí (ao vivo parecem ainda mais altas). Mas o que realmente me impressionou foi o interior dela, sombrio e ladeado por enormes vitrais coloridos, contrastando com o fundo escuro. Lágrimas vieram instantaneamente e
compulsivamente. O cheiro e a energia daquele lugar são inexplicáveis, mas acredito que dê para ter uma ideia no vídeo abaixo.



Regina Spektor - Amsterdam
Paradiso é uma casa de shows e balada que ocupa as construções de uma antiga igreja em Amsterdam. Os donos mantiveram toda a estrutura e os vitrais, transformando apenas o altar em um palco que, durante as temporadas, recebe os mais diversos artistas. Tive a sorte de pegar dois shows neste lugar mágico que, por si só, já é um programa interessante; e mais sorte ainda de um deles ter sido o da Regina Spektor. A russa, que além de linda tem uma voz impecável, tocou, cantou, brincou com a platéia, falou besteira e me fez chorar várias vezes, como em "Laughing with" e "Fidelity":



Igreja ao lado da Kaiser-Willhelm-Gedächtniskirche
Esta igreja de nome tipicamente alemão - e impronunciável - é esta aí da foto. Ela foi semi-destruída na Segunda Guerra Mundial, e mantida assim, como uma forma de mostrar as atrocidades de que uma guerra é capaz. Foram celebradas algumas missas no local,
mas por falta de segurança pararam e houve uma reforma que procurou manter a estrutura antiga o mais fielmente possível. Para que se pudesse continuar celebrando missas ali, foi construído ao lado um 'caixote octogonal' (infelizmente não me lembro de ter visto o nome), com vitrais azuis e um jesus dourado que parece flutuar. Aquela atmosfera de dor e resignação, o silêncio, tudo isso me emocionou demais.



Arte de rua - parte II (ou Músico em Veneza)
Com o calor infernal que fazia em Veneza (apesar da brisa, as temperaturas certamente estava em torno de 40ºC), sentamos em frente à igreja Santa
Maria Gloriosa dei Frari, em Veneza, para descansar. Um senhor, aparentando seus 60 anos, tocava alguns clássicos do rock, acompanhado de um instrumento X amarrado ao seu pé. Resolvemos não entrar na igreja - até porque pagava-se 3 euros e dava para ver o interior através de uma janela grande - e ficamos ali, aproveitando a sombra e a boa música. Lembrando da família, já no final da viagem, e repassando tudo o que acontecera nos quase 30 dias anteriores, não contive a emoção mais uma vez.

Porque tem horas que a gente não consegue (nem precisa) se conter.

Fotos: Paulo Henrique Schneider

segunda-feira, setembro 14, 2009

Break on through to the other side

Tudo o que se fala de Paris é verdade. Pelo menos, eu pude comprovar pessoalmente tudo o que eu ouvi antes de visitar a cidade.

Dentre os locais por onde passei, foi de longe o mais bonito. Não é à toa que é a cidade mais visitada por turistas do mundo todo! Sua beleza realmente impressiona a cada esquina, e dependendo do pique, pode-se percorrer os principais pontos a pé.

Da Torre Eiffel, chega-se facilmente ao Hotel dos Inválidos, que reúne o maior número de canhões do mundo, além de dois museus de armas e da tumba de Napoleão, essa construção magnífica que você vê ao lado. De lá, chega-se também à Catedral de Notre Dame, de uma grandiosidade que assusta e emociona. Enfim, descobre-se um novo parque ou monumento a cada rua, uma nova ponte sobre o charmoso Rio Sena...

Mas, como nem tudo é perfeito, Paris tem sim o seu lado negativo: as pessoas. Sem querer generalizar (mas já generalizando), os problemas comportamentais parecem estar incrustados na cultura deles. Ouvi dizer que os parisienses não suportam mais turistas pedindo informações, o que faz deles um pouco antipáticos e impacientes. Até por isso, o governo vem promovendo uma campanha para que os cidadãos sejam mais simpáticos, o que – pelo que vi – ainda não estava dando resultado. Além de tudo, a grande maioria não fala nada de inglês, então (outra dica, hein?), aprenda a perguntar, em francês, se a pessoa fala inglês (Excusez-moi, parlez-vous anglais?).

E acredite: essa antipatia não é o pior defeito. O que mais me incomodou na cidade foi mesmo a sujeira! Absolutamente todos os banheiros estavam imundos, do restaurante ao museu. O metrô fede. A impressão que tive é que os bares e restaurantes são limpos apenas no final do dia e, se você vai almoçar fora, a cadeira e o chão estarão acumulando toda a sujeira derrubada até aquele momento.

Em todos os restaurantes que estivemos, os copos tinham marcas de batom ou outras bebidas, sem contar o trágico episódio em que encontramos não uma, mas DUAS moscas – e de espécies DIFERENTES – em nossas saladas. Só não foi pior porque o gerente do local, que aparentava ser indiano, foi simpático e permitiu que fôssemos embora sem pagar nada.

Paris foi assim: uma mistura esquisita de encantamento e nojo. Sim, nojo!

Foto: Paulo Henrique Schneider

quinta-feira, setembro 03, 2009

Paris, Je t´aime

Parece óbvio dizer que, em toda e qualquer viagem, é preciso ficar ligado em dicas de quem já passou por ali. Seja uma busca no Google (o Maps foi fundamental no meu caso), seja perguntando a amigos ou àqueles que encontrar no caminho, sempre vale a pena anotar tudo antes de explorar um lugar novo.

Dentre os locais por onde passei, com toda certeza Paris foi onde as dicas mais me foram úteis. Colocamos em prática todas as recomendações de conhecidos e o resultado foi um final de semana mais-que-perfeito na cidade-luz. Por isso, aqui está um compilado das dicas mais
bacanas que recebi em relação a Paris:


Torre Eiffel - Acorde cedo e seja o primeiro!
Dica de Marcos, colega brasileiro do nosso curso de inglês.
Se você quer visitar o maior símbolo parisiense e não dispõe de horas extras pra perder na fila, acorde cedo e chegue lá entre 8h e 8h30. As visitas só têm início às 9h, mas chegando um pouco antes
você pega uma fila pequena, sobe na primeira leva e ainda consegue umas fotos mais exclusivas, com o local vazio, como esta que você vê ao lado.

O Louvre demanda pelo menos um dia todo de passeio.
Se você tem pouco tempo, visite o Museu de Rodin!
Dica de Sólon, ex-morador da cidade
Eu sei, eu sei: como chegar na frente do gigantesco Museu do Louvre, um dos mais importantes do mundo, e não entrar? É simples: quando você chega a Paris em uma sexta-feira e vai embora no domingo, cada minuto é valioso, e um breve tour pelo Louvre não leva menos que duas horas. É verdade! Você já tentou procurar as instruções, por exemplo, para ver a Monalisa? São inúmeros corredores, escadarias e
elevadores que você terá que pegar para chegar a ela. E posso falar? Fontes confiáveis relataram que o quadro é pequeno e fica tão distante e protegido que mal dá pra ver direito. Enfim, é claro que estivemos no museu - como não vê-lo, pelo menos de fora? - mas entramos mesmo no Museu do Rodin.


A mansão em que o escultor morava, bem como seu belo jardim, hoje
abriga algumas de suas principais obras. É mágico passear por entre as
árvores, descobrindo hora o famosíssimo "Pensador", hora alguma escultura de Victor Hugo, além do assustador e intrigante "Portão do Inferno", que você vê à direita e deu fama ao artista no século XIX. Dentro da mansão, "O Beijo", além de um quarto destinado a Camille Claudel (namorada* de Rodin) e muitos outros trabalhos.




Não visite o Sacre-coeur à noite, pode ser perigoso.
Novamente Marcos, capixaba esperto!
Nosso hotel ficava próximo ao Montmartre, região alternativa de Paris que abriga galerias de arte e a belíssima Basílica do Sacre-Coeur. Como chegaríamos na sexta-feira à noite (eu já disse isso?), pensamos inicialmente em visitar a igreja logo na primeira noite. Mas nosso colega alertou: o lugar fica cheio de senegalezes malandros, melhor ir durante o dia. Assim, acordamos cedo no domingo e fomos pra lá.


A basílica fica no ponto mais alto da cidade e é feita de mármore travertino, responsável pela
brancura da construção. O acesso se dá através de duas rampas, que levam a escadarias, que levam a mais escadarias, e então à igreja. No início de cada uma das rampas havia um grupo de senegalezes fechando a passagem e tentando vender artesanato a quem passasse por ali: seguravam o braço das pessoas e tentavam colocar pulseirinhas quase à força. Fiquei imaginando que à noite deve ser realmente perigoso por ali, enquanto subia os mais de 300 degraus até o domo da basílica, que oferece esta bela vista da cidade, à direita.


Já viu a torre de dia? Não deixe de voltar lá à noite!
Da turma de amigos que passara por ali semanas antes
Não sei dizer desde quando, mas de uns tempos pra cá a torre recebeu uma iluminação especial à noite e, mesmo após quase 10 horas andando sem parar, pegamos novamente o ônibus até o Trocadero, de onde já conseguimos ver a belíssima construção de ferro brilhando. O último horário para subir na torre é à meia-noite, mas de baixo você também consegue uma bela visão:


Emoção indescritível, parece feita de ouro!

Fotos: Paulo Henrique Schneider. Muitas outras lindas fotos aqui.

*Update by Deinha Gondimm o almanaque de cultura geral da tchurma: Camille Claudel era amante, e não namorada de Rodin. Veja mais no filme “Camille Claudel", com Gérard Depardieu no papel de Rodin.

sexta-feira, agosto 21, 2009

A Iberia esquece bagagens

No embalo do mais novo hit do YouTube ("A United quebra violões", criação de um músico que teve seu instrumento quebrado pela United Airlines e resolveu protestar através deste hilário vídeo), estou pensando em criar uma nova música: "A Iberia esquece bagagens".

Sempre tive medo de que alguma companhia aérea perdesse ou esquecesse minhas malas em algum lugar. A cada viagem, ficava olhando atentamente para a esteira, para as malas de todas as cores e formatos passando e sendo retiradas por seus donos satisfeitos... A ansiedade de ver minhas coisas chegando, o alívio de reconhecê-las e pegá-las... era sempre a mesma coisa.

Pois não foi o que ocorreu com a Iberia, principal companhia aérea espanhola, em minha primeira viagem internacional. Afinal, a Iberia esquece bagagens!

Primeira parada, Aeroporto de Schiphol, Amsterdam. Esteira 6, era o que dizia o painel, e rapidamente fomos até ela acompanhar as malas que começavam a ocupar a esteira. A cada nova bagagem que aparecia, a esperança de ver minha mochila novinha, comprada especialmente para a ocasião. Mas nada. Nada de aparecer.

Ao perguntar à mocinha do guichê, descobri que havia sido esquecida em Madrid durante a conexão, mas que seria entregue na mesma noite. Abriram um chamado entregaram a todos os lesados (sim, havia vários) uma necessàire cada um, com produtos bacanas para higiene pessoal - Nivea, L´Occitane - e roupas de baixo bizarras feitas daquele tecido vagabundinho do qual são feitos aventais para se fazer exames.

Felizmente, as malas chegaram no mesmo dia. Mal sabia eu que, um mês depois, na volta pra casa...

No mesmo Aeroporto de Schiphol, despachei dois volumes (a esta altura, já estava com uma mala a mais que continha apenas souvenirs e presentes para a família). Novamente a conexão em Madrid (desta vez, com bastante folga, sem desculpas de falta de tempo para transportar as bagagens de um avião para o outro), e finalmente desembarcamos em Guarulhos por volta das 5 da manhã de domingo.

Um absurdo a forma com que estavam as malas ao chegarmos na esteira indicada. Muitas delas, de um vôo anterior, estavam jogadas no chão e, com a entrada das novas malas, funcionários retiravam-nas sem o menor cuidado. Mala vai, mala vem, um dos dois volumes chegou. Mas e o outro? Justamente o que estava com todos os presentes?

Um pouco mais de ansiedade, mais malas indo e vindo, escuto: Sra. Mariana Camargo, favor comparecer ao balcão da Iberia. Já desconfiava de que algo tivesse acontecido. A funcionária, tentando me acalmar, avisou que a mala não estava perdida, "apenas havia sido esquecida em Madrid durante a conexão".

Desabafei: mas de novo essa história? Como é possível? E ela, com a cara mais lavada do mundo e um sorrisinho que infelizmente não amenizou em nada o meu mau humor (acentuado por 10 horas de vôo), lançou a pérola: "Puxa, aconteceu na ida e na volta? Você foi premiada"! Ficou faltando só o prêmio, né?! - eu quase gritei.

Aliás, recebi o prêmio: minha mala, intacta, três desesperadores dias depois.

terça-feira, agosto 18, 2009

Arte de rua - parte I

Uma das coisas com as quais mais fiquei impressionada durante esta passagem pela Europa foram os diversos grupos e artistas de rua. Começou com uma dupla no Vondelpark em Amsterdam, violino e violão, que me fez chorar logo de cara. Aquele parque lindo, um final de tarde ensolarado em uma das cidades mais charmosas pelas quais já passei, e o som do violino a me arrepiar a espinha.

A partir daí, foram inúmeras apresentações, passando por estátuas vivas, um flautista que tocava duas flautas doces de uma vez só - e com as narinas! -, sanfoneiros, cantores e até marionetes. É engraçado o quanto se aprende sobre a cultura de um país através de seus artistas de rua.

É comum aos passantes deixar uma moeda ou um punhado delas para os instrumentistas, ainda que não parem para assistir à apresentação. Essa não deixa de ser uma forma de manter a arte viva nas ruas, encher as vielas e praças de música e, consequentemente, de alegria.

Abaixo, um vídeo que fiz na Dam Square, em Amsterdam, onde fica o Palácio Real*. Um dos companheiros do grupo, que estava ao lado "gerenciando" a apresentação, me contou que eles eram russos, e fiquei encantada com o quanto eles viajavam na música, improvisavam e se divertiam, sempre liderados pela baixinha que tocava o instrumento mais exótico dos três.

Se alguém souber o nome destes instrumentos, me ajuda!



*Dias depois descobri que a família real não mora mais lá, mas sim em uma cidade menor, próxima à capital. Mas quem se importa?

quarta-feira, agosto 12, 2009

Estamos de volta!

Neste indescritível um mês de férias (como um mês consegue passar tão rápido?) eu tinha duas opções: atualizar os leitores dia a dia, com as novidades e experiências europeias OU me afastar quase por completo de tudo quanto fosse aparelho eletrônico e descansar a cabeça de verdade.

Fiquei com a segunda opção.

Mas, como tudo tem que acabar um dia, estou de volta à vida real. Não lembrava que viver era tão difícil! Pelo menos durante esta primeira semana, ainda estou em choque. Um pouco depressiva, devo dizer. Mas cheia de histórias pra contar.

Aguardem!

segunda-feira, junho 08, 2009

Uma tarde no Masp

Vale muito a pena visitar o Masp neste mês de junho. Lá estão acontecendo três exposições, que agradam aos mais diversos gostos culturais.

Em comemoração ao ano da França no Brasil, um dos andares está dedicado à exposição “Arte na França 1860-1960 – O Realismo”. São obras dos mais importantes artistas de todos os tempos, como Renoir (à esquerda, o quadro As Meninas Cahen d'Anvers), Portinari, di Cavalcanti e Tolouse-Lautrec, em sua maioria representando fielmente as formas humanas e alguns animais.

A mostra expõe as diversas vertentes do realismo. Algumas obras chegam a parecer fotos, de tão perfeitas, dando a impressão de que podem se mexer a qualquer momento. É assim inclusive que começa a mostra, com frase de Gustave Courbet a respeito da criação de uma “arte viva”:

“Saber para poder – foi esse meu pensamento. Ser capaz de traduzir os costumes, as idéias, a cara de meu tempo, conforme minha opinião e meu modo de ver; ser não apenas um pintor, mas também um homem, em suma, fazer uma arte viva, este é o meu objetivo.”

Descendo um andar, chega-se à exposição de fotos “Terra em transe”, do artista espanhol Manuel Vilariño. Considerado um mestre da natureza morta, Vilariño compõe suas imagens com base em animais mortos, velas e frutas, revelando cores e ao mesmo tempo causando certo choque aos visitantes. Ao lado, "Natureza Morta com açafrão", pra que você possa ter uma ideia.

Mas estava no subsolo a exposição mais esperada do dia: VIK, uma seleção de fotografias das obras do artista Vik Muniz. Brasileiro radicado nos Estados Unidos, Vik é conhecido por criar obras a partir dos elementos mais inusitados, como poeira, lixo e chocolate. Além do talento visível na perfeição das obras e da criatividade nos materiais usados, vale ressaltar que todas as obras têm um propósito.

A série “Crianças do Caribe”, por exemplo, foi feita depois de uma viagem ao local, em que Vik conheceu um grupo de crianças de rua extremamente doces e amigáveis. O artista resolveu homenageá-las com seus retratos expostos em açúcar num fundo preto.

Outra série interessante é composta por divas e monstros. Um colecionador de suas obras, que fabricava diamantes, resolveu emprestá-los para Vik. Ele, então, produziu as imagens de várias divas, como Elizabeth Taylor (à esquerda) e Bette Davis. Em contrapartida, resolveu retratar monstros clássicos do cinema usando caviar, uma forma de simbolizar a pouca durabilidade dos monstros nos filmes.

Serviço
MASP: Av. Paulista, nº 1.578 - Cerqueira César
Tel.: (11) 3251-5644
De 24 de abril a 12 de julho
Terças, quartas, sextas, sábados e domingos, das 11h às 18h
Quintas, das 11h às 20h
Entrada: R$ 15,00 (meia-entrada R$ 7)
Grátis às terças-feiras!
Mais em: http://www.vikmuniz.net/

sexta-feira, maio 22, 2009

Enogastronomia

Já tinha esquecido o quanto aprecio um bom vinho. Estive ontem na Vinea Store, no Paraíso, para conhecer a famosa noite enogastronômica que a casa promove às terças, quartas e quintas-feiras. A cada mês, são escolhidos chefs para comandar a cozinha do local, enquanto os sommelières indicam os melhores vinhos para acompanhar a refeição.

Às quintas, especificamente, é dia de risoto, sempre com um sabor diferente por semana. Ontem foi a vez do risoto de quatro queijos, delicioso, com consistência e sabor incríveis, servido ao lado de um carmenère chileno reserva da In Situ, da safra 2005.

A uva carmenère foi escolhida por não ter muito tanino (aquela sensação de "boca amarrada"), já que nem todos os presentes estavam acostumados a vinhos fortes e encorpados. A bebida estava leve e muito agradável, combinando perfeitamente com a ocasião, e o fato de ser um chileno conferiu ainda mais credibilidade ao rótulo, já que é de lá que vêm os melhores vinhos desta uva.

O lugar é um charme só. Lá funciona a loja, pequena porém aconchegante, e nos fundos há uma área semi-descoberta à meia-luz, com velas sobre as mesas, vasos de flores frescas e uma fonte. Não dá pra não se encantar com toda a atmosfera criada.

Parece até ser um programa caro, mas não é. Pelo risoto, paga-se R$ 15,00, e há vinhos com excelente custo-benefício a partir de R$ 30,00. Um programa diferente, saboroso e mais que adequado aos dias frios que vêm fazendo.

Serviço
Vinea Store
Rua Manoel da Nóbrega, nº 1014 - Paraíso
De segunda a sexta, das 10h às 22h - Sábados, das 10h às 18h
(11) 3059-5205