sexta-feira, março 14, 2014

#17: Mudar o visual com um visagista

Quem me conhece sabe que já tive cabelo de tudo quanto é tipo. Ele já teve todos os comprimentos, já foi vermelho e até laranja-mexerica!

A verdade é que depois de ter o cabelo “Joãozinho” aos 16 anos (idade em que costumamos ser bastante inseguros), acho que nunca mais tive medo de mudar o visual. Afinal, cabelo cresce! Mesmo assim, já fazia uns bons anos que vinha cultivando um cabelão.

Foi quando, em busca das novas experiências, resolvi cortar o cabelo num visagista.

A ideia do visagismo é mostrar, através dos cabelos, quem a pessoa realmente é. É cortar, pintar e pentear de forma a revelar a identidade e as qualidades de cada um. Muito além do cabelo “igual ao da moça da novela”, o visagista busca entender quem você é e analisar seu formato de rosto antes de picotar a cabeleira.

O local escolhido foi a Cabelaria, que além de ter sido super bem indicada, fica perto do meu trabalho. Marquei horário com o André, sócio do salão e profissional bastante reconhecido no visagismo. Fui pra lá disposta a fazer o que quer que ele me recomendasse…

E foram pelo menos uns trinta minutos de conversa antes das primeiras tesouradas.

Primeiro, ele analisou o formato do meu rosto e me descreveu tão bem quanto um psicólogo que me conhecesse há anos. Falou do quanto eu sou intensa em tudo o que faço, de quanto gosto sempre de estar no controle das situações, e concluiu que uma pessoa forte assim só poderia estar se escondendo por trás daquele cabelo todo. Por que se esconder?

Perguntou do meu trabalho, da imagem que eu queria passar para as pessoas, do meu momento de vida. Disse que o cabelo comprido é romântico, mas que era possível um corte que fosse romântico e moderno ao mesmo tempo. Que eu, em busca das minhas 30 experiências, estava na verdade em busca de me conhecer melhor, e que nada melhor do que um novo cabelo pra revelar quem sou eu neste novo momento.

E eu me senti tão bem com o clima e a conversa que aceitei a proposta de cortar radicalmente. Ele cortou a seco, sem que eu tivesse muita ideia de como iria ficar, e quando lavei pude ver a quantidade de cabelo no chão. “Aqui é satisfação garantida ou seu cabelo de volta”, brincou.

Cortou um pouco mais o cabelo molhado, e eu comecei a ver o tamanho da mudança (e adorando). Ele foi me ensinando a cuidar e ajeitar esse novo cabelo. E como é mais prático com tantos centímetros a menos!

De repente, começa a tocar Nina Simone:

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good


Fiquei pensando que era a trilha sonora perfeita, e pensei em pedir licença pra incluir “It’s a new hair”…

And I’m feeling good :)

O antes...
O depois (e o sorriso :)
Pra conhecer a Cabelaria: http://cabelaria.com.br/

domingo, fevereiro 16, 2014

#16: Comer um bauru em Bauru

A história do sanduíche bauru nos leva à São Paulo da década de 30. Casimiro Pinto Neto, conhecido como "Bauru" por conta de sua cidade natal, era estudante de direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Na época, ele e seus amigos costumavam frequentar o Ponto Chic do Paissandu, onde tinham bastante intimidade com os funcionários da casa.

O Ponto Chic do Paissandu, na época.
Diz-se que em uma noite, em 1934, Casimiro teve a ideia de um novo sanduíche, e passou as coordenadas para o cozinheiro do local: pão francês sem miolo, uma porção de queijo mussarela derretido em banho-maria, fatias de rosbife, rodelas de tomate e picles. Um amigo que estava com ele pediu um lanche igual para experimentar: gostou. Naquela noite, várias pessoas pediram o lanche "igual ao do Bauru", e ele continuou a ser muito requisitado até que virou item fixo no cardápio, levando o nome de seu criador (aliás, até hoje, no site do Ponto Chic, o grande atrativo é "o famoso bauru").


Na cidade de Bauru, o sanduíche não era conhecido até por volta dos anos 70, quando o seu Zé - trabalhador incansável de restaurantes e clubes da cidade - resolveu abrir seu próprio negócio e inaugurou o Skinão. Zé já tinha tido contato com Casimiro Pinto Neto, e conhecia a receita.

Esse é o seu Zé :)
Quando abriu o Skinão, que inicialmente era um bar, achou que o local tinha que ter uma marca registrada, um diferencial. Resolveu, então, resgatar a receita do bauru original, assim como tinha sido pensado por Casimiro na década de 30, e então transformou o lugar no principal ponto de venda e divulgação do sanduíche.


A partir daí, a notícia se espalhou e o bauru passou a ser divulgado não só na cidade, como no Estado de São Paulo e em todo o país. A receita sofreu adaptações e diferentes versões, e hoje em dia é mais conhecido o bauru de presunto, queijo e tomate.


Pois foi lá mesmo no Skinão que, na noite de ontem, tive o prazer de conhecer a história deste sanduíche e, é claro, experimentar o bauru original, que custa R$ 15,00. Sempre gostei bastante de bauru (a receita adaptada) e jamais imaginei que tinha tanta história por trás de um simples lanche. Posso dizer que a receita original é deliciosa, muito diferente e mais saborosa do que a popularizada por aí, e que é bacana de ver o orgulho que eles têm do lanche ter se tornado tão famoso.

Vai, gordinha =P
Nas pesquisas sobre a história e curiosidades sobre o bauru, descobri também que existe um site, em que é possível registrar diferentes receitas e receber o selo de "estabelecimento certificado" para comercializar o sanduíche mais famoso do Brasil.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

#15: Conhecer o Templo Zu Lai

Quando comecei com essa história de viver 30 experiências antes dos 30 anos, um dos primeiros itens da lista era conhecer o Templo Zu Lai. Sempre vi fotos e ouvi falar muito bem de lá, e queria buscar um pouco de paz, pedir proteção e, principalmente, agradecer por tudo o que vem me acontecendo.

Pois bem, no último final de semana, aproveitando esse solzão que castiga mas também deixa os dias tão bonitos, finalmente fui conhecer o templo.


O lugar, considerado o maior templo budista da América do Sul, fica em Cotia, muito perto de São Paulo (era domingo cedo e chegamos em menos de meia hora), e aos finais de semana abre às 9h30 religiosamente. Conseguimos estacionar o carro sem problemas e seguimos em direção ao templo. Logo pudemos sentir o cheiro de incenso e escutar a música calminha, que aos poucos vai te colocando num clima de muita paz logo que se chega lá.


Todos os domingos, realiza-se celebrações budistas diversas, e neste último foi o dia da Cerimônia de Oferenda de Luz. São quase duas horas recitando mantras, os quais se pode ouvir em toda a extensão do lugar. Infelizmente, não consegui participar, pois mulheres não podem entrar de bermuda nem regata.

Aliás, eles são bastante rígidos com relação às regras de conduta: não pode entrar de bermuda nem regata, não pode fotografar dentro do espaço de cerimônias, não se pode comer em toda a extensão do local, nem se deitar ou sentar de forma desleixada, nem tocar nas esculturas.


No fim das contas, é importante que as regras sejam seguidas para que se mantenha o clima respeitoso e a disciplina por ali, porque se vê que muita gente visita o lugar só pra conhecer mesmo (como foi o nosso caso).

Depois de meditar um pouco ao som daqueles mantras, o incenso queimando forte, passeamos pelos jardins que cercam o templo. Logo no jardim de entrada, há os 18 Arhats, monges que, segundo o budismo, atingiram a libertação deste mundo (a mesma que buda, porém este conquistou esta libertação por conta própria, enquanto os Arhats seguiram ensinamentos para atingir este estado).


Cada um está em uma posição diferente e no site do templo é possível conhecer a história de todos eles.


Passeamos pela sala de arte budista, em que aprendemos que muitas representações de buda levavam uma suástica gravada no peito, representando a harmonia e o equilíbrio (o símbolo foi corrompido ao longo dos tempos pelo regime nazista, sendo usada no sentido oposto ao que consta nas esculturas budistas), e depois fomos à padaria comprar os famosos pães integrais que eles vendem lá.


Engraçado que todo mundo que recomenda a visita ao Templo Zu Lai diz que "é obrigatório provar os pães feitos pelos monges". "Na verdade, as receitas são todas aprovadas pelos monges, mas os pães são feitos pelos funcionários da padaria mesmo", explicou a mocinha que nos mostrou os mais diversos sabores de pães: linhaça, milho, 7 grãos e até o pão australiano que, segundo ela, "não perde nada para o pão do Outback".

Uma manhã bastante iluminada e especial.

Mais informações em www.templozulai.org.br

segunda-feira, janeiro 13, 2014

#14: Conhecer o maior restaurante giratório do mundo

A Cidade do México, assim como vários lugares do mundo, também tem um World Trade Center. É um dos prédios mais altos da cidade e mais parece um caixote com um cilindro em cima.


Este cilindro, em seu topo, é o Bellini, um restaurante giratório. Isso mesmo. Ele é todo de vidro e, de lá, se pode ver quase toda a cidade. Era meu último dia ali, e meu irmão resolveu me levar pra realizar a última experiência da viagem.


Posso dizer que foi bastante interessante. :)

Confesso que nem imaginava que existisse um restaurante giratório e, quando soube, fiquei pensando se o fato de o chão se mover daria um pouco de aflição, mas não. Ele gira muito suavemente, e quando você se dá conta, já apareceu uma paisagem diferente na sua frente e o lustre que estava de um lado já foi parar lá do outro lado, sem você perceber.


Pedi um carré de cordeiro com geleia de menta e batatas. SEN-SA-CI-O-NAL. E, enquanto saboreava, ia acompanhando a paisagem mudar, devagar. E apareceram as montanhas que ladeiam a cidade, e meu irmão foi me mostrando as avenidas por onde havíamos passado... Acho que não tinha uma forma melhor de terminar a viagem.


O Bellini aparece no Guinness Book como o maior restaurante giratório do mundo - tem mais de 1.000m². E eu, que quase não gosto de comer bem, não podia perder essa oportunidade :)

domingo, janeiro 12, 2014

#12: Conhecer um vulcão desativado e #13: ver a neve pela primeira vez

Minha passagem pelo México foi breve. Foram 5 dias, dos quais tive apenas 1 de folga. E não podia deixar de aproveitá-lo da melhor maneira! Então, neste dia, meu irmão me levou para conhecer um dos lugares mais lindos em que já estive: o Nevado de Toluca.


Toluca é uma das principais cidades do país e fica a cerca de 80km da Cidade do México. O Nevado é um vulcão desativado que, nesta época do ano, fica coberto de neve em algumas partes. Era a oportunidade de viver uma experiência dupla: conhecer um vulcão e ver a neve pela primeira vez. Porque uma coisa é patinar no gelo; outra, é brincar com a neve e pegá-la na mão. :)

Como a cidade tem sempre muito trânsito, saímos às 6h30 e pegamos o dia nascendo. O céu estava azul royal e o sol nascia bem naquela hora. Foram quase 2 horas de viagem, com muita subida no final, e chegamos ao topo de uma montanha, onde deixamos o carro para terminar o trajeto a pé.


Pela primeira vez, entendi o que os jogadores de futebol sentem quando jogam na altitude. É realmente muito difícil viver naquele lugar! São 4.500 metros acima do nível do mar, e já nos primeiros passos percebi o quanto seria sofrido caminhar por ali. O nível de oxigênio é baixo e logo começa a faltar o ar, chegando a dar dor no peito. Inclusive, deu uma certa aflição em ver alguns atletas treinando na estradinha que levava ao vulcão.

Alguns minutos de caminhada na subida, e chegamos a ele. Lindo, enorme, e com uma lagoa de cada lado: a do sol e a da lua, ambas esverdeadas e muito bonitas.

Vale a pena ampliar :)
O lugar estava totalmente vazio, o que nos permitiu curtir o silêncio, ouvindo nossa própria respiração (que a propósito estava bastante forte). Paramos na lagoa do sol pra nos refrescarmos, e seguimos a subida até o ponto mais alto, em busca da neve.


A caminhada foi se tornando cada vez mais difícil e o sol brilhava forte, mas isso não nos impediu de continuar subindo até que chegamos ao ponto mais alto da montanha. Ali, a neblina estava densa e a temperatura foi caindo mais e mais. Nem parecia o mesmo lugar que encontramos lá embaixo, onde pudemos tirar os casacos e curtir o sol quente.

Foi quando, buscando entre as pedras, achamos um ponto em que havia uma quantidade considerável de neve! O frio aumentava mais e mais, mas isso não importava naquela hora… Raspamos a neve e ficamos fazendo bolinhas, jogando nas pedras pra vê-las explodindo como crianças felizes.


Sentamos em uma pedra, entre os montes de neve, e ficamos abraçados um bom tempo, sem ouvir qualquer barulho, admirando a vista incrível, absorvendo aquela energia e agradecendo a oportunidade de ter um lugar daqueles só pra gente, mesmo que por algumas horas.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

#11: Almoçar no Central Park

Durante a minha estadia em NY, vivi inúmeras situações que valeriam um post-experiência aqui. Conheci todos os museus que queria, passeei nos principais parques, fui pra balada, comi em diferentes restaurantes, ouvi jazz em barzinho antigo… me arrisco a dizer que acabaria o estoque das 30 experiências só nesta viagem.


Porém, resolvi separar algumas delas para falar a respeito, e no fim das contas foram 6 na cidade. Experiências que, de alguma forma, me mostraram algo novo ou me tocaram de uma forma diferente, fosse pelo ineditismo, pela oportunidade ou pela emoção.


A última que quero contar, e que inclusive é a mais simples delas, foi a experiência de almoçar no Central Park. Estava na cidade havia quase uma semana e ainda não tinha conhecido o lugar, que tem mais de 3.5 km de extensão e ocupa grande parte de Manhattan.

Estava trabalhando na Columbus Circle, que fica na parte sul do Central Park. Então, um dia, resolvi me aventurar e almoçar por ali. Passei em uma Le Pain Quotidien, padaria deliciosa que tem inclusive algumas unidades em São Paulo, e comprei uma salada de salmão defumado e uma sopa de cenoura.


O parque estava quase vazio e dava pra ouvir o barulho do vento nas folhas, que insistiam em cair aos montes. Dei risada ao cruzar com um Capitão América, que passeava tranquilamente, e procurei um banquinho onde pudesse comer.


E foi só abrir a sacola para os esquilinhos se aproximarem. Sei que é proibido, mas dei um pedacinho de pão pra cada um deles e foi uma festa! Queria poder levar todos pra casa.


Enquanto saboreava a sopa - providencial naqueles pouco mais de 5 graus - fiquei observando o movimento por ali. Algumas pessoas se exercitando, outras tirando fotos, o Capitão América passando de volta lá no fundo, carruagens transportando turistas… E, principalmente, fiquei reparando nas árvores, lindas e de todos os tons de vermelho e amarelo. Incrível como as estações são muito diferentes e bem marcadas por aqui.

O amigo Capitão América ao fundo.
Depois de um farto almoço acompanhado por esquilos, voltei para o prédio, onde subi direto para o 19o andar, em que há um terraço com vista pro parque.

Dali, fiquei admirando a imensidão daquele lugar e agradecendo pela simples oportunidade de almoçar ali, ao ar livre, no meio de um lugar tão maravilhoso e cercada por animaizinhos adoráveis.

Porque, no fim das contas, a gente não precisa de muito pra ser feliz.

Trocadilho idiota, mas isso é o que eu chamo de praça de alimentação ;)

#10: Participar de um Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day)

Quando escutava alguém falar sobre o Dia de Ação de Graças (ou Thanksgiving Day), sempre lembrava da Família Dinossauro e o "Dia da Geladeira", ou ainda de algum episódio temático dos Simpsons em que rolava aquele farto jantar com um super peru.

Parecem felizes.
Até que tive a sorte de estar nos Estados Unidos bem nesta data, e entender de perto o sentido de tudo isso.

Na verdade, o Dia de Ação de Graças, como o nome diz, é um momento pra agradecer por tudo de bom que aconteceu ao longo do ano. Começou há muitos anos como um agradecimento às colheitas, por isso acontece no final do outono, e então se manteve a tradição. A data é tão ou mais importante que o Natal para os americanos, e é celebrada sempre na última quinta-feira de novembro.

Em NY, o dia começa com a Macy's Parade, um desfile patrocinado pela Macy's que abre a temporada de festas e que, segundo o site deles, é vista por mais de 3 milhões de pessoas todos os anos. É uma grande festa. As ruas ficam cheias de gente, principalmente crianças, para assistir à passagem dos carros de som, dos blocos e dos milhares de participantes fantasiados, além dos famosos balões com personagens de desenhos infantis. As crianças ficam malucas quando cada personagem passa, aplaudem felizes e gritam "Happy Thanksgiving!"

Despicable :)
A parada percorre o lado oeste do Central Park e desce pela sexta avenida. Um percurso feito em cerca de 3 horas, sempre acompanhado por crianças felizes (apesar de roxinhas de frio).



O último carro, em que o Papai Noel abre oficialmente a temporada de festas
Este dia também é marcado por uma grande celebração em família. Eles costumam viajar de todas as partes do país pra se reunir e fazer um "almojanta", por volta das 16h. Nele, é servido o famoso peru, geralmente acompanhado de purê de batata (doce ou salgada), e de sobremesa uma torta de abóbora ou de nozes. Antes de servir o almoço, o costume é que cada um agradeça por tudo o que aconteceu no ano, e pela oportunidade de reunir a família. Come-se e bebe-se até passar mal.

Uma coisa importante, que até mostra um pouco sobre a cultura dos americanos, é que, na sexta-feira pós Thanksgiving, acontece a "Black Friday", aquele dia em que as lojas supostamente vendem tudo com um bom desconto e as pessoas formam filas desde a madrugada anterior (naquele frio? Eu, hein!).

Inclusive, conheci uma americana que disse que, até a criação da Black Friday, este feriado era o único que não tinha qualquer tipo de consumo envolvido. Era a única celebração unicamente pra agradecer e reunir a família. Daí, os americanos queriam criar um motivo pra estimular o consumo, e inventaram este dia só de compras.

A gente, é claro, aproveita um pouco das duas coisas :)

sábado, dezembro 28, 2013

#9: Passar por uma temperatura de -6

Eu não tenho nenhuma reclamação sobre este período em que passei em NY, exceto por uma coisa: o frio. Definitivamente, eu não nasci pra isso e sofri muito com o tempo gelado.

Primeiro que as roupas do Brasil não foram feitas pra aguentar a temperatura de lá. Por isso, na primeira semana, tive que comprar botas novas, casacos, e a principal aquisição da viagem (e olha que rolou aquisição nessa viagem!): um protetor de ouvido. Foi o que me permitiu fazer passeios externos sem ficar resfriada.



E, ainda que estivesse só com os olhos de fora e teoricamente aquecida, qualquer retirada da luva pra mexer no celular ou tirar uma foto era sinônimo de dedos roxos e dormência nas mãos. Muitas vezes, tive que me esforçar pra caminhar contra o vento (que devia dar uma sensação térmica de uns -15, sem brincadeira).

E é engraçado como a gente que vem do ~país tropical~ sofre muito. Ouvia o pessoal no Brasil falando que o tempo estava um inferno, em quase 40 graus, e só conseguia pensar em quando iria sair na rua de vestido e chinelo. Estranho ficar um tempo sem ter contato com sua própria pele, sempre coberta por meias-calças e blusas "segunda-pele". E o quanto era desconfortável experimentar roupas nas lojas?

Os dias estavam lindos, sempre ensolarados, mas era só sair com o nariz pra fora de casa pra perceber que não ia ser fácil. Cheguei a participar de uma Thanksgiving Parade (ainda vou escrever sobre isso), e fiquei chocada com a quantidade de crianças roxinhas e tremendo de frio. E olha que o frio mesmo ainda estava por vir - peguei o final do outono, e o invernão rigoroso começou logo depois que fui embora.

Plantinha não curtiu isso.
Não cheguei a ver neve por lá (só um dia de manhã que vi uns cristaizinhos caindo, mas muito pouco), mas definitivamente foi uma nova experiência passar por uma temperatura tão baixa.

E ainda voltei pensando que, se tivesse ido no verão, talvez não quisesse voltar mais.

Essa é a cara do sofrimento :)

segunda-feira, dezembro 23, 2013

#8: Assistir a um musical da Broadway (ou dois :-)

Desde que assisti "Miss Saigon" aqui em São Paulo, há alguns anos, sempre fiquei imaginando como seria assistir a um musical da Broadway NA BROADWAY. Porque é claro que as adaptações são maravilhosas e super fieis, mas os espetáculos originais deveriam ser ainda melhores. Imaginava as mega produções, as vozes impecáveis de arrepiar o corpo todo…


Quando soube que ia pra NY, a primeira coisa que fiz foi comprar ingressos com antecedência. Decidi que iria assistir a um clássico e outro de rock e, depois de pesquisar entre amigos e sites, resolvi assistir "The Phantom of the Opera", o mais antigo de todos, e "A night with Janis Joplin", que me atraiu mais do que o "Rock of Ages". Não peguei os melhores lugares, mas comprei no mezanino e paguei US$ 90 em cada.


Primeiro foi o da Janis, numa segunda-feira. O Lyceum Theatre estava relativamente cheio e o palco não parecia trazer grandes inovações tecnológicas. Sentei entre um senhor muito alinhado, de gravata borboleta, e uma senhora gordinha que logo puxou papo. Eu disse que estava amando a cidade e que o único problema era o frio: "não me dá vontade de fazer nada!" E ela então me disse aos risos que era por isso mesmo que gostava tanto do frio: "o que eu mais gosto na vida é ficar sem fazer nada, querida."


Quando o espetáculo começou, vi que não teria grandes cenários. Era um ambiente como uma sala, com móveis antigos, um palco no centro e outro no fundo, onde ficava a banda. Era relativamente pequeno e todo iluminado com abajures espalhados. Muito simples e muito bonito.


Não precisou de 5 minutos pra eu entender que o forte ali não seria mesmo o cenário. Após uma breve introdução, chamou-se ao palco Janis Joplin, que além de parecida, estava impecavelmente caracterizada como a cantora. E, quando ela começou a cantar, desabei a chorar sem o menor controle, sem pensar em absolutamente nada, apenas tocada pela música e por aquela voz tão parecida com a original.

O espetáculo inteiro é muito emocionante. Janis conta a história de sua vida e repassa todas as suas principais influências no blues. Subiram ao palco Aretha Franklin e Nina Simone, também muito bem caracterizadas e com vozes arrepiantes. E Janis tocou todos os seus principais sucessos, convidando a todos a se levantarem pra dançar. E eu viajei com ela e chorei do início ao fim, copiosamente. 

Depois de tanta emoção, imaginei que dificilmente "O Fantasma da Ópera" poderia superar o que havia passado ali. E estava certa.


Nessa segunda vez, tinha mega produção, cenário, figurinos maravilhosos. Os ambientes eram trocados rapidamente e em segundos iam de uma casa a um pântano (cujo gelo seco dava mesmo a impressão de que eles estavam navegando). Os efeitos, o elenco, tudo muito mais grandioso e performático do que o espetáculo anterior. As interpretações são perfeitas e é até difícil de acreditar que aquelas vozes sejam deles mesmo. E é uma bonita história de amor, acima de tudo.


Ambas as experiências foram lindas e muito válidas, mas percebi que não precisa de nenhum palco giratório ou lustres voadores pra gente se emocionar a noite inteira.

Tudo depende de como cada som toca você.

domingo, dezembro 22, 2013

#7: Andar de patins no gelo - Bryant Park, NY

Era mais um dia lindo de sol e muito frio em NY. Um sábado, em que me dispus a fazer todas as coisas que coubessem em um dia, já que durante a semana estava trabalhando. Comecei a caminhada pelo High Line Park, que ficava perto de casa, um parque linear que foi construído em cima dos trilhos de um trem mas que, nesta época, já não estava mais tão bonito por conta das folhas secas (a maioria delas já tinha caído, inclusive). Apesar disso, há muitas obras de arte ao longo da caminhada, que surgem no meio dos galhos e te surpreendem de tempos em tempos, o que torna o lugar bastante interessante.

Obra do brasileiro Kobra, no meio do High Line Park.
Este parque ladeia a cidade a Oeste e, ao longo da caminhada, fui me localizando pelo onipresente Empire State, que seria meu ponto de parada, pra sair do parque o mais perto possível dali. Cerca de 20 minutos de fila e peguei o elevador até o 86o andar, de onde se tem uma vista absurdamente incrível de toda a cidade. A quantidade de prédios milimetricamente alinhados, a grandeza do Central Park… o vento cortava a pele, mas mesmo assim não conseguia sentir a menor vontade de ir embora dali. Eram cerca de 14h (o sol se punha às 16h30 religiosamente), e a luz estava maravilhosa.

Em choque com o porte e a beleza deste lugar.
Foi então que, ao olhar pra baixo, vi uma pista de patinação no gelo. Lá do alto, só conseguia ver o fundo branco e os pontinhos deslizando para um lado e para o outro. Eu, que já queria mesmo passar por essa experiência (e não tinha ido no Rockefeller Center porque achei caríssimo pagar quase US$ 50), resolvi ir até lá pra ver qual era a do lugar.

Mais feliz que todas essas crianças juntas.
Desci do arranha-céu e caminhei por umas 5 quadras até o Bryant Park. É um lugar maravilhoso, onde também fica a Biblioteca Pública de NY. Logo localizei a entrada da pista de patinação, e olha só: US$ 15 dólares, por tempo indeterminado. Peguei uma fila modesta e lá fui eu alugar o par de patins. Nessa hora, até pensei: alugo também um capacete e outros equipamentos de proteção? Mas olhei pra pista e só as crianças estavam protegidas assim. Concluí que não seria o caso.

Look do dia
Até que foi fácil me equilibrar em cima daqueles patins… bem, pelo menos para caminhar até a entrada da pista. Assim que eles tocam o gelo, a sensação é a de que você está percorrendo um grande bloco de sabão de coco, de tanto que desliza e escorrega. Fiquei pensando que nunca iria conseguir andar direito mas, aos poucos, você vai pegando o jeito, vai se soltando, e quando vê já está maravilhado com a sua performance, andando suavemente para um lado e para o outro. E é aí que mora o problema.

Me achando a Isabelita dos Patins :)
Não, você ainda não sabe andar direito. E, ao tentar fazer uma curva, os patins travaram e fui deliciosamente lançada contra a neve. É normal cair por ali, muita gente cai (ainda mais quando acha que já está arrasando), mas meu tombo foi especialmente cinematográfico. Morri de rir, porque não doeu nada, e ri ainda mais de pensar que estava sozinha e que poderia tranquilamente não contar pra ninguém sobre este feito. Mas, se a graça da vida é rir de si mesmo, por que não dividir essa catástrofe com os amigos? :)

No chão era mais fácil de se equilibrar!
Durante mais de uma hora, andei em círculos por aquela neve, rindo sozinha feito criança, ajudando um ou outro que caía, olhando as árvores e admirando os prédios ao redor, além de curtir a musiquinha que toca por ali.


Foi uma baita experiência. Inclusive para o meu joelho esquerdo que, por duas semanas, ficou parecendo um quadro impressionista :)