quinta-feira, março 29, 2007

A banda antiga mais nova em minha vida

Ok, desde que comecei a entender que o mundo é mundo escuto meu pai falando dos Scorpions. Mas até o dia de hoje, confesso que nunca tinha parado pra prestar atenção neste grupo alemão, que pelo que li já está na estrada há mais de quarenta anos.

Meu amigo roqueiro-metaleiro-bate-cabeça Elcio, como sabe que o rock corre em minhas veias (rsrsrs literalmente, levando-se em conta o gosto musical do meu pai), resolveu me apresentar alguns cds do grupo, e eu, como não sou boa pra guardar nomes de bandas nem de músicas, fiquei pasma em saber que alguns dos clássicos que sempre escutei são deles.

Músicas como "Wind of change", "Still loving you" e "Hurricane 2001" são apenas alguns dos sucessos do Scorpions, cujo estilo foi definido como "Traditional Heavy Metal/Hard Rock". As canções melódicas e fortes foram a trilha sonora do meu dia, e serviram de pano de fundo (totalmente pertinente) para momentos de reflexão.

The world is closing in
Did you ever think
That we could be so close, like brothers
The future's in the air
I can feel it everywhere
Blowing with the wind of change

Pertinente é apelido! Thanks, Elcio!

quarta-feira, março 28, 2007

See you at the bitter end

Já era minha banda preferida, desde que, em 2003, o Marcelo apareceu com o "Black Market Music" e falou: "escuta isso. É muito bom."
Eu nunca duvidei do bom gosto do Marcelo pra música, e sempre acolhi suas indicações. Mas não imaginei que, naquele momento, seria atingida de verdade pelos efeitos de um Placebo*.
O show de ontem, no Credicard Hall, serviu para confirmar minhas expectativas: Brian Molko é um dos mais talentosos músicos da atualidade. Ele brinca com a voz, grita sem desafinar uma nota, e mesmo com todos os cigarros fumados ao longo de sua vida, não perdeu a potência vocal que me encantou desde o início.

O show, anunciado para as 21h30, começou com quase meia hora de atraso... quando, enfim, os músicos subiram ao palco, o êxtase foi geral: abriram com "Infra-Red" e, enquanto Molko anunciava: "someone call the ambulance/there's gonna be an accident", meu coração saía pela boca de tanta emoção. Talvez fosse mesmo preciso chamar uma ambulância naquele momento.

Grande parte das músicas tocadas foram lançadas em "Meds", álbum de 2006. A faixa que dá nome ao CD foi tocada logo depois, além de "Drag", "Song to say goodbye", "One of a kind", e com destaque "Because I want you" - que não saiu da minha cabeça até agora - e "Space Monkey", quando Molko cantou os primeiros com um aparato que fez com que sua voz parecesse falada através de um rádio, até o refrão, onde "limpou" a voz para gritar "We're sown together/She's born mesmer/Beside astride her/I die inside her"...

Diferentemente da apresentação no Rio de Janeiro, o trio resgatou mais dos grandes hits, que, como não poderia deixar de ser, empolgaram o público: "Every you, every me" já era esperada, assim como "Special Needs" e "20 years". "Bitter end" era muito aguardada, justamente por ter sido tocada no Rio, mas mesmo assim a platéia delirou ao som das batidas aceleradas de Steve Hewitt e da guitarra perfeita de Stefen Olsdal.

O que eu não esperava escutar, e fiquei surpresa, foram as clássicas "Special K", "Taste in men" e "Without you I'm nothing", mesmo que (gente, eu amo todas, é uma questão de preferência) trocaria estas por "Pure Morning", "Black-eyed" e "This Picture". Ok, já que toquei no assunto, do "Meds" eu queria escutar "Blind", "Broken Promise" e "In the cold light of morning", que acabaram ficando de fora.

Mas é aquela coisa: eu queria um show de pelo menos 5 horas. Não, na verdade eu queria uma apresentação tipo a do mestre Goa Gil, de 12 horas seguidas... aí sim, talvez o show terminaria sem que eu ficasse pensando: "humm, mas e se eles tivessem tocado aquela"...

O melhor de gostar do Placebo é que, mesmo com 10 anos de carreira, o grupo ainda se mantém no underground até certo ponto. A platéia do Credicard Hall estava tranquila para dançar, pular, gritar, enfim! Inesquecível, emocionante. Perfeito.
EM TEMPO: óbvio, achei alguns vídeos no YouTube. Óbvio, estão péssimos, mas arrepiam quem estava lá: Drag (tremidíssimo, mas o som ficou bom), Infra-Red (boa visualização, mas som péssimo), I know (legal pra escutar o efeito de eco que colocaram na voz do Molko, o som está bom, mas a visualização, digamos, é "alternativa"), Meds (som bom, imagem mais ou menos) e, finalmente, Special K (tudo mais ou menos).
* Pra quem não sabe, na medicina, placebos são aquelas pílulas de açúcar usadas no tratamento de doenças psicossomáticas.

segunda-feira, março 19, 2007

Voa, canarinho, voa

A uma hora dessas ele deve estar finalizando a arrumação das suas coisas. Em poucas horas, estará voando em direção a Barcelona.

Este canarinho já conheceu muito do mundão afora, Itália, Malásia, Tailândia... ele gostou muito destes países, aprendeu sobre seus costumes e cultura. Aprendeu também o que é a vida, afinal. Pois foram seus primeiros vôos sozinho.

Agora ele vai voar pra outros lados, conhecer outros países e culturas. E vai aprender ainda mais sobre a vida, agora com um pouco mais de maturidade.

Eu chorei quando me despedi, mas quero muito que ele vá. Porque toda vez que ele voa, volta um canarinho melhor.

Enquanto isso, eu fico aqui, torcendo pelo sucesso e pela felicidade dele. Ansiosa para saber das aventuras de seu vôo. E esperando por sua volta.

Amo você, meu irmão.

quarta-feira, março 14, 2007

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.

Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Motivo, Cecília Meireles

Uma pequena homenagem ao dia nacional da poesia... porque o que falta no mundo é um pouco de sensibilidade, e a poesia tem sempre muito disso.

Uma homenagem também ao Marcos Arilho, diretor de teatro, professor e amigo, que recentemente passou por maus bocados mas - como sempre - deu a volta por cima com classe. Foi ele que me mostrou este poema, que foi declamado pelo grupo "Nada modestos, porém vaidosos", do qual eu fazia parte, numa mostra que aconteceu no Teatro Paulo Eiró, em mil novescentos e noventa e alguma coisa.

Nesta ocasião, declamei "Menino pretinho num canto", que diz assim:

Menino pretinho num canto
Brincando sozinho, parece um santo.

O mesmo menino na rua
Roubando bala, a culpa é sua.

O menino está sujo, sem roupa.
Pedindo esmola, comida pouca.

O menino tem dor forte no dente!
Não tem remédio, ninguém mais sente.

Menino pretinho num canto
Brincando sozinho, parece um santo.

De preto, com o rosto pintado de branco, declamando o poema e encarando o público como quem diz: "e aí? Não vai fazer nada?"

Saudades dos tempos de teatro. A gente podia ser quem quisesse.

domingo, março 11, 2007

Mudança de hábito

Pronto, o limite do descontrole foi alcançado.

E quando se chega no limite, é bom! Porque você olha e pensa: "a que ponto chegamos" e percebe que é a hora de mudar. Porque se a gente não muda, os outros não mudam e a vida continua na mesma, com os mesmos problemas!

Faltava, sim, paz à alma. O espiritismo me mostrou que é possível, com musicoterapia e harmonização.

Faltava, também, um pouco de individualidade. Coisa que a gente só percebe quando pode observar a situação à distância.

Ai, ai... nada como uma seção intensiva de psicologia a três.

##
"Viva à sua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do seu valor"
Teatro Mágico

sexta-feira, março 09, 2007

Carta consciente

Prezada Mariana,

Tenho te acompanhado fielmente, durante os 22 anos de sua vida. Sempre na minha, dando uns toques, mas agora resolvi desembuchar. Porque não aguento mais ver você se decepcionar com as pessoas! Às vezes não é nem erro de outrem, mas sim, seu. Por favor não se cobre (você já se cobra demais), mas tente ver as situações por outro aspecto.
Mesmo com sua personalidade explosiva, ninguém sabe melhor do que eu que as suas intenções sempre são as melhores. Você sempre faz de tudo para ser agradável, sempre escolhe o caminho do bem em suas decisões, e isso é ótimo!
Você só não pode pensar que todo mundo é desse jeito, Mari. Por favor, pára de esperar das pessoas o que você faria por elas, pois isso te prejudica! Você espera, espera, confabula, imagina, e no fim das contas, o que acontece? Você se decepciona!
E não é nem porque as pessoas estão mal intencionadas em relação a você, mas sim, porque VOCÊ ESPERA DELAS O MESMO QUE FARIA POR ELAS! E é errado!
Não pense que todo mundo é igual a você. E não espere, não imagine situações de contos de fada! Eu vejo sempre passar por mim essas situações. Você imagina: nossa, nesta situação eu faria isso, isso e isso! Imagina se ele também faz o mesmo? E não acontece, e você se chateia, se decepciona. Entenda, as pessoas podem estar dando o melhor de si, mas este melhor não é igual ao seu melhor!
Querida, busque seu reconhecimento, e não perca os estímulos em continuar fazendo o máximo que pode pelas pessoas. Mas de uma vez por todas, pára de esperar o mesmo que você faria por elas.

Pense nisso.

Um grande beijo,

Sua Consciência.

terça-feira, março 06, 2007

Mais Gabo

Quando escrevi sobre "Cem anos de Solidão", o primeiro que li de Gabriel García Márquez (emprestado pela Cá), terminei com um "até a próxima", porque me encantei com a forma dele de escrever. Pouco depois, outro grande amigo (Diego) me emprestou "Relato de um náufrago", de 1970, também de Gabo. O que seria de mim sem meus amigos?

§§

Imagine um navio da marinha colombiana, que partia dos Estados Unidos em direção à Cartagena, na Colômbia. Estando a poucas horas de chegar ao seu destino final, o destróier tomba por causa de um vento forte, e da pesada mercadoria que carregava.

Alguns membros da tripulação caem ao mar, e todos morrem, com exceção de Luiz Alejandro Velasco. Este encontra um bote - chamado de balsa no livro - e consegue alcançá-lo, passando nele dez dias sem comida nem água.

Munido apenas de seu relógio e da roupa do corpo, o homem narra sua história, contando como lidou com a fome, a sede, o calor do sol e os devaneios psicológicos que isso começou a causar.

A cada dia, novos desafios surgiram, como a presença dos tubarões que chegavam pontualmente às 17h00 e os ventos fortes que chegaram a virar a balsa. Depois de um tempo, Velasco não quer mais lutar por sua vida, e a cada desistência um novo estímulo aparece para renovar-lhe as esperanças.

Ao décimo dia, o marinheiro avista terra firme, e mesmo sem forças, nada cerca de dois quilômetros para atingi-la. É, então, encontrado pela população de um pequeno vilarejo, e torna-se em pouco tempo herói de seu país.

Quando retorna a Cartagena, o homem é isolado em um hospital naval e proibido de falar com jornalistas. Depois de recuperado, passa a protagonizar anúncios dos mais diversos produtos, aproveitando-se de sua história e sua posição. E assim termina o livro.

Isso até daria um bom filme (aliás, o tema já rendeu um bom filme, o famoso "Náufrago", com o Tom Hanks). Mas... neste caso, trata-se de uma história real. (óóóhhh)

Tempos depois de fazer todo tipo de propaganda, quando o público já estava cansado de saber de suas histórias, Luiz Alejandro Velasco procurou a redação do jornal El Espectador, onde Gabriel G. Márquez trabalhava como repórter. Disse que queria contar seu relato para publicação no jornal, que na época buscava assuntos interessantes que fugissem de política (pois o país estava sob a ditadura de Gustavo Rojas Pinilla, que censurava a imprensa, claro).

O editor do jornal resolveu aceitar a proposta, e durante vinte dias, Gabo escutou detalhadamente os causos do náufrago.... e o mais legal da história vem depois de tudo isso.

Durante os encontros de G.G.M. com o rapaz, descobriu-se que, ao contrário do que a imprensa vinha divulgando até então, não houvera uma tormenta que derrubara a embarcação, mas sim, o destróier tombara por causa do excesso de peso.

O detalhe é que a tripulação encheu o navio de eletrodomésticos para suas famílias, ou seja, mercadoria ilegal, já que não se poderia colocar tanto peso em um destróier.

Nem preciso dizer que o governo não gostou nada que a verdade fosse mostrada! Com a divulgação dos reais fatos no El Espectador, o ex-herói perdeu seu posto, e Gabo ganhou de brinde um exílio.

Na introdução, o escritor diz que não consegue entender a utilidade em publicar este relato em forma de livro. Critica também os editores, que em sua opinião insistiram em publicá-lo somente por ele ser um escritor da moda.

Picuinhas à parte, "Relatos de um Náufrago" é jornalismo literário puro. E mostra mais uma vez o valor deste que se tornou meu escritor preferido.

segunda-feira, março 05, 2007

Quando estou grávido

Algumas exposições de arte contemporânea seguem a linha do "a roupa nova do rei": muita gente não entende mas, como os cults dizem que foi bom, acaba que todo mundo acha legal, mesmo sem saber o que o artista quis expressar.

O mesmo não acontece com a exposição do indiano Anish Kapoor, no Centro Cultural Banco do Brasil. A cada obra, Kapoor mostra a que veio e provoca as mais diversas reflexões.

São 9 trabalhos, entre instalações, esculturas e o único vídeo produzido pelo artista. Cada um deles provoca reações estranhas nos visitantes, como o embaralhamento da vista, efeitos diferentes na voz e sensações de hipnose através de espelhos, metais e luzes.

A obra "Divide" foi feita especialmente para São Paulo, e nela foram utilizadas cinco toneladas de cera vermelha. É possível ver as marcas das mãos de Anish nas paredes, e também o toco de madeira que ele utilizou para fazer alguns efeitos, que se encontra ao lado da instalação. Isso traz um caráter intimista e bem interessante ao trabalho.

No Vale do Anhangabaú está a instalação que nomeia o projeto: "Ascension". Um filete de fumaça que parece dançar, sugado por algo que parece um cano de aspirador gigante. Intrigam os furinhos no chão, de onde a fumaça sai coreograficamente.

Porém, a obra que mais me impressionou foi "Quando estou grávido" ("When I am pregnant", 1992, foto*), que no início mais parecia uma parede branca com uma sombra pintada. Depois que a vista estava embaralhada, e eu não via mais do que uma mancha, caminhei pela instalação e percebi que, na verdade, se tratava de uma protuberância.

Li que Anish Kapoor quer que suas obras pareçam importadas de outro mundo. Posso falar? Ele consegue não só fazer com que elas se pareçam de outro mundo, mas principalmente, nos transporta para este mundo paralelo que vem de sua cabeça.

Motivos para ver Anish Kapoor no CCBB:
- É a primeira exposição individual do artista na América Latina.
- O cara é muito bom e causa sensações indescritíveis.
- Você vai sair com outra idéia do que é arte contemporânea.
- É de graça. Não tem desculpa.

Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil
R. Álvares Penteado, 112 - Centro
Terça a domingo, das 9h às 20h
Informações: (11) 3113-3651

* esta foto não foi tirada na exposição de São Paulo, onde a protuberância recebeu uma "irmã". É, uma irmã mesmo: "Sister Piece of When I am Pregnant" (2005), que é uma reentrância e fica ao lado da irmã mais velha.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Wa Wa Wee Wa

Rir faz bem. Por isso, valeu a pena assistir ao engraçadíssimo "Borat - o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América" (Larry Charles).

Nele, o repórter Borat, interpretado pelo caricato Sacha Baron Cohen, vai aos Estados Unidos fazer uma reportagem sobre os costumes do país, para levar ao Cazaquistão lições de vida e novas experiências.

A graça começa com a personagem principal. O britânico Sacha, que também é produtor e roteirista do filme, é daqueles tipos que são engraçados só de olhar. Magrelo, desajeitado, sorriso de bobo, aquela coisa. E ele faz um sotaque carregado, com uma voz fina e meio cantada que realmente faz parecer que veio de um país do Oriente Médio.

Ao mostrar os costumes de seu país, e enfrentar os novos, Borat causa um tipo de riso que há muito tempo eu não via no cinema: o humor crítico e ao mesmo tempo escrachado. Exagerado, sim: ele te pega pelo absurdo.

É comum que o filme cause uma certa vergonha de rir, em algumas situações. Por exemplo: quem daria risada de histórias sobre uma pessoa com retardamento mental que vive presa em uma gaiola? Mesmo assim, é difícil não dar risada de suas trapalhadas.

Em suas experiências pela América, o rapaz apronta de tudo, desde defecar na frente de um grande edifício comercial até cantar o suposto hino do Cazaquistão para a platéia de um rodeio.

As principais críticas, entretanto, dizem respeito aos costumes e mentalidade dos americanos. É comum se deparar, no filme, com conservadores preconceituosos ("Tire este bigode, você parece um terrorista! quando acabarmos de vez com o Iraque, aí sim, você poderá ter este visual", diz um senhor americano), mas nada que uma pessoa com um mínimo de consciência não saiba.

É interessante ressaltar que Borat foi filmado como um documentário, e portanto grande parte das cenas não parece ter sido ensaiada, mas sim, improvisada. E é isso que traz ainda mais peculiaridade ao filme. Li na Folha que muitos dos entrevistados de Borat foram informados de que seriam gravações para um documentário a ser exibido na Europa! Portanto, nada de grandes produções, maquiagem, figurino.

Se você quer aprender sobre a cultura cazaque, desista. O filme termina sem que você saiba o que é realmente verdade e o que é mentira sobre os costumes do país. Se quer ver uma crítica aos Estados Unidos, provavelmente não vai ver muito mais do que já sabe, apesar de reconhecer o esforço e a coragem do rapaz em denunciar costumes preconceituosos estadunidenses.

Mas se você quer dar risada de um sujeito que, inocentemente, quer conhecer a América, e a Pamela Anderson, por quem se apaixona, e que atravessa o mundo em busca de novas e atrapalhadas experiências, assista Borat.

domingo, fevereiro 25, 2007

In the cold light of morning

In the cold light of morning
While everyone's yawning
You're high
In the cold light of morning
The party gets boring
You're high
As your skin starts a scratchin'
Wave yesterday's action goodbye
Forget past indiscretions and stolen possessions
You're high
In the cold light
In the cold light of morning
While everyone's yawning
You're high
In the cold light of morning
You're drunksick from whoring
And high
Staring back from the mirror's a face that you don't recognise
It's a loser, a sinner, a cock in a dildo's disguise
In the cold light
Tomorrow
As your skin starts a scratchin'
Wave yesterdays action goodbye
Forget past indiscretions and stolen possessions
You're high
In the cold light of day
Tomorrow's only a kettle whistle
Whistle away
In the cold light of day
B.M.
§§

Talvez o álcool cause ressaca depressiva.

Talvez o jogo da memória na parede do novo apartamento do Túlio tenha sido engraçado demais e causado uma queda na minha serotonina.

Talvez hajam reais motivos, alheios à consciência humana. Ou à minha consciência.

Ou talvez os motivos sejam físicos, cuja solução só depende de mim. BINGO! (?)

Cheiro de mudança no ar. Imprescindível.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Brisa eterna de uma mente sem lembranças

O Túlio costuma dizer que “é preciso contar sempre as brisas, para não esquecê-las. Afinal, são tantas que elas acabam se perdendo”!
Portanto, eternizo as brisas e momentos especiais deste carnaval (ordenadas sem critério):

- Descobrir que o passarinho do Túlio estava no carro, assando, enquanto conversávamos no posto
- Chegar com a breja já gelada (obrigada, PH)
- Morrer de rir com a Camilinha e sua carne engasgada
- Ver o Kadu fazer bastão com o pescoço e gritar: “CHORA”
- Jogar “Imagem e Ação” e presenciar mímicas incríveis de coisas impossíveis como “citar”, “trilho de cortina”, “bocal” e “imã de geladeira”
- Jogar “Imagem e Ação” e ganhar o primeiro banho da noite
- Jogar “Master” em dupla com a Mi (AMARELO! AMARELO! A-HÁ! U-HÚ!)
- Conhecer pessoas novas e incríveis (Fran, Pedrinho, Raito e Carol)
- Espantar o “cãovalo surfista” Orfeu de cima do meu sanduíche

- Descobrir onde afinal fica o âmago
- “Dançar na caixa” com a Cá
- Viver um “momento nostalgia” no meio da madrugada
- Escutar o CD “vingança” nesta mesma madrugada
- Acordar com a buzina do vizinho gritando “Seu Moací!!!”
- Escutar as mesmas histórias e rir como se fosse a primeira vez
- Decorar o sítio com bexigas, plumas, máscaras e serpentinas
- Fazer fogueira e tomar vinho de garrafão, mesmo sem frio
- Escutar o Fabrício tocando violão (e o Dani falando: “Vou dormir com esse cara”)
- Fazer strogonoff com o PH e quatro quilos de frango
- Fazer macarrão com a Fran


- Ter um especialista em animais peçonhentos (Pedrinho) para identificar que aquele monstro se chamava “aranha armadeira”
- Chafurdar na lama pra encontrar o PH arrumando a bomba de água
- Fazer caipirinha de limão que acabou de sair do pé
- Brincar de dança da cadeira (e ganhar!)
- Experimentar a goiaba que o PH acabou de colher (mesmo eu não gostando)
- Estabelecer meu primeiro contato com um bicho de goiaba original
- Acordar com o Chico Buarque da Déia
- Ver o Dani com uma peruca de Xuxa falando: “Vai mandar um beijo pra quem?”


- Fazer plaquinhas para a ducha (que era uma torneira) e para o “guia de como aprender a ferver” (Túlio, plaquinha é coisa de frito, já não te expliquei?)
- Ver o Túlio com peruca e cartola gritando: “Tô parecendo o Slash”
- Ver todo mundo cheio de adereços, máscaras, perucas e chapéus, realmente “no clima”
- Ouvir a Déia lançar a pérola “Aí vai virar o bonequinho da Michelin”
- Iluminar a escuridão e descobrir que o barulho era “apenas um ruminante”
- Fazer fotossíntese debaixo de um sol arrebatador
- Fazer muitos malabares com minhas amigas
- Ver o Kadu dançar e cantar absolutamente TODAS as marchinhas de carnaval possíveis
- Literalmente ir ao chão de rir todos os dias


- TERCEIRIZAR, SEMPRE!

Lembrando de novas, acrescentem!
Obrigada a todos pelos momentos mais que especiais!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Literatura Médica

Sim, eu caí na deles. Li na Época que o trabalho mais completo já escrito no Brasil sobre os traumas modernos e a ansiedade chamava-se "Mentes com Medo - da Compreensão à Superação", da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva (2006, Ed. Integrare, R$ 21,90 no Submarino).

Recém-assaltada, ainda sofrendo um pouco com a insegurança perante o mundo, resolvi comprar. Pensa só: quantas pessoas eles não pegaram com essa "propaganda" na matéria?


Enfim, acabei de ler ontem, e a sensação é mais de dever cumprido do que de satisfação.


Isso porque eu não desisto de ler um livro na metade (exceto o "Hóspede da Utopia" do Gabeira, que ainda vou terminar), mesmo que ele esteja sendo cansativo. Não é que tenha sido chato, mas sinto que a autora poderia ter escrito em 100 páginas o que escreveu em 213.


Bom, o título parece até de livro de auto-ajuda, mas acreditem, é um estudo psiquiátrico acerca dos distúrbios da mente relacionados aos mais diversos fatores externos.


E digo que foi bom. Foi bom compreender mais sobre estes transtornos, e saber que, realmente, certos tipos de medo e ansiedade são patológicos e carecem de cuidados médicos. Antes, eu era totalmente contra remédios anti-depressivos, o tal do "controle da serotonina". Depois de ler o livro, pude saber de casos de pessoas que realmente precisam controlar seus medos através de tratamentos específicos, e passei a respeitar mais isso.


Aprendi também que o medo e a ansiedade são inerentes ao ser humano, como uma característica boa, pois permitem que nosso organismo tome decisões rápidas em situações de perigo. Mas li também que, se este medo ultrapassa um limite aceitável, a ponto de comprometer algum fator pessoal ou profissional, aí é o caso de pensar em um tratamento.


Me interessei bastante pelo capítulo "Transtorno de Estresse Pós-Traumático", afinal era o motivo pelo qual estava lendo o livro. Vi o quanto uma lembrança ruim pode se transformar em um "calo" em nossa memória, e como diferentes regiões do cérebro reagem diante de lembranças boas e ruins.


Concluí que não tenho Transtorno de Estresse Pós-Traumático, mas que tenho facilidade em desenvolver medo e ansiedade acima do normal diante de algumas situações. Porém, o final do livro me mostrou algumas medidas simples que podem ser tomadas no dia-a-dia pra melhorar estas questões, como reeducação alimentar, meditação e prática de esportes.


Eu costumo avaliar um livro pelo tanto que ele me acrescenta. Posso dizer que aprendi bastante com este livro, e que seu conteúdo foi bem válido. Não posso deixar de citar que não gostei muito da forma de escrever da médica, pois algumas vezes quis tornar um assunto denso em algo mais leve, e acho que em alguns pontos ela me pareceu "piadista" demais.


Talvez eu possa estar sendo injusta. Meu professor de física da escola dizia que "tudo depende do ponto de vista". Pô, antes deste livro eu li "Cem anos de solidão", do Gabriel García Márquez. Aí é sacanagem, né?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Blockbuster

Os filmes são excelentes opções de divertimento. Se não há paciência, tempo ou dinheiro para ir ao cinema, a melhor opção é alugar um filme na locadora mais próxima. Custa mais barato, você pode ver a hora que quiser e também pode pausar para ir ao banheiro ou beber água. Além do mais, você pode ver deitado, de pijama, colocar a luz do jeito que quiser e ajustar o som pra altura que lhe agradar.

Só neste ano, já assisti muitos filmes em DVD. Coisa que não costumava fazer com tanta freqüência. Se continuar nesse ritmo, em 2007 vou ter assistido mais filmes do que na minha vida toda. (EBA!) Até agora, os assistidos foram:


- “O Código da Vinci” (Ron Howard) – não tinha lido o livro, mas resolvi saber mais sobre a intrigante história que causou polêmica no mundo todo. Achei interessante, principalmente porque muito do que é dito acerca da Igreja Católica faz realmente sentido, e quebra com alguns dogmas nos quais as pessoas cismam em acreditar. Além disso, pude rever a Audrey Tautou (Amèlie Poulain).


- “Vinicius” (Miguel Faria Jr.) – até então, o que eu tinha de Vinicius de Moraes era um livro de poesias que amo e um CD do Baden Powell, o maior violonista brasileiro de todos os tempos e parceiro de Vinicius em incontáveis músicas. Depois do filme-documentário, que às vezes é um pouco cansativo, pude saber mais sobre este apaixonado homem, que adorava grandes paixões e muito whisky. Vale pelo peso cultural dos depoimentos.


- “Obrigado por fumar” (Jason Reitman) – o nome não é dos mais atrativos, ainda mais para uma ex-fumante, mas foi indicação de expert, então resolvi arriscar. Valeu a pena. O filme mostra, através da atuação excepcional de Aaron Eckhart, como a lábia humana é capaz de grandes feitos. “Quem tem boca, vai à Roma”, ou “Quem tem boca, VAIA Roma”, como era o ditado na versão original.


- “Herói” (Ying Xiong, apresentado por Quentin Tarantino) - ok, confesso que eu dormi uns pedaços. Logo nos primeiros momentos percebe-se a beleza deste filme. A luta de espadas, por vezes irreal; a cultura oriental em sua essência; a violência; e principalmente, a fotografia, são ótimos. O contraste de cores dos cenários e figurino encantam os olhos. Um filme de arte, como os do Akira Kurosawa.


- “Clube da Luta” (David Fincher) – sem dúvida um dos melhores filmes que já assisti. Top 5 da vida toda com certeza. Edward Norton está P-E-R-F-E-I-T-O em sua atuação, e a história é intrigante. Tudo tem qualidade no filme, tanto a trilha sonora, cheia de ação, quanto os cenários, o roteiro, enfim. Um filme de 140 minutos onde eu não consegui pregar o olho, por Deus! Tem que ser muito bom.


Ranking dos filmes de fevereiro:

1° Clube da Luta
2° Obrigado por fumar
3° O Código da Vinci
4° Vinicius
5° Herói

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

GUDEBRISH

Ele faz o melhor salmão do mundo. E o melhor shimeji, e o melhor strogonoff.

Ele me leva no cinema, no parque, no zoológico. Onde precisar.

Ele me traz um filme pra assistir à noite, e de manhã me acorda com um beijo carinhoso.

§


Amo-te enfim, com liberdade/Dentro da eternidade e a cada instante

Vinicius de Moraes

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Uma viagem ao zoológico

Um dos passeios que toda pessoa deve fazer pelo menos uma vez na vida é ir ao zoológico. Sim, eu sei que os bichinhos estão lá presos, fora de seu habitat natural. Mas como experiência é MUITO legal.

Eu tinha ido quando pequena, com poucos meses, por isso nem me lembrava de nada. Adorei. Não imaginava que a diversidade de animais era tão grande, tanto que nem tive tempo de ver tudo! Ficaram faltando alguns répteis, anfíbios e insetos (o formigueiro estava fechado). Até porque estava bem cansada já.

O dia estava lindo, e por isso os macacos pulavam e brincavam alegremente. Como sempre diz minha mãe, "eles impressionam pela semelhança com os humanos". E é um fato. Os bugios ficavam fazendo graça, deitavam na grama, coçavam a cabeça... engraçadíssimo. Lá tem todo tipo de macaco, até o tão famoso mico-leão-dourado, que realmente é inteirinho dourado e lindo.

Tem de tudo.... girafas elegantérrimas, com seu couro todo pintado; hipopótamos que se refrescavam, girando embaixo da água; um avestruz de desenho animado, com suas longas pernas e seu andar desengonçado; muitos felinos, entre eles o tigre branco (pena que os leões e os tigres siberianos estavam dormindo); cobras, rinocerontes, lagartos, tartarugas, jacarés, muitos, muitos bichos.

Algumas áreas totalmente dedicadas às aves também me chamaram a atenção. Descobri que os flamingos dormem em posição de yoga, com uma perna pra cima. Finalmente pude conhecer um tucano, pássaro que gosto tanto mas que nunca tinha visto. As araras, nossa como são coloridas! Queria uma pena pra fazer um brinco. Mas daquelas que caíam no chão, claro!

Descobri até que existe um pássaro chamado Marianinha! Escandalosa, precisa ver! :D

O passeio foi o máximo, me senti uma criança. Quando tiver meus filhos, certamente vou levá-los para conhecer o Zoológico. Mas vou ensinar a eles algo que muitos pais que passam por lá não ensinam: JOGAR LIXO NO LIXO. É sim, apesar de muitas lixeiras espalhadas, inclusive de coleta seletiva, muitas crianças e adultos emporcalharam a casa dos animais.

Em junho de 2007 o Zoológico completa 50 anos. Vale a pena conhecer!

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Babel

Antes de dirigir "Babel", o mexicano Alejandro González Iñarritu causou polêmica com "Amores Brutos" e "21 gramas", filmes que tratam de questões reais, atuais e, por conseqüência, dramáticas. Eu não assisti a nenhum dos dois (vergonha).

Quando "Babel" foi lançado no Brasil, na Mostra de Cinema, eu não fui vê-lo (vergonha). Mas prometi a mim mesma que iria assisti-lo no cinema assim que estreasse.

Feit0. O filme estreou e, já no primeiro final de semana, assisti. Olha, eu devia ir mais ao cinema. O filme é sensacional, em todos os aspectos.

O nome "Babel" se deve às falhas de comunicação entre os países, e como isso afeta as relações humanas. Marrocos, Estados Unidos, México e Japão se unem por um só acontecimento.

Uma criança marroquina, ao brincar com um rifle, acaba acertando uma turista americana (Cate Blanchett), que viajava com o marido (Brad Pitt) para superar o trauma de um filho que morreu.
Enquanto isso, a babá Amelia (Adriana Barraza, que concorre ao Oscar de melhor atriz coadjuvante) cuida dos dois filhos do casal, e pensa numa forma de não faltar ao casamento de seu filho, no México.


No Japão, uma adolescente surda-muda tem problemas de relacionamento com o pai (o dono do rifle que atingiu a turista americana) e encara as mudanças de seu corpo e sua mente.

Estes fatos que ligam as diferentes histórias mostram como o mundo "globalizado" ainda sofre com os problemas de comunicação.

As atuações estão perfeitas, a trilha sonora (étnica) é muito especial, a fotografia, sobrepondo diferentes contextos e paisagens dos países, é incrível. Mas principalmente, gostei da forma com que o roteiro foi montado, com colagens de cenas que me lembrou o Eisenstein (cineasta soviético de mili anos atrás que inseriu a colagem de cenas como forma de transmitir metáforas).


Enfim, um filme que vale a pena. Indicado ao Oscar de melhor filme, melhor roteiro original, duas atrizes coadjuvantes, trilha sonora e acho que só. Ir mais ao cinema já está na lista das mudanças comportamentais de 2007! ;)

E é só o começo.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Impulsivo

adj. 1. Que dá impulso. 2. Que age sem refletir. 3. Que facilmente se enfurece.

§

Desde pouca idade, logo depois de aprender que 2 mais 2 são 4 e que a capital do Brasil é Brasília, a menina aprendeu que "é preciso pensar duas vezes antes de falar ou fazer qualquer coisa".

Bobagem, pensava ela. Imagina só o tempo que ia perder pensando DUAS VEZES antes de fazer qualquer coisa! Ainda mais sendo tão agitada!

Hoje ela TEM que parar pra pensar. Duas, três vezes. Mesmo que ela não queira, mesmo que não consiga. Ela vai ter que tentar. Porque senão, ela sai fazendo burrada e depois fica aí, chorando pelos cantos, arrependida por ser tão impulsiva.

§
Falando absurdos
Virando a noite
Perdendo o senso
Derretendo satélites
(Herbert Viana/Paula Toller)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Jornalismo Cultural

Em tempo:
Primeiro material produzido por mim e pelo Paulo sobre o Universo Paralello 2007!


FOTOS


REVIEW

E pra não passar sem uma imagem, coloquei esta foto minha fazendo malabares de luz!

Adivinha quem tirou??

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Onde o respeito ainda existe!

Rios de prata, pirata/Vôo sideral na mata/Universo paralelo...

Troca de energia by PH Schneider

Depois de duas semanas de “férias” merecidas – coloco entre aspas porque, mesmo tendo passado duas semanas na Bahia, em um festival alternativo, com meus amigos e meu namorado, sim, eu trabalhei – posso dizer que estou pronta para o novo ano.

O festival foi incrível, como sempre. Cresceu em estrutura e número de pessoas (me parece que passaram de 7 mil). A decoração estava incrivelmente integrada à natureza, não contrastava! Acrescentava.

Tendas multi-coloridas, quatro pistas de dança que tocaram os mais variados estilos musicais. Sol forte, o inconfundível sol da Bahia, sob o qual nem mesmo o protetor fator 60 conseguia fazer muita coisa.

Quer sair correndo? Vai! Ninguém se importa se você é branco, negro ou japonês. Ou se você dança esquisito, usa roupas esquisitas ou age de forma esquisita. Lá todo mundo se entende e interage. Você é livre para ser quem quiser, contanto que respeite os outros. E nesse clima de união e respeito, seis dias de festival aconteceram, proporcionando momentos incríveis para todos que estavam lá. Aguardem a cobertura jornalística completa!

EU comecei 2007 com dois feitos históricos:

- Dirigi na estrada! Isso mesmo! Fui de Ituberá (BA) a Eunápolis (BA) e, depois, de Rezende (RJ) a Guarulhos! Essa iniciativa me trouxe uma auto-confiança jamais antes vivenciada no volante... hehe Vamos ver se neste ano eu deslancho!

- Matei uma barata. Era pequena, mas isso não vem ao caso.

Enfim, feitos inéditos só anunciam que este ano promete! E pra finalizar, trecho de um texto do Carlos Drummond de Andrade que eu li na Época:

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente".
Assino embaixo.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Viva vida - retrô 2006 - parte II

Os acontecimentos são tantos que resolvi partir em dois a postagem. E olha que estou selecionando o melhor/mais importante de cada mês, e estou deixando de citar muitos outros fatos!

Mas continuando...

- Julho: tive a feliz oportunidade de cobrir o Festival Fora do Tempo, que aconteceu no final do mês na Chapada das Mesas, em Carolina, sul do Maranhão. Confesso que o esforço foi grande para chegarmos lá, pois a viagem de van de Palmas até Carolina foi bem desconfortável. Mas valeu a pena. Cada segundo, cada centavo, valeu a pena assim que pus os olhos no céu do cerrado. Nunca vi nada tão incrível como o céu do Maranhão, nunca com tantas cores. Oportunidade única de conhecer mais a fundo a cultura e opiniões de jovens de Brasília, Alagoas, Goiás, Belém. Oportunidade de fazer amigos do outro lado do país. Um pouco da cobertura do Festival: fotos , matéria e entrevista.


- Agosto: a nossa amizade começou quando o PH foi viajar para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e conheceu uns meninos bem especiais. A partir daí, nossas turmas se fundiram, e em agosto deste ano completou-se um ano que nos conhecemos. O encontro destas pessoas foi bem interessante, pois no início tínhamos visões bem distorcidas de quem realmente cada um era, e com o tempo fomos criando uma amizade sólida com aqueles com os quais realmente nos identificamos. Para comemorar o primeiro ano de amizade, um encontro casual no sítio do Túlio. Acho que nunca tinha parado pra pensar o quanto jogar tranca a céu aberto num sítio com amigos pode ser especial.

- Setembro: neste mês de setembro, papai do céu levou pra perto de si o meu tio Natal. Eu já havia perdido a minha avó e o meu avô maternos, mas nunca tinha perdido alguém com quem eu convivesse tão constantemente. É incrível perceber que, assim como pessoas nascem, as outras morrem, e que isto é inevitável e dolorosamente incontrolável. Como é ruim não conseguir controlar o tempo... no caso de meu tio, a morte foi a melhor solução para seu sofrimento. E eu, vira e mexe, sinto a presença dele próximo a mim, antes de dormir.

- Outubro: fui contratada como free lancer para ser a redatora oficial do núcleo Psyde & Kaballah. Excelente acontecimento para quem estava completando um ano fazendo cobertura de festas rave! O núcleo acabava de inaugurar uma agência de djs, a Crash, e precisava de um(a) jornalista para desenvolver os releases dos artistas e os textos promocionais. Adorei a experiência, e principalmente a visibilidade que isto está me dando dentro da cena eletrônica brasileira.

- Novembro: completei neste novembro de 2006, quatro anos ao lado do PH. Se eu começasse a escrever aqui novamente tudo o que isso significa na minha vida, não pararia hoje. Por isso, fica o link para um post anterior.

- Dezembro: o mês ainda não acabou (está prestes a), mas um fato BEM desagradável marcou o mês e o ano. Pela primeira vez, fui assaltada. Três moleques, se aproveitaram que estava uma chuva torrencial e atacaram a garota, que andava assustada e rapidamente para trocar um presente de amigo secreto. Aquele celular, sabe? Aquele que eu paguei em dez parcelas! Certamente foi trocado por uma pedra de crack. Minha carteira, documentos, tudo. Me deixaram com o guarda-chuva na mão, toda encharcada, sozinha, no meio da Pompéia, onde eu nunca estivera antes. Nunca me senti tão indignada e injustiçada em toda a minha vida.

Mas é isso aí. O ano passou, a vida pra variar colocou algumas provações na minha frente, como se dissesse: "vamos ver como você se sai". Posso falar? Acho que me saí bem. Os bens materiais, recupero aos poucos. A documentação, já refiz. A mágoa, ok, ainda está aqui. Mas passa.

Hoje é o meu último dia de trabalho de 2006. Estou com uma sensação boa de missão cumprida, sabe?! Sinto que fiz tudo o que pude em nome dos meus objetivos e compromissos.

Na terça-feira, partimos novamente rumo a Pratigi, rumo a um universo diferente de tudo, um universo paralelo. E lá, ao lado de algumas das pessoas mais importantes pra mim, vou refazer as energias, entrevistar meio mundo, descansar, relaxar, e pensar em tudo o que me aconteceu neste ano, pra voltar renovada e animada para cumprir todas as missões que aparecerem e enfrentar todos os obstáculos. Que venha 2007!