segunda-feira, outubro 13, 2008

Fazenda São Bento, 5 de julho, 9 horas da manhã.

Acordei às 6h30 e saí de pijama mesmo pela rua da pousada, como vinha fazendo todos os dias. Quase não passa gente ali naquela hora e, se passar, ninguém vai se preocupar se você está de meias com chinelo ou descabelada. Fiquei um tempo ali, parada, sentindo os primeiros raios do sol e a brisa fresquinha da manhã.

Foi quando escutei o barulho característico dos tucanos, um “croc-croc” que jamais vou conseguir narrar por aqui. No alto de uma árvore, avistei o bico grande e amarelo de um tucano solitário. E olha que é difícil encontrar um tucano sozinho: eles geralmente andam em casais.

Aproximei-me devagarzinho até ficar bem em frente à árvore. E ele desfilou sua beleza pra mim durante alguns minutos, dos mais lindos da minha vida.

Café-da-manhã tomado, fomos ao passeio pela Fazenda São Bento, onde se encontram as cachoeiras de Almécegas I e II. Mas, antes, uma parada no ninho das araras. Será que dessa vez seria possível vê-las?

Não demorou muito para que elas notassem a nossa presença e começassem um verdadeiro show de “aeromodelismo”. Eram cinco, azuis na parte de trás e amarelas no peito, e pareciam querer esquentar suas asas ao sol enquanto se exibiam pra nós.

Voavam em duas, e sempre ficava uma tomando conta de um dos filhotes que parecia ainda não ter coragem o suficiente pra encarar o vôo. Gritavam muito, um barato! Não consegui sair de lá até que todas alçassem vôo em busca de alimento, inclusive o filhote medroso, que depois de muito custo deixou seu lugarzinho no tronco do velho buriti e rasgou o céu ao lado de seus pais.

Lindo, lindo. Emocionante, inesquecível. O sol batendo e elas voando, rodando, bem acima das nossas cabeças.

Um dia que começa assim não tem como ser ruim, né? Seguimos pela estrada até a entrada da fazenda. Atualmente, há uma tiroleza neste local, são 850m de comprimento com uma vista linda da chapada, mas preferimos ficar só (só??) nas quedas, mesmo.

Almécegas I é de longe a cachoeira mais gelada em que já estive. O sol bate ali durante poucas horas do dia, o que, juntamente com a vegetação que cresce entre as pedras, dá um ar selvagem ao local (foto à esquerda). Paulo pulou de uma altura de 12 metros, eu não tive coragem. Depois de gelar a alma, partimos para Almécegas II, uma bela queda com um poço bom de nadar.

Lá, sim, eu saltei, de mais ou menos 6 metros de altura. Que frio na barriga! Nadamos por lá bastante tempo, até resolvermos finalizar com a última parada do dia: São Bento (foto à direita), uma enorme queda que desemboca em um gigantesco poço, onde inclusive ocorrem as etapas brasileiras do mundial de pólo aquático. “É um barato, gente do mundo todo acampando aqui em volta, jogando nessa água gelada”, escutamos por lá.

Por falar em gente do mundo todo, quando entramos n’água avistamos um grupo de mais ou menos 40 indianos (não estou brincando), dentre crianças, homens e mulheres. Uma situação totalmente non-sense, todos vestidos com panos, vestidos e muitos, muitos acessórios. Anéis no pé, pulseiras, brincos... É bonito de ver o quanto são vaidosos. Os homens tiraram as camisas e entraram com as crianças na água. As esposas preferiram molhar só os pés e ficar conversando.

Saímos da água e passamos entre eles, nas pedras, sem entender uma palavra do que diziam, tampouco de onde haviam saído. Coisas que você só vai ver na Chapada dos Veadeiros.

Fotos: PH Schneider

sexta-feira, outubro 03, 2008

Parque Nacional, 4 de julho, 8 horas da manhã.

Até por volta de 1950, a região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros era tomada por buracos feitos por garimpeiros em busca de cristais. Com a chegada de Juscelino Kubitschek ao poder, o local tornou-se parque nacional e os buracos foram desativados.

Desde então, os garimpeiros tornaram-se guias turísticos, e formaram a comunidade de São Jorge, vizinha a Alto Paraíso. Hoje, o parque serve de modelo para os outros tantos do Brasil, e estudiosos do mundo todo viajam até lá para conhecer a organização do lugar e também, é claro, para explorar as belezas naturais.

Para desbravar o parque, existem duas trilhas: Saltos e Cânions, com três quedas cada uma. Só se pode escolher uma trilha por dia, já que não se pode ficar no local depois das 17 horas. Também não é possível entrar depois do meio-dia (não dá tempo de fazer a trilha inteira).

Há um número limite de pessoas em cada trilha, e só é permitido fazer quaisquer dos passeios acompanhado por um guia credenciado. Por isso, fomos ao Centro de Atendimento ao Turismo buscar algum guia que tivesse um requisito: caber na cabine estendida do carro. A funcionária nos passou o contato de Hananda, uma menina pequena o suficiente para caber na parte de trás, e esperta o bastante para nos conduzir pela Trilha dos Cânions, a escolhida para aquele dia. Só pra variar, não havia uma nuvem no céu.

Percorremos a espetacular trilha sobre cristais de quartzo branco. Toda a extensão da trilha é forrada por cristais, lindo de se ver. Dizem até que, se olhar uma foto de satélite ali da região, aquele lugar emana uma luz branca lindíssima. Passamos por diversos buracos de garimpo desativados, e por plantas que jamais imaginei conhecer (como essa plantinha carnívora aí do lado).

“O cerrado corresponde a 33% da biodiversidade brasileira”, dizia a placa. E logo em seguida, fomos apresentados a uma espécie de árvore super interessante, da qual infelizmente não lembro o nome. Dela nasce uma frutinha saborosa, mas que se você comer demais causa dor no estômago. Mas não se preocupe: das folhas dessa mesma árvore, faz-se um chá que, curiosamente, é tiro-e-queda para dor de estômago. Pode essa natureza ser mais perfeita?

Passamos também por pedras com uns líquens coloridos: roxo, cor-de-laranja, amarelo (veja foto)... da primeira vez que eu vi, cheguei até a pensar que poderia ser algum tipo de vandalismo, porque as cores eram tão fortes que parecia tinta. Hananda explicou que esses líquens só nascem em locais em que o ar é extremamente puro. Oba, virou regra: toda vez que passava por uma pedra daquelas, respirava fundo...

A primeira queda a que se chega é a Cachoeira das Carioquinhas (foto). Diz a lenda que duas cariocas desbravavam a região quando encontraram esta belíssima queda. E assim ficou o nome. Um mergulho gelado e delicioso, alguns minutos de descanso, e seguimos o passeio até chegar ao Cânion 2.

Era uma grande piscina natural, com duas plataformas para quem se arriscasse a pular (eu pulei das duas – frio na barriga master hehe) e um corredor ladeado por paredões de água que, nessa época da seca, dá pra nadar e ver de baixo, tranquilamente. Fiquei boiando naquela água e pensando no privilégio que é poder fazer pelo menos uma viagem desta por ano.

E seguimos para a terceira e última parada: Cânion 1. Este fica fechado na época das chuvas, mas neste período dá pra sentar na parte de cima e ficar admirando os paredões. Neste último, não há jeito de mergulhar, só de contemplar (foto).

Importante lembrar que cada parada dentro do parque possui dois bombeiros, o que reforça a sensação de segurança e de organização. Ah, sim! E paga-se a simbólica taxa de R$ 3,00 para entrar, além da diária do guia, fixada em R$ 60,00.

Felizes e cansados, chegamos novamente à entrada do parque. Já na volta, conversando com Hananda, demonstramos nossa vontade de ver araras. Então, ela nos contou sobre um casal de araras que se alojou em uns troncos mortos de buriti para ter seus filhotes, e tiveram três mas, em vez de seguir caminho, elas se estabeleceram ali, e de lá não saíram. Passamos em frente, paramos o carro (era bem próximo à estrada), mas nada delas.

Não desistimos. Passaríamos em frente todos os dias, até conseguir vê-las. Mal sabíamos nós das espetaculares surpresas do dia seguinte.

Fotos: PH Schneider

quinta-feira, outubro 02, 2008

Get back to where you once belonged

Mais de um mês sem escrever por aqui. Desculpa, amigo leitor. Se é que ainda tem alguém que passe por aqui, depois de acessar tantas vezes e dar de cara com o mesmo texto. Eu mesma faço muito isso: se acesso um blog durante alguns dias, e não encontro atualização periódica, ele vai aos poucos caindo no esquecimento.



As coisas não têm sido muito fáceis, em quase todos os aspectos em que se pode ter dificuldade na vida. Mas agora (espero) tudo vai ficar menos difícil – já está um pouco, eu diria – e prometo nunca mais demorar tanto para postar. Prometo!

O cúmulo da falta de tempo é aproveitar alguns momentos e traçar, à mão, os três últimos textos sobre as férias – ah! As férias, agora tão distantes – e não conseguir sequer digitá-los, ou chegar em casa tão saturada de olhar para um computador, que aquela máquina do lado da cama causa repulsa.

Ou ainda, o cúmulo da falta de tempo é aproveitar um momento na reunião com o cliente em que ninguém está prestando atenção em você, para rabiscar um pedido público de desculpas aos seus leitores, que é o que eu faço neste exato momento.

Espero sinceramente que vocês não tenham se esquecido deste humilde blog.

domingo, agosto 24, 2008

Vale da Lua, 3 de julho, 9 horas da manhã.



Walking on the moon...

Prepare-se para conhecer um dos lugares mais lindos da sua vida.

Sempre que eu comentava sobre a viagem com alguém que já conhecesse a Chapada dos Veadeiros, a pessoa falava: “não deixe de conhecer o Vale da Lua, é um lugar único”. Por isso, não quis perder a oportunidade e, logo no segundo dia de passeio, resolvemos ir pra lá.

Fica a poucos quilômetros do centro de Alto Paraíso, você pega a estrada e logo vê a placa: Vale da Lua – 4 km. Uma estradinha de terra adentrando o cerrado, e estacionamos ao lado da casa de Paulo Roberto, o simpático dono da propriedade. Ele contou que o Vale da Lua era de seu pai, falecido recentemente, e agora era ele quem cuidava de tudo por lá.

Cobrou a simbólica taxa de R$ 5,00 por pessoa, e indicou: “caso queiram ficar mais à vontade, sigam pela esquerda depois da bifurcação. As pessoas costumam ir à direita e já chegam direto no último poço, mas se vocês forem à esquerda conhecerão os outros dois poços”.

E foi o que fizemos. Seguimos por uma breve trilha até avistarmos o início de uma formação rochosa simplesmente espetacular. Dizem que, há bilhões e bilhões de anos, por ali havia um vulcão, e o magma endurecido resultou naquele tipo de rocha. Com o passar dos anos, as águas que começaram a correr por ali moldaram a rocha, e o resultado vocês podem ver nas belas fotos tiradas pelo PH! :)

Eram três poços – para variar, geladíssimos. Você andava pelas pedras (vez ou outra encontrava pedaços de cristais incrustados, como na foto ao lado), e aos poucos ouvia o barulho da água que passava lá em baixo. Chegamos ao primeiro poço e arriscamos um breve mergulho (até porque, estávamos a sós por lá, e poderíamos gritar à vontade caso a água gelasse a alma, como de costume).

Mais uma breve caminhada pelas rochas exóticas, e outro poço de água verdinha e transparente. Este, com uma particularidade: havia uma passagem que levava a uma queda pequena, mas maravilhosa. Fomos até lá, e, desbravando tudo, descobrimos uma galeria silenciosa através de um buraco na rocha. Não tivemos coragem de entrar, porque cada piscina natural que encontrávamos possuía uma aranha como zeladora, e o tamanho da piscina era proporcional ao de sua guardiã! Já pensou?

Extasiados, chegamos ao último poço, este sim, com algumas pessoas se banhando. Saltamos de um ponto não muito alto (cerca de 4 metros), e pudemos aproveitar muito as belezas daquele lugar.

Como o passeio não tomou o dia todo, ainda conseguimos finalizar a tarde na cachoeira Morada do Sol, que inclui o passeio para o Vale das Andorinhas – um cânion lindíssimo – de onde vimos o sol se pôr na Chapada.

domingo, agosto 03, 2008

Alto Paraíso de Goiás, 2 de julho, meio-dia.

Após duas horas e meia adentrando o cerrado brasileiro pela GO-118, avistamos os portais de pedra mineira que anunciavam a chegada à pequena e charmosa cidade de Alto Paraíso de Goiás. Alto, para os íntimos.

A avenida principal concentra grande parte dos serviços do local: o eficiente CAT (Centro de Atendimento ao Turismo), diversos restaurantes, bares e lojas de artesanato e cristais nativos com artigos de se apaixonar.

Estacionamos o carro em frente à Pousada Alfa & Ômega por volta do meio-dia, e fomos recepcionados por Luís Paulo, o dono de lá, e por seu cachorro, da raça American Indian (parece um lobo, porém muito dócil).

Luís chamou Melissa, que nos levou ao quarto Rubi. Assim como todos os outros, ficava em bangalôs com cristais na ponta, entre as árvores. Com o objetivo de aproveitar a tarde para fazer algum passeio, corremos para retirar os muitos quilos de bagagem que nos acompanhavam e partimos para tomar um lanche.

Mel nos indicou o Barracão 3, lanchonete que fica em frente à Rodoviária. Ficamos assustados com o tamanho do sanduíche, e principalmente com seu sabor. Peito de peru com mussarela derretida, pasta de azeitona e alface na ciabatta. Perfeito.

Ainda dava tempo de visitar o ponto mais próximo da cidade, a Cachoeira das Loquinhas. “Vão tomar banho de esmeralda”, é como dizem por lá. E pude ver que era verdade assim que chegamos ao Poço do Curumim, primeiro dos sete de água cristalina e muito gelada que viriam pela frente.

A trilha das Loquinhas é apropriada para crianças e pessoas de idade: toda de madeira, com escadas e plaquinhas indicativas que levam às quedas. Um verdadeiro “resort adventure”.

O momento mágico da tarde ficou por conta do poço da Xamã (foto) que, devido ao sol fortíssimo, tinha água morna na superfície. Ah sim, e o principal: em todos os poços, não havia mais ninguém. Sabe o que é conseguir ficar em absoluto silêncio e escutar só os barulhos da natureza? Mais sossego impossível.

Com a sensação de energia renovada que só a água corrente traz, finalizamos o dia no tradicional restaurante Massas da Mamma. É pedir pra cair na cama e desmaiar!

sábado, agosto 02, 2008

Brasília, 1 de julho, nove horas da noite.

Era apenas o primeiro dia das férias, e eu já havia passado por várias cidades até parar na capital do país. À noite, fomos visitar Pedro, um médico recém-formado que, assim como todos os colegas de sua classe, foi chamado para trabalhar no exército. "Eles estavam precisando de gente lá. O trabalho é cansativo, mas eu não acho ruim porque paga-se bem."

Por sinal, a impressão que se tem é que - com algumas exceções - ganha-se muito bem em Brasília. Os apartamentos (como a Joyce citou em comentário no post anterior) são caros, mas ao mesmo tempo amplos, e é fundamental ter carro para se locomover pela cidade. O transporte público é fraco.

O restaurante japonês foi a feliz escolha para matar a fome. Chamava-se Nipon e oferecia um farto rodízio com direito a camarões grelhados e todo tipo de peixe. O suficiente para que o cansaço do dia caísse de vez sobre nossas costas. Fica na SCLS 403, bloco A, loja 28. Não me peça pra explicar o caminho. Tel: (61) 3224-0430.

Pedro foi muito gente boa e ainda nos levou para dar uma volta pela cidade. Foi muito interessante ter finalmente um contato visual com aqueles famosos monumentos, passar pelos ministérios, o Itamaraty, a lindíssima Catedral de Brasília e até a ponte Juscelino Kubitchek, que você vê na bela foto acima de Juca Filho.

De um modo geral, achei as pessoas inteligentes e politizadas, a cidade organizada e limpa. Fui dormir pensando que Brasília é uma enorme exposição a céu aberto. E era apenas o primeiro dia das férias.

segunda-feira, julho 28, 2008

São Paulo, 1 de julho, 4 horas da manhã.

Caçamba cheia, estrada vazia. Plena terça-feira, início de férias, vontade de respirar novos ares, de simplesmente parar para respirar sem pensar em nada.

A Anhanguera é uma reta só, do início ao fim. Estrada gostosa de dirigir, você anda, anda, e não vê o fim, só o horizonte largo. Às vezes é assim mesmo: a gente anda e não consegue nem quer ver aonde vai parar. E as horas passam, e as paisagens passam.

E o sol nasceu lá pros lados do interior, e eu lembrei da menina dos textos bonitos que disse uma vez que os primeiros raios de sol escapando pelas nuvens eram parte de Deus, e senti Deus se manifestando por entre as montanhas.

De reta em reta, cruzamos o Estado e, com o fim de São Paulo, terminaram também os resquícios de cinza e os pedágios. Minas passou rápido: percorremos o triângulo mineiro em poucas horas, quando atingimos a divisa com Goiás.

Doze horas de viagem, avistei a capital do país. Muito prazer, senhor céu azul. Meu nome é Mariana e estou feliz em estar aqui. Logo ao entrar na cidade, duas placas me chamaram a atenção:

“Senhores visitantes: em Brasília, os pedestres são respeitados.”

“Senhores visitantes: procurem não buzinar.”

Pouco depois, o carro na minha frente para: uma garota estava passando. Não havia farol nem nada além da educação do rapaz. Fiquei pasma, era verdade. Os pedestres são respeitados.

Confesso que achei que a cidade fosse mais bonita. Não estou falando dos monumentos e cenários de Niemeyer que só tinha visto no Jornal Nacional até então, mas da vista da cidade como um todo. Não sei explicar.

É fato que é organizada, chega-se a qualquer lugar pegando o “eixão” ou o “eixinho” – fazendo a tal da tesoura –, e qualquer um que esteja familiarizado com a disposição das ruas encontra facilmente um endereço sem nenhuma indicação.

No Plano Piloto os prédios não têm mais de 6 andares, todos com o mesmo estilo arquitetônico. Eles têm cara de prédio antigo, todos. Taí uma característica de São Paulo à qual me acostumei. No alto de seus 454 anos, os prédios são modernos, espelhados, enquanto que desde a década de 50, quando da fundação de Brasília, parece que a paisagem da cidade não mudou muito.

Mas não se pode negar o conforto das avenidas largas e do trânsito organizado mesmo com grande volume de carros.

Instalados, resolvemos descansar. À noite, um passeio pelos principais pontos turísticos revelaria mais belezas e novas experiências.

segunda-feira, junho 30, 2008

Au revoir

Este blog estará em recesso até o dia 15 de julho. Fiquem tranqüilos, eu não estou indo para uma clínica de tratamento para depressivos hehe... Apesar dos posts, meus últimos dias não têm sido assim tão ruins, veja só:

Fui assistir Miss Saigon! Os atores cantam, dançam e interpretam maravilhosamente bem, o cenário é lindo, cheio de luzes e efeitos visuais (com direito a fogos de artifício dentro do teatro e projeção perfeita de um helicóptero)... no começo, pra quem não está acostumado a musicais, é um pouco estranho ouvir os atores dando “bom dia” de forma cantada. É até engraçado. Mas você acaba se envolvendo de tal forma com a história dos personagens, que no fim a emoção rola solta de verdade.

Ajudei a idealizar a festa junina mais engraçada em que já estive. Com direito a mesa de guloseimas, fogueira, quadrilha, bandeirinhas (muitas bandeirinhas!) e tudo o mais, só que totalmente exclusiva, entre amigos. Diversão do início ao fim, com o túnel que terminava no fogo, a dança do quadrado coletiva e a despedida do querido Matheuzinho.

Estive também em Jaú, paraíso dos calçados. A viagem é cansativa, são quase 400 km de São Paulo, mas pra quem estava quase zerada de sapatos (meu caso), é uma oportunidade e tanto. São três principais shoppings só de calçados, e batendo muita perna é possível encontrar preços excelentes. Bota de couro cano alto a R$ 95,00 e sapato de salto em couro por R$ 30,00 foram as melhores aquisições.

A partir de amanhã, me encontre em alguma das muitas cachoeiras do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Tipo essa aí da foto. Fui!

sexta-feira, junho 20, 2008

É cada uma...

A Neotix informa que não teve interesse neste serviço, mas, caso a sua empresa tenha, não hesite em entrar em contato com este rapaz.

De: Website - Neotix [mailto:samuelelias01@yahoo.com.br]
Enviada em: quinta-feira, 19 de junho de 2008 15:01
Para: Contato
Assunto: Contato

Nome: Samuel Elias

Telefone: 31 88910352
Área: Outros
E-mail: samuelelias01@yahoo.com.br
Mensagem: Me chamo samuel, solteiro, 28 anos, com perfeita saude física e mental, NÃO TENHO NENHUMA TATUAGEM, e me proponho a fazer uma tatuagem com a logomarca de sua empresa e permitir o uso da minha imagem, por periodo e valor a combinar contratualmente. Aguardo resposta, uma vez que, não havendo interesse por parte dessa empresa, pretendo fazer proposta identica a outras empresas. Grato Samuel 8891-0352

Perfeita saúde física e mental? Ah, tá.

quinta-feira, junho 19, 2008

Guarde esta fachada para nunca entrar neste local

Sendo este um espaço democrático, e tendo eu indicado o estabelecimento há poucos dias (mais precisamente, há três posts), sinto-me na obrigação de alertar os meus leitores sobre o mau atendimento do Tortula, padaria-mercadinho-pizzaria-cervejaria no Brooklin.

Estive lá na noite passada, para comemoração do aniversário de um amigo e, por não ter jantado, pedi um sanduíche (já citado) de salmão, chamado Oslo. Depois de quase meia hora, solicitei ao garçom que verificasse se o sanduíche já estava vindo, visto que não era possível demorar tanto pra montar umas fatias de salmão numa ciabatta com cream chease e alface roxa.

Depois de consultar a cozinha, o garçom (de nome Michel – guarde este nome, foi o pior garçom que já me atendeu na vida) retornou, com a cara mais lavada desse mundo, dizendo que não tinha salmão.

Indignada, perguntei se ele tinha esquecido de anotar o pedido, pois só depois de ter cobrado o sanduíche, ele me avisara disso. Ironicamente, ele respondeu: “eles estavam procurando lá dentro”. Como se demorasse meia hora para alguém descobrir se tem salmão ou não! Achei aquilo um desrespeito enorme, mas, com muita fome, preferi pedir que ele trouxesse então o cardápio, para que eu pudesse fazer outro pedido.

E ele voltou, com o cardápio DE CERVEJAS. Porque lá são duas opções de cardápio: de cervejas e de comida. E o idiota, além de não ter anotado o meu pedido, não teve sequer o cuidado de prestar atenção ao cardápio que ia me levar. Fui até ele, mas como não sou de barraco, só falei um tom mais alto: “VOCÊ SÓ PODE ESTAR DE BRINCADEIRA COMIGO, NÉ??”

Depois de muito desgaste, pedi um hambúrguer com catupiry. Depois de um tempo, chega o sanduíche, GELADO, hambúrguer CRU. De tanta fome, preferi comer mesmo assim. E ainda me fez mal.

Me senti absurdamente desrespeitada neste estabelecimento. Não foi a primeira vez que fui lá, mas com toda certeza foi a última.

terça-feira, junho 17, 2008

Sobre como minha segunda-feira se tornou um dia difícil

Segunda-feira já é um dia estranho... na maioria das vezes, você não descansou o suficiente no final de semana, pelo contrário! Você aproveita os momentos de folga pra encontrar os amigos, tomar umas cervejas, e acaba ficando mais cansado ainda pra começar a semana.

Aí você acorda com o despertador tocando às 06h30, e se lembra que era pra ter ajustado pras 06h10, pra dar tempo de fazer as coisas com calma. Mesmo assim, resolve adiar o martírio por mais 5 minutos.

Antes dos 2 minutos de sono extra, você se lembra que tinha retorno no ortopedista. Como foi esquecer? Bom, então você dá um pulo da cama e corre pra se arrumar... tem que ser alguma roupa confortável, afinal, você tem uma maratona pela frente, porém tem que estar arrumada, pois tem reunião no cliente de tarde.

Você chega no hospital e pega o resultado da ressonância que fez. Diagnóstico: condromalácia patelar nível IV, nos DOIS JOELHOS. Legal, porque agora que você está pegando o ritmo na academia, começando a ver os resultados, você vai ter que parar por causa desses benditos desgastes na cartilagem. Murphy entrando em ação.

O médico recomenda: pare de malhar por dois meses pelo menos. Faça fisioterapia. Bolsa de gelo durante 20 minutos, 3 vezes ao dia. Ah tá, ninguém trabalha, não é mesmo? Aí você fica bem chateada com isso, e vai embora com algumas receitas na mão. Não sabe se para de malhar, se adapta o treino para tratar o joelho, se casa ou compra uma bicicleta. Espera o ônibus a caminho do trabalho passando o maior frio da sua vida, já que - pra variar - você errou na roupa. Ela era confortável, era um mínimo elegante para encontrar o cliente... mas não aquecia, que ótimo!

Chega ao escritório por volta das 09h00 e, ao ir ao banheiro, nota um fio de cabelo branco. Não pode ser! Eu tenho só 23 anos! Bem que meus pais sempre falam: "você é preocupada demais, filha." Aí você resolve achar que não é um fio de cabelo branco, mas sim é um fio que tomou sol e ficou clarinho. E ai de quem discordar!

Já meio arrasada com a condromalácia e com o fio de cabelo, você liga seu computador e nota que há MUITO a fazer. Você tenta loucamente resolver todas as questões pendentes e almoça correndo às 13h30, pois a reunião terá início às 14h00. Aí você sai, e o projeto mais importante da sua vida simplesmente não impressiona.

Tudo bem, ninguém olhou a fundo pra identificar todos os textos que você escreveu sobre os 40 produtos da empresa, e só o que comentam é que uma determinada frase está "tosca" e precisa ser substituída. Você engole seco, e só pensa que seu esforço vai ser recompensado quando o projeto estiver dando resultados fantásticos pra empresa. Deixe estar.

Depois de 4 horas de reunião, você retorna e vê que ainda há muito o que fazer. É uma questão de comprometimento, e, depois de ouvir elogios emocionados do seu chefe, você acaba ficando no trabalho até às 21h30, quando seu santo namorado se oferece para ir te buscar. Nunca uma mexerica e meia hora de papo pareceram tão gratificantes. Parece que as coisas vão melhorar, enfim.

Você chega em casa, arranca a roupa do dia todo e só pensa no seu banho quente. Já está ligando o chuveiro no melhor estilo "hoje eu só quero que o dia termine bem", mas é claro, Murphy surge como uma nuvenzinha acima da sua cabeça, e a água não esquenta. Ótimo!

De toalha, você atravessa a casa, sob um frio de 9 graus (ok, dentro de casa devia estar uns... 10 graus), e finalmente consegue tomar um banho quente e demorado. Não muito, porque a conta de água tem vindo catastrófica, e a de luz também. Só o que importa é que o dia estava chegando ao fim.

Já de pijamas, você janta um macarrão maravilhoso que a sua mãe fez, e pensa que, dentro de poucos minutos, você vai deitar na sua cama, com o seu travesseiro. Tsc tsc tsc. Ledo engano. Você chega no quarto e a sua irmã, como um anjo, dorme na sua cama, porque a dela está bagunçada demais pra servir de cama pra alguém. Você até tenta chamar, mas acaba ficando com dó de tirá-la de baixo das cobertas.

Então, você vai dormir na cama do seu irmão, mais dura que a sua, e num quarto mais frio que o seu. Só que você não consegue desligar a cabeça e fica pensando em tudo o que aconteceu no dia. Então, resolve ligar o rádio bem baixinho, até pegar no sono.

sexta-feira, junho 06, 2008

Trocadilho infame do meu pai na noite de ontem

Oi, George! O Ringo Starr?
Não, ele foi Paul McCartney no correio.
Pra quem?
Pro John!
Mas o John não sabe Lennon!

Digna de Túlio essa, hein? Tsc, tsc, tsc.

terça-feira, maio 27, 2008

Overdose gastronômica

Menu do feriado (aconselho não ler se estiver com fome):
Quarta-feira
Paprika de filet para comemorar o aniversário da mamis. Filet mignon grelhado com molho paprika e knödel. No Jucalemão: Rua Nhu-Guaçú, 303 - Aeroporto - Tel: 5531-4747

Quinta-feira
Sobremesa com dois maravilhosos doces (trufa E mousse, sim, acreditem!) na Bella Paulista. É bem difícil que alguém não conheça. Rua Haddock Lobo, 354 - Centro - Tel: 3214-3347

Sexta-feira
A boa e velha pizza, prato comum às sextas-feiras, com borda recheada de catupiry. Com direito a brigadeiro autoral de sobremesa. Na pizzaria mais próxima da sua casa :)

Sábado
No almoço, camarão ao catupiry na moranga (esse é da mamis, qualquer hora passo a receita). No jantar, uma visita ao Tortula para comemorar o aniversário do PH apreciando porções de bolinho de mandioca, o d-e-l-i-c-i-o-s-o sanduíche Oslo (salmão defumado, cream cheese, alface roxa, limão e pimenta do reino na ciabatta) e, como não poderia deixar de ser, o melhor mousse de chocolate da cidade. Av. Santo Amaro, 4371, esquina com R. Bernardino de Campos - Brooklin. Tel: 5041-6680

Domingo
Pernil de carneiro com batatas e brócolis na Cantina Montecchiaro. Dá pra cortar a carne com colher, de tão macia, e serve 3 pessoas com muita fome. Rua Santo Antônio, 844 - Bexiga - ao lado da 13 de maio. Tel.: (11) 3257-4032

Peço desculpas públicas ao meu aparelho digestivo por tamanha gula :P

sexta-feira, maio 23, 2008

Teatro

Para assistir durante a semana...

Todas as quintas-feiras, no teatro Bibi Ferreira, está em cartaz a peça "Intimidades.com", monólogo humorístico com o ator baiano Renato Piaba. Piaba fez uma pesquisa na internet com homens e mulheres, buscando informações sobre as intimidades de cada um, e descobriu coisas interessantes, como os tipos de beijo que os homens gostam, ou a forma com que as mulheres se comunicam secretamente com os olhares....

Tudo isso é mostrado na peça de uma forma engraçadíssima, com o ator interagindo com o público (tirando onda com absolutamente todas as pessoas) e com uma tela de plasma, em que dois repórteres se alternam fazendo perguntas. Pra dar muita risada com coisas bobas, é uma boa pedida.

Intimidades.com
Teatro Bibi Ferreira
Todas as quintas às 21h - até 31 de julho
Av. Brigadeiro Luis Antônio, 931 - Bela Vista
Tel: (11) 3105-3129

§§

Para assistir aos finais de semana...

Quem gosta de teatro já ouviu falar na Oficina dos Menestréis. Mesmo que não tenha assistido nada, já leu por aí a respeito dos musicais que eles promovem. A Oficina é, na verdade, um curso de teatro, dividido em grupos (há cursos para cadeirantes, pessoas da terceira idade, jovens, etc). Ao final do curso, os alunos apresentam um dos musicais do grupo (conheça os musicais aqui).

Até o dia 1º de junho, está em cartaz o musical "Friks". Com um elenco numeroso (e muito entrosado, diga-se de passagem), a peça fala de emoções humanas. Seja o dia-a-dia estressante no trabalho, um momento de depressão, ou a emoção de uma partida do seu time. Com uma talentosa banda ao vivo, o espetáculo realmente mexe com os sentimentos. Ah sim, e o caipirinha apaixonado é meu amigo Fabrício Teixeira, que estréia como ator em grande estilo. :)

Friks
Teatro Dias Gomes
Rua: Domingos de Moraes, 348
Sábados, às 21h; domingos, às 20h
Tel: (11) 5575-7472

terça-feira, maio 20, 2008

Mês do jumento

Porque tem épocas em que a gente se sente feito o jumento dos Saltimbancos.

O pão, a farinha, feijão, carne seca
Quem é que carrega?
Hi-ho

O pão, a farinha, o feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
Quem é que carrega?
Hi-ho

O pão, a farinha, feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
A areia, o cimento, o tijolo, a pedreira
Quem é que carrega?
Hi-ho

A jumenta está carregando os pães, limões e areias de muita gente.

Mas quando a carcaça ameaça rachar
Que coices
Que coices
Que coices que dá.

Antes de sair dando coice, tente acreditar: TODO ESFORÇO SERÁ RECOMPENSADO.

Não estou pregando nada, gente, não é auto-ajuda. É pra mim mesma isso.

quinta-feira, maio 15, 2008

Dica

Mesmo nestes dias de friozinho gostoso, quando você reluta pra sair da cama e pega a primeira blusinha-velha-quente-de-manga-comprida pra colocar por baixo das trocentas blusas de lã e jaquetas que você vai vestir, pense bem.

O tempo pode virar totalmente e você vai passar o dia suando feito uma porca. Ou, se conforto for uma prioridade na sua vida, você vai passar o dia desfilando por aí com uma blusa horrenda, talvez manchada, quem sabe até furada, veja só!

A situação pode se complicar ainda mais se o seu chefe te chamar para uma reunião de última hora. Neste caso, o conforto vai ser deixado de lado, você vai colocar a blusa de lã por cima e torcer para o seu novo cliente ter uma sala de reunião com ar-condicionado, e ainda: torcer para que o ar esteja ligado em temperatura glacial.

Um dia eu aprendo.

segunda-feira, maio 12, 2008

Pari(mos) um novo filho

Revista Company 25 anos no formato NeoReader

Se você já precisou fazer um trabalho acadêmico, provavelmente passou pela situação de encontrar várias publicações na internet, mas não saber ao certo qual a sua procedência. Dá um medinho de fazer citações a autores-fantasma, ou de ler uma grande bobagem bem escrita que engana qualquer um, menos o professor que vai avaliar o seu trabalho.

Se você já precisou apresentar algum texto ou portfólio a alguém, pode ser que tenha encontrado dificuldades em enviar arquivos muito pesados por email. Ah! Pode ser também que você tenha escrito um livro, um conto, poemas ou até um gibi, mas nunca tenha tido um espaço para mostrar este material para as pessoas.

Foi pensando nisso que a Neotix criou o NeoReader, um portal para publicação e compartilhamento de arquivos. Para se cadastrar é muito simples: basta inserir seu nome e e-mail, e começar a publicar. As pessoas cadastradas podem personalizar a página inicial, nomeando as caixinhas conforme os assuntos de seu interesse. Assim, ela é avisada sobre novas publicações com o assunto desejado.

A versão beta do portal entrou no ar na semana passada, e já conta com centenas de publicações. Esta blogueira que vos fala foi a responsável por todos os textos do site, e aproveitou para criar também um novo blog. Lá, eu falo sobre dicas de uso e conto todas as novidades sobre o projeto!

sexta-feira, maio 09, 2008

Bernardo e sua musa

Bernardo tem 19 anos. Parece menos, quando se olha pra ele. Parece mais, quando se começa a conversar. Acostumado a ajudar em casa desde pequeno, tem uma maturidade incomum aos garotos de sua idade.

É um menino romântico. Pouco se importa com as atrizes pornôs que seus colegas cismam em mostrar a ele. Porque ele quer um amor de verdade. Apesar da pouca idade, ele prefere escolher uma só menina e se dedicar a ela.

Foi assim no amor platônico que nutriu pela filha de seu chefe. Conheceram-se na internet, e mesmo sabendo do abismo que havia entre eles, e do risco de perder o emprego, ele insistiu. E ela dava bola, do tipo que sabe que é bonita. Mas eram muitas as diferenças, e a qualquer momento o chefe poderia descobrir e acabar com a vida dele. Não deu certo.

E foi na estação de metrô que ele nomeou sua nova musa. A menina aparentava ter a mesma idade dele. Linda, cabelos castanhos caídos nos ombros, olhos verdes. Cruzaram-se alguns dias, ele a caminho do curso, ela provavelmente a caminho da faculdade, porque levava sempre muitos livros, e ele tinha vontade de pedir pra ajudar a carregá-los.

Passadas duas semanas, depois de se cruzarem diversas vezes na mesma estação, Bernardo teve uma idéia: havia trocado de celular naquela semana e, na ocasião, portava o novo e o antigo. Resolveu entregar a ela o antigo, com a desculpa de que ligaria mais tarde para conversarem. Tomou coragem e foi até a garota que, sem falar nada, pegou o celular e seguiu seu caminho.

Um pouco aliviado por ter feito tudo conforme o planejado, mas ainda sem saber o que na verdade a menina tinha achado, Bernardo desceu em sua estação e foi para a fila do ônibus. Pegou o celular novo nas mãos, estudando a melhor abordagem, a hora certa de ligar... Iria propor um almoço? Um cinema? Não sabia ao certo.

Foi quando uma nuvem pairou sobre a sua cabeça. Como naqueles desenhos, em que você anda e a nuvenzinha acompanha, e todo o restante está ensolarado e só você está nublado e os pensamentos se misturam e sua visão fica embaçada...

Naquela hora ele se lembrou que NÃO HAVIA LIGADO O CELULAR!

Ou seja, se houvesse alguma possibilidade de a menina querer falar com ele, ela não conseguiria, porque o celular exigiria uma senha para ser habilitado e, obviamente, ela não sabia esta senha! E, pra completar, com o final de seu curso ele não poderia mais sair naquele horário em que se cruzavam.

Sentiu-se um completo idiota. Como poderia ter esquecido esse detalhe tão importante? Pensara em tudo, a forma de falar, a roupa que estava vestindo, a abordagem... Mas esquecera do principal.

Perdera a garota e o celular.

quinta-feira, maio 08, 2008

Fordunço cultural

Eu era uma das espremidas aí no meio.

Eram muitos os locais em que iriam acontecer as apresentações da Virada Cultural, por isso optei pela região central, pois os principais shows seriam por lá. Vários palcos, cada um com um tema, traziam artistas de todo tipo e todo Brasil.

No primeiro horário, precisava escolher: Mariana Aydar ou Dona Inah? Confesso que a primeira faz mais o meu tipo, mas, como paramos perto do Largo de Santa Efigênia, acabei assistindo à apresentação da sambista, convidada da comunidade Samba da Vela. Como estava no início do evento, a pista ainda estava vazia, o que me permitiu sambar e cantar horrores... Adorei.

Eram mais de 19h quando deixei o Palco dos Bambas, em direção ao Pateo do Colégio. Talvez desse tempo de pegar alguma coisa do Mundo Livre S/A, não fosse a pouca noção do centro que tinha, somada à falta de orientação dos policiais que tentaram me auxiliar. Resultado: cheguei ao palco Bandas Independentes na contramão de centenas de pessoas, que deixavam o show. Mas peguei o Vanguart, grupo folk de Cuiabá, que estava animadíssimo e demonstrou muita qualidade musical.

Terminado o Vanguart, passei pela pista de reggae, onde o rastafári Sine Calmon começava sua apresentação. Centenas de regueiros se amontoavam para ver o músico, que já foi muito criticado por sua postura religiosa em relação à música. Arrumei um lugar bacana na lateral, e vi o show inteiro.

Depois disso, corri para tentar pegar alguma coisa do show da Gal, que acontecia no palco São João. Que sorte! Consegui escutar as duas últimas músicas, e senti que talvez não precisasse ter ouvido mais que isso. Foi lindo participar de um coro de milhares de pessoas cantando “Trem das Onze”, e do final emocionante com “Sampa”.

Daí, era escolher: assistir Marina De La Riva na Rio Branco, enfrentar uma fila para tentar assistir Sá, Rodrix e Guarabyra, ou ficar por lá mesmo e aguardar o Zé Ramalho. Como muitas pessoas saíam do local, preferi ficar por lá mesmo, e me posicionei perto do palco. Mal sabia eu que, em poucos minutos, o lugar se transformaria num inferno.

Se não foi o momento mais claustrofóbico da minha vida, foi um dos três mais. Faltando meia hora para o show, muitas e muitas pessoas queriam se aproximar do palco, causando um empurra-empurra que me fez sentir como uma porta giratória de banco. Está rindo? É porque você não sabe o que eu passei. De rasteirinha ainda, meu Deus! Será que eu não aprendo nunca?

Muitos pisões e empurrões depois, decidi sair dali. Caminhei muito lentamente, até que cheguei a um local em que pelo menos dava pra respirar com tranqüilidade. Ou melhor, mais ou menos, porque era próximo aos banheiros químicos e, por mais que se quisesse respirar, o odor não era dos melhores.

Enfim, assisti (ops, escutei) ao show do Zé Ramalho de lá mesmo, assustada com os moradores de rua que escalavam os banheiros químicos e quase os derrubavam. Medo, muito medo. Tanto que sequer cogitei esperar os Mutantes às 3h da matina, e fui embora assim que Zé Ramalho finalizou.

No domingão, mesmo com várias opções bacanésimas para assistir (não queria ter perdido Cachorro Grande e Arnaldo Antunes, buá), não tive ânimo pra voltar pro centro. A noite anterior fora extremamente desgastante. Preferi sentar no Bar do Peixe com as amigas e apreciar patinhas de camarão e porções de cação regadas a uma cerveja bem gelada. Juro que não me arrependi.

(Foto: Marcus Desimoni - Uol)

terça-feira, maio 06, 2008

Quase duas semanas depois...

Os leitores mais assíduos devem estar se perguntando: mas que diabos aconteceu com essa menina? É, eu realmente fiquei um bom tempo sem postar, mas espero que vocês não tenham desistido de mim hehe.

Fiquei devendo um retorno sobre o final de semana mais cultural de todos os tempos, certo? Pois, de início, saibam que eu não consegui fazer tudo o que queria. Acabou não sendo o final de semana mais cultural de todos os tempos. Hunf.

Bom, comecemos pela sexta-feira:

Estivemos no Sky Live Multimídia, um evento patrocinado pela TV por assinatura Sky que tinha como objetivo mostrar diversas formas de interação entre música e imagem. Por isso, o Espaço das Américas foi equipado com diversas instalações, como um totem que mesclava imagens de celebridades e partes do corpo de pessoas que se deixavam filmar; um lounge (foto), em que se podia interagir com as projeções que desciam nos tecidos; e a oficina de VJ, onde pessoas aprendiam os princípios de um software de mixagem de imagens.

As atrações musicais foram o coletivo Embolex, formado por 5 integrantes (entre produtores musicais e VJs) e que contou com a participação do MC Gaspar. Não se pode negar a qualidade musical do grupo, mas confesso que não me surpreendeu. Eu sabia que o melhor ainda estava por vir.

Em seguida, tocou durante apenas meia hora o brasileiro Nepz, que despertou diferentes sensações ao mixar batidas do hip hop e elementos do jazz, além, é claro, da fusão entre imagem e som.

Pontualmente às 23h30, conforme o line-up, os britânicos do Addictive TV (que eu já tinha visto no Skol Beats do ano passado e foi fantástico) subiram ao palco. Macaquinhos levantavam placas no telão, dizendo: "Olá, São Paulo! Somos o Addictive TV", e os poucos presentes se animaram ainda mais. Poucos mesmo.

Apesar de o som ter falhado algumas vezes (para indignação de Graham Daniels e Nick Clark), a apresentação fez bastante sucesso entre os presentes, com mixagens de filmes como "O Gordo e o Magro" e "Cães de Aluguel", além de clipes do Queen e imagens de Vinícius de Moraes. Tudo isso regado a muita batida eletrônica. Não é à toa que são considerados os mestres na modalidade DVJ (disco and video jockey).

(Foto: Paulo Henrique Schneider. Mais aqui)