segunda-feira, maio 28, 2007

Três momentos de Yamandú

4 de março de 2004

Abertura do Festival Cultura Inglesa. Resolvi conhecer de perto o trabalho do violonista gaúcho Yamandú Costa, que já tinha visto em programas na televisão e me surpreendido com a agilidade nos dedilhados e com seu jeito rápido e até agressivo de tocar. A apresentação contou com a participação de outro violonista, o Alessandro Penezzi, que fez um duo com Yamandú em algumas músicas.
Yamandú Costa usava calças brancas de algodão, alpargatas também brancas e camisa larga. Levava um xale de pashmina colorido, que ia jogando pro lado pra não cair em cima de seu violão. “Não liguem para o meu jeito, é que me deram um Lexotan antes de entrar”. E assim começou sua apresentação.
Fiquei atordoada com tanta velocidade e mobilidade nas mãos. O músico consegue passar a impressão de que toca três instrumentos ao mesmo tempo, tamanha a rapidez com que toca suas belas canções. Fiquei chocada, no bom sentido. Me ganhou como fã na mesma hora.

17 de março de 2007
Três anos depois, fico sabendo de uma apresentação no Auditório do Ibirapuera (conhecido como Espaço Tim ou “triângulo do Niemeyer”). A dupla dessa vez seria o bandolinista Hamilton de Holanda*, que nasceu no Rio, mas mora em Brasília desde a infância, quando começou a tocar violino por falta de professores de bandolim.
A dupla tocou alguns dos sucessos de Yamandú – dentre os quais, elejo “Mariana” como a mais bonita melodia –, um pouco do trabalho belíssimo de Hamilton – posso destacar “Meiga” que me arrepiou – e também algumas releituras de canções conhecidas.
Vou pular a parte em que dois caras tiveram a capacidade de arrumar briga na platéia bem atrás de mim, porque as músicas estavam tão lindas e a harmonia entre os dois músicos era tanta, que eu consegui nem ficar brava com a situação.
“Vocês vão sair daqui cheios de notas na cabeça”, finalizou Yamandú, sem abrir mão de seu figurino habitual. Saí de lá, alguns meses se passaram, e eu continuo cheia de notas, melodias e lembranças daquela apresentação memorável. Veja por que:



“Meiga”, como não podia deixar de ser:


15 de maio de 2007
Leio no UOL que Yamandú acabara de lançar pela Biscoito Fino um CD em parceria com Dominguinhos. “Uau, essa promete”, pensei. Chequei a lista de músicas, composta por canções já conhecidas – como “Wave”, de Tom Jobim, e “João e Maria”, de Chico Buarque –, e outros sucessos.
Não deu outra, o álbum é maravilhoso.
A harmonia entre o violão de Yamandú e a sanfona de Dominguinhos, e a versatilidade de ambos os instrumentistas, permitiu uma grande flexibilidade entre os estilos, caminhando do forró à bossa nova. Pra ficar perfeito só falta uma apresentação ao vivo.

* Hamilton recebeu recentemente o prêmio Tim de Música como melhor solista instrumental.

quinta-feira, maio 17, 2007

O dia em que levei meu pai pra conhecer seus ídolos

"Hoje você conheceu um pouco mais sobre o seu pai. Foi meu dia de glória". E a filha ganhou o dia.









Chegaram à estação São Bento por volta das 12h30. Pai com o disco do Premeditando o Breque na mão, filha com o do Língua de Trapo. "Vou ver se eles assinam", ele disse. E a menina não sabia nem o que falar. Esteve no mesmo local, no dia anterior, e a experiência com o show do Teatro Mágico e milhares de pessoas se apertando fez com que ela quase tentasse impedi-lo de levar os discos. Mas havia de ser diferente, e ela prometeu a si mesma que faria o impossível para conseguir os autógrafos.

O Premê tinha entrado às 12h00, e para alegria de pai e filha o Boulevard São João não tinha um vigésimo do público do dia anterior. A voz de Wandi, já conhecida por suas diversas participações em trilhas dos programas da Tv Cultura, gritava: "Que legal!" Era Fim de semana, uma das únicas músicas que a filha conhecia do grupo. O som animado, com instrumentos de corda tocados com perfeição pelo Manga, o Claus ("esse cara sempre foi boa pinta") tocando flauta e o Marcelo, alternando teclado e cavaquinho, fizeram o público (quarentão, diga-se de passagem) vibrar.

Seguiram com seu estilo humorístico, com músicas como Jacaré também é gente - marchinha de carnaval versão reggae -, Pinga com limão e a engraçadíssima versão da música Give it away, do Red Hot Chilli Peppers ("a gente fez uma música, mas sabe como é né, passaram uns gringos aí e levaram embora).

O pai lá, levantando a capa do disco, balançando de um lado para o outro como quem diz: "olha eu aqui! Fã das antigas!". Foi quando Wandi, com seu jeito característico, anunciou: "estão vendo este disco que está na mão do nosso amigo? Nós vamos cantar uma música deste disco! Em show tem sempre aquela coisa de pedirem pra tocar um sucesso, sabe? E pra gente é fácil, a gente só tem um!"

E começaram a tocar a bela São Paulo, São Paulo, que inclusive foi eleita uma das três músicas que melhor representam a cidade. O pai ficou eufórico, eles o tinham notado! E a filha já se preparou para correr para o camarim assim que o show acabasse.

Um a um, foram descendo do palco e entrando no camarim. Pai e filha ansiosos, vinil e caneta na mão. Wandi caminha em sua direção, o pai acena. “Rapaz, mas você me aparece com esta relíquia!” Todos assinam e agradecem o apoio e a admiração do pai. A filha o abraça, sensação de missão cumprida.

Mais um show estava pra começar. Virada Cultural é assim mesmo, gente. É coisa boa atrás de coisa boa. E os dois se posicionaram em frente ao palco, pra poder ver o Língua de Trapo bem de perto.

Com um humor mais crítico, e sem alguns dos integrantes da formação original, o Língua subiu ao palco liderado por Laert. “Olha, é esse aqui”, disse o pai, mostrando a contracapa do vinil.

E o outro show surpreende da mesma forma. “Nossa pai, hoje em dia não vejo nenhuma banda que faça músicas assim, criticando a sociedade”. E o grupo não se resume a criticar, a satirizar: todos os músicos são muito bons. E eram muitos! O palco literalmente “ficou pequeno” pra banda, que, muito afinada e ensaiada, tocou os sucessos do “Disco azul” (de 1982, foto), o primeiro dos sete que lançaram em toda a carreira.

Entre uma música e outra, o pai levantava o vinil, e Laert anunciava: “essas são as músicas de nosso Disco Azul, esse aí, na mão do nosso amigo”. E a galera aplaudia. Ao final do show, mais autógrafos.

“Foi meu dia de fama e de glória”, o pai disse. E, mesmo com dor de garganta, chamou a filha pra tomar uma cerveja: “os caras merecem”.

Merecem.

segunda-feira, maio 07, 2007

eletrônico pra todos os gostos

Pista vazia, que delícia. Por P.H.

Saí do trabalho na sexta-feira crente que ia pra casa dormir. Nem na natação eu fui, pra não forçar o pescoço que sofrera uma lesão no dia anterior. No ponto de ônibus, e o celular toca:

- Amor, consegui um VIP pra você, quer ir no Skol hoje?
- Humm. Quero.

Saí de casa sem saber direito quem ia tocar, o que ia acontecer... e acabou que foi bom, viu? um megaevento muito bem organizado, com quatro pistas (ok, você tinha que andar uns 2km de uma a outra, mas tudo bem), decoração com temática oriental e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Consegui assistir inteira a apresentação do Addictive TV, que foi o melhor da noite na minha opinião. A dupla inglesa realizou a perfeita integração entre música e imagem, mesclando clipes do Queen, imagens de filmes como Kill Bill e Cidade de Deus e batidas marcantes com melodias atmosféricas.

Tive a oportunidade de conhecer também um pouco do trabalho do DJ Afrika Bambaataa, o precursor do hip-hop que tocou ao lado de dois MC's (não é o estilo de música que mais me agrada, mas valeu como experiência). E também assisti o Gui Boratto tocando guitarra, o grupo Sugardaddy com vocal, bateria e baixo ao vivo e o Nathan Fake com seu eletrônico melancólico.

Teria sido o suficiente chegar em casa às 07h30 de sábado. E não foi. Acordei às 18h00, pronta para participar dos dois dias da virada cultural. Mas isso fica pra outro post, que agora tenho mais o que fazer.

sábado, maio 05, 2007

Gui Boratto mostra trabalho conceitual com solo de guitarra

Direto do Skol Beats

Por volta das 2h30 da manhã, o Skol Live Stage recebeu as primeiras melodias da música de Gui Boratto. Com um live que mistura techno, minimal e electro, o paulistano agitou a pista principal, atraindo cada vez mais participantes para o espaço, até então relativamente vazio.

Os momentos de maior empolgação começaram quando Gui pegou a guitarra e os primeiros acordes soaram. Durante quase uma hora, o músico, compositor e produtor provou por que está sendo cada vez mais respeitado na cena eletrônica nacional.

sábado, abril 28, 2007

desconfiança crônica

Sabe quando você escuta uma fita com a sua voz, e parece que não é você quem está falando?

Tenho essa sensação com os textos, também. Aquilo que escrevo, quando vou ler um tempo depois me parece estranho, parece que não fui eu quem escreveu aquilo.

É uma sensação meio de "nossa, que nada a ver isso".

Se leio novamente algo que alguém escreveu há dias ou semanas, parece que não reconheço como sendo a pessoa também. Será que tem a ver com o fato de, ultimamente, eu conviver com a sensação de que não conheço mais as pessoas?

quinta-feira, abril 26, 2007

A sua parte

Todo mundo sabe que o mundo está próximo do fim. A partir do momento em que o homem colocou a sua individualidade acima do bem comum, o nosso planeta começou a morrer aos poucos. E vieram as guerras, e a poluição, e as desgraças.

As abelhas, que vieram à Terra para ensinar aos homens como viver em sociedade, estão nos deixando. Não há mais flores puras para elas, o homem não aprende a viver em sociedade, e então elas estão desistindo de viver e diminuindo suas colméias progressivamente. A cada ano, milhares de espécies de plantas e animais são extintas.

Originalmente, a Terra possuía um total equilíbrio energético. Com a evolução do homem, entretanto, esse equilíbrio passou a dar lugar ao caos, e, como já podemos ver, o planeta se manifesta contra a humanidade. E contra a pacha mama, meu bem, não podemos ir. Não por muito tempo. Segundo o Trigueirinho, o planeta já passou por este desequilíbrio outras três vezes, desde o surgimento do universo. Nas três, acabou tudo, para depois recomeçar do zero.

Ou seja, pode esperar que logo mais o mundo acaba de vez. Dizem que vai ser por volta de 2080. Muito provavelmente, você que está lendo este texto não estará vivo até lá. Mas por favor, não tome isso como um foda-se. Faça a sua parte. Você não é somente este corpo físico. O seu corpo espiritual precisa passar por uma série de evoluções, e é por isso que você morre e reencarna como uma outra pessoa: para evoluir!

Portanto, se você consegue deitar a cabeça no travesseiro com a certeza de que a sua parte está sendo feita, ótimo. Com ou sem planeta, sua alma estará em paz.

segunda-feira, abril 23, 2007

Paul van Dyk finalmente no Brasil

PvD e sua parafernalha. Por P.H. Schneider


Depois de freqüentar durante anos festas super bem organizadas como a XXXperience, com direito a amendoins, sofás e cadeira de massagem no backstage, acho que fiquei um pouco chata com relação a eventos.
O alemão Paul van Dyk, considerado durante dois anos consecutivos o melhor DJ do mundo, chegou a marcar apresentações em todo o Brasil no mês passado, mas devido a problemas de pagamento acabou não vindo para nenhuma.
Um tempinho depois, aparece a confirmação de uma apresentação única de PvD... em São Bernardo do Campo. Nada contra a cidade, mas o local escolhido - o Espaço Anchieta - foi o pior possível.
Eram três pistas de dança, incluindo a principal, uma menor e outra que funcionava dentro do espaço considerado "camarote". Acontece que o lugar era pequeno demais para comportar três pistas, e o som se misturava o tempo todo. As caixas de som eram poucas, e dava pra conversar sem muito esforço mesmo estando literalmente "na grade", a poucos metros do DJ.
Paul entrou por volta das 2h30, depois de um long set de electro house ministrado por Edgard Fontes. Encontrou sua mesa de equipamentos totalmente montada, com três sintetizadores e três notebooks. Eu estava só imaginando o que ia sair daquele equipamento todo.
E foi bom, sabe? Acho que a expectativa de ver o melhor do mundo era grande, talvez grande demais, mas mesmo assim ele agradou. Não dá pra negar a versatilidade e o talento do alemão, que realiza uma seqüência musical com altos e baixos e influências de diversas vertentes da música eletrônica.
Melodias típicas do trance, de vez em quando um breakbeat e um pouco de electro house...
Mas quando começava os trechos "panela de pressão", eu pude ratificar que não sou chegada em techno. O que ele toca pode ser chamado de "tech trance", e definitivamente não é o tipo de som que faz minha cabeça.
A "techneira" me fez lembrar dos tempos de adolescente, quando frequentava as baladinhas da Vila Olímpia. O público do show, aliás, também remetia a isto. Bombados e patricinhas desfilavam pelo Espaço Anchieta, fazendo com que eu me sentisse um tanto quanto deslocada.
Paul van Dyk veio, tocou e agradou. Eu gostei da oportunidade, já que a "estrela" não deve voltar tão cedo ao solo tupiniquim. Mark Team Pro, vocês conseguiram, trouxeram o cara. Mas pelamordedeus, o público e o DJ mereciam um pouco mais de respeito.

terça-feira, abril 17, 2007

10 coisas que eu odeio em mim

1. ODEIO ser impulsiva.
2. ODEIO ser chorona.
3. ODEIO ser briguenta.
4. ODEIO ser ansiosa.
5. ODEIO ser distraída.
6. ODEIO ser insegura.
7. ODEIO ser mandona.
8. ODEIO me preocupar demais com o que os outros vão pensar.
9. ODEIO esperar dos outros o que eu faria por eles.
10. ODEIO, mais do que tudo, ser perdida. Não ter nenhum senso de direção.

Mas eu me amo, gente. Acreditem.

segunda-feira, abril 16, 2007

EU sou outro VOCÊ. Respect!

Imagine-se no final da década de 80, em Goa, Índia. Um extenso gramado com panos psicodélicos pendurados, enfeites, tendas e, à frente, uma cabine em formato de chapéu de bruxa. À direita, um lago iluminado com lâmpadas coloridas. Do outro lado, artesãos expõem seus trabalhos aos visitantes.

Com bastante espaço livre para dançar, as pessoas iam chegando conforme o cair da tarde, e armavam suas barracas no gramado próximo à entrada. Quem comandava a música era o Dj Swarup, e a lista de artistas que iria se apresentar já anunciava a proposta diferente que este encontro trazia.

Pois é. Neste sábado, foi possível presenciar um encontro que remeteu às antigas celebrações de música eletrônica de Goa, onde poucas pessoas se reuniam em nome da união, do respeito e da paz.

A Respect, que aconteceu em Embu-Guaçu, é o tipo de festa que não pode deixar de existir. Um encontro onde as pessoas podem acampar sem medo, com espaço o suficiente para dançar e artistas que só aparecem nos maiores festivais do mundo, mas que no Brasil são vetados por não atraírem milhares de pessoas.

Nenhum DJ considerado da veia “comercial” das festas foi incluso no line-up, dando lugar a alguns dos responsáveis pela disseminação da cultura psicodélica no Brasil, como Thomas (Daime Tribe) e Chicodélico (Flip Out). Thomas, aliás, foi quem projetou a decoração extremamente psicodélica do lugar.

O “dark”, estilo de trance mais acelerado (chega a atingir mais de 160 batidas por minuto) predominou na festa, agradando a quem realmente aprecia as origens da música eletrônica psicodélica e causando certo temor àqueles que não estão acostumados. Extremamente ruidoso, o dark originou o que hoje se chama psy trance (ou trance psicodélico), e não deve ser excluído das festas, mas sim, valorizado. As pessoas que hoje dançam ao som de músicas eletrônicas precisam saber de onde tudo isso veio!

E não foi apenas na música que a festa inovou: as intervenções artísticas nortearam todo o evento, com a participação dos grupos Lumiar, Companhia Teatral Manicômicos e Biolumini, que realizou apresentações de malabares com fogo e luz e encantou a noite.

Estes fatos fizeram da Respect uma das melhores festas em que já estive. Soma-se a isso o fato de estar ao lado de uns trinta amigos, e comemorando o aniversário da minha melhor amiga... Foi tanta felicidade que hoje dá até um vazio.

O fim de semana foi especial, encontrei pessoas queridas, matei a saudade de outras, conversei, dancei. Mas principalmente, estou feliz por descobrir que, no Brasil, existem pessoas que respeitam e valorizam a verdadeira essência das festas rave. Ainda há esperança, afinal.

Foto por P.H. Schneider

quinta-feira, abril 12, 2007

NeoFriends

Felipão já dizia que toda equipe, pra dar certo, deve ser encarada como uma família. Há cerca de um ano, pela primeira vez, consegui encontrar esta teoria aplicada a um ambiente de trabalho.

Em 5 de abril de 2006, começava a minha história na Neotix, agência web onde passei a conviver com alguns dos melhores profissionais de internet do Brasil. Este ano voou, mas se parar pra pensar na quantidade de projetos realizados, conhecimento aprendido, troca de experiências e amizade... Realmente, neste primeiro ano de Neotix já tenho muita história pra contar.

É incrível poder fazer parte de uma equipe de amigos de verdade, que se ajudam e se respeitam, buscando sempre o melhor para a empresa. Incrível poder ter o exemplo do chefe que orienta e ensina como um professor, mas sem a autoridade de um superior, pelo contrário! Com a igualdade de um amigo.

Aqui, são todos iguais. Todos juntos em nome desta família que é a Neotix. E é por isso que o sucesso dos projetos é cada vez maior. Por isso, meninos, que eu adoro e admiro cada um de vocês, de coração.

Obrigada por tudo.

quarta-feira, abril 04, 2007

O belo e a fera

Na balada, meu irmão Ricardo... o da direita dispensa apresentações.

Êta buniteza!

O caos mora em São Paulo

Minha família, na noite de ontem:

- Meu pai pega metrô, sorte. Chegou em casa praticamente no tempo normal, e encontrou minha irmã em casa com medo (no escuro).

- Minha irmã estava em casa, sorte. Porém, assistiu a cenas de horror, como a tela da nossa janela se despregando da parede e a minha tia ligando pra avisar que o maior vaso dela - o qual possuía uma árvore plantada - rodopiou no ar e se estilhaçou no chão.

- Minha mãe teve a infeliz idéia de ir ao supermercado, azar. Duas árvores caíram na rua do supermercado, e mais três na avenida Indianópolis, caminho de casa. Resultado: ficou mais de duas horas para percorrer um trajeto que demoraria no máximo 20 minutos (com trânsito).

- Eu. Não acabou a luz no escritório, sorte. Cheguei no ponto de ônibus por volta das 18h30 e consegui pegar o primeiro "Metrô São Judas", que passou às 18h50. Fui em pé, no ônibus lotado, e pude sentir que "por mais triste que seja a sua situação, sempre pode haver algo pra piorar". Subiu uma senhora no ônibus e perguntou: "motorista, quanto tempo até o São Judas?" E ele: "só Deus sabe, senhora. Com todos os faróis do caminho apagados e árvores caídas na Indianópolis!" Ótimo. Vi mesmo que estava demorando muito pra chegar até a Santo Amaro. Todos os faróis estavam realmente apagados, e a cidade, um caos. Pra variar.

Em meio ao empurra-empurra, consegui visualizar o ônibus "Metrô Conceição" passando ao lado do que eu estava. Vazio, nossa. Como uma miragem. A esse ponto eu nem sei mais qual a minha referência do que é ter sorte, mas sei que pulei do São Judas e consegui alcançar o Conceição, que estava à frente. Claro, com tudo parado dava pra eu ir engatinhando que conseguiria alcançar.

Cheguei no ponto perto da minha casa às 20h19, e meu pai foi me encontrar no ponto porque estava tudo realmente muito escuro. E essa Pedro Bueno à noite, bem, eu já sei como é.

Só depois me dei conta de que fiz a melhor coisa do mundo.... o São Judas pegaria simplesmente as avenidas que estavam em maior caos: BANDEIRANTES (nóóssa), WASHINGTON LUÍS (sim, na altura do Aeroporto) e INDIANÓPOLIS (a das árvores caídas).

Ao final da noite, só conseguia pensar em "que bom, estamos todos em casa", e mais uma vez articular meus planos de fugir daqui o mais rápido possível.

Sorte do meu irmão que está bem longe. Ontem, enquanto estávamos todos apavorados, ele curtia uma balada. Encheu a lata e tirou uma foto com o Ronaldinho Gaúcho.

Apalpa o terreno que eu tô indo, Ri!

quinta-feira, março 29, 2007

A banda antiga mais nova em minha vida

Ok, desde que comecei a entender que o mundo é mundo escuto meu pai falando dos Scorpions. Mas até o dia de hoje, confesso que nunca tinha parado pra prestar atenção neste grupo alemão, que pelo que li já está na estrada há mais de quarenta anos.

Meu amigo roqueiro-metaleiro-bate-cabeça Elcio, como sabe que o rock corre em minhas veias (rsrsrs literalmente, levando-se em conta o gosto musical do meu pai), resolveu me apresentar alguns cds do grupo, e eu, como não sou boa pra guardar nomes de bandas nem de músicas, fiquei pasma em saber que alguns dos clássicos que sempre escutei são deles.

Músicas como "Wind of change", "Still loving you" e "Hurricane 2001" são apenas alguns dos sucessos do Scorpions, cujo estilo foi definido como "Traditional Heavy Metal/Hard Rock". As canções melódicas e fortes foram a trilha sonora do meu dia, e serviram de pano de fundo (totalmente pertinente) para momentos de reflexão.

The world is closing in
Did you ever think
That we could be so close, like brothers
The future's in the air
I can feel it everywhere
Blowing with the wind of change

Pertinente é apelido! Thanks, Elcio!

quarta-feira, março 28, 2007

See you at the bitter end

Já era minha banda preferida, desde que, em 2003, o Marcelo apareceu com o "Black Market Music" e falou: "escuta isso. É muito bom."
Eu nunca duvidei do bom gosto do Marcelo pra música, e sempre acolhi suas indicações. Mas não imaginei que, naquele momento, seria atingida de verdade pelos efeitos de um Placebo*.
O show de ontem, no Credicard Hall, serviu para confirmar minhas expectativas: Brian Molko é um dos mais talentosos músicos da atualidade. Ele brinca com a voz, grita sem desafinar uma nota, e mesmo com todos os cigarros fumados ao longo de sua vida, não perdeu a potência vocal que me encantou desde o início.

O show, anunciado para as 21h30, começou com quase meia hora de atraso... quando, enfim, os músicos subiram ao palco, o êxtase foi geral: abriram com "Infra-Red" e, enquanto Molko anunciava: "someone call the ambulance/there's gonna be an accident", meu coração saía pela boca de tanta emoção. Talvez fosse mesmo preciso chamar uma ambulância naquele momento.

Grande parte das músicas tocadas foram lançadas em "Meds", álbum de 2006. A faixa que dá nome ao CD foi tocada logo depois, além de "Drag", "Song to say goodbye", "One of a kind", e com destaque "Because I want you" - que não saiu da minha cabeça até agora - e "Space Monkey", quando Molko cantou os primeiros com um aparato que fez com que sua voz parecesse falada através de um rádio, até o refrão, onde "limpou" a voz para gritar "We're sown together/She's born mesmer/Beside astride her/I die inside her"...

Diferentemente da apresentação no Rio de Janeiro, o trio resgatou mais dos grandes hits, que, como não poderia deixar de ser, empolgaram o público: "Every you, every me" já era esperada, assim como "Special Needs" e "20 years". "Bitter end" era muito aguardada, justamente por ter sido tocada no Rio, mas mesmo assim a platéia delirou ao som das batidas aceleradas de Steve Hewitt e da guitarra perfeita de Stefen Olsdal.

O que eu não esperava escutar, e fiquei surpresa, foram as clássicas "Special K", "Taste in men" e "Without you I'm nothing", mesmo que (gente, eu amo todas, é uma questão de preferência) trocaria estas por "Pure Morning", "Black-eyed" e "This Picture". Ok, já que toquei no assunto, do "Meds" eu queria escutar "Blind", "Broken Promise" e "In the cold light of morning", que acabaram ficando de fora.

Mas é aquela coisa: eu queria um show de pelo menos 5 horas. Não, na verdade eu queria uma apresentação tipo a do mestre Goa Gil, de 12 horas seguidas... aí sim, talvez o show terminaria sem que eu ficasse pensando: "humm, mas e se eles tivessem tocado aquela"...

O melhor de gostar do Placebo é que, mesmo com 10 anos de carreira, o grupo ainda se mantém no underground até certo ponto. A platéia do Credicard Hall estava tranquila para dançar, pular, gritar, enfim! Inesquecível, emocionante. Perfeito.
EM TEMPO: óbvio, achei alguns vídeos no YouTube. Óbvio, estão péssimos, mas arrepiam quem estava lá: Drag (tremidíssimo, mas o som ficou bom), Infra-Red (boa visualização, mas som péssimo), I know (legal pra escutar o efeito de eco que colocaram na voz do Molko, o som está bom, mas a visualização, digamos, é "alternativa"), Meds (som bom, imagem mais ou menos) e, finalmente, Special K (tudo mais ou menos).
* Pra quem não sabe, na medicina, placebos são aquelas pílulas de açúcar usadas no tratamento de doenças psicossomáticas.

segunda-feira, março 19, 2007

Voa, canarinho, voa

A uma hora dessas ele deve estar finalizando a arrumação das suas coisas. Em poucas horas, estará voando em direção a Barcelona.

Este canarinho já conheceu muito do mundão afora, Itália, Malásia, Tailândia... ele gostou muito destes países, aprendeu sobre seus costumes e cultura. Aprendeu também o que é a vida, afinal. Pois foram seus primeiros vôos sozinho.

Agora ele vai voar pra outros lados, conhecer outros países e culturas. E vai aprender ainda mais sobre a vida, agora com um pouco mais de maturidade.

Eu chorei quando me despedi, mas quero muito que ele vá. Porque toda vez que ele voa, volta um canarinho melhor.

Enquanto isso, eu fico aqui, torcendo pelo sucesso e pela felicidade dele. Ansiosa para saber das aventuras de seu vôo. E esperando por sua volta.

Amo você, meu irmão.

quarta-feira, março 14, 2007

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.

Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Motivo, Cecília Meireles

Uma pequena homenagem ao dia nacional da poesia... porque o que falta no mundo é um pouco de sensibilidade, e a poesia tem sempre muito disso.

Uma homenagem também ao Marcos Arilho, diretor de teatro, professor e amigo, que recentemente passou por maus bocados mas - como sempre - deu a volta por cima com classe. Foi ele que me mostrou este poema, que foi declamado pelo grupo "Nada modestos, porém vaidosos", do qual eu fazia parte, numa mostra que aconteceu no Teatro Paulo Eiró, em mil novescentos e noventa e alguma coisa.

Nesta ocasião, declamei "Menino pretinho num canto", que diz assim:

Menino pretinho num canto
Brincando sozinho, parece um santo.

O mesmo menino na rua
Roubando bala, a culpa é sua.

O menino está sujo, sem roupa.
Pedindo esmola, comida pouca.

O menino tem dor forte no dente!
Não tem remédio, ninguém mais sente.

Menino pretinho num canto
Brincando sozinho, parece um santo.

De preto, com o rosto pintado de branco, declamando o poema e encarando o público como quem diz: "e aí? Não vai fazer nada?"

Saudades dos tempos de teatro. A gente podia ser quem quisesse.

domingo, março 11, 2007

Mudança de hábito

Pronto, o limite do descontrole foi alcançado.

E quando se chega no limite, é bom! Porque você olha e pensa: "a que ponto chegamos" e percebe que é a hora de mudar. Porque se a gente não muda, os outros não mudam e a vida continua na mesma, com os mesmos problemas!

Faltava, sim, paz à alma. O espiritismo me mostrou que é possível, com musicoterapia e harmonização.

Faltava, também, um pouco de individualidade. Coisa que a gente só percebe quando pode observar a situação à distância.

Ai, ai... nada como uma seção intensiva de psicologia a três.

##
"Viva à sua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do seu valor"
Teatro Mágico

sexta-feira, março 09, 2007

Carta consciente

Prezada Mariana,

Tenho te acompanhado fielmente, durante os 22 anos de sua vida. Sempre na minha, dando uns toques, mas agora resolvi desembuchar. Porque não aguento mais ver você se decepcionar com as pessoas! Às vezes não é nem erro de outrem, mas sim, seu. Por favor não se cobre (você já se cobra demais), mas tente ver as situações por outro aspecto.
Mesmo com sua personalidade explosiva, ninguém sabe melhor do que eu que as suas intenções sempre são as melhores. Você sempre faz de tudo para ser agradável, sempre escolhe o caminho do bem em suas decisões, e isso é ótimo!
Você só não pode pensar que todo mundo é desse jeito, Mari. Por favor, pára de esperar das pessoas o que você faria por elas, pois isso te prejudica! Você espera, espera, confabula, imagina, e no fim das contas, o que acontece? Você se decepciona!
E não é nem porque as pessoas estão mal intencionadas em relação a você, mas sim, porque VOCÊ ESPERA DELAS O MESMO QUE FARIA POR ELAS! E é errado!
Não pense que todo mundo é igual a você. E não espere, não imagine situações de contos de fada! Eu vejo sempre passar por mim essas situações. Você imagina: nossa, nesta situação eu faria isso, isso e isso! Imagina se ele também faz o mesmo? E não acontece, e você se chateia, se decepciona. Entenda, as pessoas podem estar dando o melhor de si, mas este melhor não é igual ao seu melhor!
Querida, busque seu reconhecimento, e não perca os estímulos em continuar fazendo o máximo que pode pelas pessoas. Mas de uma vez por todas, pára de esperar o mesmo que você faria por elas.

Pense nisso.

Um grande beijo,

Sua Consciência.

terça-feira, março 06, 2007

Mais Gabo

Quando escrevi sobre "Cem anos de Solidão", o primeiro que li de Gabriel García Márquez (emprestado pela Cá), terminei com um "até a próxima", porque me encantei com a forma dele de escrever. Pouco depois, outro grande amigo (Diego) me emprestou "Relato de um náufrago", de 1970, também de Gabo. O que seria de mim sem meus amigos?

§§

Imagine um navio da marinha colombiana, que partia dos Estados Unidos em direção à Cartagena, na Colômbia. Estando a poucas horas de chegar ao seu destino final, o destróier tomba por causa de um vento forte, e da pesada mercadoria que carregava.

Alguns membros da tripulação caem ao mar, e todos morrem, com exceção de Luiz Alejandro Velasco. Este encontra um bote - chamado de balsa no livro - e consegue alcançá-lo, passando nele dez dias sem comida nem água.

Munido apenas de seu relógio e da roupa do corpo, o homem narra sua história, contando como lidou com a fome, a sede, o calor do sol e os devaneios psicológicos que isso começou a causar.

A cada dia, novos desafios surgiram, como a presença dos tubarões que chegavam pontualmente às 17h00 e os ventos fortes que chegaram a virar a balsa. Depois de um tempo, Velasco não quer mais lutar por sua vida, e a cada desistência um novo estímulo aparece para renovar-lhe as esperanças.

Ao décimo dia, o marinheiro avista terra firme, e mesmo sem forças, nada cerca de dois quilômetros para atingi-la. É, então, encontrado pela população de um pequeno vilarejo, e torna-se em pouco tempo herói de seu país.

Quando retorna a Cartagena, o homem é isolado em um hospital naval e proibido de falar com jornalistas. Depois de recuperado, passa a protagonizar anúncios dos mais diversos produtos, aproveitando-se de sua história e sua posição. E assim termina o livro.

Isso até daria um bom filme (aliás, o tema já rendeu um bom filme, o famoso "Náufrago", com o Tom Hanks). Mas... neste caso, trata-se de uma história real. (óóóhhh)

Tempos depois de fazer todo tipo de propaganda, quando o público já estava cansado de saber de suas histórias, Luiz Alejandro Velasco procurou a redação do jornal El Espectador, onde Gabriel G. Márquez trabalhava como repórter. Disse que queria contar seu relato para publicação no jornal, que na época buscava assuntos interessantes que fugissem de política (pois o país estava sob a ditadura de Gustavo Rojas Pinilla, que censurava a imprensa, claro).

O editor do jornal resolveu aceitar a proposta, e durante vinte dias, Gabo escutou detalhadamente os causos do náufrago.... e o mais legal da história vem depois de tudo isso.

Durante os encontros de G.G.M. com o rapaz, descobriu-se que, ao contrário do que a imprensa vinha divulgando até então, não houvera uma tormenta que derrubara a embarcação, mas sim, o destróier tombara por causa do excesso de peso.

O detalhe é que a tripulação encheu o navio de eletrodomésticos para suas famílias, ou seja, mercadoria ilegal, já que não se poderia colocar tanto peso em um destróier.

Nem preciso dizer que o governo não gostou nada que a verdade fosse mostrada! Com a divulgação dos reais fatos no El Espectador, o ex-herói perdeu seu posto, e Gabo ganhou de brinde um exílio.

Na introdução, o escritor diz que não consegue entender a utilidade em publicar este relato em forma de livro. Critica também os editores, que em sua opinião insistiram em publicá-lo somente por ele ser um escritor da moda.

Picuinhas à parte, "Relatos de um Náufrago" é jornalismo literário puro. E mostra mais uma vez o valor deste que se tornou meu escritor preferido.