sábado, abril 28, 2007

desconfiança crônica

Sabe quando você escuta uma fita com a sua voz, e parece que não é você quem está falando?

Tenho essa sensação com os textos, também. Aquilo que escrevo, quando vou ler um tempo depois me parece estranho, parece que não fui eu quem escreveu aquilo.

É uma sensação meio de "nossa, que nada a ver isso".

Se leio novamente algo que alguém escreveu há dias ou semanas, parece que não reconheço como sendo a pessoa também. Será que tem a ver com o fato de, ultimamente, eu conviver com a sensação de que não conheço mais as pessoas?

quinta-feira, abril 26, 2007

A sua parte

Todo mundo sabe que o mundo está próximo do fim. A partir do momento em que o homem colocou a sua individualidade acima do bem comum, o nosso planeta começou a morrer aos poucos. E vieram as guerras, e a poluição, e as desgraças.

As abelhas, que vieram à Terra para ensinar aos homens como viver em sociedade, estão nos deixando. Não há mais flores puras para elas, o homem não aprende a viver em sociedade, e então elas estão desistindo de viver e diminuindo suas colméias progressivamente. A cada ano, milhares de espécies de plantas e animais são extintas.

Originalmente, a Terra possuía um total equilíbrio energético. Com a evolução do homem, entretanto, esse equilíbrio passou a dar lugar ao caos, e, como já podemos ver, o planeta se manifesta contra a humanidade. E contra a pacha mama, meu bem, não podemos ir. Não por muito tempo. Segundo o Trigueirinho, o planeta já passou por este desequilíbrio outras três vezes, desde o surgimento do universo. Nas três, acabou tudo, para depois recomeçar do zero.

Ou seja, pode esperar que logo mais o mundo acaba de vez. Dizem que vai ser por volta de 2080. Muito provavelmente, você que está lendo este texto não estará vivo até lá. Mas por favor, não tome isso como um foda-se. Faça a sua parte. Você não é somente este corpo físico. O seu corpo espiritual precisa passar por uma série de evoluções, e é por isso que você morre e reencarna como uma outra pessoa: para evoluir!

Portanto, se você consegue deitar a cabeça no travesseiro com a certeza de que a sua parte está sendo feita, ótimo. Com ou sem planeta, sua alma estará em paz.

segunda-feira, abril 23, 2007

Paul van Dyk finalmente no Brasil

PvD e sua parafernalha. Por P.H. Schneider


Depois de freqüentar durante anos festas super bem organizadas como a XXXperience, com direito a amendoins, sofás e cadeira de massagem no backstage, acho que fiquei um pouco chata com relação a eventos.
O alemão Paul van Dyk, considerado durante dois anos consecutivos o melhor DJ do mundo, chegou a marcar apresentações em todo o Brasil no mês passado, mas devido a problemas de pagamento acabou não vindo para nenhuma.
Um tempinho depois, aparece a confirmação de uma apresentação única de PvD... em São Bernardo do Campo. Nada contra a cidade, mas o local escolhido - o Espaço Anchieta - foi o pior possível.
Eram três pistas de dança, incluindo a principal, uma menor e outra que funcionava dentro do espaço considerado "camarote". Acontece que o lugar era pequeno demais para comportar três pistas, e o som se misturava o tempo todo. As caixas de som eram poucas, e dava pra conversar sem muito esforço mesmo estando literalmente "na grade", a poucos metros do DJ.
Paul entrou por volta das 2h30, depois de um long set de electro house ministrado por Edgard Fontes. Encontrou sua mesa de equipamentos totalmente montada, com três sintetizadores e três notebooks. Eu estava só imaginando o que ia sair daquele equipamento todo.
E foi bom, sabe? Acho que a expectativa de ver o melhor do mundo era grande, talvez grande demais, mas mesmo assim ele agradou. Não dá pra negar a versatilidade e o talento do alemão, que realiza uma seqüência musical com altos e baixos e influências de diversas vertentes da música eletrônica.
Melodias típicas do trance, de vez em quando um breakbeat e um pouco de electro house...
Mas quando começava os trechos "panela de pressão", eu pude ratificar que não sou chegada em techno. O que ele toca pode ser chamado de "tech trance", e definitivamente não é o tipo de som que faz minha cabeça.
A "techneira" me fez lembrar dos tempos de adolescente, quando frequentava as baladinhas da Vila Olímpia. O público do show, aliás, também remetia a isto. Bombados e patricinhas desfilavam pelo Espaço Anchieta, fazendo com que eu me sentisse um tanto quanto deslocada.
Paul van Dyk veio, tocou e agradou. Eu gostei da oportunidade, já que a "estrela" não deve voltar tão cedo ao solo tupiniquim. Mark Team Pro, vocês conseguiram, trouxeram o cara. Mas pelamordedeus, o público e o DJ mereciam um pouco mais de respeito.

terça-feira, abril 17, 2007

10 coisas que eu odeio em mim

1. ODEIO ser impulsiva.
2. ODEIO ser chorona.
3. ODEIO ser briguenta.
4. ODEIO ser ansiosa.
5. ODEIO ser distraída.
6. ODEIO ser insegura.
7. ODEIO ser mandona.
8. ODEIO me preocupar demais com o que os outros vão pensar.
9. ODEIO esperar dos outros o que eu faria por eles.
10. ODEIO, mais do que tudo, ser perdida. Não ter nenhum senso de direção.

Mas eu me amo, gente. Acreditem.

segunda-feira, abril 16, 2007

EU sou outro VOCÊ. Respect!

Imagine-se no final da década de 80, em Goa, Índia. Um extenso gramado com panos psicodélicos pendurados, enfeites, tendas e, à frente, uma cabine em formato de chapéu de bruxa. À direita, um lago iluminado com lâmpadas coloridas. Do outro lado, artesãos expõem seus trabalhos aos visitantes.

Com bastante espaço livre para dançar, as pessoas iam chegando conforme o cair da tarde, e armavam suas barracas no gramado próximo à entrada. Quem comandava a música era o Dj Swarup, e a lista de artistas que iria se apresentar já anunciava a proposta diferente que este encontro trazia.

Pois é. Neste sábado, foi possível presenciar um encontro que remeteu às antigas celebrações de música eletrônica de Goa, onde poucas pessoas se reuniam em nome da união, do respeito e da paz.

A Respect, que aconteceu em Embu-Guaçu, é o tipo de festa que não pode deixar de existir. Um encontro onde as pessoas podem acampar sem medo, com espaço o suficiente para dançar e artistas que só aparecem nos maiores festivais do mundo, mas que no Brasil são vetados por não atraírem milhares de pessoas.

Nenhum DJ considerado da veia “comercial” das festas foi incluso no line-up, dando lugar a alguns dos responsáveis pela disseminação da cultura psicodélica no Brasil, como Thomas (Daime Tribe) e Chicodélico (Flip Out). Thomas, aliás, foi quem projetou a decoração extremamente psicodélica do lugar.

O “dark”, estilo de trance mais acelerado (chega a atingir mais de 160 batidas por minuto) predominou na festa, agradando a quem realmente aprecia as origens da música eletrônica psicodélica e causando certo temor àqueles que não estão acostumados. Extremamente ruidoso, o dark originou o que hoje se chama psy trance (ou trance psicodélico), e não deve ser excluído das festas, mas sim, valorizado. As pessoas que hoje dançam ao som de músicas eletrônicas precisam saber de onde tudo isso veio!

E não foi apenas na música que a festa inovou: as intervenções artísticas nortearam todo o evento, com a participação dos grupos Lumiar, Companhia Teatral Manicômicos e Biolumini, que realizou apresentações de malabares com fogo e luz e encantou a noite.

Estes fatos fizeram da Respect uma das melhores festas em que já estive. Soma-se a isso o fato de estar ao lado de uns trinta amigos, e comemorando o aniversário da minha melhor amiga... Foi tanta felicidade que hoje dá até um vazio.

O fim de semana foi especial, encontrei pessoas queridas, matei a saudade de outras, conversei, dancei. Mas principalmente, estou feliz por descobrir que, no Brasil, existem pessoas que respeitam e valorizam a verdadeira essência das festas rave. Ainda há esperança, afinal.

Foto por P.H. Schneider

quinta-feira, abril 12, 2007

NeoFriends

Felipão já dizia que toda equipe, pra dar certo, deve ser encarada como uma família. Há cerca de um ano, pela primeira vez, consegui encontrar esta teoria aplicada a um ambiente de trabalho.

Em 5 de abril de 2006, começava a minha história na Neotix, agência web onde passei a conviver com alguns dos melhores profissionais de internet do Brasil. Este ano voou, mas se parar pra pensar na quantidade de projetos realizados, conhecimento aprendido, troca de experiências e amizade... Realmente, neste primeiro ano de Neotix já tenho muita história pra contar.

É incrível poder fazer parte de uma equipe de amigos de verdade, que se ajudam e se respeitam, buscando sempre o melhor para a empresa. Incrível poder ter o exemplo do chefe que orienta e ensina como um professor, mas sem a autoridade de um superior, pelo contrário! Com a igualdade de um amigo.

Aqui, são todos iguais. Todos juntos em nome desta família que é a Neotix. E é por isso que o sucesso dos projetos é cada vez maior. Por isso, meninos, que eu adoro e admiro cada um de vocês, de coração.

Obrigada por tudo.

quarta-feira, abril 04, 2007

O belo e a fera

Na balada, meu irmão Ricardo... o da direita dispensa apresentações.

Êta buniteza!

O caos mora em São Paulo

Minha família, na noite de ontem:

- Meu pai pega metrô, sorte. Chegou em casa praticamente no tempo normal, e encontrou minha irmã em casa com medo (no escuro).

- Minha irmã estava em casa, sorte. Porém, assistiu a cenas de horror, como a tela da nossa janela se despregando da parede e a minha tia ligando pra avisar que o maior vaso dela - o qual possuía uma árvore plantada - rodopiou no ar e se estilhaçou no chão.

- Minha mãe teve a infeliz idéia de ir ao supermercado, azar. Duas árvores caíram na rua do supermercado, e mais três na avenida Indianópolis, caminho de casa. Resultado: ficou mais de duas horas para percorrer um trajeto que demoraria no máximo 20 minutos (com trânsito).

- Eu. Não acabou a luz no escritório, sorte. Cheguei no ponto de ônibus por volta das 18h30 e consegui pegar o primeiro "Metrô São Judas", que passou às 18h50. Fui em pé, no ônibus lotado, e pude sentir que "por mais triste que seja a sua situação, sempre pode haver algo pra piorar". Subiu uma senhora no ônibus e perguntou: "motorista, quanto tempo até o São Judas?" E ele: "só Deus sabe, senhora. Com todos os faróis do caminho apagados e árvores caídas na Indianópolis!" Ótimo. Vi mesmo que estava demorando muito pra chegar até a Santo Amaro. Todos os faróis estavam realmente apagados, e a cidade, um caos. Pra variar.

Em meio ao empurra-empurra, consegui visualizar o ônibus "Metrô Conceição" passando ao lado do que eu estava. Vazio, nossa. Como uma miragem. A esse ponto eu nem sei mais qual a minha referência do que é ter sorte, mas sei que pulei do São Judas e consegui alcançar o Conceição, que estava à frente. Claro, com tudo parado dava pra eu ir engatinhando que conseguiria alcançar.

Cheguei no ponto perto da minha casa às 20h19, e meu pai foi me encontrar no ponto porque estava tudo realmente muito escuro. E essa Pedro Bueno à noite, bem, eu já sei como é.

Só depois me dei conta de que fiz a melhor coisa do mundo.... o São Judas pegaria simplesmente as avenidas que estavam em maior caos: BANDEIRANTES (nóóssa), WASHINGTON LUÍS (sim, na altura do Aeroporto) e INDIANÓPOLIS (a das árvores caídas).

Ao final da noite, só conseguia pensar em "que bom, estamos todos em casa", e mais uma vez articular meus planos de fugir daqui o mais rápido possível.

Sorte do meu irmão que está bem longe. Ontem, enquanto estávamos todos apavorados, ele curtia uma balada. Encheu a lata e tirou uma foto com o Ronaldinho Gaúcho.

Apalpa o terreno que eu tô indo, Ri!

quinta-feira, março 29, 2007

A banda antiga mais nova em minha vida

Ok, desde que comecei a entender que o mundo é mundo escuto meu pai falando dos Scorpions. Mas até o dia de hoje, confesso que nunca tinha parado pra prestar atenção neste grupo alemão, que pelo que li já está na estrada há mais de quarenta anos.

Meu amigo roqueiro-metaleiro-bate-cabeça Elcio, como sabe que o rock corre em minhas veias (rsrsrs literalmente, levando-se em conta o gosto musical do meu pai), resolveu me apresentar alguns cds do grupo, e eu, como não sou boa pra guardar nomes de bandas nem de músicas, fiquei pasma em saber que alguns dos clássicos que sempre escutei são deles.

Músicas como "Wind of change", "Still loving you" e "Hurricane 2001" são apenas alguns dos sucessos do Scorpions, cujo estilo foi definido como "Traditional Heavy Metal/Hard Rock". As canções melódicas e fortes foram a trilha sonora do meu dia, e serviram de pano de fundo (totalmente pertinente) para momentos de reflexão.

The world is closing in
Did you ever think
That we could be so close, like brothers
The future's in the air
I can feel it everywhere
Blowing with the wind of change

Pertinente é apelido! Thanks, Elcio!

quarta-feira, março 28, 2007

See you at the bitter end

Já era minha banda preferida, desde que, em 2003, o Marcelo apareceu com o "Black Market Music" e falou: "escuta isso. É muito bom."
Eu nunca duvidei do bom gosto do Marcelo pra música, e sempre acolhi suas indicações. Mas não imaginei que, naquele momento, seria atingida de verdade pelos efeitos de um Placebo*.
O show de ontem, no Credicard Hall, serviu para confirmar minhas expectativas: Brian Molko é um dos mais talentosos músicos da atualidade. Ele brinca com a voz, grita sem desafinar uma nota, e mesmo com todos os cigarros fumados ao longo de sua vida, não perdeu a potência vocal que me encantou desde o início.

O show, anunciado para as 21h30, começou com quase meia hora de atraso... quando, enfim, os músicos subiram ao palco, o êxtase foi geral: abriram com "Infra-Red" e, enquanto Molko anunciava: "someone call the ambulance/there's gonna be an accident", meu coração saía pela boca de tanta emoção. Talvez fosse mesmo preciso chamar uma ambulância naquele momento.

Grande parte das músicas tocadas foram lançadas em "Meds", álbum de 2006. A faixa que dá nome ao CD foi tocada logo depois, além de "Drag", "Song to say goodbye", "One of a kind", e com destaque "Because I want you" - que não saiu da minha cabeça até agora - e "Space Monkey", quando Molko cantou os primeiros com um aparato que fez com que sua voz parecesse falada através de um rádio, até o refrão, onde "limpou" a voz para gritar "We're sown together/She's born mesmer/Beside astride her/I die inside her"...

Diferentemente da apresentação no Rio de Janeiro, o trio resgatou mais dos grandes hits, que, como não poderia deixar de ser, empolgaram o público: "Every you, every me" já era esperada, assim como "Special Needs" e "20 years". "Bitter end" era muito aguardada, justamente por ter sido tocada no Rio, mas mesmo assim a platéia delirou ao som das batidas aceleradas de Steve Hewitt e da guitarra perfeita de Stefen Olsdal.

O que eu não esperava escutar, e fiquei surpresa, foram as clássicas "Special K", "Taste in men" e "Without you I'm nothing", mesmo que (gente, eu amo todas, é uma questão de preferência) trocaria estas por "Pure Morning", "Black-eyed" e "This Picture". Ok, já que toquei no assunto, do "Meds" eu queria escutar "Blind", "Broken Promise" e "In the cold light of morning", que acabaram ficando de fora.

Mas é aquela coisa: eu queria um show de pelo menos 5 horas. Não, na verdade eu queria uma apresentação tipo a do mestre Goa Gil, de 12 horas seguidas... aí sim, talvez o show terminaria sem que eu ficasse pensando: "humm, mas e se eles tivessem tocado aquela"...

O melhor de gostar do Placebo é que, mesmo com 10 anos de carreira, o grupo ainda se mantém no underground até certo ponto. A platéia do Credicard Hall estava tranquila para dançar, pular, gritar, enfim! Inesquecível, emocionante. Perfeito.
EM TEMPO: óbvio, achei alguns vídeos no YouTube. Óbvio, estão péssimos, mas arrepiam quem estava lá: Drag (tremidíssimo, mas o som ficou bom), Infra-Red (boa visualização, mas som péssimo), I know (legal pra escutar o efeito de eco que colocaram na voz do Molko, o som está bom, mas a visualização, digamos, é "alternativa"), Meds (som bom, imagem mais ou menos) e, finalmente, Special K (tudo mais ou menos).
* Pra quem não sabe, na medicina, placebos são aquelas pílulas de açúcar usadas no tratamento de doenças psicossomáticas.

segunda-feira, março 19, 2007

Voa, canarinho, voa

A uma hora dessas ele deve estar finalizando a arrumação das suas coisas. Em poucas horas, estará voando em direção a Barcelona.

Este canarinho já conheceu muito do mundão afora, Itália, Malásia, Tailândia... ele gostou muito destes países, aprendeu sobre seus costumes e cultura. Aprendeu também o que é a vida, afinal. Pois foram seus primeiros vôos sozinho.

Agora ele vai voar pra outros lados, conhecer outros países e culturas. E vai aprender ainda mais sobre a vida, agora com um pouco mais de maturidade.

Eu chorei quando me despedi, mas quero muito que ele vá. Porque toda vez que ele voa, volta um canarinho melhor.

Enquanto isso, eu fico aqui, torcendo pelo sucesso e pela felicidade dele. Ansiosa para saber das aventuras de seu vôo. E esperando por sua volta.

Amo você, meu irmão.

quarta-feira, março 14, 2007

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.

Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Motivo, Cecília Meireles

Uma pequena homenagem ao dia nacional da poesia... porque o que falta no mundo é um pouco de sensibilidade, e a poesia tem sempre muito disso.

Uma homenagem também ao Marcos Arilho, diretor de teatro, professor e amigo, que recentemente passou por maus bocados mas - como sempre - deu a volta por cima com classe. Foi ele que me mostrou este poema, que foi declamado pelo grupo "Nada modestos, porém vaidosos", do qual eu fazia parte, numa mostra que aconteceu no Teatro Paulo Eiró, em mil novescentos e noventa e alguma coisa.

Nesta ocasião, declamei "Menino pretinho num canto", que diz assim:

Menino pretinho num canto
Brincando sozinho, parece um santo.

O mesmo menino na rua
Roubando bala, a culpa é sua.

O menino está sujo, sem roupa.
Pedindo esmola, comida pouca.

O menino tem dor forte no dente!
Não tem remédio, ninguém mais sente.

Menino pretinho num canto
Brincando sozinho, parece um santo.

De preto, com o rosto pintado de branco, declamando o poema e encarando o público como quem diz: "e aí? Não vai fazer nada?"

Saudades dos tempos de teatro. A gente podia ser quem quisesse.

domingo, março 11, 2007

Mudança de hábito

Pronto, o limite do descontrole foi alcançado.

E quando se chega no limite, é bom! Porque você olha e pensa: "a que ponto chegamos" e percebe que é a hora de mudar. Porque se a gente não muda, os outros não mudam e a vida continua na mesma, com os mesmos problemas!

Faltava, sim, paz à alma. O espiritismo me mostrou que é possível, com musicoterapia e harmonização.

Faltava, também, um pouco de individualidade. Coisa que a gente só percebe quando pode observar a situação à distância.

Ai, ai... nada como uma seção intensiva de psicologia a três.

##
"Viva à sua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do seu valor"
Teatro Mágico

sexta-feira, março 09, 2007

Carta consciente

Prezada Mariana,

Tenho te acompanhado fielmente, durante os 22 anos de sua vida. Sempre na minha, dando uns toques, mas agora resolvi desembuchar. Porque não aguento mais ver você se decepcionar com as pessoas! Às vezes não é nem erro de outrem, mas sim, seu. Por favor não se cobre (você já se cobra demais), mas tente ver as situações por outro aspecto.
Mesmo com sua personalidade explosiva, ninguém sabe melhor do que eu que as suas intenções sempre são as melhores. Você sempre faz de tudo para ser agradável, sempre escolhe o caminho do bem em suas decisões, e isso é ótimo!
Você só não pode pensar que todo mundo é desse jeito, Mari. Por favor, pára de esperar das pessoas o que você faria por elas, pois isso te prejudica! Você espera, espera, confabula, imagina, e no fim das contas, o que acontece? Você se decepciona!
E não é nem porque as pessoas estão mal intencionadas em relação a você, mas sim, porque VOCÊ ESPERA DELAS O MESMO QUE FARIA POR ELAS! E é errado!
Não pense que todo mundo é igual a você. E não espere, não imagine situações de contos de fada! Eu vejo sempre passar por mim essas situações. Você imagina: nossa, nesta situação eu faria isso, isso e isso! Imagina se ele também faz o mesmo? E não acontece, e você se chateia, se decepciona. Entenda, as pessoas podem estar dando o melhor de si, mas este melhor não é igual ao seu melhor!
Querida, busque seu reconhecimento, e não perca os estímulos em continuar fazendo o máximo que pode pelas pessoas. Mas de uma vez por todas, pára de esperar o mesmo que você faria por elas.

Pense nisso.

Um grande beijo,

Sua Consciência.

terça-feira, março 06, 2007

Mais Gabo

Quando escrevi sobre "Cem anos de Solidão", o primeiro que li de Gabriel García Márquez (emprestado pela Cá), terminei com um "até a próxima", porque me encantei com a forma dele de escrever. Pouco depois, outro grande amigo (Diego) me emprestou "Relato de um náufrago", de 1970, também de Gabo. O que seria de mim sem meus amigos?

§§

Imagine um navio da marinha colombiana, que partia dos Estados Unidos em direção à Cartagena, na Colômbia. Estando a poucas horas de chegar ao seu destino final, o destróier tomba por causa de um vento forte, e da pesada mercadoria que carregava.

Alguns membros da tripulação caem ao mar, e todos morrem, com exceção de Luiz Alejandro Velasco. Este encontra um bote - chamado de balsa no livro - e consegue alcançá-lo, passando nele dez dias sem comida nem água.

Munido apenas de seu relógio e da roupa do corpo, o homem narra sua história, contando como lidou com a fome, a sede, o calor do sol e os devaneios psicológicos que isso começou a causar.

A cada dia, novos desafios surgiram, como a presença dos tubarões que chegavam pontualmente às 17h00 e os ventos fortes que chegaram a virar a balsa. Depois de um tempo, Velasco não quer mais lutar por sua vida, e a cada desistência um novo estímulo aparece para renovar-lhe as esperanças.

Ao décimo dia, o marinheiro avista terra firme, e mesmo sem forças, nada cerca de dois quilômetros para atingi-la. É, então, encontrado pela população de um pequeno vilarejo, e torna-se em pouco tempo herói de seu país.

Quando retorna a Cartagena, o homem é isolado em um hospital naval e proibido de falar com jornalistas. Depois de recuperado, passa a protagonizar anúncios dos mais diversos produtos, aproveitando-se de sua história e sua posição. E assim termina o livro.

Isso até daria um bom filme (aliás, o tema já rendeu um bom filme, o famoso "Náufrago", com o Tom Hanks). Mas... neste caso, trata-se de uma história real. (óóóhhh)

Tempos depois de fazer todo tipo de propaganda, quando o público já estava cansado de saber de suas histórias, Luiz Alejandro Velasco procurou a redação do jornal El Espectador, onde Gabriel G. Márquez trabalhava como repórter. Disse que queria contar seu relato para publicação no jornal, que na época buscava assuntos interessantes que fugissem de política (pois o país estava sob a ditadura de Gustavo Rojas Pinilla, que censurava a imprensa, claro).

O editor do jornal resolveu aceitar a proposta, e durante vinte dias, Gabo escutou detalhadamente os causos do náufrago.... e o mais legal da história vem depois de tudo isso.

Durante os encontros de G.G.M. com o rapaz, descobriu-se que, ao contrário do que a imprensa vinha divulgando até então, não houvera uma tormenta que derrubara a embarcação, mas sim, o destróier tombara por causa do excesso de peso.

O detalhe é que a tripulação encheu o navio de eletrodomésticos para suas famílias, ou seja, mercadoria ilegal, já que não se poderia colocar tanto peso em um destróier.

Nem preciso dizer que o governo não gostou nada que a verdade fosse mostrada! Com a divulgação dos reais fatos no El Espectador, o ex-herói perdeu seu posto, e Gabo ganhou de brinde um exílio.

Na introdução, o escritor diz que não consegue entender a utilidade em publicar este relato em forma de livro. Critica também os editores, que em sua opinião insistiram em publicá-lo somente por ele ser um escritor da moda.

Picuinhas à parte, "Relatos de um Náufrago" é jornalismo literário puro. E mostra mais uma vez o valor deste que se tornou meu escritor preferido.

segunda-feira, março 05, 2007

Quando estou grávido

Algumas exposições de arte contemporânea seguem a linha do "a roupa nova do rei": muita gente não entende mas, como os cults dizem que foi bom, acaba que todo mundo acha legal, mesmo sem saber o que o artista quis expressar.

O mesmo não acontece com a exposição do indiano Anish Kapoor, no Centro Cultural Banco do Brasil. A cada obra, Kapoor mostra a que veio e provoca as mais diversas reflexões.

São 9 trabalhos, entre instalações, esculturas e o único vídeo produzido pelo artista. Cada um deles provoca reações estranhas nos visitantes, como o embaralhamento da vista, efeitos diferentes na voz e sensações de hipnose através de espelhos, metais e luzes.

A obra "Divide" foi feita especialmente para São Paulo, e nela foram utilizadas cinco toneladas de cera vermelha. É possível ver as marcas das mãos de Anish nas paredes, e também o toco de madeira que ele utilizou para fazer alguns efeitos, que se encontra ao lado da instalação. Isso traz um caráter intimista e bem interessante ao trabalho.

No Vale do Anhangabaú está a instalação que nomeia o projeto: "Ascension". Um filete de fumaça que parece dançar, sugado por algo que parece um cano de aspirador gigante. Intrigam os furinhos no chão, de onde a fumaça sai coreograficamente.

Porém, a obra que mais me impressionou foi "Quando estou grávido" ("When I am pregnant", 1992, foto*), que no início mais parecia uma parede branca com uma sombra pintada. Depois que a vista estava embaralhada, e eu não via mais do que uma mancha, caminhei pela instalação e percebi que, na verdade, se tratava de uma protuberância.

Li que Anish Kapoor quer que suas obras pareçam importadas de outro mundo. Posso falar? Ele consegue não só fazer com que elas se pareçam de outro mundo, mas principalmente, nos transporta para este mundo paralelo que vem de sua cabeça.

Motivos para ver Anish Kapoor no CCBB:
- É a primeira exposição individual do artista na América Latina.
- O cara é muito bom e causa sensações indescritíveis.
- Você vai sair com outra idéia do que é arte contemporânea.
- É de graça. Não tem desculpa.

Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil
R. Álvares Penteado, 112 - Centro
Terça a domingo, das 9h às 20h
Informações: (11) 3113-3651

* esta foto não foi tirada na exposição de São Paulo, onde a protuberância recebeu uma "irmã". É, uma irmã mesmo: "Sister Piece of When I am Pregnant" (2005), que é uma reentrância e fica ao lado da irmã mais velha.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Wa Wa Wee Wa

Rir faz bem. Por isso, valeu a pena assistir ao engraçadíssimo "Borat - o Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América" (Larry Charles).

Nele, o repórter Borat, interpretado pelo caricato Sacha Baron Cohen, vai aos Estados Unidos fazer uma reportagem sobre os costumes do país, para levar ao Cazaquistão lições de vida e novas experiências.

A graça começa com a personagem principal. O britânico Sacha, que também é produtor e roteirista do filme, é daqueles tipos que são engraçados só de olhar. Magrelo, desajeitado, sorriso de bobo, aquela coisa. E ele faz um sotaque carregado, com uma voz fina e meio cantada que realmente faz parecer que veio de um país do Oriente Médio.

Ao mostrar os costumes de seu país, e enfrentar os novos, Borat causa um tipo de riso que há muito tempo eu não via no cinema: o humor crítico e ao mesmo tempo escrachado. Exagerado, sim: ele te pega pelo absurdo.

É comum que o filme cause uma certa vergonha de rir, em algumas situações. Por exemplo: quem daria risada de histórias sobre uma pessoa com retardamento mental que vive presa em uma gaiola? Mesmo assim, é difícil não dar risada de suas trapalhadas.

Em suas experiências pela América, o rapaz apronta de tudo, desde defecar na frente de um grande edifício comercial até cantar o suposto hino do Cazaquistão para a platéia de um rodeio.

As principais críticas, entretanto, dizem respeito aos costumes e mentalidade dos americanos. É comum se deparar, no filme, com conservadores preconceituosos ("Tire este bigode, você parece um terrorista! quando acabarmos de vez com o Iraque, aí sim, você poderá ter este visual", diz um senhor americano), mas nada que uma pessoa com um mínimo de consciência não saiba.

É interessante ressaltar que Borat foi filmado como um documentário, e portanto grande parte das cenas não parece ter sido ensaiada, mas sim, improvisada. E é isso que traz ainda mais peculiaridade ao filme. Li na Folha que muitos dos entrevistados de Borat foram informados de que seriam gravações para um documentário a ser exibido na Europa! Portanto, nada de grandes produções, maquiagem, figurino.

Se você quer aprender sobre a cultura cazaque, desista. O filme termina sem que você saiba o que é realmente verdade e o que é mentira sobre os costumes do país. Se quer ver uma crítica aos Estados Unidos, provavelmente não vai ver muito mais do que já sabe, apesar de reconhecer o esforço e a coragem do rapaz em denunciar costumes preconceituosos estadunidenses.

Mas se você quer dar risada de um sujeito que, inocentemente, quer conhecer a América, e a Pamela Anderson, por quem se apaixona, e que atravessa o mundo em busca de novas e atrapalhadas experiências, assista Borat.

domingo, fevereiro 25, 2007

In the cold light of morning

In the cold light of morning
While everyone's yawning
You're high
In the cold light of morning
The party gets boring
You're high
As your skin starts a scratchin'
Wave yesterday's action goodbye
Forget past indiscretions and stolen possessions
You're high
In the cold light
In the cold light of morning
While everyone's yawning
You're high
In the cold light of morning
You're drunksick from whoring
And high
Staring back from the mirror's a face that you don't recognise
It's a loser, a sinner, a cock in a dildo's disguise
In the cold light
Tomorrow
As your skin starts a scratchin'
Wave yesterdays action goodbye
Forget past indiscretions and stolen possessions
You're high
In the cold light of day
Tomorrow's only a kettle whistle
Whistle away
In the cold light of day
B.M.
§§

Talvez o álcool cause ressaca depressiva.

Talvez o jogo da memória na parede do novo apartamento do Túlio tenha sido engraçado demais e causado uma queda na minha serotonina.

Talvez hajam reais motivos, alheios à consciência humana. Ou à minha consciência.

Ou talvez os motivos sejam físicos, cuja solução só depende de mim. BINGO! (?)

Cheiro de mudança no ar. Imprescindível.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Brisa eterna de uma mente sem lembranças

O Túlio costuma dizer que “é preciso contar sempre as brisas, para não esquecê-las. Afinal, são tantas que elas acabam se perdendo”!
Portanto, eternizo as brisas e momentos especiais deste carnaval (ordenadas sem critério):

- Descobrir que o passarinho do Túlio estava no carro, assando, enquanto conversávamos no posto
- Chegar com a breja já gelada (obrigada, PH)
- Morrer de rir com a Camilinha e sua carne engasgada
- Ver o Kadu fazer bastão com o pescoço e gritar: “CHORA”
- Jogar “Imagem e Ação” e presenciar mímicas incríveis de coisas impossíveis como “citar”, “trilho de cortina”, “bocal” e “imã de geladeira”
- Jogar “Imagem e Ação” e ganhar o primeiro banho da noite
- Jogar “Master” em dupla com a Mi (AMARELO! AMARELO! A-HÁ! U-HÚ!)
- Conhecer pessoas novas e incríveis (Fran, Pedrinho, Raito e Carol)
- Espantar o “cãovalo surfista” Orfeu de cima do meu sanduíche

- Descobrir onde afinal fica o âmago
- “Dançar na caixa” com a Cá
- Viver um “momento nostalgia” no meio da madrugada
- Escutar o CD “vingança” nesta mesma madrugada
- Acordar com a buzina do vizinho gritando “Seu Moací!!!”
- Escutar as mesmas histórias e rir como se fosse a primeira vez
- Decorar o sítio com bexigas, plumas, máscaras e serpentinas
- Fazer fogueira e tomar vinho de garrafão, mesmo sem frio
- Escutar o Fabrício tocando violão (e o Dani falando: “Vou dormir com esse cara”)
- Fazer strogonoff com o PH e quatro quilos de frango
- Fazer macarrão com a Fran


- Ter um especialista em animais peçonhentos (Pedrinho) para identificar que aquele monstro se chamava “aranha armadeira”
- Chafurdar na lama pra encontrar o PH arrumando a bomba de água
- Fazer caipirinha de limão que acabou de sair do pé
- Brincar de dança da cadeira (e ganhar!)
- Experimentar a goiaba que o PH acabou de colher (mesmo eu não gostando)
- Estabelecer meu primeiro contato com um bicho de goiaba original
- Acordar com o Chico Buarque da Déia
- Ver o Dani com uma peruca de Xuxa falando: “Vai mandar um beijo pra quem?”


- Fazer plaquinhas para a ducha (que era uma torneira) e para o “guia de como aprender a ferver” (Túlio, plaquinha é coisa de frito, já não te expliquei?)
- Ver o Túlio com peruca e cartola gritando: “Tô parecendo o Slash”
- Ver todo mundo cheio de adereços, máscaras, perucas e chapéus, realmente “no clima”
- Ouvir a Déia lançar a pérola “Aí vai virar o bonequinho da Michelin”
- Iluminar a escuridão e descobrir que o barulho era “apenas um ruminante”
- Fazer fotossíntese debaixo de um sol arrebatador
- Fazer muitos malabares com minhas amigas
- Ver o Kadu dançar e cantar absolutamente TODAS as marchinhas de carnaval possíveis
- Literalmente ir ao chão de rir todos os dias


- TERCEIRIZAR, SEMPRE!

Lembrando de novas, acrescentem!
Obrigada a todos pelos momentos mais que especiais!