quarta-feira, outubro 31, 2007

Tiiiim Festival!

O Tim Festival, realizado no último domingo no Anhembi, começou cedo pra mim. Por volta das 16h30, horário em que abriram a entrada de imprensa, lá estávamos nós. O local recebia as primeiras pessoas que, animadas, corriam para garantir seu lugar na grade. Tsc tsc tsc. Horas mais tarde (MUITAS horas mais tarde), eu as veria vermelhas de sol, com o cansaço estampado no rosto, esmagadas contra a grade e, em alguns casos, carregadas por bombeiros até o posto médico.

O evento começou com atraso - que se prolongaria como uma bola de neve de show em show. O Spank Rock, primeiro grupo a se apresentar, mostrou batidas e vocais de hip hop, unindo-os a percussionistas. “Aquele ali é que é o Olodum?", escutei de um amigo bem-humorado. Isso representou a reação do público em geral. Não se entendia muito bem o que o Spank Rock fazia lá. Pô, vem fazer percussão no Brasil? O Otto, da área VIP, que também é percussionista, devia estar dando risada.

Em seguida, entrou o Hot Chip, do qual eu conhecia apenas o hit “Over and Over”. Confesso que me surpreendi com a apresentação, apesar da pane no sistema de som que interrompeu o show por quase meia hora. O vocalista, Alexis Taylor, é daqueles caras que você olha e não dá nada. Baixinho, de óculos, carinha de nerd, o britânico surpreende quando começa a cantar. Uma voz limpa, afinadíssima, gostosa de ouvir. Gostei.

Mas era a Björk que eu estava esperando. Com um cenário formado por bandeiras fluorescentes com motivos orientais, o show da islandesa foi produzido para se ouvir e se ver. Logo entrou uma orquestra de garotas islandesas, com instrumentos de sopro e roupas coloridas. Ouviram-se os primeiros gritos, era ela.

Trajando um vestido com as cores do arco-íris e um chapéu exótico, Björk iniciou a apresentação com “Earth Intruders”, com a qual abre também seu último CD, “Volta”. A partir de então, foi uma mistura de músicas novas e grandes sucessos, como “Hyperballad” e “Hunter”. O Anhembi veio abaixo.

Com efeitos especiais, chuva de papéis picados e o potente e agudo vocal da mulher que parece menina (está para completar 42 anos), o show foi lindo, e uniu instrumentos clássicos e as mais modernas tecnologias. Foi utilizado inclusive um áudio pad, espécie de mesa em que são coordenados efeitos musicais com o toque da mão. Björk finalizou com “Declare Independence”, e anunciou em seu inglês mais que peculiar: “I’m very happy to be in Brasil”, agradecendo com um “opigato” charmosérrimo.

Pouco depois, entrou a hollywoodiana Juliette Lewis e a banda The Licks. Já havia escutado bastante coisa dela, e estava ansiosa para vê-la ao vivo. Desde o momento em que subiu no palco, com a pena na cabeça característica, parece que baixou um santo em Juliette, sem brincadeira. A moça se jogou no chão, se enrolou com a bandeira do Brasil, se debateu e gritou a cada música. Mostrou que, para fazer sucesso, é preciso atitude, antes até de uma boa voz (que ela não tem).

Com uma apresentação totalmente clichê, porém de qualidade, Juliette and the Licks agradaram, com músicas já conhecidas como “Sticky Honey” e “You’re Speaking my Language.” Peguei uma simpatia grande pela atriz, que é muito carismática.

Juro que, cansada, após o show, cheguei a pensar: “ainda tem o Arctic Monkeys. Quero logo o the Killers!” Me arrependi de pensar assim, acho que subestimei os meninos. O Arctic Monkeys fez, sem dúvida, o melhor show do festival.

Com batidas e vocais rápidos, o grupo conseguiu demonstrar criatividade e inovação. Suas músicas têm pausas estratégicas, voltam no contra-tempo, e fogem totalmente dos padrões, mesmo utilizando os instrumentos básicos guitarra + baixo + bateria.

Com canções como “Mardy Bum”, “Do Me a Favour” e “Fake Tales of San Francisco”, o Arctic Monkeys provocou histeria nos mais de 20 mil presentes. Eu era um deles.

Completamente tocada pelo show, e muito cansada (já que terminou por volta das 3 da manhã, horário que eu achei que fosse terminar o festival), aguardei sem paciência o show do The Killers, último da noite. O cenário, totalmente elaborado, com um tecido vermelho de veludo ao fundo, onde penduraram um letreiro luminoso escrito “Sam’s Town”, tinha muitas flores espalhadas e luzes que envolviam desde o órgão de Brandon Flowers, até os sintetizadores e a bateria.

Uma hora (e muito menos paciência) depois, os integrantes do Killers entraram. Brandon, com seu habitual bigodinho, demonstrou um carisma e um controle do público incríveis, além de ter uma voz linda.

Mesmo animada, principalmente com os sucessos “Somebody Told Me”, “Smile Like You Mean It” e “Mr. Brightside” (que escutei do estacionamento, porque não tinha mais pernas), o show do Killers não surpreendeu. Eles cumpriram com seu papel, fizeram uma apresentação bacana, mas a impressão que eu tive era a de que nada poderia ter sido melhor do que o show anterior.

Saldo final: palmas para a Björk, com seu show impecável, e palmas para o Arctic Monkeys, que mostrou que músicas criativas e profissionalismo são mais importantes que se debater no palco ou armar um cenário espalhafatoso.

Foto: PH Schneider

terça-feira, outubro 30, 2007

Girl Talk just wanna have fun

A noite dedicada à música eletrônica no Tim Festival, batizada "Tim Festa", aconteceu na última sexta-feira.

O local escolhido foi a casa noturna gay The Week, que é enorme e muito bem decorada. Com piscina, deck, duas pistas, quatro bares e muitas luzes, a casa foi bem escolhida para a realização do evento.

As atrações não eram das mais chamativas, e por isso o público foi menor do que o esperado. A pista principal foi aberta pelo britânico Sinden, que faz dupla com Hervè no Count of Monte Cristal. Não sei se os participantes estavam muito preocupados com isso, mas Sinden não ia tocar sozinho, e acabou tocando. A produção não avisou, mas Hervè nem apareceu. Sinden abriu com uma mistura de funk carioca com batidas do house, e desenrolou sua apresentação com qualidade, mesclando tecno, house e hip hop.

Enquanto isso, na outra pista, Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo (alguém sabia que eles tocavam?) apresentaram um back to back de eletro e pop dos anos 90. Só que ninguém ficou sabendo que estava rolando esta outra pista (mais uma falha da organização, que deveria ter entregue uma programação com o line-up), então os dois tocaram para umas duas ou três pessoas. Sem exagero.

Depois deles, o alemão Daniel Haaksman mostrou por que é o maior disseminador do funk carioca na Europa (lançou dois álbuns dedicados ao estilo) e tocou todo tipo de ritmo africano. Muito groove, viradas de qualidade, e mais uma vez para meia dúzia de pessoas que sem querer passaram por ali.

Na pista principal, após Sinden, veio a apresentação mais esperada da noite: o norte-americano Gregg Gillis (foto), com seu projeto Girl Talk. O produtor utiliza uma técnica chamada mash-up, que consiste em colar diferentes músicas para formar uma só. E ele eleva este conceito ao máximo, pois chega a utilizar até vinte músicas em uma faixa. Mistura Nirvana, Avril Lavigne, Beyoncée e une tudo isso a batidas eletrônicas. O resultado é interessante.

Mesmo sem realizar estas mixagens ao vivo, Gregg fez muito sucesso entre os presentes por seu carisma, digamos, exagerado. Durante sua apresentação - que fez questão de realizar no chão, e não no palco, como os outros - o artista pulou, dançou, tirou a camisa e literalmente foi pra galera. Na última música, levou o microfone para o meio da pista, onde se jogou no chão, fez flexões e chegou a virar uma lata de cerveja em sua própria cabeça. Completamente maluco.

Depois de toda a fanfarrice, ficou pequeno pro norueguês Lindström, que, por sua formação musical, trouxe melodias mais sérias e estilo diferenciado. Com o ponto positivo de tocar todos os instrumentos presentes em suas músicas, Lindström agradou. Para finalizar a pista principal, a dupla de tecno Tok Tok apresentou seu live act. Detalhe: a dupla não havia sido anunciada no site do evento.

As falhas na organização deixaram os jornalistas um pouco confusos. Mas o saldo foi positivo: cobertura em tempo real e três inserções no Uol música. Orgulhinho!

Foto: PH Schneider

quinta-feira, outubro 18, 2007

E a seleção fez bonito, finalmente.

Com o perdão da expressão, ele é muito foda. Melhor do mundo!

Na partida de ontem fiquei profundamente orgulhosa do futebol desses meninos.

O primeiro tempo foi morno e, apesar do gol de Vágner Love (em seu melhor jogo pela seleção, pelo menos que eu me lembre), o time fez lembrar sua última e medíocre partida contra a Colômbia, em que empatou sem gols, na semana passada. Poxa, com Ronaldinho Gaúcho e Kaká, dois candidatos à vaga de melhor do mundo pela FIFA? No Maraca, porra? Muito recuo de bola, pouca garra. Chegou a me dar sono (ok, isso não é difícil).

Mas no segundo tempo, parece que o pessoal acordou. E acordou bonito, porque deu show. E eu acordei também e não dormi até o final. Com talento e criatividade, os meninos mostraram-se bem mais ofensivos e tiveram muitas chances de gol.

Ronaldinho Gaúcho esticou o pé para desviar a bola, que entrou no cantinho, ai! Quase pra fora. Foi apenas o segundo.

Pouco depois, Kaká chutou de fora da área e marcou o gol mais bonito que eu já o vi fazer. Na caixa! Ah, bons tempos em que jogava no tricolor (suspiro). Robinho pulou em cima dele pra comemorar, fizeram o típico "montinho". Achei graça, esses meninos se divertem mesmo.

Eles se divertem, mas sabem brincar. Aos gritos de "olé" dos mais de 85 mil torcedores presentes, Robinho criou um novo drible misturando outros vários, conseguiu passar a bola por um espaço mínimo entre as pernas do zagueiro equatoriano e a linha de fundo, passou por dois e cruzou para Elano marcar o quarto. Delírio.

O modesto Kaká ainda tentou uma última vez, e nem comemorou, porque achou que chutara mal. Mas não contava com o frango deprimente do goleiro. Brasil 5, Equador o. E eu emocionada.

Bóra alcançar a Argentina agora!
Foto de Flávio Florido/UOL

segunda-feira, outubro 15, 2007

A (qualidade de) vida na roça

- Você já foi lambida por um bezerro?
- Não que eu me lembre.
- Então vem.

E me levou pra apanhar amoras ao lado de onde ficam as vacas. A amoreira estava carregadinha, os pequenos frutos caindo ao chão de tão doces. Delícia. Mãos e bocas vermelhos da tinta da fruta, caminhamos rumo aos bezerrinhos curiosos que se aproximaram. "Faz carinho nele." E então o bezerro mais bonitinho da região achou que poderia mamar em meus dedos. E senti na mão, pela primeira vez, a língua áspera que esses ruminantes têm. Eita, nem parece que tem raiz caipira, sô!

- Gosta de jaboticaba?
- Muito.
- Então vem.

Mas os passarinhos tinham chegado antes, e nos deixaram poucas unidades daquela bolinha preta e adocicada. Mesmo assim, deu pra lembrar bem da infância, quando pegávamos bacias e bacias de jaboticaba na casa de minha tia em Minas.

- Já pegou um carneirinho no colo?
- Não.
- Então vem.

E fui conhecer os reprodutores, as matrizes e seus filhotes. Engraçado como, ao vivo, as ovelhas realmente parecem ser bichos burros! E gritam, nossa! Precisa ver. Escolhi um peludinho, coisa mais fofa, as orelhas ainda maiores do que a cabeça, e peguei no colo. Me senti como a Felícia amassando um de seus bichinhos! Aí brinquei no chão com os dois filas e com a São Bernardo, até cansar.

- Isso é qualidade de vida - disse o tio.

Depois cheguei a São Paulo e não vi nem um passarinho. Mas recebi um vídeo engraçado:


Animais, por aqui, só no YouTube mesmo.

quinta-feira, outubro 11, 2007

EU VOU NO TIM FESTIVAL

E não quero nem saber se a cabeça dói há um mês, nem pensar que demoro duas horas pra voltar pra casa, nem me preocupar com as milhares de coisas minhas e dos outros que eu sempre me preocupo mesmo sem querer.

O que eu sei é que vou ver a Björk!
Ainda mais agora que viciei em "Volta" há dias...

E vou ver The Killers, Arctic Monkeys e Juliette and the Licks.
Fora os brindes de sexta na The Week.

AMO.

terça-feira, outubro 09, 2007

Who's gonna drive you home tonight?

Era uma segunda-feira chata e cinza como muitas outras. Acordei, tomei meu café e fui até o ponto, esperar o ônibus que me deixa na porta do prédio em que trabalho. Desde que a empresa mudou-se, eu estava satisfeita com este ônibus pois, apesar de pegá-lo cheio, não precisava pegar outro, era só ele e pronto. Na ida e na volta.

Pois então, mas nesta segunda foi diferente. Esperei um pouco no ponto, até que ouvi dizer que aquela linha não existe mais. Foi então que apelei ao plano B, o outro ônibus, e andei mais uns quarteirões até o ponto em que ele costuma passar.

Foram mais de trinta minutos de espera, perguntando às pessoas se ele ainda passava ali, sempre com resposta positiva. Aí resolvi perguntar a um motorista de ônibus, que avisou: "essa empresa foi fechada, dona."

Ótimo, e eu ali esperando. Belo acontecimento pra uma segunda de manhã, né? Então fui até o metrô, partindo para o plano C. Nem preciso dizer que a cabeça começou a doer nesse meio-tempo. A lotação, que fez juz ao seu nome, saiu do ponto final em menos de 5 minutos, e em meia hora estava no trabalho.

Até aí, sem problemas. A partir de amanhã, já vou direto ao metrô e pego a lotação. Só busquei saber onde poderia pegá-la na volta. Então, saí do trabalho às 18 em ponto, pra ver que horas conseguiria chegar em casa.

Sentei-me na lotação às 18h30, o tempo de andar até o ponto e esperá-la chegar. A única coisa que pensei foi: "espero que ela não pegue a Berrini." Claro, claro que ela entrou à esquerda, sentido Berrini.

Eram 19h00 quando resolvi saltar do veículo. Eu ainda não havia andado sequer dois quarteirões, e estava ridiculamente em frente ao mesmo prédio. Farol abria, fechava. E o ônibus nada. Nem uma revista pra acompanhar, o titio Marco Antonio mandando Led Zeppelin na Kiss... quer saber? Resolvi fazer o trajeto mais longo, porém com menos trânsito. Era só pegar um até a Vieira de Moraes, e outro até minha casa.

Sim, isso se o bendito Estação da Luz não tivesse demorado mais 20 minutos pra passar. Aí fui pro PH, porque o ônibus pra casa dele passou antes do meu. Cheguei às 20h00.

Eu concordo que, depois que se soltou a roda daquele ônibus e matou uma pessoa, os veículos tenham que ser retirados para revisão. Só que, diante disso, acabar com linhas de ônibus sem sequer avisar, e deixar centenas de pessoas sem opção de transporte?

É pedir demais querer chegar em casa depois de um dia de trabalho?

quarta-feira, outubro 03, 2007

Maria me levou pro céu

A menina Céu é como a gente, olhando assim. Mas quando sobe no palco deixa aflorar toda a sua personalidade, que não é fraca, e o seu talento, que não é pouco.

Ela é muito mais do que um rosto bonito e uma voz afinada. Transparece sensualidade e meiguice ao mesmo tempo, num equilíbrio apaixonante. Sabe trabalhar muito bem o seu peculiar tom de voz. Seu carisma de menina tímida encanta.

O show, pra mim, foi perfeito. Acompanhada por uma talentosa banda, com percussão, bateria, baixo, guitarra, teclado e pickups, a paulista cantou todas as músicas que eu queria ouvir, e mais algumas.

Passou pelas já conhecidas canções de seu CD “Céu”, arriscando uma versão da emocionante “Valsa pra Biu Roque” com acordeão, no lugar do bandolim que a acompanha no álbum.

Fica difícil escolher um ponto alto do show, porque todas as músicas foram lindas e lindamente cantadas e tocadas. Mas não posso negar que o arrepio foi maior ao escutar “O ronco da cuíca”, de João Bosco, interpretada com muito sentimento.

A sensação que tive com o show da Céu é que ela segue seus instintos para compor as músicas. Ela não está ligada a um estilo, passeia pelo jazz, reggae, samba e até hip hop com muita liberdade, e parece não estar preocupada com rótulos. Ela é o que é, gostem ou não, e essa naturalidade cativa.

Estou em estado de graça até agora. Aliás, literalmente, agradeço à Lygia Roncel pela graça alcançada! :)

terça-feira, outubro 02, 2007

No mundo todo, e agora em São Paulo

Fazia um tempo que estava com vontade de conhecer o Club Pacha. Com unidades em diversos países do mundo, como Espanha, Egito e até Marrocos, a boate é conhecida pela estrutura diferenciada e pela boa qualidade do som.

A melhor oportunidade para conhecê-la - já que os preços de entrada são abusivos - foi o coquetel oferecido pela Pioneer, na última sexta, 28 de setembro. Os convidados chegavam um pouco antes, havia bebida e pizza à vontade e, depois de aberta ao público, a casa receberia o lendário Andy Fletcher, tecladista e co-fundador do Depeche Mode (grupo da década de 70 que ajudou a introduzir sonoridades eletrônicas no pop), que faria um Dj set.

Não se pode negar que a casa é realmente bonita. Um galpão com pé-direito bem alto, lustres coloridos e duas pistas de dança, com diversos telões. Bem estruturado, o banheiro é grande e a todo momento recebe um trato da equipe de limpeza.

Apesar de não poder beber o bom champagne francês Mumm (estava tomando remédio), consegui aproveitar bastante o som do Monsters at Work, que tocou enquanto rolava o coquetel. Gente bonita, aparentemente civilizada. Até que abriram-se os portões e a legião de patricinhas e playboys mal educados, que pagavam de R$ 80,00 a R$ 2.000,00 pela entrada, coneçaram a invadir o recinto.

Você pagaria R$ 2.000,00 pra ficar naquela área ali de cima?


Carlo Dall'anese abriu para Andy, tocando tech-house. Decaiu um pouco no decorrer da sua apresentação, mas mesmo assim conseguiu manter a pista animada. Quando Fletcher entrou, o público vibrava! Mesmo que, com certeza, a grande maioria não saiba quem ele é, muito menos o que representa para a música eletrônica.

O senhor, que aparenta uns 50 anos, comandou durante algumas horas dois CDJs e duas pickups, e mostrou habilidade no manuseio dos aparelhos. Confesso que fiquei um pouco decepcionada com suas viradas, algumas vezes grotescas, mas a seleção das músicas foi boa, alguns remixes do Depeche Mode... li que ele fechou com Enjoy the Silence, a minha preferida, só que não fiquei até o final pra conferir. A sensação claustrofóbica estava forte, muitas e muitas pessoas não se contentavam em dançar, queriam era ficar andando.

Pra completar, a bebida na casa é caríssima. Ao final do coquetel, uma água custava R$ 6,00 e, uma cerveja em lata, R$ 9,00. Não vou nem contar o valor do combo vodca + energético, pra não chocar. Ainda bem que eu não estava bebendo!

quarta-feira, setembro 19, 2007

Top 3 pérolas infantis

Em terceiro lugar: meu irmão, então com 2 anos e meio, vendo minha mãe sair de casa com uma barriga enorme e voltando com um bebê no colo:

- Mãe, onde fica o seu zíper?

Em segundo lugar: minhas primas, então com 6 e 8 anos, me contando as novidades:

- Sabe Mari, agora nós estamos fazendo aula de compitador!
- Não seja burra, Isadora, não é compitador. É MICRO compitador!

E em primeiríssimo lugar: o filho do caseiro, jogando bola com os meninos, e tomando uma bolada na barriga:

- Ai, meu imbigo!
- Não é com I menino, é com U!
- Ai, meu IMBUGO!

terça-feira, setembro 18, 2007

A fita cassete paralela

Alice era uma garota muito esperta, até demais para a sua idade. Sempre que olhava pra ela, estava quieta, observando, pra dali a pouco soltar uma de suas célebres perguntas. Outro dia lançou: "mamãe, mas por que sessão de cinema é com dois esses e seção de supermercado é com cedilha?"

E eu, que não gosto de responder qualquer coisa, ficava pensando na melhor maneira de responder àquelas questões que nem eu mesma sabia solucionar.

Um dia, Alice me pediu que a inscrevesse em um curso de catecismo. Aregalou seus olhinhos cor de mel e disse: "Quero fazer a primeira comunhão, mamãe, assim como a Celeste da minha escola". Eu não a batizei e nunca a forcei a nada, então resolvi levá-la.


***

Desde que mamãe me colocou na catequese, aprendi muita coisa. Hoje, a professora me disse que Maria engravidou sem ter tido nenhum tipo de relação com homem, e dela nasceu Jesus. Eu não entendi nada, e perguntei se haveria alguma possibilidade de eu ter um neném assim, igual à Maria, como num passe de mágica. A turma toda riu, mas a professora não. E ela ficou brava, eu acho, porque pegou uma varinha e me bateu nas costas da mão.

Eu só sei que, depois que aprendi a rezar o pai-nosso, ele não sai da minha cabeça. Primeiro era o Pai, o Filho e o Espirito Santo, pra depois virar a oração inteira. Sei lá, a sensação que tenho é a de que há duas fitas cassete rodando dentro da minha mente. Antes tinha uma só, que ia rodando os pensamentos que se passavam pela minha cabeça, as coisas que eu lia e escutava, até aquelas músicas que de vez em quando não desgrudam, mas agora são duas.

Em uma delas, fica passando o pai-nosso, e na outra, as coisas normais. Confesso que isso me incomoda, sabe. Não que eu não goste da oração, muito pelo contrário! Até acho que ela é bem simpática. Só que, tem horas, que ela começa a tocar mais alto do que a fita original, e eu não consigo me concentrar no que estou fazendo. Poxa, gosto tanto de ler, mas muitas vezes não consigo por causa desta fita que surgiu e ficou.

Deve haver uma forma de tirá-la de dentro da minha mente. Talvez como num passe de mágica, assim como foi a gravidez de Maria! É, preciso pensar em uma forma de desligar essa fita. Deve haver um pause que seja, quem sabe até um stop. Só o que eu não posso é perguntar isso pra professora, vai que levo mais uma varinhada na mão. Bom, tentemos a mamãe...

quinta-feira, agosto 30, 2007

Eu coração Gabo

"Ah, de volta a Macondo. Já estava com saudades." Foi o que senti ao começar a ler "A revoada", de Gabriel García Márquez. Como se estivesse visitando novamente uma daquelas cidadezinhas de Minas Gerais, que parecem paradas no tempo, mas que deixam uma sensação gostosa na gente quando se vai embora.

Publicado anteriormente no Brasil como "O enterro do diabo", o romance de estréia do escritor conta pela primeira vez a história de Macondo, povoado que ficou conhecido com "Cem anos de solidão", anos depois.

É a narrativa do enterro de um médico que chegara ao vilarejo vinte e cinco anos antes, e em cujos olhos "duros e amarelados" não se podia ver alma nem sentimento. O homem, que tinha hábitos estranhos, era odiado por todo o povo, com exceção do coronel - do qual não se diz o nome - que tem por ele compaixão e respeito.

São três narradores: o coronel, sua filha Isabel e seu neto, que, paralelamente à descrição da cena do enterro, contam um pouco de suas vidas e dos anos anteriores naquela cidade que parece parada no tempo. A utilização de linguagens e termos diferentes ajuda o leitor a não se perder entre as personagens, que se alternam na narrativa.

O que mais me encantou neste livro não foi a história em si, que inclusive, já demonstrava a vocação de García Márquez para tratar de personagens solitários. O mais incrível, pra mim, foi pensar que, aos 22 anos, Gabo já tinha a capacidade de encher seus leitores de prazer com descrições ricas em detalhes e composições de frases tão perfeitas:

Do menino:
"O calor é sufocante na sala fechada. Ouve-se o zumbido do sol nas ruas, nada mais. O ar é parado, concreto; tem-se a impressão de que se poderia cortá-lo com uma lâmina de aço. Na sala onde colocaram o cadáver sente-se a presença de baús, mas não os vejo em nenhuma parte. Há uma rede num canto, com um dos punhos presos no armador. Um forte cheiro de restos. E creio que as coisas arruinadas e quase desfeitas que nos rodeiam têm o aspecto das coisas que devem cheirar a restos, mesmo que tenham outro cheiro."

De Isabel:
"Por esse motivo também é que eu deveria ter deixado o menino em casa; para não comprometê-lo nessa confabulação que agora se encarniçará em torno de nós como o fez o doutor durante dez anos. O menino deveria permanecer à margem desse compromisso. Nem ao menos sabe por que está aqui, por que o trouxemos a este quarto cheio de escombros. Permanece silencioso, perplexo, como se esperasse que alguém lhe explicasse o significado de tudo isso; como se aguardasse, sentado, balançando as pernas e com as mãos apoiadas na cadeira, que alguém lhe decifre esse espantoso enigma. Quero ficar segura de que ninguém o fará; de que ninguém abrirá esta porta invisível que o impede de ir além do alcance dos seus sentidos. Várias vezes já me olhou e eu sei que me vê estranha, desconhecida, com este vestido fechado e este chapéu antigo que pus para não ser identificada nem mesmo pelos meus próprios pressentimentos."

Do Coronel:
"Poucos dias depois, ele voltaria para sempre da barbearia e se fecharia no quarto. Naquela última noite, porém, no corredor, uma das mais cálidas e densas de que me recordo, ele mostrou-se compreensivo como em poucas ocasiões. A única coisa que parecia viver em meio àquele imenso forno era o surdo revérbero dos grilos excitados pela sede da natureza, e a minúscula, insignificante e no entanto desmedida atividade do alecrim e do nardo, ardendo no centro da hora deserta. Ambos ficamos calados um instante, suando essa substância gorda e viscosa que não é suor mas a baba solta da matéria viva em decomposição."

E, novamente, de Isabel:
"- E como vai você com o negócio? - disse. Meme sorriu. Seu sorriso era triste e taciturno, como se não fosse o resultado de um sentimento atual, mas como se o tivesse guardado na gaveta e só tirasse nos momentos indispensáveis, mas usando-o sem qualquer propriedade, como se o uso pouco freqüente do sorriso lhe houvesse feito esquecer a maneira normal de utilizá-lo."

terça-feira, agosto 21, 2007

Magia azul


Partiram na Hilux de Marcelo rumo ao passeio que tanto esperavam. Iria custar-lhes um pouco caro, mas certamente valeria a pena. Além do mais, Marcelo e sua namorada Monique estavam para ter um bebê ("tá pra nascer o bacurizinho", disse o guia), e nada melhor do que ocupá-lo com bastante trabalho para que conseguisse arrecadar, durante a alta temporada, um pouco de dinheiro para sustentar seu primeiro filho com segurança.

O casal de São Paulo, que compunha o grupo, havia conhecido os companheiros Jobert e Galdino (de São Luiz), dois dias antes, durante um passeio pelas cachoeiras de São Romão e Prata, e já havia feito um outro passeio no dia anterior, à incrível cachoeira da Pedra Caída. Portanto, naquele terceiro dia, sentiam-se à vontade para conversar sobre os mais diversos assuntos.

Não se sabe como, nem quando, mas o engraçadíssimo Galdino de repente ficou sério e começou a falar de espiritismo. Disse que enxergava vultos, espíritos, e algumas vezes chegava a ter premonições. A garota, que também acreditava na existência de um plano espiritual, embarcou na conversa e passou a escutar com atenção cada aventura contada pelo maranhense.

De repente, o biólogo anunciou: "vejo uma pedra bem alta, com uma luz incidente, e um lindíssimo lago azul. Acima do lago, entre as pedras, vejo três entidades, são guardiões da floresta. Mas fiquem tranquilos, eles não precisam de oração, e são do bem."
Duas horas e meia depois, pararam o carro no limite da estrada de areia e desceram, para caminhar mais dois quilômetros rumo ao Encanto Azul - que prometia ser o mais belo entre os belos lugares para se conhecer na Chapada das Mesas. O sol forte castigava a pele, mas os ecoturistas sabiam que valeria a pena.

Os caminhos de areia seca e árvores baixas aos poucos foi tornando-se fechado, as árvores aumentaram de tamanho e a presença dos buritis anunciava a presença de água. "Estamos próximos", o grupo pensava. Que nada. Ainda teriam uma trilha por entre corredeiras de água, entre pedras e mata fechada, com direito a uma movimentação estranha que, segundo Marcelo, era um filhote de jacaré.

Desde o início da caminhada pela água, os viajantes sentiram uma energia muito forte, como se o lugar possuísse realmente algo místico. Sensação que explodiu de tão forte ao adentrarem, finalmente, o Encanto Azul. Corações acelerados e pernas misteriosamente tremendo.

O forte cheiro de amônia, proveniente da urina dos morcegos que habitam aquela caverna, dava um ar ainda mais selvagem ao local, praticamente intocado pelo homem. "Estamos na casa dos animais", a garota pensou, ao andar com cautela entre uma enorme teia de aranha.

A água, límpida e azul como jamais tinham visto, brilhava aos reflexos do sol do meio-dia. "É o momento mais bonito daqui, porque o sol bate direto", Marcelo avisou. Aos poucos, o grupo foi entrando na água, menos fria do que esperavam, e muito mais funda do que imaginavam. Cerca de 8 metros de profundidade, que puderam ver com o auxílio de máscaras de mergulho.

A energia presente no lugar fazia acreditar na presença das entidades. Era um misto de medo com encanto. Os peixes que nadavam pelo lago, os morcegos que se debatiam, e o grupo lá, sentindo todo o misticismo que aquele santuário da natureza estava a oferecer.

Foi quando Galdino avisou: "Lá estão eles!", e apontou para uma pedra. Eram as entidades. Ele atravessou o rio e foi até elas, como se conversasse com os espíritos. Marcelo, o guia, não tinha falado nada até então, mas anunciou que não gostava muito dessas coisas e preferiu sair da água. O casal de São Paulo preferiu fechar os olhos e fazer uma oração, e pediram proteção não só a eles mesmos, mas, principalmente, àquele lugar.

Foto: PH Schneider

segunda-feira, agosto 20, 2007

A dança da ema

Naquela tribo isolada, a vida em grupo seguia à risca a bênção da unidade. “A humanidade está caminhando para sua destruição”, dizia o mestre, “e a única forma de impedir isso é se unir em prol do bem comum”.

E as pessoas colaboravam umas com as outras, e sabiam que era a única forma de viver em harmonia. Cada um fazia um pouco. A todo o momento alguém se propunha a ajudar com a comida, com a limpeza do local ou com belíssimas apresentações artísticas que entretinham a tribo.

Logo se via que a vida caminhava naturalmente sem a necessidade de conflitos ou leis. Eram como membros de uma só família, cientes de suas obrigações.

À noite, embalados pelas batidas de seus tambores, os índios experimentavam a sensação do transe coletivo. Dançavam ao redor da fogueira, sob o efeito de chás alucinógenos, cantando e incorporando a energia da natureza que adentrava seus corpos.

Até agora não acredito no que vi, preciso de testemunhas confiáveis.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Scorpions

Há coisas na vida que têm que acontecer, o tal do destino. Pois bem, a minha ida ao show da banda alemã Scorpions, na noite de ontem, é o que se pode chamar de acaso do destino. Porque primeiro eu ia, depois não ia mais por falta de dinheiro. Aí fiquei triste, depois me conformei. E, sem saber de tudo isso, o amigo Elcio resolveu me presentear com um ingresso.

Como fui de trem, não peguei todo o trânsito que pude acompanhar da calçada, centenas de carros que se amontoavam em meio a cambistas e flanelinhas. "Não há mais vagas no Credicard", era o que diziam, e eu só conseguia pensar no meu pai, que iria de carro.

Eram 21h30 quando liguei pra ele, com medo de encontrar do outro lado da linha uma pessoa irritada e exausta de tanto esperar. "Hoje tem que ser especial, não pode dar problema", eu pensava. E ele não conseguiu parar o carro no estacionamento, droga. Mas estava tranqüilo, pois naquele momento estacionava o carro no Multipark ao lado e chegaria em 10 minutos. Durante estes torturantes segundos, mantive-me na fila para entrada na pista, que já acumulava mais de cem pessoas. E, quando estava prestes a chegar à entrada, ele apareceu. Ah, o destino.

A pista do Credicard Hall, que comporta 7 mil pessoas, estava em sua lotação máxima, e o público era o mais variado. Tiozinhos com esposa e filhos se apertavam entre jovens cabeludos e maquiados, ao lado de mulheres com salto agulha e perfumes adocicados que renderam uma bela dor de cabeça ao Elcio.

O show atrasou mais de meia hora, tendo começado por volta das 22h10, e de cara constatei que os cinco integrantes do grupo estão em plena forma. Física também, mas, principalmente, conservam as principais características que têm rendido décadas de sucesso à banda.

Confesso que não conhecia nenhuma das músicas do último álbum, “Humanity Hour 1”. Fiz questão de conhecê-las ao vivo, porque sabia que eles iam alterná-las aos grandes sucessos, e a idéia era ver se os alemães conseguiam manter o alto nível de suas canções. Talvez tenha subestimado os veteranos.

Cada um com um papel fundamental na apresentação, os integrantes
Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra), James Kottak (bateria) e Pawel Maciwoda (baixo) demonstraram extremo profissionalismo e muita presença de palco. A todo o momento, um dos instrumentos se destacava na música, dando espaço para a realização de solos incríveis.

Destaque para o solo de bateria que Kottak realizou durante uma pequena pausa para descanso. Brincou com a platéia, subiu na bateria, gritou, vestiu uma camiseta do Brasil e cuspiu água pra cima, performances típicas de um astro do rock.

Das canções que conhecia, “The zoo” foi a primeira a ser tocada (e não saiu da minha cabeça até agora). “Send me an Angel” foi tão linda que me fez chorar (ok, eu sei que não precisa muito pra me fazer chorar, mas que foi emocionante, foi), seguida por outros dois clássicos: em “Always somewhere”, Klaus Meine mostrou toda a sua potência vocal, da qual eu cheguei a duvidar, dias antes; com “Holiday”, relembrei um célebre momento do DVD “Acoustica”, gravado em Lisboa em 2001.

E seguiram assim, entre canções novas – como “321”, pop-rock que promete ser um grande sucesso do disco novo – e antigas, como “Blackout”, do bem sucedido disco homônimo de 1982.

Ovacionados, agradeciam muito e o tempo todo, até saírem para dar uma respirada antes do bis. E respira fundo, porque o bis vem com nada mais, nada menos do que os três maiores clássicos do grupo.

“Still loving you” foi a primeira – e essa eu assisti de mãos dadas com meu pai, porque ele gosta muito dessa música e eu, de ir a shows com ele. Na seqüência, “Wind of Change”, como não poderia deixar de ser. E o cara assobia mesmo (eu nunca consegui assobiar tão agudo)!

Nem preciso dizer que me esbaldei ao som de “Hurricane”. Senti-me na década de 80, pulando ao som de “here I am/rock you like a hurricane”!

Mais aplausos, gritos, e o grupo se despediu. Algumas pessoas já iam embora quando os integrantes se entreolharam e fizeram sinais do tipo: “Mais uma? Mais uma?” E soaram os primeiros acordes de “When the smoke is going down”.

Achei até que a gente tinha ganhado de brinde essa última música, mas não. Estava tudo programado. E eu sei porque meu pai conseguiu pegar a folhinha com o set list. Aquela, que fica no chão para os músicos não se perderem. Show com meu pai agora é assim, a gente só sai com algum souvenir.

Foto: Alexandre Schneider/UOL

segunda-feira, agosto 13, 2007

É tudo Brasil

Pra quem assistiu Yamandu Costa se apresentando sozinho, depois ao lado do violonista Alessandro Penezzi, depois com o bandolinista Hamilton de Holanda (vide post anterior), foi uma surpresa vê-lo ao lado do mestre da sanfona no Brasil, o pernambucano Dominguinhos.

Isso porque, nas apresentações anteriores, o gaúcho Yamandu dominava o palco e o público, com dedilhados ultra-rápidos e sua forma agressiva de tocar o violão. Era sempre ele quem dava o tom, quem puxava as canções, e seus parceiros anteriores corriam para alcancá-lo, em performances que Irineu Franco Perpétuo definiu sabiamente na Folha como uma "corrida de Fórmula 1". Pois bem, só que dessa vez o parceiro tem 66 anos e sua experiência como sanfoneiro lhe imprime uma personalidade que impõe respeito.

O show de sábado, no Auditório do Ibirapuera, mostrou de certa forma uma hierarquia na música instrumental. O garoto Yamandu, que com seus 27 anos demonstra um controle total das sete cordas de seu instrumento, apresentou-se de forma mais serena e contida, mas igualmente bela. Foi Dominguinhos quem deu o tom, e Yamandu acompanhava, admirando-o como um garoto que de repente tem a oportunidade de se apresentar com seu ídolo.

A apresentação foi cercada de surpresas. Parecia que estávamos em um barzinho, vendo dois ícones da música instrumental conversarem e interagirem de forma harmônica. Em um determinado momento do show, Dominguinhos instigou Yamandu a cantar. "Esse menino tem uma voz belíssima", disse, e pela primeira vez tive a oportunidade de ouvi-lo. Afinado, o menino, que cantou "Negrinho do Pastoreio" e arrepiou até os mais insensíveis.

Dominguinhos respondeu, cantando "Forró no Escuro" (o candeeiro se apagou/o sanfoneiro cochilou/a sanfona não parou/e o forró continuou), de Luiz Gonzaga, com direito a backing vocal de Yamandu. E contou histórias de quando tocava com Gilberto Gil, a sanfona pesando treze quilos, ele em pé e Gil "simplesmente não parava de cantar!" O carisma em pessoa.

Ambos estavam muito à vontade, e improvisavam a todo tempo. Um ponto alto foi quando Dominguinhos resolveu ensinar ao público a diferença entre os sanfoneiros do nordeste e do sul do país, exemplificando com belos acordes e mostrando porque é considerado o sanfoneiro mais criativo do país.

Além das surpresas, o público teve a oportunidade de assistir às canções do álbum Yamandu + Dominguinhos, lançado em abril deste ano pela Biscoito Fino ("Biscoito Caro", segundo a dupla, que criticou a gravadora). "Wave", "João e Maria" e o pout-pourri "Asa Branca" + "Prenda minha" foram apenas algumas das demonstrações da integração entre estes dois talentos.

Com uma bela luz amarela vinda das laterais, e iluminação azul vinda de cima, somadas a um cenário lindo - panos coloridos lembravam as festas de São João - a dupla terminou o show de forma apoteótica, com "Tico-tico no fubá".

As apresentações aconteceram na última sexta, sábado e domingo, para gravação de um DVD. Quem viu, viu, quem não viu, vai ter que comprar o DVD quando sair. Se não quiser esperar, pode assistir no Youtube, em qualidade menor. Memorável.

quinta-feira, agosto 09, 2007

O casal mais animado de Carolina

Tocamos a campainha e fomos atendidos por uma simpática mulher de nome Joana D'Arc, que nos levou pra dentro do restaurante, bem decorado com almofadas coloridas e cortinas de penduricalhos.

Em seguida, veio o "Seu Rai" (pronuncia-se rái), dono do estabelecimento, um senhor com a pele queimada do sol e a postura de quem já foi da marinha em Santos. Morou em São Luiz e depois acabou caindo na pequena cidade de Carolina, sul do Maranhão. O motivo? Clonagem de documentação de sua antiga papelaria, e consequente ruína dos negócios.

Ele e a esposa, a Dona "de Jesus", deixaram os filhos já crescidos em São Luiz e buscaram seu sossego em Carolina. Para ocupar o tempo, "de Jesus" resolveu cozinhar sob encomenda, e em poucos meses transformou seu passatempo no restaurante mais gostoso da cidade: Ponto Alternativo.

"A gente só faz com pedido antecipado", disse Rai, "mas vou ver com a minha esposa o que temos aqui". Muito hospitaleiro, serviu-nos como cortesia azeitonas e palmito, cortado em aperitivo. Nada mal para um casal faminto que acabara de chegar de viagem. Nada mal MESMO, ainda mais com uma cervejinha bem gelada acompanhando.

"De Jesus" apareceu, a touca protegendo os cabelos. "Domingo é o dia que faço mais comida por aqui, e só tenho 'no jeito' um carneiro ao leite de coco com arroz e salada, pode ser?" Era o cordeiro de dona "de Jesus" ou arriscar-se a não encontrar nada melhor pra comer.

Minutos depois, chega ela com uma travessa gigante, espécie de moqueca de carneiro, um caldo saboroso com um toque sutil de coco. Nunca comi carne tão macia e saborosa na vida (ao preço simbólico de R$ 15,00 o prato).

Cumprimos a promessa de retornar no dia seguinte para experimentar o strogonoff, e encontramos o casal muito animado: seus filhos iriam visitá-los naquele final de semana. Tentamos encaixá-los no passeio que faríamos em seguida, pensando que eram dois ou três, mas dona "de Jesus" já avisou: "eles vão ter que fazer um passeio só eles, são seis!"

Na última noite, fomos comer espetinho na praça, e encontramos seu Rai e dona "de Jesus" animadíssimos com os filhos, bebendo cerveja e dando risada. Isso porque trabalharam o dia inteiro à frente do restaurante, e detalhe: já tinham saído pra balada no dia anterior ("dançamos até as 4 da manhã!"). Haja pique!

segunda-feira, agosto 06, 2007

Porque eu sou leonina

... e me envaidece o fato de estar cercada por tantos amigos no dia do meu aniversário. Uma pausa comemorativa em meio aos relatos de viagem.





Nem era pra ser tanto assim. Foi só um e-mail, um anúncio no nick do MSN. Uma reuniãozinha, pra não passar em branco, que acabou se transformando em uma das noites mais especiais de todos os tempos.

Eram amigos de toda parte. As meninas da Terroir, gente! Fizemos as contas: mais de um ano e meio sem nos vermos. E meu ex-chefe estava lá, e foi legal ouvir dele: "quando você entrou na empresa, com 19 anos, já era tão madura e responsável!" Mesmo que tenha dito isso depois de trocentos copos de cerveja. Porque leonino gosta de ser elogiado.

Relembrei histórias que aconteceram durante os dois anos em que estive por lá. As nossas célebres "tardes com as amigas" e os apuros na hora de pegar o ônibus na volta! Legal ver que cada uma está melhorando de vida, aos poucos.

E tinha gente do prédio, onde morei por dez anos e de onde saíram algumas das minhas atuais melhores amigas. Outras histórias, novas risadas. E tome abraços! Acho que nunca recebi tantos abraços... porque leonino gosta muito de receber carinho.

E teve a turma do PH, que nestes quatro anos e meio passou a ser minha também. E foi todo mundo e mais um pouco! Tanta gente que não consegui nem dar atenção a todos da mesma forma.

Da faculdade, já esperava que a melhor amiga fosse. "Nem que estivesse no Alaska", disse ela, e eu ri. E ela me abraçou forte como sempre e me disse aquelas palavras lindas que emocionam toda vez. Da facu, também, outro amigo me presenteou, aparecendo. Porque leonino adora surpresas e presentes, materiais ou não.

Os amigos mais recentes também passaram por lá. Da pós, uma visita rápida. Da turma do Trancendence, uma visita longa, que durou até as 4 da manhã, quando ninguém aguentava mais bebemorar. Mais risadas e planos de ir pra Bahia de Motor Home no final do ano.

Minha irmã, sempre presente, minha prima, que veio de Minas Gerais e resolveu ficar pra comemorar, meu namorado mais lindo e companheiro. Foram quarenta pessoas no total. Sim, eu contei, porque leonina é assim: adora estar rodeada de pessoas e de ser o centro das atenções.

terça-feira, julho 31, 2007

Inuká: uma loura com alma de índio

Lembro-me da primeira vez que a vi dançar. Usava um cocar de penas coloridas, muitos colares e roupas esvoaçantes. Seus cabelos louros e compridos até a cintura balançavam conforme as batidas da música eletrônica, impulsionados pelo vento constante da Bahia.

Pra ela, parecia não haver mais ninguém ali. De olhos fechados, balançava os braços e a cabeça, como se cada acorde, cada melodia, percorresse sua mente numa viagem psicodélica.

Aquela cena ficou marcada em mim. Quem seria aquela senhora tão bonita, que invocava deuses enquanto dançava?

Foi então que, numa tarde ensolarada do Maranhão - como não poderia deixar de ser - eu a vi sentada, conversando com Beth, minha vizinha de barraca. Sentei-me ao seu lado, invadi respeitosamente a conversa, e pude olhar bem de perto aquela mulher que, além de cabelos louros, tinha também penetrantes olhos azuis - e muita estória pra contar.

"Qual o seu nome?", eu pergunto, e ela, sorridente: "Inuká".

Durante algumas horas, viajei por tribos e vilarejos de todo o Brasil, mesmo sem sair de baixo daquela tenda cultural colorida. Inucá largou tudo, faculdade de direito, Rio de Janeiro, casa, para se dedicar aos índios. Descobriu-se xamã. Passou a percorrer tribos e a promover a cura através da dança e das ervas medicinais, e a cuidar de crianças desnutridas, e a ajudar os indígenas brasileiros de toda parte.

"Eles vivem na miséria, vocês não têm idéia!" E eu olhando fixo em seus olhos, medo de perder algum detalhe, a enorme semelhança física com minha mãe despertando um sentimento muito forte e involuntário por ela. Sentia-me um pouco sua filha, assim como cada um dos pequenos índios, que ela também chama de filhos.

E fizemos uma oração, e uma meditação em círculo dentro do rio, para renovar as esperanças de um novo ano.

E ela me ensinou sobre o xamanismo, sobre a relação hamônica com a natureza, sobre a vida.

E naquela noite, dancei bem perto dela, pra poder absorver toda energia e o poder de cura de sua dança.

domingo, julho 29, 2007

Festival Fora do Tempo














Uma ilha fluvial com 7 quilômetros de extensão, localizada entre os Estados do Tocantins e do Maranhão, que durante o período de seca na região (maio a setembro) oferece uma bela e ensolarada praia.

Esta paisagem, somada a um céu de múltiplas cores e dimensões, foi o cenário da segunda edição do Festival Fora do Tempo, que ocorreu entre os dias 20 e 25 de julho.

O local, conhecido como Ilha dos Botes, fica no município de Carolina – sul do Maranhão. Uma cidade pequena, com pouco mais de 20 mil habitantes, que recebeu com alegria toda a movimentação causada pelo evento.

Cerca de 2 mil pessoas participaram da comemoração do reveillón do calendário Maia, que calcula o ano de acordo com as fases da lua. Somando-se os ciclos da lua, temos um total de 364 dias, ou seja, fica faltando um dia para que o planeta Terra finalize seu movimento de translação. Este é considerado o “dia Fora do Tempo”, uma data para rever conceitos e idéias.

A preocupação com o impacto ambiental ficou clara desde a chegada à ilha. Os organizadores distribuiram kits contendo um sabonete biodegradável, uma semente de jatobá e uma camisinha. Estes sabonetes permitiram aos mais conscientes tomar banho sem poluir as águas do rio Tocantins.

Além disso, optou-se pelos banheiros ecológicos: latões enterrados na areia com cabines de madeira e palha de babaçu que geraram reclamações de alguns participantes, devido à falta de manutenção constante (cal e papel higiênico). Porém, esta forma de sanitário não deixa resíduos, pois os latões são retirados intactos após o término do festival.

Para quem esteve presente na primeira edição do Fora do Tempo, a surpresa foi grande – a estrutura praticamente triplicou de tamanho. A pista principal era rodeada de estrelas de madeira e palha, com tecidos coloridos oferecendo sombra. O maior destaque da decoração certamente foram os tótens com símbolos indígenas, produzidos com material reciclado pelo simpático artista uruguaio Antonio.

Com mandalas, tecidos e colchões espalhados pelo chão, o chill out estava aconchegante e sua sonorização ambientava as atividades que aconteciam logo ao lado, na tenda cultural.

Sem dúvida, um dos maiores investimentos desta edição do festival foi a praça de alimentação, com opções para todos os gostos. As mais de quinze barracas funcionavam 24 horas, e não faltou comida durante todo o tempo.

O que também não faltou foi boa música. Com o crescimento do evento, aprimorou-se também a estrutura de som, que tornou-se maior e com mais qualidade. A grande cabine, construída com toras de eucalipto, recebeu artistas brasileiros e estrangeiros. A proposta do evento de valorizar djs e produtores regionais manteve-se neste ano, e o que se viu foi um amadurecimento nas apresentações.

Foram muitos os convidados internacionais: Etic e E-jekt (Israel), Ital (Chile), Galaktik Wave (França), Rex (África do Sul), Hamelin e Ecliptic (México). Com desempenho de alto nível, os artistas mostraram um pouco de suas experiências nas mais variadas vertentes do trance psicodélico.

Sempre uma apresentação à parte, o trio Yagé – já conhecido por tocar nos principais festivais brasileiros – encantou o público com interferências musicais orgânicas como flauta, berimbau, tambores e até um berrante.

Dentre os artistas nacionais, destacaram-se os lives Cosmo Tech, Baphomet Engine, Crystall, Cannibal Barbecue, JP, Mental Broadcast e HYT, representando os Estados de Goiás, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Pará.

A confiança depositada pelo evento em alguns djs nacionais trouxe como resposta boas surpresas. As principais delas foram os djs Diff (MA), Marcel (TO), Kali (ES), Piro (DF), Vinnix (SP), Pateta (PE) e Sarto (DF), que mostraram sets sérios e competentes.

É claro que os mais conhecidos não deixaram a desejar. Veteranos como Pedrão, Rodrigo CPU, Ekanta e Xamã fizeram jus à sua história na cena psicodélica nacional e movimentaram a pista de dança com técnica e responsabilidade.

Infelizmente, o caos aéreo impediu a chegada de importantes artistas. Um desfalque considerável foi o grupo paulista Pedra Branca, programado para tocar no último dia do festival. Mesmo assim, o chill out apresentou de reggae a jazz, com apresentações diversas como Smurf (SP), Pablo RST (CE), Radiola Rasta (CE) e o memorável versus entre a banda argentina Muamba e os integrantes do Yagé.

Para aqueles que buscavam uma transformação da consciência coletiva, as atividades culturais disponibilizaram não só entretenimento, mas principalmente troca de informações e experiências sobre os mais variados temas. Xamanismo, meditação ativa, oficinas, palestras e filmes ofereceram novos conhecimentos aos interessados.

A participação de grupos artísticos de várias partes do Brasil trouxe ainda mais magia à festa. Rituais de fogo, fantasias, tintas coloridas e intervenções teatrais permitiram um encantamento coletivo, que uniu os participantes em uma grande celebração.

Mesmo com a distribuição de “bituqueiras” (potinhos de filme fotográfico), era triste ver a quantidade de pontas de cigarro jogadas ao chão. A título de informação, este micro-lixo é formado por viscose, material que demora no mínimo dois anos para se decompor.

Ainda assim, o balanço final foi positivo. Era notável a integração entre o público de diferentes Estados, que voltou pra casa com algo diferente dentro de si: sentimentos de unidade, respeito e evolução espiritual.

Colaboração de PH Schneider

quinta-feira, julho 12, 2007

Drogas, glamour e palavrões

M - faaala Ri
R - blz?
M - blz e aí, como foi a festa do Valentino?
R - irada, perfeita
M - eu vi umas fotos no Uol Estilo, mas só das celebrities
R - eu vi várias celebrities, mas num sei quem era ninguém quase... tirei foto com algumas
M - vc viu a Uma Thurman?
R - Ricardo sent you a file -



M - CARALHO PUTA QUE PARIU!!
R - ela é horrorosa
M - eu acho ela linda
R - tem melhores. E ainda ela tinha acabado de dar uns tiros no banheiro (pelo menos foi o que eu e os outros 3 da foto concluímos)