terça-feira, janeiro 27, 2009

Diário de Filó

Meus avós maternos sempre levaram uma vida muito dura. Com 12 filhos pra criar (não é à toa que a vida era difícil), abriram um bar em Monsenhor Paulo, que se tornou a fonte de renda da família. Desde crianças, os filhos ajudavam os pais no bar, enquanto os mais velhos também iam criando os mais novos, sempre sob a rígida disciplina do meu avô Américo.

Lembro que minha mãe costumava falar que, no Natal, eles ganhavam apenas um bombom dos pais. Isso mesmo: um bombom para cada um. E que então não era pra gente reclamar caso quisesse algum presente que eles não pudessem comprar.

Quando minha mãe começou a trabalhar, juntou um de seus primeiros salários, mais uma ajuda de minha tia, e levou meus avós para passar um carnaval no sul do Brasil. Foram até Curitiba, desceram de trem pela serra do mar em um passeio histórico até Paranaguá, e conheceram algumas das principais cidades da região.

Depois da morte de minha avó, descobrimos que ela havia feito um diário durante o passeio, contando com suas palavras todas as impressões que tivera dos restaurantes, praias... Não resisti: digitei todos os textos (respeitando erros de português e linguagem da época), digitalizei as fotos e montei um livrinho, com a ajuda da minha amiga e gerente Andrea, para distribuirmos no Natal lá em Minas.

Foi um sucesso! As pessoas se emocionaram muito. Posso dizer que deu um trabalho absurdo, mas valeu muito a pena resgatar a lembrança da minha avó Filó, que prezava tanto o Natal e a união em família.

O livrinho você vê abaixo:

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Segura a peruca

O maior inimigo do São Paulo agora é do São Paulo. Em sua estreia (sem acento) ontem, marcou os dois gols da vitória do tricolor sobre a Portuguesa.

Washington comentou que precisaria adaptar seu jogo ao restante do novo time, se afastando um pouco da área. Em contrapartida, Muricy afirmou que ele não deve alterar muito seu jogo, pois o time também deve aproveitar o que ele tem de melhor e se adaptar: "sabemos que, se receber dentro da área, dificilmente perderá o gol." Clima de amor no Morumbi.



PS: Não, eu não estive no Parque da Independência ontem, apesar de ser louca pela Roberta Sá. Com a probabilidade de chuva, desisti. A julgar pelos dois últimos anos, em que encarei fila, chuva e fordunço para ver Tom Zé, Cordel, Nação Zumbi e outros, acho que estou ficando velha.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Nascidos em 4 de agosto

Há algum tempo, fui apresentada a um site que mostra quais personalidades fazem aniversário junto com você. Achei o máximo. Desde pequena ficava me preparando para assistir ao Video Show no dia do meu aniversário, pra saber quem comemorava junto comigo, entretanto nunca consegui lembrar no próprio dia (ou estava ocupada demais) pra conferir.

Aí alguém resolveu indexar os dados de aniversário de várias pessoas famosas e colocou aqui. Foi bacana, Louis Armstrong, Rainha Mãe Elizabeth... legal, mas ainda não tinha aparecido alguém que me fizesse ter real orgulho do meu dia (vocês vão dizer: mas você queria mais que a rainha??? Sim, eu queria alguém que me despertasse mais empatia).

Foi então que, hoje cedo, descobri que o OBAMA nasceu em 4 de agosto. Quer uma coisa mais legal do que essa? O político mais em alta no mundo neste momento, inteligente, simpático, educado, simples, esperança de toda uma nação...

Obrigada, Obama, o nosso dia estava mesmo precisando de um verdadeiro ícone. Agora, não me decepcione!

terça-feira, janeiro 20, 2009

A Troca

Imagine-se na década de 20, em Los Angeles, com um filho de 9 anos, e abandonada pelo pai da criança. Um dia você volta do trabalho e seu filho simplesmente não está mais em casa. A polícia da época, com histórico de corrupção, encontra um menino e diz ser seu filho, mas, ao encontrá-lo, você sabe que não é. Você saberia identificar, óbvio, você é a mãe da criança. Mas todos querem te enlouquecer, dizendo que é seu filho sim, inclusive o próprio menino.

Você encara a polícia, vai aos jornais denunciá-la, utiliza argumento de professores e médicos do garoto para provar que aquele não é o verdadeiro procurado. Então a polícia te coloca em uma clínica psiquiátrica, submetendo você a remédios e lavagens cerebrais.

Com a ajuda de um pastor, você sai da clínica e continua a sua busca até que, um dia, descobre-se um assassino de crianças, suspeito de ter matado o seu filho. Um menino reconhece uma foto dele como sendo um dos meninos capturados, e então todos ficam sabendo que realmente a polícia errou. Você ainda não sabe se seu filho está morto ou conseguiu fugir. na verdade, jamais viria a encontrá-lo novamente. Ainda assim, sente-se satisfeita pela justiça feita.

Essa é Christine Collins (Angelina Jolie, perfeita no papel) em "A Troca". Uma história real, dirigida por Clind Eastwood. O trailer você confere abaixo.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Mais uma do BK

Depois da interessante campanha viral que o Burger King fez em parceria com o Facebook (Whooper Sacrifice: exclua 10 amigos da sua lista e ganhe um Whooper), agora a rede de lanchonetes criou o projeto "Whooper virgins".

Uma equipe visitou comunidades distantes do mundo todo que jamais haviam comido um hambúrguer antes, sequer sabiam do que se tratava. Ofereceram um Whooper e um Big Mac, e analisaram a reação das pessoas ao experimentar pela primeira vez o lanche.

Muitos não sabiam sequer como manusear o sanduíche. Alguns até preferiram o Big Mac, mas a grande maioria preferiu o Whooper. A idéia era verificar realmente qual era o melhor sabor, já que as pessoas que experimentaram jamais tinham visto propagandas das lanchonetes antes, ou seja, não seriam influenciadas por possíveis pré-conceitos.

O resultado foi interessante, e mais ainda ver a diversidade do povo que aparece na campanha:


segunda-feira, janeiro 12, 2009

Menos é mais

O doloroso ano de 2008 acabou, felizmente.

O que importa é que as férias coletivas foram aproveitadas ao máximo (veja as fotos aqui, depois conto com detalhes) e que estou mais do que empolgada para este novo ano.

Aliás, para 2009, eu quero menos!

Menos gastança
Menos comilança
Menos grosseria
Menos agito
Menos bagunça
Menos exageros

Agora é botar em prática! =D
Um excelente 2009 a todos!

terça-feira, dezembro 23, 2008

Cego sonha?

“Quem já enxergou um dia sonha normalmente. Consegue formar imagens no sonho como quando enxergava. Mas pra mim, que nunca enxerguei, o sonho é como um programa de rádio. Minha mente trabalha com sons e sensações. Consigo sentir calor, frio, sabor, tudo durante o sonho.”

Zoom, último espetáculo do grupo de cadeirantes, deficientes auditivos e visuais da Oficina dos Menestréis. Infelizmente, a peça já saiu de cartaz, mas não deixe de acompanhar os próximos espetáculos em oficinadosmenestreis.com.br

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Chega de boas festas!


Ano passado a gente teve uma idéia: e se parássemos com essa história de todo ano desejar boas festas para os clientes e criássemos algo que lembrasse as pessoas, no final de cada ano, dos desejos que ela pretende realizar, como uma forma de pensamento positivo para o novo ano?

Dessa idéia nasceu o Natal dos Desejos Neotix, em que a gente pede que você não deseje boas festas, porque isso todo mundo faz todo ano e é um saco. Ao invés disso, faça com que seus desejos se realizem de fato. Anote-os em algum lugar visível e ande sempre com eles, saiba da prioridade que eles têm pra você e lute por eles.

Se você não quiser andar com os desejos escritos pra lá e pra cá, use a nossa árvore dos desejos. A gente lembra você todo ano até que os realize! A novidade este ano é que todos os que enviaram desejos no ano passado vão receber um e-mail perguntando se o desejo se realizou. Os realizados vão aparecer de uma forma diferente no site para todos os usuários.
Se você não usou nossa árvore o ano passado, pode enviar seu desejo agora mesmo e ser lembrado sobre os seus sonhos durante todo o ano, até que eles se realizem :)

Agora contamos com a sua ajuda esse ano para que nossa árvore EXPLODA de desejos.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

És fascinação, amor.

“Liszt”, era como ele a chamava nos primeiros anos de casamento. Uma homenagem ao pianista húngaro, já que Iracema tocava piano lindamente. Estudou o instrumento durante toda a juventude, apesar de nunca ter tido um em casa e, mesmo após o nascimento de seus três filhos, não parou de se dedicar às melodias que saíam daquelas teclas pesadas.

Com o tempo, Iracema acabou se afastando naturalmente de sua paixão. Começou a trabalhar como professora em sua cidade natal, Campinas, e não tinha mais tempo suficiente para se dedicar ao instrumento.

E aí o destino quis que sua neta herdasse o interesse pelo piano.

No final de 1995, um grande pacote colorido anunciava o sonho realizado: a menina ganhara um teclado de presente. Ainda viria a estudar apaixonadamente por seis anos, até se distanciar das teclas. Tomaram seus lugares outras teclas por aí.

Em uma manhã de domingo, tempos depois, Mariana se pegou limpando seu velho Casio, deixando-o prontinho para receber sua nova fonte de alimentação. Sentia que era o momento de retomar o costume de chegar em casa e descarregar toda a energia acumulada em belíssimas músicas.

Luz acesa, tudo funcionando como há sete anos, quando da última vez que foi ligado.
Resgatou seus antigos livros, com partituras que narravam diferentes fases de sua vida. De Carruagens de Fogo a Tempo Perdido, passando por Penny Lane, sinfonia 9 de Beethoven...

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Bom, mas o que realmente interessa nessa história toda é que, no último domingo, minha avó foi me visitar e, vendo que depois de tanto tempo o teclado estava armado, se adiantou para tocar “Fascinação”, sua maior especialidade.

E nada do que eu tocasse depois poderia ser tão bonito e emocionante.

terça-feira, novembro 25, 2008

Lágrimas no escuro

Até por volta de seus 15 anos, Adélia jamais tinha visto sua mãe chorar. Quando criança, achava que mãe não chorava mesmo, e que era algo normal. Até que, na segunda série, fez uma breve pesquisa entre seus colegas, que foram unânimes: sim, mãe chora também.

Pra falar a verdade, sua mãe sempre representou uma fortaleza inabalável. Nem a felicidade exacerbada, tampouco a tristeza, a afetavam profundamente. Era ela quem resolvia tudo, e pronto. Não podia se dar ao luxo de fraquejar.

Quando começou a entender melhor a vida, Adélia passou a encaixar os fatos. Sabia da infância difícil de sua mãe, tendo que dividir a atenção dos pais com seus 12 irmãos, começando cedo no trabalho na lavoura, e tudo o mais. Imaginou que, devido à criação, sua mãe tivesse construído um muro dentro de si, que impedia a entrada das emoções.
Já tinha ouvido falar de vários problemas resolvidos em divãs, e então resolveu propor à sua mãe uma terapia.

Meses se passaram, até que um dia, a mãe de Adélia chegou em casa com os olhos inchados, vermelhos, soluçava tal qual uma criança. Um pouco assustada, a menina correu para o quarto de seus pais para aguardá-la. Sabia que, naquela hora, a mãe iria procurar se afastar das pessoas. Não estava acostumada a se desequilibrar emocionalmente na frente de ninguém.

Mãe! O que foi? E a mãe aos prantos, sem saber o que dizer nem pra onde olhar. Se abraçaram. E o desabafo: filha, rompi uma barreira dentro de mim. Está doendo, mas me sinto mais leve!

A partir de então, a mãe de Adélia se tornou outra pessoa. Mais alegre, carinhosa, sensível. E se permitiu descobrir a dança. E a dança fez cócegas no seu coração, e ela passou a se apaixonar pela vida, a se gostar mais, a se sentir bonita de verdade.

Na volta de um grande encontro de dança no interior, chamou Adélia para contar as novidades. E ficaram horas papeando, rindo, como se tudo ao redor não tivesse a menor importância. Ao final da conversa, dentro da sua imensa humildade, a mãe agradeceu: filha, muito obrigada por me ouvir com tanto entusiasmo.

E foi a primeira vez que Adélia viu sua mãe chorar de alegria.

segunda-feira, novembro 17, 2008

O barquinho vai

Primeiro foram os apagões, que o deixavam desesperado durante tortuosos minutos até que recobrasse a visão. Aí veio o cateterismo, que resultou na cirurgia. Um sucesso, felizmente.

O clima no local já não era dos melhores - não vinha sendo, na verdade, nas últimas semanas ou até meses, quiçá anos. Os momentos bons e ruins se alternavam rapidamente, provocando uma confusão mental digna de quem adora se preocupar em excesso com as coisas.

As responsabilidades, paralelamente, aumentaram. E com elas, os problemas também. Falta de dedicação de algumas partes, dedicação exacerbada de outras... Nesse desequilíbrio, sofreram os mais sensíveis, sofrerão ainda, talvez, mas agora cientes de seu verdadeiro papel por ali. Mais maduros, a cada dia. Na marra.

Daí eu tirei férias de tudo isso e fui curtir dois dias infinitamente lindos e azuis na praia.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Neo-Neotix

A Neotix mudou MUITO nos últimos meses. O novo escritório ganhou mais mesas, mais funcionários e até uma nova - e corintianíssima - sócia. A empresa comprou um Wii, a Aninha comprou um R2D2 que projeta DVDs na parede, e isso tem gerado noites mais que divertidas ao pessoal.

Profissionalmente, a agência mudou muito também. Deixamos de ser uma "empresa que faz sites" e nos tornamos uma verdadeira agência interativa, com especialização em estratégias online, criação de campanhas, além de importantes parcerias com outras empresas.

Como a Humex, que promove formatos diferenciados de mídia (tela e chão interativos e até o divertido ad-walker), e a Real Media, com expertise em track-it - para os leigos, basicamente é inserir códigos que permitam rastrear o comportamento dos usuários na internet, verificando quais as páginas visitadas e o caminho percorrido por cada usuário depois de clicar em um banner... enfim, fornecer resultados reais das campanhas realizadas. Nas palavras de um cliente nosso, "colocar o sininho no pescoço dos bichanos".

Por essas e outras mudanças, o nosso site estava ultrapassado, recebíamos muitos contatos de pessoas interessadas nos serviços que oferecíamos lá atrás, mas que agora já não eram mais interessantes. Por isso, resolvemos substitui-lo temporariamente por um blog. Mudamos o formato, a linguagem e, principalmente, o conteúdo.

Agora todo mundo colabora, escrevemos sobre os assuntos mais recentes de tecnologia e, é claro, divulgamos tudo de mais legal que acontece por aqui. Se você se interessa por tecnologia, design ou ainda quer saber de todas as baboseiras que aprontamos, clique aqui.

domingo, outubro 26, 2008

Uma noite especial


Carlos foi meu chefe durante dois anos, quando trabalhei na Terroir. Divertido, era muito amigo das doze meninas que dividiam o escritório, o que garantia respeito mútuo.

Adriana era uma das minhas melhores amigas nesta época. Trabalhávamos juntas, nos ajudávamos nos estudos e voltávamos juntas todos os dias, de ônibus. Isso garantiu horas e horas de conversa no ponto de ônibus, bastante união e histórias hilárias pra contar.

Carlinhos e Drica fizeram parte do meu dia-a-dia em uma fase muito importante da vida: o início da vida profissional. Era só o segundo ano de faculdade, explodia a curiosidade para conhecer tudo e mais um pouco sobre a empresa, o mundo dos vinhos, a arte das vendas...

O fato é que, nesta época, fiz algumas amizades muito sinceras mas, com o passar do tempo e com a saída de muitas delas da empresa, acabamos nos afastando quase por completo. As desculpas da vida moderna: correria, trânsito... está tudo uma loucura!

Na noite do último dia 24, Drica e Carlinhos se casaram. A cerimônia foi um misto de emoções. Reencontrar as amigas que eram tão intensas durante aquele período, e sentir que, passe o tempo que for, aquela base que criamos lá atrás se mantém até hoje.

Ver os noivos, lindos, transbordando felicidade entre seus parentes e amigos. Minha amiga arrasando nos votos – de Dante Alighieri a Shakespeare em 20 segundos – e meu ex-chefe-amigo tremendo nas bases antes da entrada da sua noiva. Os filhos das minhas amigas, cada vez maiores e mais falantes... A constatação de que algumas coisas nunca mudam, mesmo.

Uma cerimônia diferente, com lambada no lugar de valsa, muita comida boa e um clima delicioso de reencontro. Ah, sim, regada a prosecco italiano.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Trancendence, 9 a 14 de julho (e o fim das férias)

Com Paulo Henrique Schneider (texto e fotos)

Após três anos de muita saudade e boas lembranças, os núcleos Solar Flares e Tranceformation se uniram para realizar a sexta edição da Trancendence, um dos principais festivais alternativos do Brasil.

Cerca de 4 mil pessoas (incluindo a produção e convidados) participaram do evento. Ônibus escolares foram utilizados para levar as pessoas do estacionamento/portaria até a entrada da festa (foto acima). O público tinha duas opções de camping: um deles ficava ao lado da pista alternativa e o outro, com maior volume de barracas, ficava próximo à Oca (chill out da festa).

Todos os campings estavam equipados com chuveiros e banheiros que contavam com equipes de limpeza 24 horas por dia. Próximo ao segundo camping, passava o belo rio Macaco (foto), que oferecia um banho refrescante e silencioso para aqueles que procuravam escapar do agito.

Um local que certamente recebeu uma atenção especial foi a Oca, uma construção circular de madeira e palha com uma abertura no centro, decorada com tecidos, painéis e uma grande borboleta mecânica que parecia ter vida própria. No centro, uma fogueira queimava durante as noites, trazendo uma atmosfera ainda mais especial.

Destaque para a tarde memorável em que tocou o trio Yagé, quando um grupo de artistas vestidas de azul realizava coreografias e convidava os participantes para a formação de uma grande roda no centro da oca (foto).

Com suas lojas coloridas, repletas de roupas e artesanato do Brasil e do mundo, a Feira Mix ficava entre a Oca e Pista Alternativa, que além da diversidade de produtos, contava com um guarda volumes eficiente, uma loja de conveniência e uma exposição em homenagem póstuma ao fotógrafo Carlos Levistrauss.

A consciência ambiental também estava presente neste “corredor artístico”. A organização disponibilizou o Espaço Fotossíntese, idealizado por um grupo de Uberlândia, em que era possível criar mandalas com sementes coloridas gratuitamente (foto à direita). Crianças e adultos se divertiram no espaço, onde também foram distribuídas sementes nativas para plantio.

Havia mais dois espaços culturais em pleno funcionamento no festival: o Espaço Hoffman de Artes Integradas, em que ocorreram diversas oficinas, e o Zen-Dô Multicultural, que durante o dia contava com atividades como pilates, meditação e palestras, e à noite oferecia mostra de filmes.

A Pista Alternativa possuía um design diferenciado, com uma grande lycra branca instalada em formato de serpente, e as inusitadas árvores prateadas (foto à esquerda), que contavam com uma decoração magnética interativa – ímãs permitiam que se mudassem alguns elementos de lugar.

O espaço foi dedicado a vertentes do house, techno e electro. Por ser uma experiência inédita em uma Trancendence, a pista não funcionou o tempo todo e em poucos momentos ficou “lotada”.

Após uma subida, avistavam-se os enormes leques feitos com bambu e estopa do Main Floor, que formavam um círculo perfeito. A arquitetura oferecia bastante sombra e espaço para dançar, além de um palco central no formato de uma estrela em que foram vistas performances artísticas incríveis, que mesclaram artes cênicas e circenses (fotos).

No local, esteve presente o bom trance psicodélico em suas mais variadas vertentes, do progressive ao dark. Foi feito um bom trabalho por parte tanto dos artistas quanto da equipe de som – foram raros os problemas técnicos – e as apresentações reuniram, sem dúvida, um dos melhores line ups do ano.

Assim como em 2005, neste ano o evento foi alvo de mais uma ação da Polícia Civil de Goiás. Surpresa para alguns, previsível para outros, o fato gerou um clima de tensão entre os participantes e houve uma série de “enquadros” nas pistas de dança e campings. Houve relatos de muitas pessoas que haviam sido indiciadas como usuários de drogas.

Mesmo com esta repressão, sem dúvida a Trancendence será lembrada como uma celebração respeitosa, bonita e integrada de forma harmônica ao cerrado. Quase não se via lixo no chão (com exceção das bitucas de cigarro) e os resíduos produzidos foram devidamente separados para reciclagem. Sem dúvida, uma experiência memorável.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Fazenda São Bento, 5 de julho, 9 horas da manhã.

Acordei às 6h30 e saí de pijama mesmo pela rua da pousada, como vinha fazendo todos os dias. Quase não passa gente ali naquela hora e, se passar, ninguém vai se preocupar se você está de meias com chinelo ou descabelada. Fiquei um tempo ali, parada, sentindo os primeiros raios do sol e a brisa fresquinha da manhã.

Foi quando escutei o barulho característico dos tucanos, um “croc-croc” que jamais vou conseguir narrar por aqui. No alto de uma árvore, avistei o bico grande e amarelo de um tucano solitário. E olha que é difícil encontrar um tucano sozinho: eles geralmente andam em casais.

Aproximei-me devagarzinho até ficar bem em frente à árvore. E ele desfilou sua beleza pra mim durante alguns minutos, dos mais lindos da minha vida.

Café-da-manhã tomado, fomos ao passeio pela Fazenda São Bento, onde se encontram as cachoeiras de Almécegas I e II. Mas, antes, uma parada no ninho das araras. Será que dessa vez seria possível vê-las?

Não demorou muito para que elas notassem a nossa presença e começassem um verdadeiro show de “aeromodelismo”. Eram cinco, azuis na parte de trás e amarelas no peito, e pareciam querer esquentar suas asas ao sol enquanto se exibiam pra nós.

Voavam em duas, e sempre ficava uma tomando conta de um dos filhotes que parecia ainda não ter coragem o suficiente pra encarar o vôo. Gritavam muito, um barato! Não consegui sair de lá até que todas alçassem vôo em busca de alimento, inclusive o filhote medroso, que depois de muito custo deixou seu lugarzinho no tronco do velho buriti e rasgou o céu ao lado de seus pais.

Lindo, lindo. Emocionante, inesquecível. O sol batendo e elas voando, rodando, bem acima das nossas cabeças.

Um dia que começa assim não tem como ser ruim, né? Seguimos pela estrada até a entrada da fazenda. Atualmente, há uma tiroleza neste local, são 850m de comprimento com uma vista linda da chapada, mas preferimos ficar só (só??) nas quedas, mesmo.

Almécegas I é de longe a cachoeira mais gelada em que já estive. O sol bate ali durante poucas horas do dia, o que, juntamente com a vegetação que cresce entre as pedras, dá um ar selvagem ao local (foto à esquerda). Paulo pulou de uma altura de 12 metros, eu não tive coragem. Depois de gelar a alma, partimos para Almécegas II, uma bela queda com um poço bom de nadar.

Lá, sim, eu saltei, de mais ou menos 6 metros de altura. Que frio na barriga! Nadamos por lá bastante tempo, até resolvermos finalizar com a última parada do dia: São Bento (foto à direita), uma enorme queda que desemboca em um gigantesco poço, onde inclusive ocorrem as etapas brasileiras do mundial de pólo aquático. “É um barato, gente do mundo todo acampando aqui em volta, jogando nessa água gelada”, escutamos por lá.

Por falar em gente do mundo todo, quando entramos n’água avistamos um grupo de mais ou menos 40 indianos (não estou brincando), dentre crianças, homens e mulheres. Uma situação totalmente non-sense, todos vestidos com panos, vestidos e muitos, muitos acessórios. Anéis no pé, pulseiras, brincos... É bonito de ver o quanto são vaidosos. Os homens tiraram as camisas e entraram com as crianças na água. As esposas preferiram molhar só os pés e ficar conversando.

Saímos da água e passamos entre eles, nas pedras, sem entender uma palavra do que diziam, tampouco de onde haviam saído. Coisas que você só vai ver na Chapada dos Veadeiros.

Fotos: PH Schneider

sexta-feira, outubro 03, 2008

Parque Nacional, 4 de julho, 8 horas da manhã.

Até por volta de 1950, a região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros era tomada por buracos feitos por garimpeiros em busca de cristais. Com a chegada de Juscelino Kubitschek ao poder, o local tornou-se parque nacional e os buracos foram desativados.

Desde então, os garimpeiros tornaram-se guias turísticos, e formaram a comunidade de São Jorge, vizinha a Alto Paraíso. Hoje, o parque serve de modelo para os outros tantos do Brasil, e estudiosos do mundo todo viajam até lá para conhecer a organização do lugar e também, é claro, para explorar as belezas naturais.

Para desbravar o parque, existem duas trilhas: Saltos e Cânions, com três quedas cada uma. Só se pode escolher uma trilha por dia, já que não se pode ficar no local depois das 17 horas. Também não é possível entrar depois do meio-dia (não dá tempo de fazer a trilha inteira).

Há um número limite de pessoas em cada trilha, e só é permitido fazer quaisquer dos passeios acompanhado por um guia credenciado. Por isso, fomos ao Centro de Atendimento ao Turismo buscar algum guia que tivesse um requisito: caber na cabine estendida do carro. A funcionária nos passou o contato de Hananda, uma menina pequena o suficiente para caber na parte de trás, e esperta o bastante para nos conduzir pela Trilha dos Cânions, a escolhida para aquele dia. Só pra variar, não havia uma nuvem no céu.

Percorremos a espetacular trilha sobre cristais de quartzo branco. Toda a extensão da trilha é forrada por cristais, lindo de se ver. Dizem até que, se olhar uma foto de satélite ali da região, aquele lugar emana uma luz branca lindíssima. Passamos por diversos buracos de garimpo desativados, e por plantas que jamais imaginei conhecer (como essa plantinha carnívora aí do lado).

“O cerrado corresponde a 33% da biodiversidade brasileira”, dizia a placa. E logo em seguida, fomos apresentados a uma espécie de árvore super interessante, da qual infelizmente não lembro o nome. Dela nasce uma frutinha saborosa, mas que se você comer demais causa dor no estômago. Mas não se preocupe: das folhas dessa mesma árvore, faz-se um chá que, curiosamente, é tiro-e-queda para dor de estômago. Pode essa natureza ser mais perfeita?

Passamos também por pedras com uns líquens coloridos: roxo, cor-de-laranja, amarelo (veja foto)... da primeira vez que eu vi, cheguei até a pensar que poderia ser algum tipo de vandalismo, porque as cores eram tão fortes que parecia tinta. Hananda explicou que esses líquens só nascem em locais em que o ar é extremamente puro. Oba, virou regra: toda vez que passava por uma pedra daquelas, respirava fundo...

A primeira queda a que se chega é a Cachoeira das Carioquinhas (foto). Diz a lenda que duas cariocas desbravavam a região quando encontraram esta belíssima queda. E assim ficou o nome. Um mergulho gelado e delicioso, alguns minutos de descanso, e seguimos o passeio até chegar ao Cânion 2.

Era uma grande piscina natural, com duas plataformas para quem se arriscasse a pular (eu pulei das duas – frio na barriga master hehe) e um corredor ladeado por paredões de água que, nessa época da seca, dá pra nadar e ver de baixo, tranquilamente. Fiquei boiando naquela água e pensando no privilégio que é poder fazer pelo menos uma viagem desta por ano.

E seguimos para a terceira e última parada: Cânion 1. Este fica fechado na época das chuvas, mas neste período dá pra sentar na parte de cima e ficar admirando os paredões. Neste último, não há jeito de mergulhar, só de contemplar (foto).

Importante lembrar que cada parada dentro do parque possui dois bombeiros, o que reforça a sensação de segurança e de organização. Ah, sim! E paga-se a simbólica taxa de R$ 3,00 para entrar, além da diária do guia, fixada em R$ 60,00.

Felizes e cansados, chegamos novamente à entrada do parque. Já na volta, conversando com Hananda, demonstramos nossa vontade de ver araras. Então, ela nos contou sobre um casal de araras que se alojou em uns troncos mortos de buriti para ter seus filhotes, e tiveram três mas, em vez de seguir caminho, elas se estabeleceram ali, e de lá não saíram. Passamos em frente, paramos o carro (era bem próximo à estrada), mas nada delas.

Não desistimos. Passaríamos em frente todos os dias, até conseguir vê-las. Mal sabíamos nós das espetaculares surpresas do dia seguinte.

Fotos: PH Schneider

quinta-feira, outubro 02, 2008

Get back to where you once belonged

Mais de um mês sem escrever por aqui. Desculpa, amigo leitor. Se é que ainda tem alguém que passe por aqui, depois de acessar tantas vezes e dar de cara com o mesmo texto. Eu mesma faço muito isso: se acesso um blog durante alguns dias, e não encontro atualização periódica, ele vai aos poucos caindo no esquecimento.



As coisas não têm sido muito fáceis, em quase todos os aspectos em que se pode ter dificuldade na vida. Mas agora (espero) tudo vai ficar menos difícil – já está um pouco, eu diria – e prometo nunca mais demorar tanto para postar. Prometo!

O cúmulo da falta de tempo é aproveitar alguns momentos e traçar, à mão, os três últimos textos sobre as férias – ah! As férias, agora tão distantes – e não conseguir sequer digitá-los, ou chegar em casa tão saturada de olhar para um computador, que aquela máquina do lado da cama causa repulsa.

Ou ainda, o cúmulo da falta de tempo é aproveitar um momento na reunião com o cliente em que ninguém está prestando atenção em você, para rabiscar um pedido público de desculpas aos seus leitores, que é o que eu faço neste exato momento.

Espero sinceramente que vocês não tenham se esquecido deste humilde blog.

domingo, agosto 24, 2008

Vale da Lua, 3 de julho, 9 horas da manhã.



Walking on the moon...

Prepare-se para conhecer um dos lugares mais lindos da sua vida.

Sempre que eu comentava sobre a viagem com alguém que já conhecesse a Chapada dos Veadeiros, a pessoa falava: “não deixe de conhecer o Vale da Lua, é um lugar único”. Por isso, não quis perder a oportunidade e, logo no segundo dia de passeio, resolvemos ir pra lá.

Fica a poucos quilômetros do centro de Alto Paraíso, você pega a estrada e logo vê a placa: Vale da Lua – 4 km. Uma estradinha de terra adentrando o cerrado, e estacionamos ao lado da casa de Paulo Roberto, o simpático dono da propriedade. Ele contou que o Vale da Lua era de seu pai, falecido recentemente, e agora era ele quem cuidava de tudo por lá.

Cobrou a simbólica taxa de R$ 5,00 por pessoa, e indicou: “caso queiram ficar mais à vontade, sigam pela esquerda depois da bifurcação. As pessoas costumam ir à direita e já chegam direto no último poço, mas se vocês forem à esquerda conhecerão os outros dois poços”.

E foi o que fizemos. Seguimos por uma breve trilha até avistarmos o início de uma formação rochosa simplesmente espetacular. Dizem que, há bilhões e bilhões de anos, por ali havia um vulcão, e o magma endurecido resultou naquele tipo de rocha. Com o passar dos anos, as águas que começaram a correr por ali moldaram a rocha, e o resultado vocês podem ver nas belas fotos tiradas pelo PH! :)

Eram três poços – para variar, geladíssimos. Você andava pelas pedras (vez ou outra encontrava pedaços de cristais incrustados, como na foto ao lado), e aos poucos ouvia o barulho da água que passava lá em baixo. Chegamos ao primeiro poço e arriscamos um breve mergulho (até porque, estávamos a sós por lá, e poderíamos gritar à vontade caso a água gelasse a alma, como de costume).

Mais uma breve caminhada pelas rochas exóticas, e outro poço de água verdinha e transparente. Este, com uma particularidade: havia uma passagem que levava a uma queda pequena, mas maravilhosa. Fomos até lá, e, desbravando tudo, descobrimos uma galeria silenciosa através de um buraco na rocha. Não tivemos coragem de entrar, porque cada piscina natural que encontrávamos possuía uma aranha como zeladora, e o tamanho da piscina era proporcional ao de sua guardiã! Já pensou?

Extasiados, chegamos ao último poço, este sim, com algumas pessoas se banhando. Saltamos de um ponto não muito alto (cerca de 4 metros), e pudemos aproveitar muito as belezas daquele lugar.

Como o passeio não tomou o dia todo, ainda conseguimos finalizar a tarde na cachoeira Morada do Sol, que inclui o passeio para o Vale das Andorinhas – um cânion lindíssimo – de onde vimos o sol se pôr na Chapada.

domingo, agosto 03, 2008

Alto Paraíso de Goiás, 2 de julho, meio-dia.

Após duas horas e meia adentrando o cerrado brasileiro pela GO-118, avistamos os portais de pedra mineira que anunciavam a chegada à pequena e charmosa cidade de Alto Paraíso de Goiás. Alto, para os íntimos.

A avenida principal concentra grande parte dos serviços do local: o eficiente CAT (Centro de Atendimento ao Turismo), diversos restaurantes, bares e lojas de artesanato e cristais nativos com artigos de se apaixonar.

Estacionamos o carro em frente à Pousada Alfa & Ômega por volta do meio-dia, e fomos recepcionados por Luís Paulo, o dono de lá, e por seu cachorro, da raça American Indian (parece um lobo, porém muito dócil).

Luís chamou Melissa, que nos levou ao quarto Rubi. Assim como todos os outros, ficava em bangalôs com cristais na ponta, entre as árvores. Com o objetivo de aproveitar a tarde para fazer algum passeio, corremos para retirar os muitos quilos de bagagem que nos acompanhavam e partimos para tomar um lanche.

Mel nos indicou o Barracão 3, lanchonete que fica em frente à Rodoviária. Ficamos assustados com o tamanho do sanduíche, e principalmente com seu sabor. Peito de peru com mussarela derretida, pasta de azeitona e alface na ciabatta. Perfeito.

Ainda dava tempo de visitar o ponto mais próximo da cidade, a Cachoeira das Loquinhas. “Vão tomar banho de esmeralda”, é como dizem por lá. E pude ver que era verdade assim que chegamos ao Poço do Curumim, primeiro dos sete de água cristalina e muito gelada que viriam pela frente.

A trilha das Loquinhas é apropriada para crianças e pessoas de idade: toda de madeira, com escadas e plaquinhas indicativas que levam às quedas. Um verdadeiro “resort adventure”.

O momento mágico da tarde ficou por conta do poço da Xamã (foto) que, devido ao sol fortíssimo, tinha água morna na superfície. Ah sim, e o principal: em todos os poços, não havia mais ninguém. Sabe o que é conseguir ficar em absoluto silêncio e escutar só os barulhos da natureza? Mais sossego impossível.

Com a sensação de energia renovada que só a água corrente traz, finalizamos o dia no tradicional restaurante Massas da Mamma. É pedir pra cair na cama e desmaiar!

sábado, agosto 02, 2008

Brasília, 1 de julho, nove horas da noite.

Era apenas o primeiro dia das férias, e eu já havia passado por várias cidades até parar na capital do país. À noite, fomos visitar Pedro, um médico recém-formado que, assim como todos os colegas de sua classe, foi chamado para trabalhar no exército. "Eles estavam precisando de gente lá. O trabalho é cansativo, mas eu não acho ruim porque paga-se bem."

Por sinal, a impressão que se tem é que - com algumas exceções - ganha-se muito bem em Brasília. Os apartamentos (como a Joyce citou em comentário no post anterior) são caros, mas ao mesmo tempo amplos, e é fundamental ter carro para se locomover pela cidade. O transporte público é fraco.

O restaurante japonês foi a feliz escolha para matar a fome. Chamava-se Nipon e oferecia um farto rodízio com direito a camarões grelhados e todo tipo de peixe. O suficiente para que o cansaço do dia caísse de vez sobre nossas costas. Fica na SCLS 403, bloco A, loja 28. Não me peça pra explicar o caminho. Tel: (61) 3224-0430.

Pedro foi muito gente boa e ainda nos levou para dar uma volta pela cidade. Foi muito interessante ter finalmente um contato visual com aqueles famosos monumentos, passar pelos ministérios, o Itamaraty, a lindíssima Catedral de Brasília e até a ponte Juscelino Kubitchek, que você vê na bela foto acima de Juca Filho.

De um modo geral, achei as pessoas inteligentes e politizadas, a cidade organizada e limpa. Fui dormir pensando que Brasília é uma enorme exposição a céu aberto. E era apenas o primeiro dia das férias.